Another Life
110 Chapter 110
Notas iniciais
O telefone sobre sua mesa tocou, roubando sua atenção do presente que Lorena havia comprado pra Lizzie e lhe entregado momentos atrás.
—Diga, Rose. — perguntou Amanda apertando o viva-voz do aparelho.
—O senhor Grissom está aqui querendo falar com você, Amanda.
Grissom, ali??
Devia ser algo importante pra ele vir e não ligar avisando ou marcando de se encontrarem em algum lugar.
—Deixe que ele entre! — autorizou, finalizando a chamada e guardando o presente na sacola.
Em questão de segundos, ela ouviu uma batida na porta e autorizou a entrada.
Grissom entrou ali meio reticente, mas seguro e ciente do que tinha vindo fazer. Amanda e ele tinham uma história. Uma história da qual ele lembra perfeitamente, ao contrário, da que teve com Sara. E por isso era mais válido tentar se reconciliar com a ex de quem ele lembrava da história que construiu e que esperava uma filha sua, do que com Sara. Só esperava conseguir isso.
—Olá, Grissom!
—Oi, Amanda. Como vai? — suas mãos apertaram o encosto da cadeira a qual Grissom havia parado atrás.
O empresário estava tão nervoso. Nunca foi bom com palavras, mas agora ia precisar ser se quisesse se acertar com a ex-noiva.
—Eu vou tentando ir bem.
—Presente pra Lizzie? — ele apontou a sacola enfeitada sobre a mesa da jornalista.
—Sim. Lorena quem deu ainda pouco. Mas senta, Grissom. Vai ficar de pé.
Ele se acomodou na cadeira enquanto pensava em como começar a dizer o que precisava e queria dizer pra ex.
—O que veio conversar comigo?
Ela parecia tão mais serena que da última vez que se falaram, que Grissom se sentiu mais confiante e esperançoso em uma possível reconciliação deles dois.
—Amanda, eu sei que não fui o mais correto com você ao não ter contado desde o início sobre Sara e...
—Grissom se esse é o assunto então nem precisa continuar. — ela o interrompeu na mesma hora. _O que nós tínhamos pra falar disso já foi falado. E peço que vá embora.
Ela não era obrigada a ouvir essa história de novo. Já foi doloroso demais na outra ocasião e ela ainda estava em processo de superação daquilo. E tocar nesse assunto novamente não era algo agradável.
—Por favor me escute. Eu estou lhe pedindo. Se ao final não valer a pena pra você, eu vou embora.
Mesmo não sendo de seu total gosto, ela aceitou ouvi-lo.
—Tudo bem, Grissom. Fale o que têm pra falar.
—Eu fui um tolo. E me arrependo da minha omissão. Desde o princípio devia ter aberto o jogo com você.
—Devia, mas não foi o que fez e olha o resultado!
—Não pense que pra mim é uma situação agradável. Jamais quis te magoar ou te expor como aconteceu. Eu tô muito arrependido disso Amanda. Gostaria que você me perdoasse e se não for pedir muito, gostaria também que me desse uma nova chance.
—Não sei se sou capaz disso, Grissom. Você gosta daquela Sara e tem o filho dela.
—Não têm mais! — ele baixou a cabeça ao contar aquilo.
—Como assim não têm mais?
—Sara perdeu o bebê num acidente ontem a tarde. Ela ia atravessar a rua e o carro avançou o sinal vermelho, e atropelou-a.
Sem que Grissom visse pois ainda estava de cabeça baixa, Amanda levou uma das mãos a boca chocada com o ocorrido. Jamais quis o mau daquela moça e muito menos do bebê que ela carregava.
—Eu sinto muito por isso. — ela se pronunciou após um longo silêncio que se formou depois do que Grissom contou. _E essa Sara, está bem?
—Fisicamente, ela vai ficar bem! Foram apenas machucados superficiais que o tempo vai se encarregar de curar. Agora emocionalmente, vai demorar pra ela se recuperar. Foi um golpe duro pra ela a perda do bebê. Ela ficou arrasada.
