Another Life
11 Chapter 11
Notas iniciais
Cinco dias... 120 horas... esse era o tempo que já durava a angústia de Catherine pela falta de notícias do irmão.
Até o momento nenhum vestígio do empresário tinha sido encontrado pela polícia e muito menos, pelo Corpo de Bombeiros, mas as buscas prosseguiam.
Catherine estava inconsolável com aquela situação. Primeiro foi a perda da mãe quando ainda era uma criança, anos depois veio a morte do pai que foi uma perda irreparável pra Catherine que tinha no patriarca o seu "porto seguro". E agora, vinha esse acidente do irmão que culminava com seu desaparecimento. Não queria perdê-lo como perdeu seus pais. Mas inevitavelmente, uma pergunta martelava em sua cabeça:
Será que seu irmão estaria vivo?
Ela rezava todos os dias pra ele aparecer e vivo. Grissom era seu único parente, sua única família de sangue. Ambos eram filhos de pais que foram filhos únicos em suas famílias, desse modo, não tinham tios, primos ou qualquer outros parentes. A família deles após a perda dos pais, resumia-se a apenas eles dois. Os dois irmãos Grissom!
E ela como a mais nova, não saberia e nem queria ser a única Grissom da família. Seu irmão tinha que aparecer. Ele não tinha o direito de deixá-la sozinha.
—Cath... posso entrar, menina?
—Sim, Louise!
Ela consentiu, enxugando as lágrimas que derramava enquanto pensava no irmão.
—Trouxe algo pra você comer.
A governanta mostrou a bandeja que havia preparado para Catherine.
—Não quero comer nada, Louise.
Ela não tinha fome alguma. Sua preocupação e angústia era tanta que fome era a última coisa que sentia. Queria só de volta àquela casa, o seu irmão 'ranzinza' como algumas vezes costumava chamá-lo.
Louise ficou preocupada, pois sua 'menina' não comia quase nada desde da notícia do acidente do irmão. Ela pouco tocava na comida que lhe era servida. A governanta estava com medo de quê a qualquer momento, Catherine ficasse doente de fraqueza e fosse parar no hospital.
—Você precisa comer, querida. Ficar sem nada no estômago não vai te fazer bem. Seu irmão não ia aprovar isso.
—Meu irmão! — A loira repetiu essas duas palavras com a voz embargada. _Onde ele pode estar, Louise?
—Essa pergunta já me fiz milhões de vezes, Cath!... Deus queira que ele esteja bem!
...
—E então?
Arthur estava numa expectativa enorme pra saber se Sara havia aprovado a massa com molho pesto que tinha feito pra ela.
Tinha travado uma árdua 'batalha' com a jovem pra ela lhe deixar cozinhar, já que ainda estava em recuperação de seus machucados e ela não queria que ele se esforçasse, tentando preparar algo pra ela. Mas ele teimou que queria se arriscar em fazer algo. Já não sentia mais tanta dor assim. Conseguia até se movimentar bem melhor sem sentir a forte dor que sentia logo que chegou a casa dela há quatro dias.
Sara não teve outra opção senão consentir aquilo dele cozinhar. No entanto, com uma ressalva, ela seria sua 'ajudante', mesmo que isso não fosse uma boa ideia, dada a sua inabilidade na cozinha. Arthur topou mesmo assim.
A receita preparada, ele havia pego de uma revista que tinha por ali. No dia anterior, Sara havia lhe comentado ao folhear aquela revista e se deparar com aquela receita, que fazia tempo que não comia algo daquele tipo. Daí, a idéia de satisfazer uma vontade dela, como uma forma de retribuir im pouco do muito que ela vinha fazendo por ele.
—Nossa, Arthur! Isso está delicioso.
Ele abriu um sorriso de alívio por ter acertado, e satisfação por ter agradado a jovem a sua frente.
—De verdade mesmo?
—Sim! Experimenta só!
Ela levou até a boca dele, uma garfada bem abastecida de massa com molho, pra Arthur provar a própria receita.
—Hum... Não é que ficou bom mesmo!
Ambos sorriram.
—Não disse. Será que foi sorte de principiante ou você cozinha bem mesmo?
Ela provocou em tom brincalhão.
—Podemos tirar à prova em outra oportunidade. Eu posso preparar outra coisa, noutro dia e aí, descobrimos se foi apenas sorte ou eu sei cozinhar mesmo.
—Pode ser!... Mas não precisa se incomodar em cozinhar pra mim.
—Não é e nem será incômodo algum. Foi divertido, ainda mais, tendo uma ajudante atrapalhada como você.
Eles riram juntos ao se recordarem das 'trapalhadas' dela na cozinha momentos atrás.
Sem querer, enquanto ainda preparavam a massa, ela esbarrou o braço no pacote de farinha que estava na ponta da mesa, e este tombou e derramou a metade do seu conteúdo no chão. Depois foram os ovos que escapuliram de sua mão ao pegá-los de cima da geladeira e ganharam o mesmo destino da farinha, que foi o chão. E pra completar, ela ainda se queimou quando foi pegar a panela com a água e a massa pra escorrer. Tudo isso só rendeu risada aos dois principalmente, a Arthur.
—Eu te disse que era péssima na cozinha.
Ela admitiu com um sorriso sem graça.
—Percebi! E ainda sim, insistiu em me ajudar?
Ele indagou servindo-se da massa.
—Fiquei com receio de você se esforçar demais. Na verdade, não era nem pra você está fazendo essas 'peripécias', mas enfim... não me dá ouvidos.
—Eu tô bem, Sara. As dores quase não incomodam tanto. O remédio que a médica passou tem ajudado e muito a me recuperar.
—Ok! Mas não vamos abusar.
—Como quiser, senhorita.
Eles ainda conversaram mais enquanto almoçavam o que Arthur havia preparado com a ajuda de Sara. Depois que terminaram, ela lavou a louça e ele ainda quis ajudar, mas Sara não permitiu de forma alguma aquilo. Segundo ela, "ele já havia extrapolado sua cota do dia de peripécia", então era pra ele ficar quieto na cadeira, que ela cuidava da louça e de limpar a cozinha. Limpeza era com ela!
Ele apenas sorriu e não fez qualquer objecção a sua 'ordem'.
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