Notas iniciais
Foi com alegria que ao abrir minha conta, eu vi uma recomendação linda da minha querida Fofura. Tudo o que posso fazer é agradecer. Obrigada por sua recomendação e suas palavras. Esse capítulo é especialmente seu. Espero que goste.

—Ok! Vamos tentar de novo.

—Isso não vai dar certo.

Ela começou a rir nos braços dele. Ele encasquetou de lhe ensinar a nadar. Haviam descoberto que ele era excelente nadando — eles mal podiam imaginar que ele na juventude foi campeão Junior de natação quando cursava o colegial. E ele tinha tudo pra ser um atleta profissional de futuro brilhante, mas uma lesão no ombro acabou com sua possível carreira de atleta — e de posse dessa descoberta de que ele sabia nadar bem, Arthur resolveu ensiná-la. Mas não estava dando muito certo isso. Com ela de bruços em seus braços, flutuando na água, ele lhe dava as instruções de bater os braços e as pernas ao mesmo tempo. No entanto, ela não tinha a menor coordenação motora pra realizar tal tarefa e caia na risada disso, sendo acompanhada por ele.

—Claro que vai. Não seja pessimista.

—Pessimista?? Sou realista. Além do mais, eu tô me sentindo ridícula nessa situação. Pareço uma criancinha aprendendo a nadar.

—É a 'criancinha' mais linda que eu já vi.

—Arthur!

—Que?? Só tô dizendo a verdade! — Ele beijou seu ombro enquanto ria. _Agora, vamos lá, mocinha! Vamos tentar mais uma vez!

Por mais um tempinho, ele tentou ensiná-la, mas não deu muito certo. Aos risos, eles desistiram daquilo. Ela não tinha mesmo qualquer coordenação motora pra executar a tarefa de bater as pernas e os braços ao mesmo tempo. E isso acabou causando risada neles.

—Acho que eu não divertia assim com alguém há tempos!

Ela lhe confessou com um sorriso nos lábios, enquanto deslizava as mãos pelos ombros dele que estava abraçado à ela.

—Que bom que eu te divertido.

Depois da triste noite de ontem em que ela lhe revelou sobre seu pai, Arthur se sentiu feliz por vê-la sorrindo agora e por ser o responsável por aquilo, e proporcionar momentos alegres como esse à ela.

Vê-la alegre não tinha preço. E que bom que aquela nuvem de tristeza que via encobrir os olhos castanhos da jovem diante si, ele não via mais desde ontem. E isso, lhe deixava mais contente ainda. Tudo o que queria era ver Sara feliz e sorrindo.

—Você faz muito mais do que só me divertir, Arthur. Você tá meio que... mudando a minha vida. Ou apenas, me fazendo voltar a ser como eu era antes da morte do meu pai.

—E como você era antes disso acontecer?

—Alegre. Feliz. Eu vivia sorrindo, sabe? Meu pai costumava brincar dizendo que eu podia fazer comercial de creme dental, porque eu estava sorrindo o tempo todo.

—E você tem um sorriso lindo!

—E você tá sendo gentil.

—Não!... Eu tô sendo sincero.

Ele disse, colando mais ainda o corpo dela ao seu naquele abraço que lhe dava.

—E acho que mereço uma recompensa por isso. Quem sabe, um beijo? Já faz uns vinte minutos que não ganho um beijo sequer.

—Ah! Está cronometrando isso? Não posso acreditar!

Ele gargalhou diante das palavras dela.

Sara sorriu gostando daquele som da gargalhada de Arthur. Era um som agradável e sem contar, que ele ficava mais lindo ainda sorrindo.

—Pois acredite!... — Afirmou Arthur ainda sorrindo. _E quero o meu beijo, senhorita.

Passando os braços em torno do pescoço de Arthur, a jovem morena salpicou um rápido beijo no amado.

—Pronto! Satisfeito?

Ela o provocou.

—Claro que não! — Ele respondeu prontamente. Não era esse tipo de beijo que ele queria. _Eu quero um beijo de verdade. Um beijo assim!

Levando uma de suas mãos a nuca dela, Arthur então beijou Sara. E não foi um beijo inocente como os que vinham trocando. Esse foi diferente, urgente. Com desejo, paixão e vontade.

A língua dele explorava, provava cada canto da boca de Sara ansiando sempre por mais e mais. Beijá-la era tão bom, mas dessa vez, estava sendo muito mais do que só bom. Sua vontade era de não parar aquele beijo tão cedo. Ouviu-a deixar escapar um gemido durante o beijo e o som disso, despertou mais ainda seu desejo por ela. Ele a queria! E seu corpo reagindo àquela vontade imensa, deu a dimensão exata à Sara das intenções dele.

E por mais que, naquele momento, Sara compartilhasse também, indiscutivelmente, desse mesmo desejo que Arthur, ainda assim, a morena achou que era cedo pra pularem pra essa parte. Sem contar, que ele ainda estava em recuperação. Então, reunindo forças de onde não tinha, a jovem interrompeu o beijo.

—Acho melhor a gente parar por aqui.

A jovem disse a Arthur ao mesmo tempo em que o afastava com delicadeza de perto dela.

—Algum problema em seguirmos adiante nisso?

