Notas iniciais
Ana Camila aqui está o capítulo que você tanto queria ler. O irmão da Lucy vai conhecer a Sara e Arthur não vai gostar da presença de um terceiro entre Sara e ele.

Acomodados no sofá, eles conversavam sobre o irmão dela que havia lhe ligado momentos atrás pra saber como ela estava e, pra mais uma vez, lhe convidar pra passar uma temporada com ele, a esposa e os filhos gêmeos, que morriam de saudades da tia. E assim como das outras vezes, Sara novamente recusou o convite do irmão. Ela não queria e nem podia viajar ou sair dali, ainda mais agora com um hóspede em casa. Se bem que isso, ela omitiu do irmão. Sara achou melhor não contar de Arthur para Andrew, pelo menos por enquanto. Com certeza, seu irmão acharia uma loucura dela hospedar um desconhecido.

E por falar em Arthur, ele estava feliz por ver que aos poucos Sara ia se abrindo com ele, e lhe contando coisas além de seus gostos e hábitos. Ela já falava de seus parentes, família.
Nesses quatro dias que Arthur já estava ali, houve uma aproximação enorme entre Sara e ele. Era visível a 'sintonia' e porque não dizer... 'química' entre eles. Sem contar, nos olhares e sorrisos que trocavam. Havia um interesse mútuo, mas Arthur tinha receio de estar 'vendo' demais ou estar confundindo o jeito carinhoso com o qual ela lhe tratava, com outra coisa que ele indiscutivelmente já sentia por ela.

—Eles são terríveis quando se juntam. Uma dupla quase imbatível.

Ela estava falando dos sobrinhos, Zayon e Don, de sete anos. Os dois tinham caras de anjinhos, mas na verdade, eram uns 'capetinhas'! Gêmeos idênticos, loirinhos e de olhos cor de mel como os da mãe, eles tinham o espírito aventureiro e destemido do pai.

Adoravam natureza como o irmão de Sara e eram uns verdadeiros 'peixes', pois amavam nadar. Inclusive, aprenderam desde bebês a nadar. E... aprontavam demais! Eram bem travessos, mas eram o xodó da tia coruja.

Zayon era o mais velho, com uma diferença de um minuto para o irmão, e era também o mais travesso. Só que Don não ficava muito atrás do irmão no quesito travessura.

—Faz tempo que não os vê?

—Um ano! Eles vieram me fazer uma visita de rotina.

Ela inventou pra não lhe revelar o verdadeiro motivo daquela visita. Eles tinham vindo para o enterro do pai de Sara, o avô dos gêmeos.

De tudo que Arthur já sabia sobre ela, havia duas coisas a qual Sara não lhe contara. A primeira era sobre a mãe dela que abandou a família, e a segunda era sobre a dolorosa perda do pai. Esse assunto mais especificamente, a jovem preferia não tocar com ele, pois era uma ferida que ainda doía de ser exposta assim. Ainda bem que Arthur não lhe indagou sobre essas questões nenhuma vez sequer. Talvez, ele desconfiasse que ela não tivesse mais os pais, já que ela nunca os mencionava, e por isso mesmo, não a questionava a esse respeito.

—Você tem alguma foto deles?

—Lá no meu quarto. Quer ver?

—Adoraria!

—Espera aí, que eu já volto.

Ela saiu pra ir ao cômodo no andar de cima. Segundos depois de sua saída, Arthur ouviu palmas e uma voz masculina soar alto do lado de fora da casa as palavras: "Ô de casa!".

O homem de olhos azuis ficou de pé e se dirigiu à porta a fim de ver quem que chamava. Mas quando já se aproximava dela, Sara apareceu de volta do quarto.

—O que está fazendo? Aonde vai?

Ela descia as escadas com o porta-retrato na mão.

—Estão chamando lá fora.

Ele informou, apontando pra porta.

—Aposto que é a Lucy.

Já fazia uns quatro dias desde que sua vizinha esteve ali pela última vez. Sua visita na ocasião tinha sido pra convidá-la para o almoço que prepararia para o irmão dela que viria visitá-la. E desde esse dia, ela não apareceu mais por ali. Sara já estava até estranhando essa falta de visita da amiga, pois Lucy não passava mais de dois dias sem aparecer pra uma visita.

—É voz de homem. — Comunicou Arthur.

—Homem??

Sara expressou total surpresa com essa informação.

Que homem viria procurá-la ali? O único homem que conhecia era o que estava parado diante dela.

—Vou ver quem pode ser.

Ela depositou o retrato sobre um móvel, passou por Arthur e foi até a porta pra abri-la.

