Another Life
28 Chapter 28
Notas iniciais
Sentados à mesa enquanto bebiam suco — Arthur não podia ingerir nada alcoólico por conta ainda do remédio que tomava e Sara porque iria dirigir depois — e aguardavam seus pedidos virem, o casal conversava sobre o fato de Sara ser vegetariana.
—Há quanto tempo mesmo você não come carne?
—Dez anos. Eu tinha quinze anos quando decidi abolir carne do meu cardápio.
—Por que essa decisão radical? — Ele a questionou antes de bebericar seu suco de laranja.
—Foi muito por causa de uma experiência horrível de ciências que na escola, o qual envolvia um porco morto. Desde aí, eu passei a não comer mais carne. Me lembro que quando cheguei em casa nesse dia e disse pro meu pai que não iria mais comer carne e viraria vegetariana, ele não me levou nada a sério. Mas depois de um mês em que eu não havia comido nenhum pedaço de carne sequer, ele viu que era séria mesma a minha decisão.
—E você não sente falta?
—Não. Logo no começo foi difícil, pois eu sentia falta mesmo. E ver o meu pai e meu irmão comendo carne na minha frente não ajudava muito. Mas depois que me acostumei, passei a não sentir falta alguma.
—Então o fato de eu ter pedido um prato que tem carne, não será problema pra você?
—Não. Pode comer tranquilo.
Ela sorriu.
Os pedidos deles chegaram instantes depois. O dela era um Nhoque de batata e o de Arthur era Saltimbocca alla Romana (pedacinhos de bife de vitela com presunto por cima e uma folha de sálvia).
Enquanto cada um saboreava seu prato, nenhuma conversa foi trocada apenas alguns comentários a respeito de seus pratos que ambos classificaram como: saborosos.
Algum tempo depois, eles saiam satisfeitos do restaurante pelo ótimo almoço que apreciaram. E como abriram mão da sobremesa, eles resolveram tomar um sorvete numa sorveteria que havia ali perto.
De mãos dadas como um casal que eram, eles seguiram a pé mesmo caminhando pela cidade tranquila de East Wood em direção a sorveteria. Como o lugar ficava a pouca distância do restaurante, eles resolveram não ir de carro e deixaram o veículo de Sara lá estacionado onde estava.
No meio do caminho para à sorveteria, quando eles passavam em frente à uma banca de revistas, os olhos de Sara bateram despretensiosamente no jornal exposto ali e uma matéria chamou sua atenção fazendo a jovem parar de andar e se aproximar da pequena pilha de últimos jornais que ainda restavam pra serem comprados.
—O que foi? — Arthur se aproximou e a olhou sem entender.
Ela não lhe respondeu apenas apanhou o jornal e leu a seguinte notícia:
"O experiente Doutor Emil Whitenburg foi nomeado ontem como o novo presidente do conselho de medicina."
Sara sorriu ao ler aquilo. Sabia o quanto o médico almejava chegar aquele cargo. Emil tinha sido seu mentor e foi quem lhe levou para trabalhar no hospital de West Hill. Ler aquela notícia deixou Sara feliz por ele.
—Conheço este médico. — Ela contou a Arthur. _Ele foi meu mentor e chefe no hospital em que trabalhei.
—Aqui tá dizendo que ele agora assumirá o cargo de Presidente do Conselho de Medicina.
—É muito mais do que merecido isso. Eu lembro que ele sempre dizia que era o sonho dele chegar a esse posto.
—Bom, ele chegou.
E ela estava imensamente contente e feliz com por ele!
—Vamos tomar o nosso sorvete? — Ela devolveu o jornal a pilha e agarrou a mão de Arthur.
—Não quer levar o jornal pra ler sobre a matéria do seu ex-chefe?
—Não tem necessidade de levar.
—Ok.
Os dois retomaram o caminho pra sorveteria sem sequer imaginar que naquele mesmo jornal, havia uma matéria sobre Arthur/Grissom e a missa realizada mais cedo em intenção do empresário, na cidade natal dele.
