Another Life
15 Chapter 15
Notas iniciais
Sara levou uns segundos pra processar aquela declaração.
—O que você disse?
Ela quis ter certeza de quê tinha ouvido aquilo mesmo. De quê não havia alucinado ou imaginado tais palavras saídas da boca dele.
—Que eu tô completamente apaixonado por você, Sara!
A jovem cambaleou com aquela declaração inesperada.
Apaixonado por ela??
—Meu Deus! Isso não podia ter acontecido!
Ela repetiu a frase de segundos atrás enquanto cobria o rosto com ambas as mãos.
Ainda sentado na cama, Arthur levantou-se e foi até a jovem que estava perto da porta do quarto.
—Sara... olha pra mim, por favor.
Ele pediu, segurando em seus pulsos e com delicadeza tirou suas mãos que combriam o rosto e tocando seu queixo, Arthur fez Sara olhá-lo.
—Qual é o problema?
A voz dele era calma e doce ao lhe questionar.
—Você ainda me pergunta? Arthur, você pode ter uma família com mulher e filhos.
—Mas eu me apaixonei por você!
Ele reafirmou ignorando as palavras dela. Será que ela não entendia o que ele lhe disse? Ou será que ela não queria entender?
O que ele não sabia era que ela entendia perfeitamente, mas havia um porém, ela não estava preparada para ouvir aquela declaração a queima-roupa.
—E a sua família?
Por que ela se importava tanto com uma família que ele nem lembrava se tinha ou não?
—Eu não lembro dessa família que supostamente, eu deva ter. Você virou a minha família, Sara! Eu não quero estar com mais ninguém além de você. E eu sinto o mesmo da sua parte comigo. Você me quer. Você gosta de mim, senti algo por mim. Seu beijo me deixou claro isso, Sara.
Ele segurou o rosto dela entre suas mãos grande e fez menção de beijá-la novamente, mas Sara o impediu disso.
—Não, Arthur!
—Por que não? Eu entendi errado e você não gosta de mim é isso?
Ele a deteve de se afastar dele ao segurar em seus braços e ainda lhe fez olhá-lo nos olhos. Queria uma resposta assim "olho no olho". Porém, o que ele não se deu conta foi que exagerou um pouco no tom de voz enérgico que usou ao falar com a jovem, e na força que exerceu ao segurá-la.
Isso a assustou.
Sara se sentiu acoada e pressionada. Um medo lhe tomou. E se Arthur tentasse algo contra ela? E se ele mostrasse agora quem de verdade ele era? Alguém agressivo e não o bom moço dos últimos dias. Será que havia se enganado com ele?
—Arthur, me solta!
Seus olhos pareciam amedrontados e ele entendeu imediatamente que havia lhe assustado. Que grande idiota!
—Meu desculpa, Sara! — Ele pediu largando seus braços. _Eu te assustei? Não era essa a minha intenção, me perdoa?
Ele a abraçou completamente apavorado com a hipótese de tê-la assustado. Sentiu-a retecer-se e ficar tensa em seus braços. Realmente havia lhe assustado.
—Me perdoa! Eu não devia ter falado com você daquele jeito. Eu sou um idiota!
Ele falava ainda abraçado à ela que não fazia qualquer movimento. A tensão de seu corpo era sentida por Arthur. E ele resolveu desfazer o contato pra que assim ela se sentisse menos amedrontada.
—Você me assustou!
Ela conseguiu dizer segundos depois dele tê-la soltado.
—Perdão!
—Por um momento, eu achei que você fosse...
Ela não precisou nem completar pra ele entender aquilo.
—Nunca! Eu nunca vou fazer algo de ruim à você.
Ele confessou guardando suas mãos delicadas entre as dele.
—Você virou a pessoa mais importante pra mim, Sara. Jamais me passou pela cabeça te fazer mal. Eu me excedi ao fazer a pergunta. Perdão, de verdade!
Ela podia ver em seus lindos olhos que ele estava sendo sincero. Mas teve que admitir que temeu por um segundo que ele fosse lhe fazer algo.
