Another Life

108 Chapter 108


Notas iniciais
Sei que ando demorando nas postagens e pra ser franca com vocês, elas seguiram nesse ritmo demorado mesmo. É reta final e eu tenho pensado e pesado bastante o que tenho escrito. Sem contar que venho revisando sucessivas vezes. Quero entregar o melhor nessa reta final. Não que eu não tenha feito isso ao longo da fic, eu fiz! Sempre faço assim nas histórias que escrevo, do contrário, nem as escreveria. Só que nesses últimos capítulos especialmente dessa fic, eu quero fazer mais e melhor. Essa história virou meu "caso de amor". Criei um apego enorme por ela, tanto que tá sendo difícil ver que o final está à apenas 7 capítulos. Então peço a compreensão e paciência de vocês com a demora nesse final, okay? E falando desse capítulo, um aviso: preparem os lencinhos. Se eu fiquei com os olhos marejados só escrevendo e na hora da última revisão que dei no texto antes de postá-lo, creio que vocês também ficaram iguais a mim. Tá sofrido esse capítulo.

Um menino!!

Ele ia ser pai de um menino. Ia ter um casal de filhos, não fosse o infortúnio da perda do filho homem que Sara esperava. Agora, Grissom só teria a menina que Amanda esperava. E receber a notícia de que um de seus filhos não viria mais estava sendo doloroso demais, a pior coisa pra Grissom.

Ainda encarando o bom médico, Gil leu um explícito pedido de "Sinto muito" nos olhos daquele senhor. Na sequência o doutor fez um movimento com a cabeça como se despedindo. Dando as costas a Grissom, ele seguiu pelo corredor deixando o empresário sozinho e diante da porta do quarto de Sara.

Levou incontáveis segundos até Grissom tomar coragem de segurar a maçaneta da porta e abri-la. Nunca lhe pareceu tão difícil encarar alguém, mesmo que esse alguém esteja desacordado no momento.

Ele entrou no quarto, fechou a porta e cabisbaixo caminhou lenta e pesadamente até parar bem diante de Sara acomodada na cama hospitalar. Algo dentro dele doeu e se partiu em inúmeros pedaços, quando olhou bem para Sara e viu em seu rosto os machucados decorrentes do acidente sofrido por ela. Um machucado era bem acima do olho esquerdo e o outro na maçã do mesmo lado esquerdo da face. Numa das mãos também haviam escoriações.

Todos aqueles machucados superficiais doíam demais nele como se fossem profundos. Mais o pior de todos aqueles era o da perda do bebê. Isso tava doendo tanto, quase insuportavelmente. Não sabia se um dia essa dor ia passar. Talvez não passasse nunca!

—Me perdoa, Sara!... É tudo culpa minha. — sua mão foi até os cabelos dela e os afagou enquanto seu olhar vagava pelo rosto machucado dela. _Se eu não tivesse pego aquela estrada naquela noite chuvosa meses atrás, nada disso estaria acontecendo. Você não teria me conhecido e nem estaria passando por todo esse sofrimento do qual eu sou o único responsável. Eu...

A porta do quarto se abriu, interrompendo o discurso de lamento de Grissom. O homem de olhos azuis se virou e viu uma enfermeira entrar segurando umas sacolas.

—Desculpe! Não sabia que ela já estava acompanhada. Trouxe os pertences dela e as sacolas que estavam com ela na hora do acidente.

A moça esticou as três sacolas à Grissom que agradecendo, pegou da mão dela o que a enfermeira lhe estendia.

—Sei que isso não é da minha conta, mas... O senhor é marido dela?

—Não!... Por quê?

—É que eu ia lhe dizer pra dar um jeito de se desfazer do conteúdo dessas duas sacolas. — a mulher apontou para as duas brancas. _Não vai ser bom pra ela ver o conteúdo disso depois do que lhe aconteceu.

Grissom franziu a testa sem entender direito o que aquela mulher queria dizer com aquilo. Ia indagá-la a esse respeito, quando o bipe do celular dela soou e a enfermeira disse que precisava ir ajudar a socorrer um paciente que dera entrada no hospital.

Sozinho no quarto novamente, Grissom foi ver o que havia nas tais sacolas apontadas pela enfermeira. Assim que ele descobriu o conteúdo delas, seus olhos se fecharam e ele quis chorar.