...
Chegando a sorveteria em poucos instantes, eles se acomodaram em uma pequena mesa que ficava de frente a enorme janela de vidro, de onde se podia ver o movimento da rua lá fora.
Uma jovem mocinha veio atendê-los tão logo se acomodaram. Eles pediram duas taças de sorvetes, um de chocolate que era pra Sara e outro de morango pra Arthur. Enquanto aguardavam seus sorvetes, Sara comentou com Arthur se ele se incomodaria deles darem uma passada na livraria que havia há uns quarterões dali, depois que saíssem da sorveteria. A jovem explicou que há mais de uma semana tinha encomendado um livro ao dono da livraria e acabou lembrando disso agora. Arthur não viu problema algum em eles passarem na livraria depois.
Seus sorvetes chegaram e eles se deliciaram com aquele doce gelado e muito gostoso. Em determinado momento, Sara fez Arthur provar o seu sorvete e o homem fez o mesmo com ela. Entre uma colherada e outra de sorvete, o casal trocava beijos e carinhos. E sem que se dessem conta, eles eram o centro da atenção dali do estabelecimento. As poucas pessoas que ali se encontravam, estavam encantadas com aquele bonito e apaixonado casal. Era visível pra elas o quão apaixonado aquele homem e aquela mulher pareciam um pelo outro. Sem contar, que eles faziam um bonito casal!
Tão logo, eles acabaram seus sorvetes e sinalizaram à jovem garçonete pra trazer a conta, foi que Sara notou os olhares alheios direcionados a ela e seu acompanhante. Comentou com Arthur e este apenas sorriu ao constatar que era verdade que eles eram observados pelos demais ali.
—Não te incomoda isso? — A jovem quis saber dele.
—Nenhum pouco! Podem olhar à vontade.
Eles saíram da sorveteria e no caminho para pegar o carro pra assim irem à livraria, Sara se recordou do ocorrido no restaurante e achou que aquele fosse o momento pra descobrir de Arthur a razão daquele seu comportamento.
—Posso te fazer uma pergunta?
—Faça! — Ele beijou seu rosto enquanto seguiam abraçados pela calçada.
—Por que me abraçou daquele jeito no restaurante?
—Você não gostou que eu tenha feito aquilo? — Ele respondeu com outra pergunta.
Talvez na concepção dela, ele tenha sido abusado demais com aquele gesto e por isso, estava lhe indagando àquele respeito.
—Não é isso. Eu só achei estranho que tenha me abraçado de repente e daquele jeito. Pode me dizer a razão daquilo?
—Senti vontade, só isso.
Ele mentiu.
—Sei... por que não me diz a verdade?
Ela não havia engolido aquela sua resposta. Podia sentir que tinha sido mais do que só uma simples vontade por trás daquele abraço repentino.
Vendo que ela não estava acreditando na sua desculpa furada, Arthur resolveu abrir o jogo com ela.
—Ok! Você quer a verdade?
—Sim.
—Pois bem... é que tinha homem demais olhando pra você. Eu me incomodei, por isso fiz aquilo. Só queria deixar claro pra eles que você tava acompanhada e que eles não tinham chance alguma.
Ela ficou surpresa com a declaração dele. Não esperava que aquela fosse a real razão daquilo. Ciúmes!
—Você é ciumento.
Isso foi mais uma afirmação do quê, propriamente, uma pergunta.
—E quem não é?!
—Eu não sou.
—Não?
—Não!
E realmente, ela não era, nenhum pouco. Talvez, por isso mesmo Hank tenha conseguido lhe enganar tão bem.
—Devo me preocupar com o fato de você ser ciumento?
—Se está pensando que vou fazer cenas escancaradas de ciúmes e te envergonhar por isso, fique tranquila. Acho que não chego à tanto assim.
—Que bom! — Ela sorriu e lhe deu selinho.
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