Another Life
16 Chapter 16
Notas iniciais
Ela ficou estática diante das palavras dele.
Dela dependia o rumo da vida dele e também da sua.
Se lhe dissesse "não", o perderia.
E se lhe dissesse "sim", o teria.
Entretanto, havia uma possível família no meio disso.
Ela não sabia o que fazer. Que decisão tomar!
Óbvio que pelos sentimentos que nutria por ele, ela o queria ali. Mas sabia que não podia.
Querer... poder!
Eram duas coisas tão distintas.
Seu coração queria... sua mente dizia que não podia.
Aquele homem podia se recuperar de uma hora pra outra e aí, como ela ficaria?
—Sara...
—Eu não sei o que fazer, Arthur.
Ele podia ver em seus olhos a confusão a qual ela passava. Talvez, ela não estivesse em condições de decidir nada agora.
—Amanhã de manhã você me dá uma resposta definitiva. Eu não posso esperar por mais do que isso. Amanhã, você me diz se quer que eu vá atrás dessa família que insiste tanto em mencionar que eu deva ter, ou se eu fico aqui ao seu lado pra sempre ou até quando for possível.
...
Ela mal conseguia pregar os olhos durante a madrugada. Rolava de um lado para o outro na cama, só pensando na decisão que Arthur pôs em suas mãos.
Deixar aquele homem fazer parte da sua vida de vez ou expulsá-lo dela?
Se for levar em conta o forte sentimento que tinha por ele, obviamente, a resposta seria deixá-lo ficar. Contudo, haviam "coisas" a serem consideradas nisso. E dentre elas uma pesava em sua mente: "a possível família" de Arthur.
Mesmo não querendo ou involuntariamente, ela pensava nisso.
E isso pesava!
Uma mulher apaixonada por ele e sofrendo por seu sumiço. Filhos querendo notícias do pai. Irmãos dele, tios, parentes, enfim... uma família angustiada. Talvez até pensassem que ele já estivesse morto.
Mas no meio disso havia também os seus sentimentos por aquele desconhecido e os dele por ela, os quais ele fez questão de deixar bem claro depois do beijo que lhe deu.
E que beijo!
Ela tocou seus lábios e um tímido sorriso escapou deles ao recordar do beijo trocado com Arthur. Não se lembrava de ter sentido antes, aquele turbilhão de sensações que sentiu ao beijá-lo.
Parecia até sonho. Ele tinha um jeito doce e calmo de beijar. Como se quisesse eternizar aquele momento.
E pra ela, ele eternizou aquele momento!
Ela jamais esqueceria o beijo que trocaram!
No quarto mais afastado ao dela, no outro corredor mais precisamente, Arthur também não conseguia dormir pelo mesmo motivo. Encarando pela janela de vidro do quarto, a majestosa lua cheia que imperava imponente no céu estrelado daquela madrugada, o homem de olhos azuis tentava imaginar qual seria a decisão de Sara.
Ele não queria ir, isso era fato! Mas se essa fosse a escolha dela, teria que aceitá-la mesmo não sendo a sua vontade.
Aquela jovem já tinha feito demais por ele. Salvou sua vida, lhe deu abrigo e cuidados, e se não bastasse tudo isso, ainda roubou seu coração com aquele seu jeito doce e tímido de garota.
—Sara... Sara... eu daria qualquer coisa pra você me deixar ficar aqui com você!
Ele fechou os olhos e sorriu.
A lembrança do beijo que trocou com ela povoou sua mente. Tinha sido maravilhoso beijá-la. Adoraria poder ter a chance de aquilo se repetir. O gosto dos lábios dela eram doces como mel e ele tinha certeza, que jamais esqueceria aquele gosto.
...
Quando ela abriu a porta daquele quarto de hóspedes logo pela manhã, após acordar. Sara tinha em mente dizer a seu hóspede que "sim"! Que ele podia ficar ali com ela e que estava disposta a dar uma chance à eles.
Havia chegado aquela decisão depois de muito pensar e pondera os prós e contra de sua escolha. Chegou a conclusão de quê se era pra se arrepender de algo, então, que fosse pelo menos do que fez e não do que não fez. Desse modo, ela escolheu deixá-lo fazer parte de sua vida.
Sentia muito pela possível família que Arthur tinha, mas se ele próprio não queria ir em busca dessa família, não seria ela quem o obrigaria a isso.
Eles se gostavam, então, que vivessem isso que surgia entre eles, como Arthur mesmo lhe argumentara ontem.
Deixaria nas mãos do destino ou de qualquer outra força, o rumo que tomaria a sua vida com Arthur. Óbvio, que havia o risco de ela se envolver com ele e um tempo depois, ele lembrar da família e esquecer dela, e abandoná-la pra ir atrás dos seus. Mas também havia a grande chance dele lembrar e ainda continuar sabendo quem ela é. E foi justamente, se agarrando a esse fato que a jovem tomou a decisão de se dar a chance de viver algo especial com aquele homem que ela sabia... havia se apaixonado à primeira vista.
Mas o que Sara não esperava ao abrir a porta do quarto após ter batido duas vezes, era se deparar com o cômodo vazio e a cama toda arrumada e pior, fria.
Ela estranhou sua ausência no quarto.
"Talvez, ele tenha descido e esteja na cozinha, na sala ou em outro cômodo."
Resolveu descer e procurá-lo no andar de baixo a fim de lhe comunicar sua decisão.
Na sala ele não estava, nem na cozinha. Procurou então nos banheiros, outros quartos, na biblioteca e no escritório, e nada.
De volta a sala, o pensamento que lhe ocorreu de imediato, foi de quê ele tinha ido embora. Ele não quis esperar por sua resposta.
Mas ele mesmo disse que esperaria até hoje por sua decisão. No entanto, ao que parece, ele resolveu se adiantar ao imaginar que ela possivelmente lhe diria não, quando a resposta seria a contrária.
Por que ele fez isso?
Algumas lágrimas de tristeza começaram a escorrer por seu rosto. Havia perdido-o sem ao menos, tê-lo dito que o queria em sua vida.
Ela cogitou pegar sua chave do carro e sair atrás de Arthur, mas depois desistiu. A essa altura ele já devia estar longe. Além do mais, se ele quis ir então que assim fosse. Vai ver não era pra ter sido mesmo!
Alguns segundos se passaram e ela ali chorando por ele que tinha ido. Foi então que, de repente, Sara ouviu o bater da porta da cozinha que dava para o quintal. Virou-se em direção a entrada que interligava a sala a cozinha e milésimos de segundos depois, ele surgiu em seu campo de visão embaçado pelas lágrimas.
—Arthur??
Ele estava ali! Não tinha ido!
Ela não pensou duas vezes em ir até ele e abraçá-lo com toda força pra se certificar de que era ele e não uma miragem.
Novas lágrimas vieram, mas estas agora eram de puro alívio por ele estar ali. Por ele não ter ido embora como ela chegou a pensar.
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