Another Life
17 Chapter 17
Notas iniciais
Nada a ver ficar assim sonhando separado
Se no fundo a gente quer o dia a dia lado a lado
Eu não vou deixar você com esse medo de se aproximar
Pra ter um fim toda história um dia tem que começar
(Dia a dia, lado a lado — Marcelo Jeneci)
...
Sentado há mais de uma hora na beira daquele píer com os pés imersos na água do lindo rio, Arthur admirava a paisagem daquela bela manhã. Talvez fosse a última vez que tivesse a chance de apreciá-la, caso Sara lhe dissesse "não".
Ele mal conseguiu dormir direito durante a noite toda, e quando os primeiros raios da manhã cruzaram as frestas da cortina, Arthur resolveu se levantar e vir até o quintal da casa, e acomodar-se aonde se encontrava agora, pra apenas apreciar o começo do dia surgir.
A brisa suave do início da manhã e aquele sol morno, típicos daquele horário eram uma delícia e faziam-no sentir-se como se estivesse no paraíso. Se bem que, aquele lugar realmente devia ser considerado um verdadeiro paraíso por conta de sua beleza e calmaria.
Adoraria ficar vivendo ali pra sempre com Sara. Mas será que ela também gostaria disso?
Ele não tinha a menor ideia de qual seria a decisão dela. Torcia pra ela dar uma chance à eles.
Aquele sentimento que havia claramente entre eles, era forte demais pra se abrir mão e não ser vivido.
Arthur ainda permaneceu por ali por mais um tempinho até que resolveu voltar pra dentro da casa a fim de saber se Sara enfim havia acordado. Queria logo saber sua decisão, pois aquela dúvida estava lhe corroendo por dentro.
Caminhando à passos lentos, o homem de olhos azuis rumou em direção a casa. Poucos instantes depois, já entrava pela mesma porta a qual saiu — a da cozinha que dava acesso para os fundos da casa — ao parar diante da entrada que interligava a cozinha à sala, ele avistou Sara. Ao que parecia, ela estava chorando e antes que tivesse a chance de perguntar o motivo daquelas lágrimas, a jovem veio rápido em sua direção e lhe abraçou forte, que ele chegou a sentir doer levemente suas costelas, mas não reclamou disso. E tão logo, Sara havia lhe abraçado, Arthur ouviu-a se derramar em choro e aquilo lhe assustou.
—Sara, o que houve? Por que está chorando assim?
Ele se preocupou imediatamente com aquilo.
—Onde... você... estava? Eu... te procurei... pela casa toda.
—Esqueceu o lado de fora. Eu estava lá no píer. Mas o que aconteceu pra você está assim?
—Eu achei que... você tivesse ido embora... sem ao menos se despedir.
Ela contou num sussurro e em meio aos soluços do choro. Já havia até se dado por convencida de que ele tinha mesmo ido embora, mas felizmente isso não havia acontecido.
Arthur a envolveu carinhosamente em seus braços e a embalou tentando acalmá-la.
—Eu jamais faria isso, Sara. E também, eu só vou embora daqui se você quiser que eu vá. Você quer?
Ele temeu por ouvir uma resposta que não queria. Mas seu temor se esvaiu assim que ela lhe respondeu o contrário disso.
—Eu não quero que vá, Arthur. Quero que você fique aqui... comigo!... Você vai ficar, não vai?
Ela se afastou só um pouco pra encará-lo nos olhos, esperando por sua resposta.
Enquanto tratava de enxugar as lágrimas do rosto dela, Arthur lhe respondeu:
—Ficar aqui com você... é tudo que eu mais quero, Sara.
—Eu sei que corro o risco de me machucar...
Ele tratou de silenciá-la colocando o dedo indicador sobre seus lábios.
—Não diga isso!
—Você pode esquecer de mim quando recuperar a memória, Arthur.
Ele compreendia o temor dela quanto à isso, mas acreditava piamente que aquele sentimento que nutria por ela, o qual já havia se tornado forte demais em tão pouco tempo, não seria tão facilmente esquecido. E "se" fosse apagado de sua mente, ainda havia seu coração pra lembrá-lo disso.
—Vamos viver um dia de cada vez. Não vamos ficar fazendo suposições quanto ao que possa me acontecer. Assim como eu posso recuperar a memória, eu também não posso recuperá-la, Sara. Não temos como saber isso.
Ela assentiu em concordância. Seu olhar preso no dele e vice-versa. Parecia loucura aquele sentimento que nasceu e cresceu em tão pouquíssimo tempo dentro dela. Era como se Arthur já fizesse parte de sua vida há anos e não há dias!
—Eu acho que ainda não te disse com todas as letras que... gosto de você! Na verdade, gostei assim que abriu seus olhos e me olhou.
