Another Life
112 Chapter 112
Notas iniciais
Antes das seis da manhã os dois irmãos Grissom já saiam de casa pra pegar a estrada para a casa de Sara.
—Você não tinha pra quê vir.
—Já vai começa de novo com a mal-criação? Eu quero ver a Sara também. Além do mais, se ela não quiser te perdoar, eu tô aqui pra bancar sua advogada e interceder por você.
—Não preciso de advogada. Sei me defender sozinho, Cath.
—Ah, não seja grosseiro, Gil. E chega dessa discussão toda. Dirigi que é melhor. E depois a gente troca a direção.
Foi uma longa viagem e no meio dela, eles ainda pararam pra comer algo já que mau tomaram café direito por causa da pressa de Grissom em sair logo de casa. E após fazem uma pequena refeição num simplório quiosque de beira de estrada, retomaram a estrada pra não fazerem mais quaisquer parada.
Horas mais tarde, eles já chegavam em seu destino final. E nem bem Catherine estacionava o carro em frente à casa de Sara e seu irmão já abria a porta e saía do veículo, sem que o mesmo ainda tivesse sequer o motor desligado por Cath.
—Grissom!! — Catherine gritou em susto quando seu irmão pulou do carro.
O empresário nem deu bola para a chamada recriminatória da irmã. Ele tinha pressa, muita pressa de ver seu grande amor e lhe pedir perdão de joelhos por tê-la esquecido e lhe feito sofrer durante o tempo que não lembrava dela.
Certamente, Sara deve ter sofrido horrores e nada do que ele dissesse ou fizesse apagaria o sofrimento que ela passou, mas ele faria o possível e o impossível pra tentar reparar de alguma forma aquele mau que lhe fez passar.
—SARA!! — ele gritou, abrindo o pequeno portão de madeira da cerca e correndo até a porta principal. _Sou eu, honey! Lembrei da gente, meu amor!... Abri a porta pra mim! Tô morrendo de saudades de você, honey! Abre! — com desespero ele batia freneticamente na porta.
—Acho que ela não está, Gil! — comentou Catherine ao se aproximar do irmão segundos depois.
Um tanto desapontado ele se virou pra irmã que havia se postado atrás dele.
—Vai ver que ela deve ter ido à cidade. O carro não está aqui. — ele notou a ausência do veículo na garagem ao lado. _Vamos esperar.
Eles se acomodaram nos degraus da varanda e ficaram a espera de Sara
***
Sob a sombra de uma árvore, Sara se encontrava sentada num balanço de madeira. O sol já imperava imponente e o vento amenizava o calor.
—Ei! Cuidado aí, vocês dois! — ela alertou ao notar os dois garotinhos que se preparavam pra "subir" numa árvore situada mais adiante de onde Sara estava sentada.
Estampando sorrisos travessos, os dois meninos apenas assentiram pra ela. Sara viu então os dois subirem com extrema agilidade na árvore de grande porte. A médica não deixou de sorrir disso. Aqueles molequinhos eram mesmo uns esquilos pra subirem em árvores. Era impressionante a rapidez e agilidade deles nisso.
De cima de um dos galhos da árvore os dois acenaram pra ela com os mesmos sorrisos travessos de antes de estarem ali.
Ela acenou de volta pra eles e depois teve a ideia de registrar aquela visível alegria dos dois garotos. Apanhando do chão a sua câmera que momentos atrás usou pra fazer clicks de alguns belos pássaros e borboletas que vire-mexe pousavam perto dela, Sara saiu do balanço e foi até a outra árvore aonde os meninos estavam.
—Deixa eu tirar uma foto de vocês aí em cima, seus esquilos subidores de árvores.
Os dois abriram largos sorrisos banguelas e Sara fez uns três clicks dos meninos. Depois retornando para o lugar onde estava antes, a médica foi ver como ficaram as fotos tiradas.
Tinham ficado lindas! Aqueles dois eram fotogênicos demais. E aqueles seus sorrisos travessos eram de uma espontaneidade incrível.
Ela se pegou vendo outras fotos mais que já havia tirado e acabou "esbarrando" numa DELE.
