Another Life

111 Chapter 111


Notas iniciais
Ô capítulo que me fez quebrar a cabeça foi esse. Mas eis aqui ele. E devo confessar que no fundo me deu uma pena enorme da Amanda enquanto escrevia esse capítulo. Ela assim como a Sara também ama o Grissom. Mas só uma delas têm o amor do empresário e está não é a jornalista.

"Mas se um dia eu tiver que escolher, o amor será minha decisão..."

(Love Is My Decision — Chris de Burgh)

***

Quando Grissom abriu os olhos após sentir um forte odor de álcool em suas narinas, o empresário viu Amanda sentada ao seu lado no sofá, e de pé em torno do móvel se encontravam: os pais dela, Catherine, Warrick, Louise e Albert, um médico amigo da família Grissom há anos.

—Graças a Deus, você acordou querido! — Amanda tocou o rosto dele e respirou bem mais aliviada após o susto que foi ver o noivo desmaiar diante dela.

—Sugiro que se afastem um pouco pra que ele consiga respirar. — pediu Albert aos que estavam de pé ali na sacristia pra onde Grissom tinha sido trazido para ser atendido melhor pelo médico.

—O que houve? — momentaneamente desorientado, Grissom não recordava o que tinha lhe acontecido.

—Você desmaiou bem quando ia colocar a aliança no dedo da Amanda, meu irmão. — Catherine contou, afagando os cabelos do irmão, que tinha uma das mãos segura por Amanda.

Diante do que foi contado, imediatamente Grissom se recordou do que lhe aconteceu e junto com essa lembrança vieram também algumas que ele recordou de Sara.

"Deus! Sara, meu amor! O que eu fiz? Onde você está, honey?", Desesperou-se em pensamentos. "Eu preciso vê-la! Pedir perdão!"

Mas ao olhar pra Amanda que apesar de um pouco mais aliviada pelo despertar do noivo, ainda carregava no olhar uma pequena névoa de apreensão e susto pelo ocorrido momentos atrás, Grissom viu que antes de ir atrás de Sara, ele primeiro tinha que resolver-se com Amanda. Precisava contar à ela o que ocorreu com ele e desfazer esse compromisso assumido com a noiva. Não podia casar-se mais com ela sendo que havia lembrado que ama Sara e que seu coração pertence somente a médica que salvou sua vida e mais ninguém.

—Já que ele acordou podemos retomar a cerimônia, não? — Perry olhou com impaciência para todos.

A vontade do sujeito era concluir logo aquele casamento, mesmo que esse enlace não fosse de seu gosto. Se dependesse só do pai de Amanda, sua filha jamais teria reatado com Grissom e estaria prestes a casar com o mesmo. Mas como isso não estava em suas mãos só lhe coube aceitar tal decisão quando Amanda e Grissom vieram lhe comunicar semanas atrás que tinham se acertado e pretendiam retomar os preparativos do casamento.

—Acho que é melhor esperar o Gil se recuperar mais do desmaio. — ponderou Catherine olhando feio pra Perry.

—Cath está certa. Vamos dar um pouco de tempo para o Gil se refazer. — comentou Albert.

—Eu já estou melhor. — o empresário anunciou levando sua mão livre à cabeça enquanto se sentava no sofá o qual havia sido posto enquanto estava desacordado. _E preciso falar a sós com a Amanda. Podem me deixar sozinho com ela? — seu olhar se fixou na jornalista ao término de sua fala.

A conversa não seria agradável e nenhum pouco fácil, mas precisava tê-la logo ali e naquele momento. Não podia adia-la pra depois. Até porque depois tudo o que ele queria fazer, era ir atrás de seu grande amor e tentar consertar as coisas entre eles.

—Não pode deixar pra falar depois o que tiver pra falar com ela?

—Infelizmente não, Perry. Tem que ser agora. — Grissom retrucou com seriedade e lançando um olhar severo ao pai de Amanda. _Todos vocês, nos dêem licença.

O grupo que se encontrava na sacristia saiu, deixando os noivos sozinhos como foi do pedido de Grissom.

—Gil o que foi? O que tá acontecendo, querido?

Amanda tinha a ligeira impressão de que ele não parecia mais o mesmo de antes do desmaio. Uma tensão e uma seriedade pairavam sobre seus olhos coloridos. Algo não estava nada bem. E a jornalista não estava gostando disso.

—Não vai ser fácil contar isso. Talvez o melhor seja dizer sem fazer rodeios pra não alongar demais.

Até porque ficar dando voltas num assunto não era muito a dele.

—Do que você está falando?

—Amanda... — ele segurou as duas mãos dela e levou até seus lábios pra depositar um beijo em cada dorso da mão. _... Me perdoa, mas... Eu não posso mais casar com você!