Roupas de bebê!

***

Catherine estava na maior pilha de nervos. Tanto que ela quase não conseguia se concentrar na reunião. Por algumas vezes Warrick teve que chamar sua atenção de maneira discreta enquanto estavam reunidos com o pessoal de Dubai para a assinatura do contrato.

—E o Mr. Grissom? Achei que ele estaria na assinatura desse contrato. — Al-Assad, o dono de uma rede hoteleira de Dubai o qual o Grupo Grissom iria ser responsável em construir mais um novo e mais moderno hotel, lançou um rápido olhar a Catherine enquanto assinava o contrato após seu advogado verificar o mesmo e dizer que tudo estava certo.

—Meu irmão teve um terrível imprevisto e por isso não está aqui Mr. Al-Assad.

—Uma pena. Adoraria tê-lo conhecido pessoalmente. Soube pela mídia do que aconteceu a ele. Deve ter sido um choque e tanto pra vocês quando ele apareceu.

—Bota choque nisso. Mas não faltarão oportunidades para que o conheça.

—Com certeza. Aqui... — ele estendeu os papéis do contrato a Catherine. _Tudo devidamente assinado.

—Ótimo! Mr. Al-Assad não irá se arrepender de ter colocado em nossas mãos a construção desse seu novo empreendimento.

—Tenho certeza que não.

O Sheik Al-Assad, seu advogado e seus assessores se despediram de Catherine e Warrick, e saíram da sala de reunião na sequência.

Tão logo ficou a sós com o marido na sala, Catherine na mesma hora apanhou seu celular para ligar pro irmão. Estava preocupada e querendo saber notícias de Sara e seu sobrinho.

***

Grissom estava acomodado na poltrona que havia próxima ao leito onde Sara estava, observando a jovem que seguia dormindo, quando sentiu seu celular vibrar no bolso interno de seu palitó. Apanhando o aparelho, o empresário viu no visor que era uma ligação de sua irmã. Levantando da poltrona, ele se afastou de perto de Sara e foi para próximo da janela que havia no quarto, atender a chamada de Catherine.

—Oi, Cath! — seu tom de voz era baixo e melancólico.

—Oi. E aí, como ela e o bebê estão, Gil? Me diga que eles estão bem, por favor. — ela implorou, olhando para Warrick que assim como ela estava preocupado com o estado de Sara e a criança que ela carregava.

Grissom adoraria poder dar essa notícia à sua irmã, mas não era bem essa a realidade das coisas.

—Ela está em estado estável e sem qualquer perigo. Já o meu filho... Ele não existe mais, Catherine. Sara o perdeu por conta do acidente.

—Não me diga isso! — Catherine levou a mão aos olhos que se encheram de lágrimas diante da perda de um dos sobrinhos. Estava tão contente que ganharia dois, agora seria só um. Pressentindo que o pior aconteceu Warrick abraçou a esposa. _Sinto muito, meu irmão.

—Eu... Queria tanto que isso fosse um pesadelo.

—Eu também queria que fosse. E ela já sabe da perda do bebê?

—Não. — ele lançou um rápido olhar na direção da morena. _Sara está dormindo por conta da sedação que recebeu. — voltando-se para a janela, Grissom continuou sua fala: _ O médico disse que ela ainda vai dormir por mais algumas horas. Só quando ela acordar que vai saber do bebê.

—Vai ser um baque tão grande pra essa moça. Primeiro ela te perde, quando você recupera a memória e esqueci dela. Agora, ela perde o filho de vocês.

—Não sei nem como vou contar pra ela isso, Catherine. Sequer sei como lidar com essa situação.

—Você vai ter que ser forte. Ela vai precisar muito do nosso apoio num momento desses, principalmente do seu meu irmão. Perder um filho deve ser algo...

—Terrível! — Grissom completou com tristeza e passando a mão pelos olhos marejados. _Era um menino, Catherine. O médico me disse.

—Céus! — Catherine ficou penalizada. Pode sentir a voz embargada do irmão ao contar aquilo e isso fez com que as lágrimas que segurava, rolassem por seu rosto. _Você quer que eu vá aí? Assim não dá a notícia sozinho pra ela.

Sabia que ia ser difícil pra ele. E por isso queria estar ao seu lado lhe dando o suporte que sabia que ele precisava naquele momento.