—E você, como está com o ocorrido?
Ele ergueu a cabeça e voltou a encarar a ex. Ela pode ver a névoa de dor e tristeza que pairava sobre os olhos do ex.
—Péssimo!... Tudo o que consigo pensar é que sou o culpado por isso.
—Culpado? Mas não foi você que atropelou a moça.
—Mas foi por minha causa que ela veio pra cá.
—Você não pode se colocar uma culpa tão pesada assim.
Era inevitável pra Grissom não sentir a culpa que sentia, pois na visão dele o culpado era somente ele.
—Essa moça vai precisar de você ao lado dela e...
—Ela foi embora e nunca mais volta. — ele contou, cortando as palavras proferidas por Amanda.
—Foi embora?
—Foi! Desistiu de tentar me fazer lembrar dela; me disse ontem que eu não saberia mais dela dali em diante e partiu hoje. Presumo que voltou pra cidade dela.
—E já que ela desistiu de você, aí resolveu vir atrás de mim? Tentar se acertar comigo? Virei sua segunda opção?
Havia um ressentimento explícito em suas palavras e no seu modo de falar.
Diante disso, Grissom saiu de sua cadeira e dando a volta na mesa, agachou-se diante de Amanda e tomou suas mãos nas dele.
—Não, Amanda. Você não está sendo a minha segunda opção. Você está sendo a MINHA ESCOLHA!... Eu podia ir atrás da Sara, mas eu escolhi vir atrás de você. Tentar me acertar com VOCÊ!
—Por quê?
Ele imaginou que ela quisesse ouvir uma resposta do tipo: "Porque eu te amo!". Mas ele não seria honesto se dissesse isso a ela. Desse modo, optou por algo que era a sua verdade.
—Porque é você quem eu quero do meu lado pra construir uma vida.
Não era bem essa resposta que ela queria ouvir, mas seu coração ainda apaixonado o bastante por aquele homem ajoelhado diante dela, clamou que Amanda desse mais uma chance à Grissom e a eles dois.
—Amanda vamos tentar? Eu prometo que não haverá mais segredos da minha parte. E...
—Sim! — ela interrompeu a fala dele. _Vamos tentar! — completou logo em seguida.
Ela o amava e decidiu dar mais uma chance pra eles. Deixaria o que houve pra trás e tentaria mais uma vez com Grissom.
—Você não vai se arrepender!
—Espero que não mesmo!
Ele se levantou do chão e beijou os lábios de Amanda.
***
Depois de uma longa viagem de pouco mais de cinco horas, Hank estacionava em frente a casa de Sara e se surpreendia com a beleza da mesma e o local onde ela ficava.
—Sua casa é linda e a paisagem que a cerca também!
—Foi por isso que optei por morar aqui.
—Mas fica um pouco longe da "civilização", não é?... Cuidado! Me dê sua mão. — ele ajudou-a a sair do carro.
—Obrigada! — ela agradeceu a ajuda dele assim que conseguiu sair do veículo. _Sim, fica longe um pouco, mas prefiro assim.
—Não é perigoso?
—Não! É maravilhoso!
Já lá dentro da casa foi impossível pro enfermeiro não comentar as inúmeras fotos que haviam espalhadas pela sala.
—Você e o... Grissom...
—Arthur! — ela corrigiu. _O homem das fotos se chama Arthur e não Grissom. Meu marido não tem nada haver com esse sujeito que tomou o lugar dele.
—Sara... — Hank começou a falar com calma enquanto se acomodava ao lado da ex que estava sentada no sofá. _... Você realmente abriu mão dele?
Durante o percurso da viagem, ela havia contado pra ele sobre a conversa definitiva que teve com Grissom na qual disse ao empresário que desistia e abria mão dele.
—Sim! Se ele tivesse que lembrar de mim já teria lembrado.