Com a ponta do dedo indicador a médica tocou com carinho o rosto de seu amado que estampava a tela da câmera de fotografar, a mesma câmera que havia comprado pra ele registrar os momentos deles dois juntos. Era para as fotos deles ajudarem-no a lembrar da história que construíram, mas não foi assim que aconteceu. As fotos não ajudaram em nada!
Seu coração se apertou ao fitar bem o rosto dele de perfil encarando um ponto qualquer. Tinha sido um dos registros que ela fez dele sem que o mesmo percebesse. E havia ficado lindo. Sua expressão compenetrada, o olhar distante e o sol iluminando seu rosto barbudo.
Ainda o amava demais e seria assim até sabe lá Deus quando.
Aquele amor grande e forte, que lhe fez tão feliz e alegre. Agora só doía, machucava e lhe matava por dentro um pouco a cada novo dia que passava longe do homem por quem ela nutria aquele amor.
Sorriu triste com a lembrança dele, Arthur. Ele e a história que viveram juntos seriam apenas uma bela e ao mesmo tempo, dolorosa lembrança pra ela. Enquanto que pra ele, ela e o que viveram, certamente, não eram nada, não significavam nada, já que Grissom tomou o lugar de Arthur, de quem Sara sentia enorme saudade.
Eu conto os dias
Sem ter você
Esse amor tá me matando...
[...]
E o coração me diz
Não vai curar jamais
O amor é cicatriz
Que o tempo não desfaz
(Cicatriz — Paula Fernandes)
***
Já fazia mais de uma hora de espera, quando os irmãos Grissom ouviram barulho de carro se aproximando. Gil imediatamente se pôs de pé e Catherine o imitou logo na sequência. Em frações de segundos, eles viram surgir um carro que o empresário imediatamente reconheceu como sendo o veículo de Sara.
—Ela chegou! — Grissom disse com um sorriso a Catherine.
O empresário caminhou apressado até o portão da cerca sendo acompanhado alguns passos mais atrás por Catherine.
O empresário estava louco pra abraçar e beijar sua amada. Mas tanto o empresário quanto sua irmã franziram a testa e estancaram no meio do caminho quando viram a motorista descer do carro. Não era Sara quem dirigia.
—Lucy?? — o empresário murmurou mais pra si do que para Catherine parada ao lado dele.
—Quem é ela, Gil? — Catherine murmurou ao irmão.
—A amiga de Sara que foi em Los Angeles falar comigo. — contou Grissom se afastando de perto de Catherine pra se aproximar de Lucy que estava parada a alguns passos de distância deles.
A amiga de Sara por sinal estava tão surpresa com a presença do empresário ali, quanto Grissom ficou ao vê-la sair do automóvel de Sara.
—Grissom? — Lucy balbuciou assim que o empresário se aproximou o bastante dela.
—Oi, Lucy!
—Oi!... — ela olhava pra ele sem acreditar na sua presença ali diante dela. _O que faz aqui?
—Eu lembrei da Sara e vim atrás dela pra contar isso. Mas ela não está em casa. — ele apontou pra trás de si na direção da casa de sua amada.
—Não, ela não está mesmo!
—Pensei que era ela quando vi o carro. Se está com o carro dela, então Sara está na sua casa?
—Não! Ela não está lá em casa. — contou Lucy. _Você disse que lembrou dela?
—Sim. Lembrei de tudo. Inclusive de você e os seus filhos. Como eles estão a propósito?
—Eles estão bem!
—Que bom! Então... Sabe onde Sara foi e que horas ela volta? Preciso contar pra ela que lembrei dela e da nossa história.
Lucy levou uma das mãos ao rosto e suspirou em desapontamento. Se ele tivesse chego quatro dias antes.
—O que houve Lucy?
Grissom notou uma expressão nada boa estampar a feição de Lucy.
—Eu acho melhor a gente entrar e conversar lá dentro, pode ser?
—Entrar? Mas tá trancada a casa.
—Eu estou com a chave.
—Está? Por que? — ele já começou a não gostar daquilo. E pior, a ter um péssimo pressentindo quanto a resposta às questões que lançou a Lucy.
—Vamos entrar e lá te conto.
