A primeira coisa que Sara notou quando abriu os olhos naquela manhã, foi que estava sozinha na cama. Tocou o lado em que Arthur havia dormido e estava frio, o que significava que o homem de olhos azuis já havia levantado há um tempo bem razoável.

Onde será que ele estava?

Por que não estava ali ao seu lado?

Rolando na cama, a jovem deu uma espiada no relógio digital sobre o criado-mudo. Ele marcava 09h27m. Era tarde para o que ela costumava acordar. Sempre levantava por volta das sete e pouco, mas hoje foi diferente.

Inevitavelmente, a morena recordou-se da noite de ontem. De contar a Arthur sobre seu pai e aquela tragédia toda que envolveu sua morte e a vinda dela pra esse lugar. O choro convulsivo que lhe tomou ao revelar aquela história toda. Os braços de Arthur lhe envolvendo e tentando acalmá-la por incontáveis minutos até que ela acabou adormecendo no calor de seu abraço reconfortante e protetor. E na madrugada, o pesadelo e o novamente o cuidado e carinho de Arthur com ela. Ele tinha sido um amor com seus cuidados e preocupação. Ela se sentiu tão segura e protegida tendo-o ao seu lado. E diferentemente, das outras vezes, dessa o pesadelo não voltou a atormentá-la mais uma vez, como era do habitual. E, ela tinha quase certeza de que aquilo só ocorreu porque Arthur estava ali com ela. Ele fazia um bem enorme pra ela e Sara sabia... o coração dela o tinha como dono absoluto.

Resolveu levantar e procurar por seu amado pra lhe agradecer por tudo o que ele lhe fez ontem. Algo lhe dizia que ele estaria na cozinha e foi pra lá que ela seguiu após fazer sua higiene matinal.

Chegando a cozinha, Sara o encontrou de costas pra ela e terminando de passar café. A jovem ficou parada à porta apenas observando Arthur que sequer notou sua presença ali.

Sara deu uma olhada em direção à mesa e esta se encontrava impecavelmente arrumada e bem abastecida de tudo de bom para um perfeito e apetitoso café da manhã.

Arthur se virou pra depositar a garrafa do café na mesa e só então, que a presença de Sara foi notada pelo homem de belos olhos azuis.

—Ei! Bom dia! Faz tempo que está aí?

Um sorriso lindo enfeitou o rosto daquele homem o qual Sara havia se apaixonado.

—Poucos segundos. — Ela contou vindo em sua direção e parando diante dele com uma distância de centímetros os separando um do outro.

—Como você está?

Ele quis saber segurando em suas mãos.

—Melhor!

—Que bom!

—Sinto como se tivesse tirado um peso de cima dos ombros ao ter dividido com você aquela história toda!... Obrigada, Arthur!

Os lábios dele se esticaram sutilmente em um sorriso contido, enquanto Arthur ajeitava carinhosamente uma mecha do cabelo de Sara que havia caído sobre o rosto dela.

A jovem morena sorriu daquele gesto de Arthur. Ele era tão carinhoso que ela se via cada dia mais encantada e apaixonada por ele.

Às vezes, ela ainda custava a crer que um homem daqueles tinha aparecido em sua vida. Ele parecia perfeito demais! Arriscaria até em dizer que ele parecia um príncipe saído dos contos de fadas pra fazê-la voltar a acreditar no amor e na magia que traz a vida das pessoas.

—Pelo quê está me agradecendo?

Ele quis saber, tocando seu rosto após ajeitar seu cabelo atrás da orelha e fazendo a jovem voltar a realidade.

—Por ter me ouvido e por está aqui comigo.

Ela lhe respondeu e logo em seguida, o abraçou acabando com a pequena distância que havia entre eles.

—Você se tornou muito especial pra mim, Arthur!

—Você também, Sara. E não precisa me agradecer por nada. E pra falar a verdade, quem tem que agradecer aqui sou eu, por você confiar em mim e me contar isso.

—Eu precisava te contar. Não podia ficar escondendo isso por mais tempo. Você merecia saber.

Ele se afastou só o suficiente pra fazê-la olhar em seus olhos, enquanto lhe dizia:

—Obrigado pela confiança. Saiba que você não tá mais sozinha. Agora você tem à mim. Na verdade, temos um ao outro agora. E pode contar comigo para o quê for. Sempre! Ouviu?

Sara assentiu e tocou carinhosamente o rosto dele. Arthur parecia ter aparecido em sua vida pra mudá-la. Ou talvez, pra dar um novo sentido à ela. E, em ambos os casos, ele estava sendo sucedido.

—Não faz ideia do quanto você me faz bem!

—Com certeza, é o mesmo tanto que você me faz também.

Ele lhe piscou e sorriu de uma maneira tão linda, que o coração de Sara pareceu ter dado uma cambalhota dentro dela.

O sentimento que nutria por aquele homem já havia se tornado em tão pouco tempo algo tão grandioso, que ainda lhe assustava por isso. Mas, ela sabia, aquilo era verdadeiro e pra sempre. Ao menos pra ela! Esperava que pra ele fosse o mesmo e continuasse sendo assim, quando ele um dia recuperasse a memória.

Não resistindo a proximidade entre eles, a jovem beijou aquele homem por quem havia se apaixonado de uma maneira que até então nunca havia acontecido com nenhum outro homem antes.

Depois do beijo demorado, o casal se acomodou a mesa pra desfrutarem do farto café da manhã preparado por Arthur.

Eles comiam em um clima romântico e regado a pequenas trocadas de beijos, sorrisos e olhares apaixonados, entre uma xícara de café e outra.

...

A igreja matriz havia sido fechada para aquela missa em intenção a Grissom. Dentro dela muitas pessoas estavam presente. Muitos funcionários que fizeram questão de comparecer e prestar sua última homenagem ao chefe. Também estavam presentes amigos e conhecidos de Catherine e seu irmão, além da noiva de Grissom, bem como os pais dela.

Foi uma missa rápida pra não estender mais ainda a dor daquele momento. Padre Luigi, um senhor italiano radicado em Los Angeles há muitos anos, e que conhecia Grissom desde que ele era só um garoto — inclusive foi com o reverendo que Gil fez sua primeira comunhão — estava fazendo missa. E para o padre não estava sendo fácil realizar aquela missa, pois era em intenção à alguém que ele conhecia de anos, que viu crescer e se tornar o homem que era.

Em seu sermão, o reverendo disse muitas palavras bonitas que emocionaram a maioria dos presentes, inclusive à si próprio. Depois fez uma oração intercedendo pela alma de Grissom e a missa foi encerrada.

Em sua saída da igreja após receber as devidas condolências dos presentes na missa, Catherine foi cercada por um batalhão da imprensa que se encontrava ali pra pegar uma declaração da irmã do empresário, mas está não disse nada. 'Blindada' e escoltada pelo namorado e Albert, um velho conhecido da família, a loira entrou no carro e foi embora dali.

—Esse pessoal da imprensa não se manca.

—São uns urubus isso sim, Albert. — Enquanto afagava os cabelos da namorada que olhava perdida pela janela do carro, Warrick rebateu ao homem mais velho que ia no banco do carona ao lado de seu motorista particular.

—Cath, querida, talvez você devesse se afastar da cidade ou viajar por um tempo. Esses urubus não vão lhe dar trégua enquanto não falar com eles.

—Eu não pretendo ir a lugar algum, Al. — A loira retrucou sem olhar para o velho conhecido. Ele tinha sido um grande amigo de seu pai.

Não seria fácil pra ela superar aquela perda terrível, mas fugir dali não ajudaria em nada.

Notas finais
Beijos e até o próximo.