***

O céu pintado de laranja por conta do lindo pôr do sol daquele fim de tarde, o som das ondas do mar quebrando mais diante dela e uma brisa suave veio tocar seu rosto como se tivesse na verdade beijando-a com todo carinho e delicadeza. Sara fechou os olhos por um breve instante se permitindo apenas apreciar o som do mar e sentir a brisa suave vir "beijar" seu rosto por mais outra vez.

Suspirou. Abriu os olhos e voltou a ser brindada com a visão da bela paisagem diante dela. Era uma bela visão. O sol se "afundando" lá no horizonte do mar.

Pessoas iam e vinham, correndo ou simplesmente caminhando e passando diante da morena pela faixa de areia; ao seu em torno, ela podia ouvir crianças falando e sorrindo; casais apreciavam a mesma paisagem que a médica e alguns não, pois estavam mais interessados em namorar; e quanto a ela estava ali, sozinha, pensando e sofrendo por ELE que a essa altura já devia ter casado com Amanda.

Dias haviam passado, semanas também e ELE sempre em seus pensamentos e no coração dela. E quando viu duas semanas atrás uma nota no jornal que Lucy comprou, mencionando sobre o casamento de Grissom com Amanda, parece que piorou tudo. Mais ainda o empresário se tornou frequente — de maneira involuntária — nos pensamentos de Sara.

E, agora, tudo o que a médica gostaria era de poder tirá-lo ou apagá-lo por completo de sua mente como ela própria havia sido apagada da mente dele, todavia isso era impossível de acontecer.

Ele estava ali dentro dela e talvez, jamais saísse dali.

Ela teria que saber conviver com isso muito provavelmente, pelo resto de sua vida.

***

Com uma das mãos sobre a testa e a outra sobre a barriga enquanto andava nervosamente de um lado para o outro da sacristia sob o olhar entristecido de Grissom, Amanda ainda não conseguia acreditar no que o noivo tinha acabado de contar.

Justo no dia em que iam se casar, ele lembra da outra e de toda sua história com essa tal Sara. Aquilo só podia ser uma brincadeira de péssimo gosto. Ela daria tudo pra não estar acontecendo nada daquilo.

—Foi por isso que você chamou o nome dela antes de perder os sentidos. — com a voz embargada ela mencionou o fato. Na ocasião do desmaio dele a jornalista pensou ter ouvido errado, mas diante do que ele contou, Amanda agora sabia que não ouviu errado ou tampouco imaginou aquele nome saíndo da boca dele. Grissom chamou mesmo pela tal Sara.

—Eu chamei? — ele estava surpreso ante aquele fato, pois não se recordava de ter feito isso. Certamente, deve ter saído involuntariamente.

—Chamou! — confirmou Amanda com dor no coração. _Eu achei que fosse apenas engano meu, mas não foi.

Ela cobriu o rosto com ambas as mãos e parando de andar, começou a chorar, porque sabia que naquele momento... Tinha perdido Grissom pra sempre. Certamente, aquela sensação horrível e dolorosa de impotência e perda que estava sentindo naquele momento, deve ter sido a mesma que a tal Sara sentiu quando Grissom esqueceu dela.

Por que aquilo estava acontecendo com ela?

Por que seu noivo tinha que lembrar da história com essa outra moça? E pior, justo nesse momento em que estava casando com ele.

Grissom que até então apenas observava Amanda, se levantou do sofá e foi até a jornalista que se encontrava à poucos passos de distância dele. Ao chegar na noiva, o homem de olhos azuis a abraçou, mas ela não retribuiu o gesto e ainda se pôs a chorar de maneira ainda mais intensa.

—Eu lamento tanto por essa situação, Amanda. — ele murmurou após beijar os cabelos dela. Só Deus sabia o quanto estava sendo horrível pra ele causar outra decepção como aquela nela. Amanda lhe amava e ele sabia que não era pouco. E pôr um fim assim no relacionamento deles, e pela razão que ele contou, não devia estar sendo fácil de ser digerido por ela. Mas Grissom tinha que ser franco e, acima de tudo, verdadeiro com ela. Aquele casamento deles não podia mais acontecer. _Jamais quis te fazer sofrer como sei que estou fazendo... mais uma vez. Só que eu precisava ser honesto com você. Não podia mais seguir com nosso casamento depois de ter lembrado da minha relação com a Sara.

Não tinha como ele fazer isso. Se ele o fizesse só estaria adiando mais o sofrimento da noiva. Sem contar que não era justo casar com ela amando outra. Ela não merecia aquilo. Amanda merecia casar com alguém que lhe amasse. E este não era Grissom. Ele amava Sara e era ao lado da médica que ele sentia que era o lugar dele.