Seu hóspede a seguiu com o olhar curioso pra saber quem poderia ser o sujeito que chamava do lado de fora.

Seria um namorado?

Mas se fosse, ela teria dito antes, não teria? Ao menos, ele achava que sim.

Assim que Sara abriu a porta deparou-se com um homem loiro, jovem, bonito e bem apessoado, que devia ter sua idade ou pouco mais que isso.

—Olá!

Ela cumprimentou com certa estranheza o rapaz desconhecido montado numa bicicleta e parado próximo a cerca de sua casa. Pelo que se lembre nunca o vira antes.

—Sara?

—Sim.

Ela confirmou para o rapaz sorridente e sentiu Arthur parar atrás dela.

—Quem é ele, Sara?

Ele lhe indagou sério ao ver a figura daquele sujeito.

—Não faço ideia, Arthur. — Ela respondeu em um tom baixo. Logo em seguida, questionou o rapaz a respeito de quem ele era e o que queria com ela.

—Sou Michael, irmão da Lucy. Ela me pediu pra lhe trazer uma coisa que preparou pra você. — Ele contou erguendo da cesta da bicicleta um 'pacote' que havia trazido pra ela em nome de sua irmã.

Lucy tinha insistido e quase lhe obrigado a ir levar esse 'mimo' a amiga que ela tanto tinha mencionado a ele. Aquilo tinha sido um meio usado por Lucy pra seu irmão e a morena se conhecerem.

—Oh!

Sara exclamou com surpresa. Ela já devia imaginar que Lucy daria um jeito de seu irmão vir lhe conhecer. Como diz aquele ditado: " Se Maomé não vai até a montanha, a montanha vem até ele" — no caso ela — Sara sorriu da esperteza da amiga dela. E o que seria isso que ela havia lhe mandado?

—Lucy é aquela sua amiga que esteve aqui, naquele dia?

Arthur quis tirar a dúvida.

Sara confirmou e em seguida, foi até o pequeno portão de madeira pra abri-lo para o irmão de sua amiga passar.

Assim que se encontrava diante do rapaz e que ele havia deixado a bicicleta encostada, Sara tratou de cumprimentá-lo e convidou-o a entrar. Da porta, Arthur apenas observava Sara e o outro sujeito se cumprimentarem e vir em direção a casa.

—Olá!

O sujeito disse educadamente a Arthur assim que se encontravam um diante do outro.

O homem de olhos azuis o encarou por um breve instante e só então retribui o cumprimento de maneira seca e séria chamando a atenção de Sara e Michael por aquilo.

A jovem morena apenas fitou Arthur estranhando aquela sua seriedade toda e logo em seguida, tratou de apresentá-lo à sua visita, dizendo que Arthur era um amigo que estava passando uns dias com ela. Depois, os três entraram na casa e Michael entregou a jovem à encomenda que sua irmã tinha lhe incumbido de trazer pra ela. Tratava-se de um pequeno bolo de laranja que Lucy sabia que Sara adorava.

—Não acredito que ela fez um bolo só pra mim? — Sara comentou, pegando da mão de Michael o 'mimo' que sua amiga tinha lhe mandando. _Lucy não existe! Vou preparar um café pra gente. Bolo vai bem com café. Volto já.

Ela sumiu para a cozinha, deixando os dois homens sozinhos na sala.

Arthur não estava gostando nada da visita daquele 'forasteiro'. Ele parecia visivelmente encantado com Sara e ver isso, incomodava Arthur.

—Minha irmã tinha comentado sobre Sara estar com um amigo hospedado na casa dela. — Michael se pronunciou pra puxar conversar com o outro homem e quebrar o silêncio que se instalou ali na sala há uns minutos, desde a ida de Sara a cozinha. _Sara e você são amigos há muito tempo?

—Sim! — Mentiu.

—E esses machucados todos em você? Algum acidente?

—De carro!

—Nossa! E como foi?

—Não lembro nada do acidente ou como aconteceu.

—Caramba! Sua família deve ter ficado aflita com seu acidente. Pelo o seu estado, o acidente deve ter sido feio.

—Eu não tenho família! Quer dizer, minha única família é a... Sara!

Da porta, a jovem que retornava com a bandeja onde trazia uns pratinhos e talheres para comerem o bolo, estancou no meio do caminho ao ouvir aquelas últimas palavras de Arthur.

Ele lhe considerava sua única família!

Notas finais
Arthur não foi nada com a cara de Michael e ele tem um motivo mais do que justificável pra isso: ciúmes da Sara. Tá mais do que na cara que ele tá apaixonado por ela. E, muito em breve ele dirá isso a ela. Aguardem! Beijos!