Another Life
20 Chapter 20
Notas iniciais
Arthur já começava a ficar preocupado com a demora de Sara em voltar. Já havia se passado algumas horas desde que ela saiu dali e nada de retornar.
Sozinho e impaciente, ele já havia andado por toda a casa sem ter o que fazer. Não havia TV pra assistir e se distrair. Sara havia lhe dito, certa vez, que não gostava de televisão, por isso não tinha uma. Sua distração ali era só ouvir música ou a leitura. E como ele não queria saber de música no momento, então rumou para a biblioteca que havia na casa, a qual era bem abastecida de livros de diversos gêneros literários, com a intenção de buscar em um deles um pouco de distração enquanto sua amada não voltava.
Diante da estante enorme e repleta de livros, o homem de olhos azuis procurava por algum pra ler. Optou por um de poemas. Era de Shakespeare.
Acomodando-se numa poltrona que havia ali, o homem começou a folhear o livro e lê-lo.
Havia diversos sonetos e poemas, um mais lindo que o outro. Arthur viajou na leitura deles que até perdeu a noção do tempo. Quando ele se espantou já havia se passado um tempo bem considerável e nada de Sara. Olhou pela janela e lá fora já até havia escurecido.
—Sara por que você não chega logo?
Tão logo ele disse tais palavras e ouviu barulho de carro. Largou o livro sobre a poltrona e saiu rapidamente da biblioteca. Chegou a sala no mesmo momento em que Sara abria a porta e entrava em casa.
—Sara que demora! Eu já estava preocupado com você.
Ele foi até ela e lhe abraçou com certa urgência que deixou a jovem espantada.
—Ei! Tá tudo bem comigo.
—Já estava começando a achar que algo tivesse acontecido com você.
—Mas não aconteceu.
—Você demorou tanto.
—Realmente ficou tão preocupado assim?
—Bastante! Você saiu daqui era de tarde e eu via anoitecer e nada de você voltar. — Ele contou desfazendo o abraço deles. _Por que tanta demora pra voltar?
—Eu tive que levar o filho da minha amiga ao mesmo hospital que te levei, para o garoto fazer exames a fim de confirmar as minhas suspeitas e assim, ele faria o tratamento correto para o que ele tinha.
Ela explicou enquanto largava a bolsa no chão e ia em direção ao sofá jogando-se nele em seguida. Estava esgotada de dirigir até a cidade vizinha e depois de volta pra casa. Sem contar, que passou horas em pé com Lucy e Michael. Seus pés doíam horrores e suas costas também por conta de ficar sentada muito tempo ao volante. Mas graças a Deus, o filho de Lucy foi devidamente atendido, como não havia ocorrido quando ela e Michael levaram o garoto ao posto médico de East Wood.
Arthur foi até Sara. Ergueu com delicadeza as pernas dela e as acomodou em seu colo enquanto se sentava no mesmo sofá em que a jovem estava deitada. Sob o olhar de Sara, o homem de olhos azuis tirou as sapatilhas que a jovem morena usava e começou a massagear seus pés que estavam vermelhos.
—E o que o filho da sua amiga tinha? — Ele quis saber tão logo começou a massagear os pés da jovem.
—Pneumonia viral!... Nossa, meus pés clamavam por isso, Arthur! — Ela suspirou em aprovação àquela deliciosa massagem que ele lhe fazia. Era tudo que necessitava nesse momento.
—Está bom assim?
Ele apertava com delicadeza a base de seus pés e ela sentia um alívio tão grande com aquilo.
—Está ótimo!
—Me conte mais do garoto.
Ela assim o fez. Disse que não precisou de muito pra chegar a conclusão de que Doug estava com Pneumonia, mas achou mais prudente levá-lo ao hospital pra ele fazer os devidos exames e ter certeza de qual tipo de Pneumonia ele tinha. E lá se confirmou seu diagnóstico e tipo exato de pneumonia.