—Você a ama? — Amanda quis saber afastando-se de Grissom, desfazendo assim o abraço que trocavam, depois ficou encarando o empresário a espera de sua resposta.

—Me desculpa! — ele pediu enquanto uma de suas mãos deslizava pelo rosto de Amanda e enxugava as lágrimas que a jornalista ainda deixava escorrer de seus olhos pela sua face.

—Não quero a sua desculpa. Quero que responda o que perguntei, Grissom! — ela afastou sua mão do rosto dela.

A resposta dele ia doer nela por isso mesmo que o empresário ignorou a pergunta antes e não quis respondê-la, mas diante da exigência de Amanda, Grissom deu sua resposta:

—Sim, amo. Eu a amo mais que a mim mesmo!

A jornalista fechou os olhos e os apertou enquanto seu peito pareceu rasgar de dor diante da resposta de Grissom. De maneira quase involuntária, Amanda se recordou da resposta que Sara lhe deu quando perguntou se ela amava Grissom. A semelhança das palavras foi algo surpreendente e mais ainda dolorosa de ouvir pra jornalista.

—Eu não...

—Ela disse a mesma coisa de você! — Amanda se pronunciou cortando Grissom.

—Ela?

—Sara! — afirmou Amanda abrindo os olhos e se afastando mais de Grissom. _No dia em que fui procurá-la pra falar com ela logo que as fotos de vocês trouxeram à tona a verdade que você me "omitia". Eu perguntei pra Sara se a ela te amava. E ela respondeu a mesma coisa que você. — Amanda confidenciou enquanto enxugava as lágrimas que novamente escorriam de seus olhos. _Parece que vocês estão na mesma "sintonia" de sentimento. Uma sintonia que nós dois... — ela apontou pra si mesma e Grissom. _... Nunca tivemos em mais de três anos de relacionamento.

—Amanda do nosso jeito nós tivemos uma sintonia.

—Não, não tivemos e você sabe bem disso. — ela rebateu logo em cima as palavras ditas por Grissom. _Enquanto eu sempre te amei, você apenas gostava de mim. Isso não é sintonia de sentimentos, Grissom.

Ele não ousou contestar, porque sabia... Era verdade aquilo!

—Mas você me fez feliz no tempo em que estivemos juntos. — ele afirmou de maneira firme e se aproximando da jornalista. Pode não tê-la amado, mas houveram sentimentos de sua parte para com Amanda. Ele foi feliz com ela. Mas agora sua felicidade estava nos braços de outra. _Eu gostei de você demais, nunca duvide disso. Você foi e sempre vai ser especial pra mim. É a mãe da minha filha. Lizzie vai nos unir pra sempre. E pra sempre você agora terá um lugar aqui... — ele pegou a mão dela e depositou sobre o lado esquerdo de seu peito. _No meu coração!

Podia ser lindo o que ele disse, mas também foi tão doloroso pra Amanda ouvir. Um triste sorriso involuntário escapou dos lábios da jornalista. Não era bem assim que ela queria estar no coração dele.

—Eu queria esse lugar só que não apenas como a mãe da Lizzie. Mas algo além disso não dá, não é? Porque esse lugar ao que parece já é da... Sara. — seu tom de voz demonstrou um explícito ressentido e após falar, Amanda puxou devagar sua mão que Grissom ainda mantinha segura sobre o peito dele.

O empresário imaginou que se não tivesse sofrido o acidente e conhecido a médica por quem agora seu coração batia, talvez, aquele lugar algum dia fosse ocupado por Amanda como mulher também e não apenas como a mãe da filha dele. Mas quis a vida ou o destino que ele sofresse esse acidente, que seu caminho cruzasse com o de Sara e que ele se apaixonasse pela médica, tudo exatamente assim. E assim foi. Agora, o que ele sabia e sentia é que seu lugar era ao lado do "anjo da guarda" que salvou sua vida, a mulher por quem ele se apaixonou e amava mais que tudo nesse mundo.

—Você não tem ideia do quanto tá sendo difícil pra mim isso também, porque eu tô fazendo sofrer uma pessoa que foi tão incrível comigo, que vai me dar uma filha e...

—Não, Grissom. — ela o interrompeu. Aquele "discurso" dele a respeito dela parecia pra Amanda doídas palavras de conforto ou pior ainda, de consolo. E nesse momento ela não queria ouvir aquilo dele e nem de ninguém. Só o que ela queria era ir embora dali e chorar sozinha o fim de seu relacionamento com o empresário. _Não diz mais nada! Me desculpa, mas eu não quero ouvir esse seu discurso me enaltecendo como pessoa.

