Another Life
21 Chapter 21
Notas iniciais
Sob a água morna que caia forte do chuveiro e massageava seus ombros, Sara não parava de pensar na conversa que havia decidido ter com Arthur a respeito de ter lhe "omitido" sobre ser médica. Talvez fosse até melhor compartilhar logo com ele aquilo, mesmo não estando totalmente segura disso.
Ela tinha aceitado dar uma chance a eles de viverem juntos aquilo que nasceu entre eles nesse curto tempo que já se conheciam, então nada mais justo, que deixar os segredos de lado e lhe partilhar aquele trauma que carrega na alma, o qual aflige seu coração há exatos um ano.
Apenas duas pessoas sabiam disso. Uma era seu irmão obviamente, e a outra era Lucy. Havia contado a amiga há alguns meses, depois de não aguentar mais guardar aquela dor só pra si. Tinha que dividir aquilo que já lhe sufocava, então, acabou por compartilhar aquela trágica história a amiga e está, ficou compelida de sua dor e acabou entendendo algumas coisas no jeito da jovem como, por exemplo, aquela tristeza que via em seu olhar e que não lhe abandonava desde que se conheceram.
E agora, ela estava ali prestes a revelar pra mais alguém aquela dor que ainda lhe perseguia. Só esperava que ele entendesse as razões pelas quais, ela omitiu, ou melhor, mentiu a respeito de sua profissão.
Sara ainda usufruiu daquela maravilha de banho quente por mais alguns minutos. Depois, ela saiu dali, tratou de vestir algo confortável e quente, porque já era noite e o tempo sempre esfriava ali quando anoitecia. Devidamente vestida, a jovem então desceu.
Chegando à entrada da cozinha, Sara acabou por se chocar com Arthur que vinha saindo do cômodo pra justamente, ir chamá-la em seu quarto.
—Au! — Os dois exclamaram junto ao se chocarem um no outro.
—Te machuquei, Arthur? — Ela quis saber alarmada ao notar o homem levar uma das mãos as costelas.
—Não, honey.
—Mesmo?
—Mesmo!
Ele lhe roubou um beijo e depois a tranquilizou dizendo que estava tudo bem com ele.
—Estava indo te chamar. Fiz um pequeno banquete pra você. Vem!
Tomando a mão dela na sua, o homem levou Sara até a mesa e fez a jovem se acomodar na cadeira que ele gentilmente puxou pra ela.
Na mesa realmente havia um pequeno banquete montado pra ela. Tinha torradas, chá, suco, uma sala de fruta e mais algumas coisas, típicas de um brunch do fim de tarde, mas que estava mais com cara de jantar.
—Tudo isso é só pra mim ou você vai me acompanhar?
—É pra você!
—Mas é muito. Você vai me acompanhar nesse lanche com cara de jantar.
Ela se levantou e foi até o armário, pegar xícara, talheres, um pratinho e copo pra Arthur comer junto com ela.
Sob o olhar atento e curioso do homem, Sara arrumou o lugar dele à mesa e o convidou a se juntar a ela naquela refeição.
Sem fazer contestação ou objeção, Arthur se acomodou na cadeira ao lado da que a jovem se encontrava e os dois, começaram a comer em silêncio trocando olhares e sorrisos cúmplices e apaixonados.
Tanto pra um quanto pra outro aquela convivência fazia bem demais. O sentimento que havia claramente entre eles e que crescia com a força de um vendaval e a rapidez da luz, era algo um tanto assustador, mas imensamente... delicioso de sentir e viver!
Sara jamais havia experimentado algo assim com ninguém e Arthur por sua falta de memória, não fazia ideia se aquilo já tinha sido vivido por ele alguma vez na vida. Mas se lembrasse, descobriria que aquilo também era uma novidade pra ele, assim como estava sendo pra Sara.
Poucas palavras referentes ao que havia à mesa foram trocadas em determinados momentos durante aquela "refeição" deles que ocorria em clima mais do que agradável.
Muitos minutos mais tarde, depois de terem terminado de comer e deixar a cozinha devidamente arrumada, Sara decidiu que era chegada a hora de enfim conversar com Arthur.
Segurando em sua mão, ela o chamou pra irem à sala a fim de conversarem sobre o que ele lhe perguntou um tempo atrás. Se era pra contar então que fosse agora e logo, antes que perdesse a coragem e desistisse de ter aquela conversa.
Já acomodados um de frente para o outro no sofá, Arthur percebeu a hesitação dela em começar a falar. Talvez fosse um assunto delicado demais a qual envolvia aquela questão toda e desse modo, a jovem a sua frente não estivesse ainda preparada pra compartilhar aquilo.
—Sara, olha... se não quiser me contar, não precisa.
—Mas eu quero contar, só que não é fácil pra mim tocar nesse assunto, Arthur. A história que há por trás de eu ter mentido pra você sobre a minha profissão, é uma ferida que ainda dói muito em mim.
—Se é assim, então vamos esquecer isso. Eu não quero que me conte mais se isso vai te fazer mal.
Ele não queria deixá-la triste ou fazê-la falar sobre algo que lhe trazia dor como via.
—Vamos deixar essa conversar pra lá. — Segurando em suas mãos, ele deu por encerrado o papo.
Só que Sara não quis isso. Ela estava decidida a contar, mesmo que isso lhe fizesse reviver e recordar de dolorosas lembranças.
—Não, Arthur! Eu preciso contar pra você isso. Me ouve, sem interrupções, tá bom?
Vendo que ela parecia bem decidida a seguir em frente naquilo, ele então assentiu em resposta.
Arthur viu Sara desviar o olhar dele e encarar um ponto qualquer daquela sala. Sua expressão adquiriu uma seriedade completa. Levou então alguns segundos quando enfim ela começou a falar.
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