—Você é médica e sabe que não é assim tão simples recuperar lembranças perdidas. Quando o Grissom esteve aqui com você, ele levou mais de quatro meses pra lembrar da família dele. Quem não garante que levará esse tanto de tempo ou até mais, ou quem sabe, bem menos disso... pra que ele lembre de você?
—Hank não tenho mais condições emocionais e estruturais pra esperar ou ficar tentando fazê-lo lembrar de mim. Vai ver não é comigo que ele tem que ficar. E sim, com a noiva que ele tinha antes de me conhecer.
—Você o ama demais não é? — ele repousou a mão sobre a dela que descansava em suas coxas e apertou-a de leve.
—Sim. Vai ser difícil seguir minha vida sem ele, mas terei que saber lidar com isso do jeito que for.
—Se quiser... Eu tô aqui pra te ajudar. — piscou pra ela.
Não criava ilusões de que ela aceitasse aquilo, todavia não custava nada dar a deixa de suas intenções. Ainda gostava dela e quem sabe numa dessas reviravoltas da vida, eles não pudessem ter uma nova chance?! Era uma remota possibilidade, que só o tempo ia mostrar ser cabível pra eles.
Como Hank só viajaria amanhã a tarde, Sara o convidou a ficar aquele resto de dia ali e até dormir na casa dela. Ele aceitou.
Na manhã seguinte eles terminavam o café quando Sara escutou a voz conhecida de Lucy chamar seu nome. Ontem a noite havia ligado para sua amiga avisando do seu retorno pra cidade e também pra lhe pedir um favor: que pela manhã ela viesse a sua casa e levasse até a rodovia da cidade um amigo seu que lhe trouxe de Los Angeles pra East Wood. Lucy prontamente aceitou isso e cá estava.
—Deixa que eu vou lá pra você. — Hank se dispôs a isso já que Sara não podia ficar andando muito.
—Obrigada!
Não demorou quase nada pra Lucy chegar ali na cozinha e ao ver os machucados de Sara imediatamente ficou preocupada e quis saber o que houve com ela pra estar daquele jeito.
—Eu já terminei meu café. Vou subir pra escovar os dentes e juntar os poucos pertences da minha mala.
Hank se retirou, pois imaginou que Sara ia querer conversar a sós com a amiga dela.
—Ai, Lucy! Deu tudo errado!... Eu não só perdi o homem que eu amo, como também o filho que esperava dele.
—Santo Deus! Você perdeu o bebê?
—Sim!
—Como?
—Foi um acidente. Eu fui atravessar a rua e o motorista avançou o sinal que estava fechado pra ele, aí... Você pode imaginar o resto.
—Oh, minha querida! — Lucy que havia puxado uma cadeira e se acomodado bem perto de Sara, abraçou a amiga quando a mesma contou aquilo. _Eu sinto muito!
—Meu filho, Lucy. Um pedaçinho do Arthur que eu carregava comigo, não existe mais. Eu perdi! Não tem mais nada que me una a ele. Somente restou-me as lembranças e fotografias do Arthur e eu.
Ela começou a chorar e Lucy ficou comovida e penalizada por mais aquele fato doloroso na vida de sua amiga. Parece que o sofrimento de sua amiga não chegava ao fim.
—Vai passar, Sara. Essa dor que você tá sentindo vai passar.
—Será??
—Tenho certeza. — se afastou um pouco desfazendo o abraço da amiga. _É óbvio, que não vai sumir por completo, mas diminuí e ameniza com o passar do tempo. — consolou enquanto passava as mãos pelo rosto de Sara e enxugava suas lágrimas.
—Obrigada. Acho que se não fosse por você e o Hank comigo, eu estaria pior do que estou.
—E por falar nesse Hank, você o conheceu em Los Angeles?
—Não! Ele foi meu namorado uns anos atrás. O encontrei por coincidência. Ele foi participar de um Simpósio na cidade e ficou hospedado no mesmo hotel que eu.
—Nossa que grande coincidência.