Ele assentiu entendendo o lado dela.

—Posso ao menos te dar um abraço?

Demorou pra que ele tivesse sua resposta. Mas por fim com um pequeno movimento de cabeça, a jornalista concedeu o pedido do ex.

Ele então abraçou-a com todo o carinho e dessa vez, ela retribuiu o gesto. Grissom sentia-se o pior sujeito por estar mais uma vez magoando-a quando Amanda não merecia nada daquilo.

—Eu vou torcer pra você encontrar alguém que seja merecedor do seu amor e, que te faça muito feliz e te ame bastante. — Grissom sussurrou no ouvido de Amanda e beijou os cabelos dela.

A jornalista fez um esforço grande pra não ceder a nova onda de choro que quis lhe tomar diante de tais palavras. Era ELE quem ela queria, era ELE que ela amava, mas não era ela quem ele queria e amava, era outra. Era por causa dessa outra que seu noivo estava lhe abandonando.

—Tenho certeza que a pessoa certa pra você vai aparecer logo. — completou Grissom antes de desfazer o abraço de Amanda.

A jornalista não quis comentar a respeito da última frase dita pelo empresário. Apenas se limitou a dizer que agora eles precisavam ir lá fora e dizer que não haveria mais casamento.

—Se você quiser posso fazer isso sozinho.

—Vamos os dois acabar logo com isso.

Ela rebateu passando pelo ex e indo em direção a porta da sacristia.

***

—Agora que Perry vai me odiar pelo resto da vida!

—No lugar dele você também estaria igual. — pelo retrovisor Catherine lançou um olhar ao irmão acomodado junto com Louise no banco de trás do veículo guiado por Warrick.

Inventando uma história qualquer os noivos anunciaram momentos atrás para os convidados na igreja que não haveria casamento algum e que foi uma decisão de comum acordo.

Mesmo contente pelo casamento não ocorrer, Perry não deixou de cobrar do ex genro aquela nova exposição que o mesmo estava submetendo Amanda. Desse modo, o pai da jornalista foi pra cima de Grissom e lhe desferiu um soco, e quando ia acertar o segundo Warrick o impediu segurando-o.

—Ainda tá doendo a sua boca?

—Um pouco! Ao menos parou de sangrar. — observou Grissom ao tirar o lenço de papel de cima do local golpeado pelo pai de Amanda.

—Ainda acho que você devia ter ido ao hospital.

—Não tem necessidade disso, Rick. Eu tô bem.

—Menino Grissom, você tem certeza de que fez a escolha certa?

Ele olhou pra Louise e esboçou um sorriso confiante. Há pouco havia contado a todos ali no carro o real motivo do cancelamento do casamento.

—Certeza absoluta, Lou. Se eu me casasse com Amanda só a faria sofrer, porque quem eu amo é a Sara!

No banco da frente Catherine soltou um assovio alto diante daquelas palavras do irmão. Era a primeira vez na vida que ouvia Grissom dizer que amava uma mulher.

—Ouvir você dizer que AMA alguém é algo surpreendente.

—Surpreendente por quê?

—Porque você nunca disse isso a respeito de alguma mulher.

—É que com nenhuma antes da Sara, eu havia tido esse sentimento.

—Então de fato você lembrou de tudo mesmo com essa moça, Gil?

—Como contei ainda pouco, sim, Rick! Lembrei de absolutamente tudo. Cada momento que passei ao lado dela durante os meses em que vivi com Sara. Agora só preciso contar pra ela isso e pedir perdão por tê-la feito sofrer com o meu esquecimento. Minha vontade era de ir hoje mesmo atrás dela.

—Mas nem pensar que você vai pegar estrada a essa hora da noite, ainda mais com esse tempo fechando desse jeito. — Catherine disse se virando um pouco no banco do carona pra olhar para o irmão.

Só se fosse por cima do cadáver dela que Grissom iria pegar a estrada sozinho.

—É por isso mesmo que não vou. — ele sabia que era arriscado enfrentar a tempestade que via que se arrumava. Cometeu o erro de enfrentá-la só uma vez, e não cairia no mesmo erro duas vezes. _Mas amanhã cedo, eu vou atrás dela em East Wood.

—E eu vou junto com você!

—Por quê isso, Cath? — ele olhou feio pra irmã.

—Porque eu quero ora.

—Não tem necessidade. Eu vou sozinho.

—Eu vou junto e ponto final! — decretou com firmeza a irmã do empresário, arrancando risadas de Warrick e Louise por isso.

Notas finais
Então é isso. Como poderam "ver" o Gil agora vai atrás da Sara e isso já será no próximo capítulo. Um beijo e até lá.