Ela ainda expressou sua indignação ao comentar que no posto da cidade, quando sua amiga e Michael levaram Doug mais cedo lá pra ser atendido, ninguém atendeu o garoto direito e ainda disseram que o que ele tinha era só virose.
—Mas ele vai ficar bem?
—Sim! O médico receitou antibióticos pro tratamento da pneumonia. E o Doug ainda terá que fazer nebulizações e manter repouso em casa, além de tomar bastante líquidos principalmente, leite e água.
—Que bom que agora está tudo bem com ele.
—Hum... Com certeza! — Ela resmungou de olhos fechados enquanto seus pés eram agraciados pela massagem relaxante de Arthur.
—E o tio do menino?
—O que é que tem o Michael? — Sara olhou sem entender para Arthur.
O homem de olhos azuis estava louco era pra saber na verdade, como aquele cara tinha se comportado com ela. Teria dado em cima dela? E caso, tenha feito isso, será que ela lhe contaria?
—Quando o vi pela janela do quarto na hora que saíram daqui, ele me pareceu muito nervoso. — Inventou mentirosamente. Ele sequer havia visto direito a expressão de Michael, mas supôs que ela estive assim dada a situação.
—Ele estava mesmo muito nervoso e preocupado, como não podia deixar de ser já que ele é tio do Doug. Na verdade, ele se considera mais do que um tio. Ele me contou enquanto estávamos os dois na recepção do hospital após Lucy entrar pra ver o filho, que como o marido da irmã morreu quando Lewis e Doug tinham respectivamente dois e um ano de idade, ele meio que assumiu o papel de pai dos sobrinhos e ajudou Lucy na criação dos meninos. E pelo que pude ver, os sobrinhos são loucos por ele, principalmente, o Doug. Ele não desgrudava do tio quando vínhamos do hospital pra casa deles. E ele era só atenção com o menino, como um pai de verdade.
—Hum... — Arthur resmungou não se agradando nada em saber que aquele sujeito, parecia ser muito "bom moço" para o seu gosto.
—Que foi? — Ela notou sua expressão tarciturna.
—Nada.
Ele preferiu guardar suas impressões a respeito daquele irmão da amiga dela, pra si próprio. Desde que aquele sujeito não tente nada com Sara, estava tudo ótimo pra Arthur.
—Tem certeza que não é nada?
—Tenho. Agora mudando de assunto, eu gostaria de saber uma coisa de você.
—O que?
Ele precisava esclarecer aquela história que vinha lhe corroendo desde que a jovem lhe disse sua profissão.
—Por que não me contou antes que era médica? Eu lembro de ter perguntado a você isso no dia em que me encontrou, quando a gente já estava no seu carro. E na ocasião, você negou.
Ela temeu essa pergunta. Sabia que fatalmente, ele lhe interrogaria a esse respeito. Teria que lhe contar a verdade, mas não agora em outro momento.
—A gente pode falar disso em outra hora? Eu preciso tomar um banho e comer. Tô morrendo de fome!
Ela lhe disse sentando-se no sofá.
Ele ficou com a impressão de quê ela estava fugindo da conversa, mas não quis comentar nada a essa respeito.
—Claro! Se quiser, eu preparo algo pra você comer enquanto sobe pra tomar seu banho.
—Faria isso pra mim?
Com um sorriso, ele tombou a cabeça de lado e lhe revelou:
—Faria isso e muito mais pra você e por você!
Um misto de sensações fez reboliço dentro dela, fazendo-a se sentir a mais especial e sortuda das mulheres depois dessas palavras dele.
Aquele homem mais parecia um sonho! Bom, bonito, carinhoso, gentil e se não bastasse tudo isso, ele ainda tinha aquele jeito de garoto carente, que roubou seu coração no primeiro olhar que trocou com ele.
—Você existe mesmo, Arthur? Ou isso é só um sonho meu?
Ela lhe disse tocando seu rosto.
—Eu existo, não é sonho seu, honey.
Ele afirmou com doçura e lhe dando um casto beijo.
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