—Não, obrigado. Eu acho que vai ser melhor estarmos apenas nós dois na hora.

—Okay! Mas me dá notícias depois que falar com ela?

—Sim, eu dou.

Eles se despediram e a ligação foi encerrada.

Guardando o celular novamente no bolso, Grissom voltou pra perto de Sara. Porém, ao invés de, se acomodar na poltrona, ele ficou de pé bem ao lado do leito da morena.

"Ela vai precisar muito do nosso apoio num momento desses, principalmente do seu meu irmão."

Ele sabia bem disso. Não ia ser fácil pra ela, assim como, não estava sendo pra ele aquela situação.

Suspirou com pesar e dor enquanto sua mão pegou com carinho a dela, a qual estava preso um cateter por onde Sara tomava soro. Guardando a mão da jovem entre as suas, Grissom levou-a até seus lábios e beijou com delicadeza.

—Daria tudo o que eu tenho, o meu patrimônio inteiro, Sara, só pra você não estar passando por isso e nem ter perdido o... Nosso filho. — ele murmurou com a voz embargada e os lábios ainda próximos a mão de Sara.

O ocorrido com ela estava lhe matando de culpa. Ele só conseguia sentir-se o único culpado por tudo aquilo.

Outro beijo ele deu na mão dela enquanto seus olhos estavam presos no rosto sereno e adormecido da médica.

Ela não merecia estar passando por nada daquelas coisas todas que vinham acontecendo com ela. Ele queria tanto pôr fim no sofrimento dela. Talvez lembrar da história deles dois fosse a solução pra isso, mas esse fato parecia difícil de acontecer.

Uma de suas mãos soltou a dela e ele tocou seu rosto com ternura e delicadeza. Tomando o devido cuidado com seus machucados, Grissom deslizou seu polegar pela maçã do rosto de Sara; o contorno do queixo; subiu pela lateral direita de sua face pra desenhar as sobrancelhas muito bem feitas que ela tinha; e desceu pelo lado esquerdo da face para deslizar sobre seus lábios, que naquele momento pareceu chamá-lo, convidá-lo a prová-los.

"Que sandice é essa, Grissom? A moça está desacordada, acabou de perder o filho de vocês. E você quer beijá-la?"

Parecia loucura, uma sandice mesmo aquela vontade súbita que os lábios dela despertaram nele. O momento parecia o mais ilógico e contrassenso possível. Mas ao mesmo tempo lhe parecia estranhamente o contrário.

Ele queria beijá-la! E, agora, podia fazer aquilo sem ter o peso de estar traindo a noiva, pois não havia mais noiva alguma. Ele era um homem livre e desimpedido!

Mas não seria melhor beijá-la quando Sara estivesse em plena consciência de suas ações?

Certamente!

Só que o empresário sabia que com ela desperta, ele não teria a mesma coragem que tinha agora de fazer isso com ela adormecida. Parecia mais certo beijá-la agora.

E com isso em mente, Grissom foi vencendo lenta e vagarosamente a pouca distância que os separava, e aproximando seu rosto do rosto da médica decidido a satisfazer aquela vontade que surgiu e lhe consumia por dentro.

Será que se ele a beijasse, lembraria dela?

Era uma possibilidade! Remota, mas era.

Ele parou a milímetros de seus lábios.

"Os mesmos lábios vermelhos, os mesmos olhos azuis
[..]
Mas não é você e não sou eu
É tão doce, parece tão real
Soa como algo que eu costumava sentir"*

Um último movimento e seus lábios tocaram os dela com extrema timidez enquanto sua mão tocava a lateral de seu rosto tomando o devido cuidado por conta de seus machucados.

Preso naquele contato de lábios, foram necessários apenas milésimos de segundos pra uma forte sensação de que aquele gosto e a maciez daqueles lábios imóveis, eram algo tão costumeiros pra ele, tomou Grissom. E, o empresário chegou a achar que lembraria de algo, mas não foi o que aconteceu.

Menos de um minuto! Esse foi o tempo que durou o beijo, na verdade, aquilo não podia ser chamado de beijo e sim, de um mero contato entre seus lábios e os de Sara. Mas foi um contato tão bom, que fez o coração de Grissom até bater mais acelerado e ter certeza de que ele gostava dela. Aquilo não ia acontecer se fosse o contrário.