Ele ficou sem entender nada. Podia sentir o desejo dela por ele. Mas por alguma razão, ela brecou as coisas entre eles.

Sem graça, ela lhe explicou:

—Você ainda não está completamente recuperado pra esse tipo de... 'atividade', Arthur.

—Tô quase!

Ele rebateu aproximando-se novamente de Sara e segurando na cintura da morena.

—'Quase' não é completamente.

—É só por isso mesmo que não quer que avancemos ou será que tem outra razão por trás disso que eu não sei?

—Que outra razão seria, Arthur?

Ela o fitou sem entender do quê ele estava falando.

Arthur ficou sem jeito de dizer aquilo. Por ela ser jovem, ele deduziu que talvez, ela nunca tivesse feito "aquilo", e por isso brecou as coisas ali. Mas como dizer isso a ela sem constrangê-la.

Foi então, que para sua total surpresa, Sara pareceu ler seus pensamentos.

—Você não está achando que eu ainda sou virgem, não é? É à isso que quis se referir, não foi?

Pela forma com a qual ele lhe encarava desde que se pronunciou pela última vez, e sua hesitação em falar, Sara deduziu que fosse aquilo.

Arthur ficou desconcertado diante da assertiva dedução dela.

—Sim!

Foi a única resposta dele.

—Pois pode esquecer que isso não é. Eu não sou mais virgem. Pra sua informação, eu perdi a virgindade com 17 anos, com o primeiro namorado que tive. E não foi uma experiência tão romântica quanto eu esperava. Na verdade, foi bem engraçada.

Ela inevitavelmente riu da lembrança daquele momento que as garotas tanto sonham e criam expectativas em cima. Inclusive, ela foi uma dessas garotas. Mas na prática foi bem diferente dos seus sonhos, pois seu namorado não tinha a menor experiência com sexo. Era mais virgem que ela!

—Como assim?

Sara caiu na risada da cara incrédula e confusa de Arthur ao lhe questionar aquilo.

—Ele era tão inexperiente quanto eu, Arthur. — Contou a jovem após cessar por um momento, o riso. _Na realidade, BEM mais do que eu. Sequer sabia por onde começar e eu rindo dele na hora H, não ajudava muito.

—Sério?

—Sim! E, você, acredita que ele nunca tinha visto uma garota nua até o dia que nós fomos ter relações?

—Onde você arranjou esse namorado, Sara?

Novas risadas dela agora misturadas as dele que mal conseguia acreditar naquilo que ouvia.

—No cursinho. Antes de mim, ele nunca tinha namorado outra garota. Tímido, ele era o nerd da turma. Super inteligente e foi justamente isso, que me atraiu nele. Foi criado pela avó materna, uma senhora religiosa fervorosa, que lhe ensinou desde de pequeno a se conservar puro até o dia do casamento.

—Não? Sério isso?

—Sim. Estávamos namorando há três meses quando eu o fiz perder a "pureza" depois de muito insistir. Minhas amigas todas já não eram mais virgens e eu pra não ser a única virgem do grupo, então convenci o Ben a termos nossa primeira vez. E quando a avó dele soube por ele que contou à ela sobre a gente ter tido relações, a mulher me odiou por isso. Sabia que ela queria que eu casasse com ele depois disso?

—Não??

—Sim!! Meu pai disse que eu não ia casar coisa nenhuma com o neto dela.

—Você contou pro seu pai sobre ter tido relações com seu namorado?

—Contei, claro. Meu pai e eu tínhamos uma relação bem aberta e sem segredos, Arthur. Eu contava tudo pra ela. Até quando rolou a minha primeira vez com o Ben.

—Certo!

—E, voltando a avó do meu ex-namorado, ELA, disse que se não haveria casamento então não queria mais o neto dela namorando uma "perdida". Assim, meu namoro com ele terminou!

—Santo Deus, Sara!... E o rapaz?

—Ficou morrendo de vergonha de mim depois!

—Pudera!

Eles sorriram da história dela. Mas depois já sem sorrir, Sara notou que Arthur passou a ficar encarando-a de uma maneira interrogativa.

—Que foi?

—Gostaria de ter estado no lugar desse tal de Ben e ter sido o primeiro na sua vida. Posso te garantir que seria bem diferente. Não teria nada de engraçado. Seria bem romântico e especial como tem que ser um momento desses.

Sorrindo, ela tocou o rosto dele e lhe beijou os lábios.

—Eu tenho certeza de que seria diferente mesmo do que foi com o Ben. — Sara lhe murmurou após outro beijo que havia dado em Arthur.

—Você me deseja, Sara?

Ele precisava saber, mesmo desconfiando da possível resposta que ouviria. O fato dela ter correspondido tão avidamente ao beijo era indiscutivelmente, uma resposta e tanto. Porém, Arthur queria ouvir de seus lábios a confirmação daquilo que sentiu dela.

—Mais do que você imagina!

O desejo havia e não era pequeno. Se não fosse o fato dele estar machucado, certamente, ela tinha cedido a investida de Arthur e eles teriam feito amor ali no lago. Mas esse ainda não lhe parecia o momento e nem a ocasião propícia pra isso. Daqui à uns dias com certeza!

Notas finais
Ainda não foi dessa vez que rolou a primeira vez deles. Um grande beijo e até o próximo capítulo, meus amores.