Notas iniciais
Olá, estou aqui com mais um capítulo. Quero agradecer ao reviews que recebo de vocês. Obrigada. E, querida Lyla como você me pediu esse capítulo é seu. Um pequeno presente pra você. Espero que lhe agrade. Um grande beijo, felicidades e tudo bom a você hoje e sempre. E só pra avisar, aqui nesse capítulo temos Michael fazendo uma pequena aparição pra ciúmes de Arthur. E já antecipo, que ainda teremos o irmão de Lucy aparecendo mais algumas vezes.

Era por volta das duas e pouco da tarde quando Sara e Arthur adentravam na casa sorridentes e carregados de várias sacolas. Mais cedo, eles foram à cidade pra fazer compras, pois a dispensa estava ficando quase vazia.

No começo, Sara ficou meio receosa de levar Arthur consigo a cidade por medo de que alguém, por ventura, naquele lugar o visse e o reconhecesse. Mas depois, achou que ia ser coincidência demais alguém ali conhecê-lo, então decidiu levá-lo consigo. Até porque, ela não podia o manter 'refém' daquela casa pra sempre.

Eles aproveitaram a ida à cidade pra também passear, almoçar e Sara ainda aproveitou a oportunidade para comprar algumas coisas à Arthur como, por exemplo: peças de roupas. Ele não tinha quase nada. As que tinha era umas do irmão de Sara que ele esqueceu quando esteve ali pela última vez, e que a jovem emprestou a Arthur, já que ele chegou ali somente com a roupa do corpo.

—Eu ainda me sinto péssimo por você ter gasto seu dinheiro me comprando essas roupas.

Arthur depositou as sacolas do supermercado no chão e tomou de Sara as com as roupas que ela lhe comprou, depositando-as no sobre o sofá.

—Pois não se sinta. Veja isso tudo que lhe comprei como presentes.

—Mas são presentes demais, não acha?

—Se você está preocupado com o dinheiro que eu gastei, fique tranquilo que isso não foi nada.

—Como não foi nada?

Ela tinha gasto uma pequena fortuna com aquelas roupas. Eram camisas, calças, bermudas e até cuecas. Sem contar, o chinelo e o sapato que ela insistiu em comprar também.

—Não querendo bancar a esnobe ou soberba, mas eu tenho um patrimônio generoso que herdei da minha mãe. Comprar essas coisas pra você não foi nada e nem me deixou "pobre".

—Quer dizer que você é rica então?

Ele enlaçou sua cintura e trouxe Sara pra bem próximo de si.

—Não. Mas eu tenho uma ótima condição financeira.

Ela explicou, brincando com os botões da camisa pólo que ele usava. A peça era de Andrew, e em Arthur tinha ficado bem justa, já que ele tinha muito mais corpo que o irmão de Sara.

—É rica e não quer admitir.

Ela não resistiu e abriu um sorriso.

—Bom se você quer pensar assim...

—Você disse que herdou esse patrimônio da sua mãe. Ela morreu...

—Quando eu tinha quatorze pra quinze anos. — Ela contou sem esperar por ele concluir sua pergunta. Falar da morte da mãe não era tão doloroso quanto a do pai, pois Sara teve pouquíssimo contato com a mulher que lhe pôs no mundo.

—Sinto muito, honey!

Ela esboçou um tímido sorriso pela forma carinhosa com a qual ele passou a lhe chamar. Gostava daquele jeito dele se referir a ela. Era bonito e soava bem aos seus ouvidos.

—Eu não tive muito contato com ela, Arthur. Talvez, por isso não tenha sentido tanto a sua morte. Minha mãe abandonou à mim, meu irmão e meu pai. Eu só tinha dois anos e Andrew sete quando isso aconteceu. Ela se foi, porque não gostava da vida humilde que tinha ao lado do meu pai. Ele me contou, certa vez, que Laura era ambiciosa e queria uma vida de riqueza, e foi em busca disso. E conseguiu! Casou com um comendador, um homem bem mais velho que ela e que anos depois do casamento morreu e deixou o patrimônio todo dele à ela.

Arthur ficou chocado com aquela história. A mãe de Sara tinha abandonado a própria família pra ter uma vida de riqueza e luxo.

—E como você soube disso? — Ele quis saber ajeitando carinhosamente uma mecha de seu cabelo castanho.

—Quando ela e eu nos reencontramos. Um parente dela ou do falecido marido dela, me procurou e disse que Laura estava muito doente e que seu último desejo era me ver.

—E você atendeu a esse último desejo dela, mesmo ela tendo feito o que fez?

Apesar de tudo, ela não cogitou negar aquele pedido. Tinha a curiosidade de conhecer a mãe que lhe abandonou.

Seu pai, de modo algum, se opôs aquilo. Muito pelo contrário, Henry lhe incentivou e deu total apoio nisso. Ele tinha muita mágoa da mãe de sua filha por ela tê-los abandonado, mas em nenhum momento, ele tentou fazer a cabeça de Sara pra ela não ir ao encontro com Laura. Era o último desejo da mulher e não se nega isso, a uma pessoa que está convalescendo.

—Atendi. Fui vê-la. Ela me pediu perdão, eu a perdoei de coração mesmo. E logo em seguida, ela faleceu. Dias depois, um tabelião apareceu na porta da minha casa e contou a mim e a meu pai, que eu havia herdado todo o patrimônio da Laura, já que eu era sua única filha.

—Mas e o seu irmão...

—Ele não era filho dela. Andrew é filho de um relacionamento que o meu pai teve antes de conhecer a Laura. A mãe do meu irmão faleceu após o parto dele.

—Seu pai ao que parece, não teve muita sorte no amor.