Ele apenas assentiu e eles se dirigiram para a casa. No curto caminho Grissom ainda apresentou sua irmã a Lucy. As duas mulheres se cumprimentaram e o trio então entrou na casa.
Já dentro do imóvel lembranças inundaram a cabeça do empresário. Ele se viu em vários momentos alegres e felizes com Sara por aquele cômodo, dentre eles um em especial: a vez em que dançaram ali numa noite chuvosa.
—Eu vou preparar um café pra gente, porque vamos precisar. — Lucy anunciou antes de sair da sala e deixar os irmãos Grissom a sós.
—Nossa! Quantas fotos de vocês! — a irmã do empresário comentou após a amiga de Sara tê-los deixados sozinhos ali.
Grissom se virou pra irmã que se encontrava observando uma estante cheia de porta-retratos dele com Sara. Os olhos claros de Cath tinham batido certeiro no móvel que trazia os porta-retratos.
Por um mísero segundo o empresário até havia esquecido da presença da irmã enquanto tinha a mente invadida de lindas recordações. E a fala dela o trouxe a realidade.
—Você nunca foi de gostar de fotos. Mas pelo visto isso mudou quando estava vivendo aqui.
Ele esboçou um sorriso.
—Sim. E nós tiramos todas essas fotos e mais tantas outras pra me ajudar a lembrar dos momentos que vivemos, quando minha memória voltasse e eu esquecesse da vida que construí com a Sara. — ele explicou se aproximando da irmã.
—São fotos lindas!
Catherine podia ver seu irmão tão diferente naquelas fotografias. Ele exibia em suas feições: alegria, leveza, felicidade e um sorriso tão espontâneo que dava gosto de ver.
—Essa aqui é do casamento de vocês?
Eles usavam roupas brancas, tinham ao fundo um lago e exibiam expressões visivelmente emocionadas.
—Sim!
—Você parece tão feliz aqui.
—E eu estava feliz mesmo!
Tinha sido um dos tantos dias felizes que passou ao lado de Sara.
—E essa foto? — Catherine apontou um retrato que mostrava a barriga de Sara estampando os dizeres que a médica usou pra contar da gravidez.
Ele sorriu e apanhou o retrato.
"Papai, eu já estou aqui!"
Tais dizeres tinham lhe feito o homem mais feliz do mundo naquele dia.
Seus olhos azuis se encheram d'água ao olhar para àquela fotografia. E uma tristeza tomou conta de seu coração, pois o bebê que eles tanto sonharam e comemoraram a vinda naquele dia, não mais viria.
—Isso foi quando Sara me disse que estava grávida. — ele olhou pra Catherine. _A gente ficou tão feliz com essa notícia, Cath!
—Acho que posso imaginar isso, meu irmão!
—Como eu pude esquecer de tudo isso? Como eu pude esquecer DELA?
A única mulher pela qual ele se apaixonou de verdade, amou de verdade e ele acaba esquecendo-se dela. Aquilo parecia tão injusto. Sara, certamente, devia estar sofrendo horrores por isso. Se fosse o contrário, ele estaria igual. Talvez não suportaria o fato dela tê-lo esquecido como aconteceu com ele em relação à ela.
—Da mesma forma como você esqueceu de mim, de quem você era e das outras pessoas do seu convívio familiar. Mas você lembrou dela, de tudo e é isso que importa, né?
—Sim. Agora tudo o que eu quero é encontrá-la, pedir perdão e recomeçar de onde ela e eu paramos.
—Tenho certeza que você vai conseguir tudo isso. Ela te ama e vai te perdoar. — Catherine tocou o braço dele.
Ela estava torcendo pelo irmão. Ele e Sara realmente pareciam se amar verdadeiramente e a prova disso estava visível em cada fotografia espalhada por cada canto daquela sala. A felicidade e o amor irradiavam em seus sorrisos felizes e nos olhares que trocavam em algumas fotos. Era lindo!
—O café está pronto! — Lucy anunciou, entrando na sala empunhando uma bandeja onde trazia três xícaras, colheres e um açucareiro.
A amiga de Sara e os dois irmãos Grissom se acomodaram no sofá. E logo cada um já se encontrava apreciando sua xícara de café.