—É! E agora dou graças a Deus por ela.
—E o Grissom nisso tudo Sara?
Não houve tempo pra ela responder essa pergunta da amiga, pois Hank retornou a cozinha.
—Já tô pronto!... Quando quiser podemos ir. — ele lançou um olhar pra amiga de Sara
—Eu levo vocês até a porta então.
Com certa dificuldade Sara conseguiu ficar de pé com o auxílio de Hank e caminhar pra levar os amigos até a saída.
—Aqui a chave do meu carro pra você ir levar o Hank até a rodoviária, Lucy. — ela entregou o objeto pra amiga, que pegou aquilo.
—Sara, eu vou ficar tão preocupado de te deixar sozinha assim nessa casa. — Hank não estava confortável em partir e deixar sua ex sozinha naquele estado em que ela se encontrava.
—Pois não fique, eu vou ficar bem.
—Se quiser eu posso ficar até você se recuperar por completo. Ligo pro meu trabalho, invento uma...
—Hank não tem necessidade disso.
Ela não ia aceitar aquilo. Ele não tinha qualquer obrigação de ficar ali cuidando dela. Tinha a vida dele e seu emprego.
—Mas você não está em condições de ficar sozinha. Inspira cuidados e tem que ficar de repouso.
—Eu me encarrego disso, Hank. — Lucy interviu vendo a preocupação do homem. _Vou cuidar dela. Inclusive, tive uma ideia. Enquanto você estiver assim vai lá pra casa ficar comigo e os meninos, Sara.
—Acho uma ótima idéia.
—Pois eu não acho. — a médica discordou na hora. _Não vou pra sua casa ficar te dando trabalho, Lucy.
—Cuidar de amiga não é trabalho algum pra outra amiga. Você vai sim pra lá comigo. Será bom pra você não ficar nessa casa que só te traz lembranças do Arthur.
—Sua amiga tem razão, Sara. Aceite. Ou eu não vou embora. Fico aqui na sua casa contra a sua vontade mesmo pra cuidar de você.
Ele não ia deixá-la sozinha. Mesmo que ela não quisesse, estava disposto a ficar.
—Hank não sou criança pra que fiquem cuidando de mim.
—Sua amiga e eu sabemos disso, mas nos preocupamos com você e queremos vê-la bem de saúde, Sara.
—Tudo bem! — ela deu-se por vencida, pois ao que parece seria voto vencido ali. _Eu vou com a Lucy.
—Ótimo! — ele se aproximou da médica e lhe deu um abraço demorado. _Se cuida, Sara! E me liga de vez enquando pra contar como está.
—Tá bom! E mais, uma vez obrigada, Hank por tudo o que tem feito por mim desde que nos reencontramos em Los Angeles.
—Não me agradeça. Eu fiz porque gosto de você. — ele se afastou um pouco dela desfazendo o abraço que trocavam e na sequência deu um beijo na testa da médica. _Até qualquer dia, Sara.
—Até!
—Sara assim que eu deixar seu amigo na rodoviária, eu volto pra te buscar e levar lá pra casa.
Ela apenas assentiu ainda não satisfeita com isso, mas entendia a preocupação deles. Observou os dois saírem e só fechou a porta quando eles sumiram de vista.
Cerca de quase uma hora depois Lucy estava de volta pra buscá-la. Como a mala com os pertences que ela levou pra Los Angeles ainda não havia sido desfeita, Sara optou por levar aquela mesma. Apenas tirou mais o excesso de roupas que havia e assim saiu dali com sua amiga. Esperava se recuperar logo pra retornar para seu cantinho.
—Você vai ficar nesse quarto. — Lucy mostrou o quarto de hóspedes pra amiga.
—Lucy, eu podia ter ficado em casa e não vindo te dar trabalho.
—Olha se disser isso de novo, vou ficar aborrecida com você. Não é trabalho algum hospedar e cuidar de uma amiga querida como você. Tenho certeza que se eu precisasse, você faria o mesmo por mim e os meninos.