—Não!... Mas agora chega de falar de coisa triste.

Ela resolveu dar aquele papo por encerrado antes que chegassem aonde ela não queria, no caso o pai dela.

—Como você quiser.

—Eu vou guardar essas compras na dispensa.

—Quer ajuda?

—Não precisa. Além do mais, você não disse que assim que chegássemos, iria tomar um banho? Pode ir que eu cuido das compras. — Ela se afastou dele desfazendo com isso o contato entre seus corpos.

—Ok, senhorita!

Ele lhe deu um beijo no rosto e pegando as sacolas com seus presentes, seguiu assoviando em direção as escadas para ir ao seu quarto.

Sara ficou observando-o até ele sumir de suas visitas. Deu graças por ele ter aceitado o fim do papo numa boa. E mais ainda, por ele não ter aproveitado a oportunidade daquela conversa pra saber a respeito de seu pai. Ela ainda não estava preparada para partilhar aquilo com ele. Talvez em outro momento lhe contasse aquilo até porque não podia ficar lhe escondendo aquela informação por muito tempo. A qualquer momento, inevitavelmente, ele lhe interpelaria acerca de seu pai.

Pegando as sacolas de compras do chão, a jovem seguiu para a cozinha. Ela ia começar a tirar as primeiras coisas das sacolas pra guardá-las na dispensa, quando ouviu uma batida na porta da casa.

Retornou a sala e ao abrir a porta se deparou com a figura alarmada de Michael.

—Oi, Sara! Desculpa o horário, mas a minha irmã precisa da sua ajuda.

—Entra! O que aconteceu?

—Doug piorou muito de ontem pra hoje. Lucy pediu pra você ir lá ver o meu sobrinho. Ela disse que você é médica e pode ajudar.

—Michael... eu não exerço mais a medicina.

—Por favor, Sara! — Ele pediu desesperado e agarrando as mãos dela. _Mais cedo levamos o Doug ao posto da cidade e só receitaram um remédio à ele, nem sequer atenderam direito o meu sobrinho. E ainda, disseram que se ele piorasse era pra levarmos o garoto ao hospital da cidade vizinha, mas este fica muito longe daqui. Não temos como ir lá.

Ela se viu num impasse. Queria ajudar, mas clinicar não era mais sua função. Havia desistido da carreira!

"Lembre-se de quê... uma vez médica... sempre médica, senhorita Sidle!"

As palavras que seu chefe, um médico experiente, lhe disse antes dela sair de sua sala após pedir demissão, vieram instantaneamente a sua mente e foi um empurrão pra ela.

—Michael, eu vou só avisar ao Arthur que precisarei sair e nós vamos, ok?

Michael apenas assentiu e viu Sara subir as escadas.

No andar de cima, ela chegou a porta do quarto de Arthur e como a mesma se encontrava entreaberta, e a jovem achou que o homem já estivesse no chuveiro aquela altura, ela foi entrando sem avisar. Mas o que Sara não esperava era dar de cara com Arthur no meio do quarto e só de cueca.

—Desculpa! — Ela pediu constrangida e virando imediatamente de costas para o homem seminu. _Eu achei que já estivesse no chuveiro. — Explicou-se a jovem.

Sem que Sara visse, Arthur sorriu de seu constrangimento. Ele pouco se incomodou com a entrada desavisada dela no quarto.

—Eu estava indo agora. — Ele contou enquanto apanhava a toalha de cima da cama e cubria sua seminudez. _Pode se virar, honey.

Ela assim o fez e encontrou Arthur agora de toalha. Não resistiu em dar uma "analisada" nele antes de lhe dizer qualquer coisa.

Ele era um homem de porte grande, forte e encorpado! Tinha o peito liso e sem pêlos, e abdômen idem. Era bonito e tentador!

Se recriminou por ter se constrangido e virado de costas tão rápido, que não tivera a menor chance de vê-lo melhor e sem aquela toalha que cobria seus "atributos".

"Sara, o que é isso?!"

Sua mente lhe ralhou.

—Honey! — Arthur chamou-a.

—Oi! O que foi?

Ela lhe encarou assustada e ruborizada.

Ele sorriu.

—Eu é quem lhe pergunto isso. — Ele rebateu, caminhando em direção a ela e parando em sua frente. _Você veio me dizer alguma coisa?

Meio ainda sem jeito por conta de quase tê-lo pego nú no quarto, a jovem lhe contou:

—Vou precisar sair rápido pra socorrer o filho da Lucy. Ele piorou de ontem pra hoje e ela me pediu ajuda pra atendê-lo.

—Atendê-lo?

Ela achou que devia-lhe a verdade. Por hora, seria meia verdade.

—Eu sou médica, Arthur. — Ela contou lhe encarando nos olhos, coisa que até então não estava fazendo desde que o pegou só de cueca.

Agora, Arthur conseguia entender tudo. Isso explicava a facilidade dela em tratar de seus machucados e seu conhecimento ao falar com tanta propriedade, acerca de, seu estado quando se viram a primeira vez.

—Eu preciso ir lá. Michael está na sala me esperando.

—Michael?? — Balbuciou Arthur o nome do sujeito de ontem, o qual tinha ficado encantado por Sara. O homem de olhos azuis não se agradou nada em saber que aquele homem estava ali de novo.

—Ele veio me avisar. Vou com ele e volto logo.

Ela lhe deu um beijo rápido e saiu do quarto. Poucos segundos depois, da janela de seu quarto, Arthur viu desgostoso Sara entrar no carro junto com Michael e juntos eles partiram dali.

Notas finais
Arthur definitivamente não gostou de Michael com Sara. Até o próximo. Beijos.