—Lucy onde está a Sara? — o empresário foi direto na questão.
—Olha... Grissom...
—Arthur! — ele a interrompeu e corrigiu-a. _Você me conheceu como Arthur e era assim que me chamava. Então é assim que quero que continue me chamando, Lucy. Sabia que ela ia ser a madrinha do meu filho, Cath?
A mãe de Doug e Lewis sorriu. Aquele sim era o homem amável e de sorriso espontâneo que ela conheceu e se habituou a ver nele. E não o sujeito sério e insensível com quem falou em Los Angeles.
—Ah, era?!
—Sim. Ela se voluntariou pra "vaga"! E Sara e eu aceitamos isso. — ele contou com um sorriso e ambas as mulheres riram com o empresário.
—É verdade! Fui cara de pau de pedir isso a eles. Mas creio que agora a madrinha oficial do filho que você vier a ter com Sara no futuro seja a sua irmã.
—Ela e você também. Mas pra isso eu primeiro preciso falar com a Sara e me acertar com ela, ou do contrário, não haverá afilhado algum pra vocês. — ele brincou fazendo as duas mulheres sorrirem. _Onde está a Sara, Lucy? Algo me diz que ela viajou, não foi?
—Não, ela não viajou, Arthur. Na verdade ela foi embora daqui.
—Embora? — ele repetiu e lançou um rápido olhar a Catherine acomodada a seu lado no sofá. Ela estava tão surpresa com aquela notícia quanto seu irmão.
—Ela ficou péssima quando viu a notícia num jornal a respeito do seu casamento. — a fala de Lucy atraiu o olhar do empresário novamente. _E tomou a decisão de ir embora da cidade. Têm quatro dias que ela já foi. E pelo que me disse não pretende voltar mais pra cá, Arthur. Inclusive, essa casa, Sara pretende vender.
Vender a casa onde eles foram felizes? Não! Ele não ia deixar!
—Pra onde ela foi, Lucy? — ele depositou sua xícara de volta a bandeja e segurando nas mãos de Lucy, lhe disse: _Preciso falar com ela o quanto antes. Me diga aonde ela está, por favor?
—Ela foi morar no Havaí com o irmão dela.
***
—Ei! Chegamos! — Andrew se postou ao lado de Sara que agora estava de pé, à beira do campinho, observando os sobrinhos jogando bola com os três filhos da vizinha e o sobrinho de um hóspede da pousada.
—Achei que você e Molly fossem demorar mais.
—Felizmente foi rápido no banco. E eles deram muito trabalho pra você?
—Que nada! Eles são uns amores. Não dão tanto trabalho assim.
—Tem certeza que estamos falando dos mesmos garotos? — brincou Andrew.
—Certeza absoluta, chato! — sorrindo ela bateu seu ombro no dele.
—Gosto tanto de te ver sorrindo. Me faz lembrar a Sara de antes.
—Acho que essa Sara não volta mais, Drew. Dessa vez, ela foi pra sempre.
—Pra sempre é muito tempo. E eu ainda tenho esperanças de que ela volte.
—Só uma coisa faria com que ela voltasse, mas creio que isso não acontecerá.
—Aposto que tá falando do tal Arthur, não é? Dele lembrar de você?
—É, mas isso não vai acontecer. A essa altura ela já está casado.
—Juro que se um dia eu topasse com esse sujeito ia arrebentar a cara dele por ter te feito sofrer.
—Andrew, ele não teve culpa de nada já te expliquei toda a situação.
Logo que chegou ali, Sara desabafou com o irmão e contou pra ele tudo o que passou nos últimos meses. E a cada lágrima que a médica derramou enquanto contava o que viveu, Andrew sentia raiva do responsável por elas. O tal Arthur/ Grissom tinha ganho sua raiva extrema pelo sofrimento que causou e ainda vinha causando em sua irmã.
—Por mais que tenha explicado pra mim não muda o fato de que é por causa dele esse seu olhar triste, essa sua expressão abatida e esse sofrimento nítido em você. E ele que não cruze o meu caminho nunca ou eu sou capaz de fazer uma besteira com ele.