—Faria mesmo!
—Tá vendo! Agora deita um pouco. Já ficou zanzando demais. Seu amigo disse que é pra você evitar ficar andando muito ainda. Vou preparar algo pra gente almoçar.
—Muito obrigada Lucy pelo seu carinho e sua amizade.
—Essas coisas a gente não agradece querida, são de graça. — piscou a mulher antes de seguir pra porta do quarto e sair do cômodo.
Sozinha no quarto, Sara se acomodou toda encolhida na cama e fechou os olhos por segundos. Inevitavelmente seu pensamento foi tomado por Grissom/Arthur.
Seu rosto assombra todos os meus sonhos que já foram agradáveis
Sua voz expulsou toda a sanidade em mim
(My immortality — Evanescence)
Tão logo as lembranças dele vieram e a médica tratou de tirá-las de sua mente pra não chorar ou ficar se sentindo mais doída do que estava com tudo o que houve de um mês pra cá em sua história com ele.
Acabou! E ela teria que saber lidar com isso.
—Eu sei que nunca vou te esquecer e acho que nem quero isso também. Mas vou tentar seguir minha vida como ela era antes de você aparecer.
Se ia conseguir não sabia. Mas ia tentar!
***
Três semanas depois...
—Nossa, você tá um gato! — Catherine elogiou o irmão ao vê-lo devidamente pronto pra irem.
—Não exagera! — ele terminou de ajeitar a gravata.
—Mas não é exagero algum!
—Já podemos ir se quiser. Eu tô pronto.
—Okay! Mas antes... Eu tenho que te fazer uma pergunta.
—Que pergunta, Catherine? — ele demonstrou impaciência. _ Não é mais uma vez a mesma que têm me feito ao longo desses dias que se passaram, é?
—É, sim.
Grissom revirou os olhos em total desagrado. Mais uma vez aquela questão?
—Ah, não! De novo, não.
—Ah, sim. De novo sim. Grissom, você tem certeza do que vai fazer?
Catherine temia por ele e principalmente, por Amanda. Não queria que a jornalista saísse magoada no futuro e nem que seu irmão acabasse se magoando também ao se dar conta que foi um erro aquele casamento, que ocorreria em uma hora. A cerimônia que não pode ser realizada no dia antes marcado por conta de uma viajem importante que o pai da noiva teve que fazer de urgência, seria realizada hoje, duas semanas depois.
—Catherine se eu não tivesse certeza jamais teria dito a Amanda pra retomar os preparativos do nosso casamento. Ela é a mulher certa pra mim. — inevitavelmente ele se recordou que Sara lhe disse o mesmo no hospital. _E também ela é a mulher que eu gosto.
—Puxa!... Você devia dizer que ela é a MULHER QUE VOCÊ AMA.
Mas ele não amava... AINDA! Tinha certeza que o tempo e a convivência com sua futura esposa iam se incumbir de fazer com que esse sentimento por ela surgisse nele.
—Vamos embora pra igreja. — ele deu as costas pra irmã e seguiu em direção a porta do quarto. _Anda, Cath! — chamou antes de cruzar a porta.
—Tô indo! — a loira resmungou indo atrás dele.
***
Quando a porta da Igreja Matriz se abriu ao som da marcha nupcial, Grissom viu então sua noiva surgir linda num vestido divinamente belo. Um sorriso enfeitava o rosto dela.
Ela era sem sombra de dúvidas uma noiva linda!
Mas algo dentro do empresário não parecia tão exultante com aquela situação toda, quanto devia estar naquele momento. Estava feliz sim, pois se casaria com uma mulher que inegavelmente lhe amava. Uma mulher que foi capaz de perdoar uma traição que ele cometeu à ela. E uma mulher que lhe daria uma filha, que torceria pra herdar a beleza da mãe, mesmo que isso no futuro lhe desse algumas dores de cabeça por conta dos futuros "gaviões" que se engraçariam por sua filha quando está fosse adulta.