Ela admitiu enquanto acariciava seu rosto, sentindo sob a palma da mão, os pêlos da barba dele que já estava evidente.
Ele ficava bem de barba!
E sem também!
Arthur sorriu com a confissão dela e por seu toque carinhoso. Era bom saber que era correspondido à altura naquele sentimento todo.
—Eu também gostei de você assim que te vi pela primeira vez, Sara.
Ele confessou encostando sua testa na da jovem. E por iniciativa de Sara, eles se beijaram calmamente... delicadamente... apaixonadamente!
...
Catherine estava tomando seu café na companhia de Warrick. Só mesmo ele pra conseguir convencê-la a comer. E a pedido da namorada, o advogado ia dormir na casa dela. A loira não queria ficar sozinha em casa e seu nanorado vinha — sempre que possível — ficar com ela.
O casal estava terminando quando a campainha da casa soou alto. O coração de Catherine já acelerou ao imaginar que podia ser uma possível notícia de seu irmão, ou até mesmo, o próprio voltando pra casa.
Imediatamente, ela saiu da mesa e foi imitada por seu namorado. Ambos seguiram pra sala e encontraram a governanta da casa dando passagem ao investigador que estava a frente do caso do desaparecimento de Grissom.
Louise, Catherine e Warrick notaram pela cara do homem que adentrava, que a notícia que certamente ele havia trazido não devia ser boa.
A governanta deixou a sala logo após fechar a porta, dando a privacidade necessária a Catherine e seu namorado de falarem com o sujeito que chegou.
—Bom dia, senhor Brown... senhorita Grissom.
—Bom dia, investigador!
O casal respondeu em uníssono. Depois, foi Catherine que se adiantou em saber se ele tinha boas notícias a lhe dar.
O experiente investigador se deteve um instante antes de responder. Sabia que não seria nada fácil dar a notícia que tinha, mas fazia parte de seu ofício.
—Infelizmente as notícias não são boas.
Essas suas palavras já fizeram o coração de Catherine falhar uma batida em desespero.
—O que o senhor tem pra me dizer?
—O corpo de bombeiros me contactou há pouco e informou que estavam encerrando as buscas.
—Como assim encerrando? Eles não podem fazer isso.
Esbravejou a loira.
—Catherine, querida, calma!
—Calma, Rick? Não me peça calma. Esses bombeiros estão lavando as mãos. E se meu irmão estiver vivo?
—Segundo o tenente do Corpo de Bombeiros, as chances de seu irmão estar vivo são nulas, pois já se completou uma semana do acidente. O tenente também disse que tudo o que foi possível ser feito pra localizar o corpo do seu irmão, foi feito. Entretanto, não encontraram nada. Aquele rio no qual ele caiu é cheio de pedras e redemoinhos. De certo, seu irmão se afogou e foi tragado por um redemoinho e afundou, ficando preso em alguma parte no fundo daquele extenso rio. Sem contar, que ali também é cheio de pedras e...
—O senhor está me dizendo que o meu irmão está morto?
O investigador deu uma rápida olhada em Warrick que se encontrava ao lado de Catherine e parecia tão impactado com a notícia quanto sua namorada. Depois disso, o investigador voltou seu olhar a mulher e só então, lhe respondeu:
—Sim. Foi isso exatamente que o tenente me informou. Eu sinto muito.
Aquela notícia lhe caiu como uma bomba. A loira tinha esperanças ainda que remotas, de encontrar o irmão são e salvo, mas depois do que ouviu suas esperanças se aniquilaram. Seu adorável irmão tinha partido numa viagem sem volta.
Diante de tal notícia, a mulher caiu de joelhos no chão, bem aos pés do investigador e começou a chorar.
Warrick e o outro homem se abaixaram pra prestarem ajuda a mulher para levantá-la.
—Sinto muito por não ter trazido boas notícias.
O homem engravatado pediu compelido com a visível dor e sofrimento que via na irmã do empresário não encontrado, que fora dado como morto.
Vegas se despediu momentos depois, ainda tinha que fechar o inquérito do caso. Primeiro, quis informar a família. Agora precisava dar o devido seguimento ao caso e fechá-lo.
Estimando condolências a irmã e ao cunhado de Grissom, o homem se foi. Tão logo a sua partida, Louise apareceu na sala e ao se deparar com a imagem de Catherine aos prantos e sendo consolada pelo namorado que também derramava algumas lágrimas, a governanta deduziu que o pior tinha acontecido.
—Não me digam que o Grissom...
—Deram-no como morto, Louise! — Contou Catherine em meio ao choro.
A governanta levou as mãos a boca e assim como Catherine e Warrick, ela também começou a chorar pela triste notícia.
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