—Não fala bobagem!... Além do mais, Grissom nunca apareceria por aqui. Ele sequer viria atrás de mim. Só o Arthur e este acho que nunca mais volta!
***
—O endereço de lá. Ela te deixou, não é?
Grissom estava torcendo pra ouvir uma resposta positiva, mas pra sua inteira frustração não foi o que ouviu. Então ele se preocupou imensamente, pois como ia encontrar o paradeiro exato de seu grande amor? Foi então que Lucy completou contando que podia tentar conseguir isso com a própria Sara quando a mesma ligasse para saber notícias suas e dos meninos.
—E não se preocupem que não vou mencionar nada a seu respeito. Invento uma desculpa qualquer.
—Mas quando ela vai ligar?
—Aí é que está. Ela não disse.
—Droga! — irritado com a situação, o empresário se levantou do sofá e foi até a janela. _ É tudo culpa minha.
—Ei, calma, Gil. A gente vai descobrir o paradeiro exato dela. — Catherine se levantou também e foi até o irmão tentar tranqüilizá-lo. _Pode demorar um pouco, mas a gente vai encontrá-la.
—Talvez nem demore tanto assim, pois Sara disse que não ia demorar pra entrar em contato. — Lucy comentou.
—Eu preciso de ar e ficar por um momento só. Vou até o quintal um pouco.
Ele saiu rapidamente da sala sem dar brecha as duas mulheres de lhe dizerem algo mais.
Com as mãos guardadas nos bolsos laterais da calça, Grissom agora já caminhava a passos lentos pelo piso amadeirado do píer, enquanto admirava a imensidão do lago. Em sua mente repassavam-se lembranças dos momentos que o empresário compartilhou com Sara ali.
"Isso não vai dar certo."
[...]
"Claro que vai. Não seja pessimista."
"Pessimista?? Sou realista. Além do mais, eu tô me sentindo ridícula nessa situação. Pareço uma criancinha aprendendo a nadar."
O empresário abriu um sorriso ao recordar do primeiro momento vivido por ele e Sara ali no lago. Tinha sido divertido e rendido várias risadas a ambos as tentativas dele em ensiná-la a nadar.
Grissom era capaz de ainda ouvir as risadas contagiantes de Sara ecoando por ali. E ao lançar um rápido olhar para o lugar onde eles estavam naquele dia, o empresário conseguiu vê-los na maior alegria e rindo a beça das infrutíferas tentativas de Sara em nadar.
Dando mais dois passos, ele viu lá mais ao longe no lago uma lancha 'rasgando' as águas e inevitavelmente, sua mente trouxe à tona a lembrança dele e Sara fazendo amor naquele lago e o medo de sua amada em serem vistos ali.
"Sabia que... passa às vezes... hum... passa lanchas por aqui, às vezes?"
[...]
"Ah, é?!"
"É!"
Outra vez Grissom sorriu enquanto seu olhar acompanhou a lancha seguir seu caminho adiante pelo lago na direção ao norte.
Mais alguns poucos passos a mais e o empresário alcançou o final do píer. Parado ali, ele encarou por um breve momento o horizonte e a imensidão de águas límpidas do lago; depois pôs-se a fitar o céu azul por um curto instante e então fechou os olhos. Pela terceira vez ali no píer, sua mente foi povoada por outra lembrança.
Esta, porém, era a mais linda e a mais especial de todas. Era a do seu casamento com Sara. O compromisso assumido por eles ali, e que juraram ser eterno; as emocionadas declarações de amor trocadas por ambos; tudo estava fresco em sua memória como se nunca tivesse saído dali.
"Ah, honey, me perdoa!"
Nada do que ele fizesse ia apagar aqueles quase dois meses de sofrimento dela por conta do esquecimento dele. Mas faria tudo o que estivesse ao seu alcance pra minimizar o mau que causou a ela.
Seus olhos coloridos se abriram, desviaram-se do céu límpido e foram bater bem no piso de madeira do píer. E ali, ao lado do seu pé direito, Grissom avistou duas pequenas argolas prateadas que ele reconheceu no mesmo instante como se tratando das alianças que havia feito.