Tinha certeza de que Amanda seria uma companheira perfeita, mas por alguma razão desconhecida, ele se viu diante de numa hipótese que surgiu ali na hora: e se fosse Sara no lugar de Amanda?
Sua noiva vinha caminhando de braços dados com o pai dela na direção de Grissom e ele imaginou por um momento que ela fosse Sara.
Semanas haviam se passado desde a última vez que ele viu a morena após o aborto que ela sofreu do filho deles. E por mais que ele se esforçasse em não pensar nela, inevitavelmente acabava pensando sem querer.
Aquela jovem que ele não recordava da história que havia escrito com ela no tempo em que passou desmemoriado ao seu lado, esteve em seus pensamentos em alguns dias das semanas que se passaram.
As palavras que ela lhe disse no hospital após lhe mandar que fosse embora do quarto dela, era outra coisa que não saía de sua cabeça.
Recordou-se de que enquanto ela duramente lhe discursava e despejava todo aquele emaranhado de palavras, ele viu a jovem doce e apaixonada por ele, dar lugar à uma jovem ferida e rendida pela dupla perda que ela sofreu: a do filho deles e a dele, que não lembrava dela. Sabia que isso doía nela tanto quanto a perda do bebê. Não devia ser nada bom ver o homem que ela tanto ama não amá-la mais, e sequer lembrar dela e da história que juntos escreveram em poucos meses.
"A gente era tão feliz, sabia?"
Ele queria poder ter lembrado disso. Das coisas todas que ela lhe contou sobre eles. Do jeito como ele era e que nem em sonho se igualava a quem de fato ele fora ao longo dessa sua vida inteira até antes de sofrer aquele acidente de meses atrás.
"Você me amava tanto!... Era tão diferente desse empresário que tá na minha frente." [...] "Era tão cheio de vida, alegre, sorridente, brincalhão e... Apaixonado por mim!"
Aquela descrição de homem não condizia com ele. Na verdade não era ele, nunca seria. Ele não sabia amar. Nunca soube o que era aquele sentimento!... Nunca foi cheio de vida, nem tampouco alegre, sorridente ou brincalhão, nada daquilo. Sempre foi o oposto. Mas com ela, segundo Sara, ele foi o cara "bom" e não o "estranho" da vida inteira.
Como era possível ele ter assumido uma personalidade tão diferente da que ele sempre teve?
Não conseguia entender isso e talvez jamais conseguiria.
Sua mente resolveu deixar esse fato pra lá e mais uma vez, focou em: Sara!
Como será que ela estava?
Uma enxurrada de lembranças dos encontros que teve com ela ao longo das duas semanas enquanto ela esteve em Los Angeles e também do beijo que lhe deu no hospital quando ela estava sedada, vieram feito avalanche em sua mente enquanto seus olhos fitavam Amanda que estava cada vez mais há poucos passos de chegar nele.
A cada novo encontro deles, Grissom foi começando a gostar de estar em companhia de Sara. Aquela jovem tinha algo que foi lhe atraindo e fazendo gostar dela. Mas agora ela era passado, pois seu presente e seu futuro estavam diante dele.
—Estou te entregando o bem mais precioso que tenho.
As palavras de seu sogro Perry tiraram o empresário dos pensamentos que vinha tendo.
Ele segurou a mão de sua noiva e assentiu para o sogro estampando um sorriso que em nada condizia com a felicidade que supostamente Grissom devia estar sentindo, mas que naquele momento não estava assim sentindo.
Encarando o padre que começava seu discurso acerca do matrimônio, Grissom se viu viajando de novo em pensamentos até Sara.