—Tudo bem!
—Eu posso ver nos seus olhos que não está tudo bem. Está com medo de mim, não é?
Segundos atrás sim, ela estava com medo dele. Mas, agora, seu medo era outro. E ela achou que devia ser franca com ele e lhe partilhar a verdade dela.
—Na verdade... eu estou com medo do quê você tem despertado em mim, Arthur.
—E o quê, exatamente, eu tenho despertado em você, honey?
Ele levou suas mãos ainda seguras as dele até seus lábios e depositou um delicado beijo em cada dorso delas.
Sara ficou encantada com aquilo. Ele parecia ser tão carinhoso e delicado pra alguém do seu porte forte e grande.
—Sentimentos fortes e intensos que eu jamais havia sentido antes e de forma tão rápida assim. Eu tô um pouco assustada com tudo isso.
—Eu também confesso que estou me sentindo igual à você.
—Eu mal conheço você ou sei algo a seu respeito.
—É claro que sabe. Eu sou o Arthur, o homem que você ajudou, que se apaixonou por você e que quer passar o resto da vida dele ao seu lado.
Nem nos seus maiores sonhos algo parecido teria acontecido. Até parecia conto de fadas! Mas ela não era uma adolescente sonhadora que acreditava em príncipes encantados ou contos de fada.
—Isso foi... lindo, mas... não é certo!
Ela desfez com delicadeza o contato entre suas mãos. Tinha que ser realista e não deixar se levar naquela situação toda. Seu coração já lhe traiu uma vez, e já estava vacinada contra isso.
—Como não é certo? Eu gosto de você. E você gosta de mim. Não é isso?
Ela apenas confirmou com a cabeça aquilo, encarando o chão. Não podia mais esconder seus reais sentimentos por ele. Gostava dele e pronto! Tinha se apaixonado por ele assim como ele confessara ter se apaixonado por ela.
—Então por que diz que não é certo isso?
—Eu já me machuquei uma vez e não quero isso de novo. Não quero me envolver com você pra depois descobri que você é casado e tem filhos. Ou pior, me envolver e depois de um tempo, você recuperar a memória e esquecer de mim, pra logo em seguida, ir embora atrás dos seus.
—Você não têm como saber se isso um dia vai acontecer, Sara.
—E nem você.
Na verdade, ninguém ali tinha como saber aquilo. A mente humana é um verdadeiro mistério!
—E se isso nunca acontecer?
—E se acontecer?
Ela rebateu o questionamento dele com outro.
—Olha... Você gosta de mim, admitiu isso à pouco. Eu também gosto de você como afirmei ainda pouco. Me dê uma chance, nos dê uma chance de viver isso que está surgindo entre a gente? Ou do contrário, eu terei que ir embora daqui.
—Está me ameaçando, ou pior, me chantageando?
Incrédula, ela deu dois passos pra trás se afastando dele. Mal podia acreditar que ele estivesse usando de um artifício tão baixo como aquele pra lhe convencer.
—De maneira alguma. — Ele tratou imediatamente de negar. Aquela não era a intenção do que lhe disse. E pra desfazer o mal entendido que suas palavras geraram em Sara, Arthur explicou: _Eu não vou ter condições de viver mais sobre o mesmo teto que você, depois ds ter me rejeitado. E se eu não posso ficar do seu lado do jeito que eu desejo, então... acho melhor eu ir. Não quero viver com você como se fôssemos dois 'amiguinhos'. Não, depois de ter te revelado meus sentimentos.
Aquilo não lhe faria bem e nem à ela. Então era melhor pôr um fim naquilo, mesmo que aquilo nem tenha tido, sequer, um começo. Ele partiria em busca dessa possível família que teria, e ela ficaria ali, com sua vida de antes dele aparecer.
—Eu só preciso de uma simples resposta sua pra... ou ir embora pra sempre da sua vida... ou ficar nela pra sempre! Você tem o meu destino, ou melhor, o nosso destino nas suas mãos, Sara.
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