Bem devagar, quase que lentamente, ele foi se agachando e apanhou as duas argolas. Pondo-se de pé novamente, o empresário encarou aqueles objetos. Lágrimas escorreram por seu rosto. Aquelas pequenas "jóias" não eram pra ter saído nem do dedo dele e muito menos de sua amada.
Grissom pegou a maior e recolocou-a em seu dedo anelar esquerdo. Era ali que aquela aliança devia ficar e era ali que ela ficaria!
—Gil!
Ele se virou e avistou sua irmã vindo pelo píer.
A medida que foi se aproximando do empresário, Catherine notou seu rosto úmido e a expressão entristecida dele.
—O que houve? — ela não pensou duas vezes em questioná-lo ao parar diante dele.
—Saudade do que eu vivi. E medo de não conseguir consertar as coisas entre Sara e eu.
—Ei, você vai sim conseguir. Já falei. — ela tocou em seu rosto. _A gente só precisa esperar a Lucy conseguir com a Sara o endereço direito de onde fica localizada essa pousada do irmão dela.
—E se isso demorar muito a ponto de Sara conhecer alguém e se interessar pela pessoa, Cath?
—Sério que você acha isso?
—Eu não quero perdê-la!
—E não vai! Confia em mim?
Ela seria capaz de mover céus e terra pra conseguir para o irmão a localização da mulher que ele ama. Se era aquilo que o faria feliz então Catherine não mediria esforços pra ajudar o irmão a buscar sua felicidade.
—Confio.
—Ótimo!
—Olha! — ele estendeu a aliança de Sara pra irmã ver.
—Isso é uma aliança?
—Sim! A aliança de casamento que fiz pra Sara e pra mim.
—Você fez? — ela olhou com certo espanto pra ele.
—Como não tinha dinheiro pra comprar um par de alianças e não ia usar o dinheiro da Sara pra isso. Eu então fiz as nossas alianças de casamento com dois lacres de garrafa de vinho.
—Ficaram uma graça. E lindas também!
—Encontrei a dela e a minha... — ele mostrou sua mão esquerda pra irmã. _... Juntas aqui nesse canto do píer. Sara deve ter deixado nesse lugar antes de ir embora. — o empresário suspirou angustiado. _Eu preciso encontrá-la o quanto antes, Cath.
—A gente pode contratar um bom detetive particular pra tentar encontrá-la caso ela demore muito pra entrar em contato com a Lucy.
—Me parece uma boa ideia. — ele se animou com isso.
—Sim!... Mas agora precisamos ir. A tal Lucy disse que já está no horário dela ir buscar os filhos na escola. — ela o avisou lhe devolvendo a aliança de Sara.
Ele assentiu e guardou a jóia pra devolver a dona quando estivesse diante dela novamente. Poucos instantes depois os dois Grissom's estavam se despedindo de Lucy.
—Assim que tiver o endereço você me liga.
—Pode deixar que eu ligo sim.
—Tchau, Lucy! — ele trocou um abraço rápido com a mulher.
—Tchau! E vai dar tudo certo. Você e Sara vão se acertar.
Ele assentiu pra ela. Na sequência foi a vez de Catherine trocar um abraço de despedida com Lucy. E cada qual ali entrou em seus respectivos carros pra partirem dali para caminhos distintos.
Dias depois...
Sobre a sua mesa na construtora, ele fitava o porta-retrato com uma foto sua com Sara, o qual o empresário havia trazido da casa de sua amada.
Já fazia cinco dias que falou com Lucy lá na casa de Sara e nada de receber uma ligação da mulher avisando que já estava com o novo endereço da médica. E essa espera toda já impacientava Grissom cada vez mais. Por ele já tinha contratado o tal detetive logo que voltou pra Los Angeles, mas sua irmã disse pra ele esperar uma semana para isso. Só que ele já não estava mais suportando esperar.
Que se dane a espera!
Apanhando o telefone de sua mesa, ele começou a discar pra sua secretária. Mas na metade dos números seu celular tocou no bolso do palitó. Devolvendo o telefone ao lugar, Grissom se apressou em pegar o celular torcendo para ser Lucy. E era! Ele descobriu assim que atendeu a chamada e a pessoa se identificou.
—Já estou com o endereço da pousada, Arthur!
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