Another Life
13 Chapter 13
Notas iniciais
Depois de se recuperar daquela bonita e inesperada declaração que ouviu, a jovem morena seguiu até onde os dois homens estavam. Ainda bem que, eles não notaram que ela tinha ficado uns instantes estancada no meio do caminho.
Depositando sobre a mesa de centro os pratinhos e talheres que trouxe, ela pediu aos dois homens pra aguardarem só ela ir buscar o café. Eles assentiram e ela retornou à cozinha de posse da bandeja que havia trazido. Poucos segundos depois, ela já estava de volta trazendo o café e as xícaras. Serviu Michael e Arthur, e foi surpreendida mais uma vez pelo homem de olhos azuis, quando o mesmo usou uma forma bem carinhosa pra chamá-la após agradecer-lhe por ela tê-lo servido.
—Obrigado, honey!
Era a primeira vez que ele se referia à ela assim e, ela gostou, apesar de quê, lhe pegou de surpresa isso. Era um tratamento que requeria uma grande íntima à eles.
Michael apenas observou aquela 'interação' toda e teve a ligeira impressão de quê entre aqueles dois havia algo mais do que só amizade.
A forma como aquele homem olhava com extremo carinho, quase devoção à Sara era evidente demais. Se perguntou se aquela bela moça notava aquilo? Ou mais, se ela correspondia àquele sentimento que claramente podia ser visto no "amigo" dela.
—Então, Michael... Por que Lucy não veio com você?
A pergunta dela lhe fez voltar pra realidade e deixar os devaneios de lado.
—Um dos meninos está febril.
—Hum... Foi fácil encontrar a minha casa? Creio que deva ter sido já que é a única por aqui.
—Pois é!... Você mora mais afastado da 'civilização', não é?
—Prefiro!
—Mora aqui há quanto tempo?
Enquanto ela lhe respondia, Arthur que se encontrava acomodado ao seu lado, apenas prestava atenção em silêncio à ela responder ao visitante.
Era incômodo vê-la falando com outro homem, ou partilhar sua atenção com outro sujeito. Estava tão acostumado a ter sua atenção total, que agora que havia uma terceira pessoa ali, ainda mais, outro homem além dele, e mais jovem do quê ele, era desconfortável.
—Sua irmã me disse certa vez, que você é Biólogo.
—Biólogo marinho! Trabalho numa expedição com um grupo de seis pessoas. Nós pesquisamos e monitoramos espécies marinhas pela costa Americana e demais áreas próximas.
—Nossa, deve ser incrível trabalhar em alto-mar. As paisagens que você vê devem ser lindas.
—São mesmo. Uma mais linda que a outra.
—E os bichos?
—Ah, eu sou meio suspeito pra falar deles. Sou um completo apaixonado pela espécie marinha, não é à toa, que trabalho com ela.
A conversa entre eles girou só entorno do trabalho dele e suas aventuras em alto-mar. Michael falava com tanta paixão de seu trabalho que era agradável pra Sara de ouvir e desagradável para Arthur por ver como Sara se interessava claramente pelo papo da visita.
Arthur por sinal, era somente um mero expectador da conversa dos outros dois. Raramente, ele dizia algo!
A verdade era que cada instante que passava, ele se sentia menos à vontade com a presença daquele outro homem. E ver o visível interesse dele em Sara e a animação dela falando com ele, lhe deixava totalmente desconfortável ali.
Uma hora depois, Michael se despedia e ia embora dali, pra alívio de Arthur que já não via a hora daquela visita ir.
—Michael é tão falante quanto a irmã dele. Gostei de conhecê-lo.
—Deu pra perceber.
Sara que recolhia as louças sujas da mesinha de centro, parou o que fazia e olhou pra Arthur com uma das sobrancelhas arqueadas pelo tom levemente irônico que ele usou pra falar.
—Por que esse tom ao falar?
Ao invés de respondê-la, Arthur lhe disse:
—Acho que o irmão da sua amiga ficou bem interessado em você.
—Posso saber a razão de estar dizendo isso?
—Porque é a impressão que me deu. A forma como ele te olhava e falava com você. Parecia em encantamento.
Ela sequer tinha percebido isso. Estava tão empolgada ouvindo sobre suas histórias de trabalho que não havia notado esse possível 'encantamento' que Arthur detectou no outro homem.
—Acho que você está vendo demais. Além do mais, eu não estou pra flertes ou romances.
A decepção com Hank lhe deixou descrente com relacionamentos amorosos. Na época era muito apaixonada pelo namorado e sofreu pra se refazer daquela decepção que ele lhe causou. Agora, ela queria fugir de relacionamentos. Não queria envolvimentos tão cedo. E nem voltar a ter sentimentos amorosos por alguém. Se bem que... a convivência com Arthur estava lhe fazendo sentir outra vez, sentimentos amorosos e intensos por alguém, no caso, por seu hóspede.
—Por que não está? Você é jovem, bonita e está desimpedida, não é?
Ele arriscou. Até o momento não sabia se ela tinha alguém ou não. Mas desconfiava que ela não tivesse. Ensaiou lhe questionar isso algumas vezes, mas sempre desistia disso. E como ela nunca tocava no assunto, ele não tinha como saber, apenas tinha suas desconfianças.
—Obrigada pelo "jovem e bonita". — Ela corou levemente pelos elogios dele. _E, sim, sou desimpedida. Mas tive uma experiência que me deixou um pouco... desiludida com o amor.
Ele sentiu curiosidade de saber mais a respeito disso, mas foi sensato o suficiente pra não questioná-la acerca de tal situação. Esperou que ela mesma dissesse algo a mais quanto a isso, e como ela não o fez, ele então não ousou perguntar nada. Mas, não deixou de lhe dizer algo a respeito do que acabava de ouvir dela.
—Não é porque se decepcionou uma vez, que isso vá sempre se repetir. Tenho certeza, que você ainda vai encontrar alguém que valha a pena.
Ele piscou e sorriu pra ela que corou.
Fale com o autor