As muitas conversas trocadas com ela durante os encontros deles na cafeteria ou outros pelo parque, e a tarde na praia;
As histórias que ela contou sobre eles e ela; as diversas fotos que inúmeras vezes ele viu deles juntos no pendrive que Sara lhe deu; o sorriso de menina tímida da médica quando contava algo engraçado que viveram; seu olhar de quase adoração que ela sempre lhe lançava, toda vez que seus olhares se cruzavam; o beijo que ele lhe deu no hospital noites atrás;
Ela lhe amava mesmo e era comovente ver o quão disposta aquela moça parecia em tentar fazê-lo lembrar-se dela.
Pena que ela não conseguiu isso e acabou no fim das contas, se rendendo e desistindo dele.
Mas agora isso não importava mais pra ele. Sara e tudo o que aconteceu com eles seriam uma lembrança, ficaram pra trás. Ele, agora, estava prestes a começar uma nova vida com Amanda e seu objetivo era fazer feliz a mulher que escolheu pra ter uma vida.
—Gris... Está tudo bem com você, querido?
Ele ouviu sua noiva lhe murmurar em determinado momento da cerimônia, quando ele suspirou e passou uma das mãos pelo rosto.
—Sim!
Ele resmungou de volta e de maneira baixa.
Não sabia porquê razão, mas de um instante para o outro começou a se sentir estranho, porém não quis comentar nada para não preocupar Amanda.
Veio então o momento da troca das alianças e as já tão conhecidas palavras que os noivos dizerem nesse momento.
Primeiro foi Amanda que emocionada repetiu ao microfone as palavras que o padre ia lhe dizendo baixo, enquanto ao mesmo tempo, ela deslizava pelo dedo anelar esquerdo de Grissom, a grossa aliança de ouro.
Depois foi a vez do empresário.
Segurando a mão de Amanda e com a aliança pronta pra ser posta no dedo de sua futura esposa, o empresário começou a dizer...
—Eu... Gilbert Arthur...
E eu me lembrarei de você
E as coisas que nós fazíamos
E as coisas que nós dizíamos
Eu me lembrarei de você...
(Perfect Memory — Remy Zero)
Foi súbito, foi rápido e sem que ele esperasse, que veio em sua mente uma importante recordação.
"Eu, Arthur... Recebo, você, Sara por minha esposa, e te prometo ser fiel,
amar-te e respeitar-te... Na alegria e na tristeza... Na saúde e na doença... Todos os dias das nossas vidas."
Depois desta, uma enchurrada de outras lembranças mais vieram uma atrás da outra na mente de Grissom. Todas lembranças de momentos dele com Sara que não eram os de Los Angeles.
A primeira vez que se viram. Ela lhe levando para o hospital, depois posteriormente para sua casa; seus cuidados com ele; a convivência deles e a proximidade a jato que tiveram, tal como, o amor que surgiu neles.
O primeiro beijo.
O primeiro "Eu te amo".
A primeira vez que fizeram amor.
Tantos momentos felizes e alegres deles em casa; no lago; passeando pela cidade.
Sorrindo.
Chorando.
Vivendo... Juntos.
Escrevendo a história deles.
Também veio a gravidez dela que foi tão festejada por eles. O casamento simbólico no píer, que pra eles tinha sido oficial.
Tantas coisas vieram em frações de segundos.
—Gris...
Amanda o chamou, não entendendo a razão dele não prosseguir com o discurso.
Ele encarou sua noiva e as lembranças com Sara não paravam de vir. Eram inúmeras coisas que vinham como um filme acelerado em sua cabeça.
—Querido, você tá pálido. — sussurrou Amanda tocando seu rosto.
Seu noivo estava branco feito uma cera e ela começou a se preocupar com isso, mais ainda, quando sentiu o quão fria sua pele estava.
Mais a esquerda do altar Catherine também já se preocupava com o irmão. Era visível que ele não parecia bem naquele momento. Os convidados na igreja também estavam estranhando o comportamento do noivo.
—Grissom o que você tem?
Ele suava frio, o mundo a sua volta pareceu rodar, a visão ficar turva.
—Gil!
—Sara! — foi a única palavra que ele conseguiu balbuciar antes de perder os sentidos e preocupar a todos.
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