Só que a recíproca no sentimento pra ele, talvez não fosse a mesma. E, por conta disso, Grissom murmurou a médica após o beijo e depois de ter juntado sua testa na dela:

—Se eu soubesse que é de mim que você gosta e não do cara que eu fui com você, eu daria uma chance pra gente, Sara. Mas eu sei que é o tal Arthur que você ama. É ele quem você quer de volta!

***

Parado diante da janela observando o céu nublado daquela noite fria, Grissom não tirava da cabeça o beijo que deu em Sara um tempo atrás. Com a ponta dos dedos da mão direita, ele tocou seus lábios e sorriu internamente.

"Adoro seus beijos."

[...]

"E eu os seus!"

Imagens soltas dele com Sara trocando sorrisos e carinhos povoaram a mente do empresário após aquelas duas frases ecoaram em sua cabeça de maneira súbita.

Era uma lembrança, outra, ele sabia!

—Gris-som!

Ele se virou na mesma hora pra encontrar Sara desperta e lhe encarando confusa.

—Sara!!

Era tão bom vê-la acordada, mas ao mesmo tempo era ruim porque com ela desperta, ele teria que lhe contar o que houve com o filho deles e não sabia como dar essa notícia à ela.

—O que houve? Por que estou num hospital? — ela estava confusa.

—Pelo que eu soube quando me ligaram, você sofreu um acidente. Foi atropelada. — Grissom contou se aproximando de Sara.

A médica viu surgir em sua mente uma sucessão de flashes que mostravam-na caminhando por uma calçada até alcançar um semáforo. Aí, o sinal fechou para os carros e ela seguiu pra atravessar, quando um carro não obedecendo a sinalização avançou sobre ela e lhe acertou em cheio. Depois disso tudo ficou escuro e ela não lembra de nada.

—Eu lembro agora do acidente. Você disse que te ligaram.

—Sim. Acharam nos seus pertences o cartão que eu te dei com o número do meu celular. — ele explicou. Graças a Deus ela carregava aquilo na bolsa ou do contrário, ele ainda não saberia o que lhe aconteceu. _Como você está se sentindo?

—Dolorida! — ela confessou, fazendo uma careta de dor. Seu corpo doía por inteiro. _O meu filho? Não aconteceu nada com ele, não é? — preocupou-se Sara.

Essa pergunta ele temia tanto que fosse lhe feita. Não fazia a menor ideia de como dizer pra Sara que o filho deles não sobreviveu aquele acidente que ela sofreu.

—Grissom, me responde!! — ela exigiu já pressentindo e vendo na expressão do empresário que algo não parecia bem.

Ele abriu a boca pra dar uma resposta pra Sara, mas a entrada do médico no quarto lhe privou de contar à ela aquela desagradável notícia.

—Boa noite! Pelo que vejo já acordou. — o médico sorriu amavelmente pra Sara. E após se aproximar da paciente, ele se apresentou: _Sou o doutor Hugh, o médico que lhe atendeu quando você deu entrada no hospital. Como você está se sentindo?

O médico repetiu a pergunta que Grissom havia feito à ela momentos atrás. E Sara repetiu a resposta que deu ao empresário:

—Estou dolorida!... E o meu bebê, doutor? Ele está bem?

O médico trocou um olhar apreensivo com Grissom. Ao notar isso Sara já ficou mais ainda preocupada. Reconhecia aquela troca silenciosa de olhares. Era médica e sabia que quase sempre isso precedia notícias desagradáveis.

—Eu perdi o meu filho, não foi? — com os olhos se enchendo de lágrimas, ela arriscou em perguntar.

Coube ao médico responder aquela pergunta, já que ao olhar pra Grissom uma segunda vez, ele viu que o mesmo não teria coragem pra fazer isso.

—Fizemos todo o possível, mas o impacto foi todo na região do quadril. Então infelizmente você perdeu. Eu lamento!

Os dois homens viram Sara levar as mãos ao rosto cobrindo-o e pondo-se a chorar.

—Não! Isso não é verdade! — ela disse entre os soluços do choro. O único laço que lhe unia ao homem que ela amava, fora desfeito; e o pequeno pedaço de Arthur que ela carregava, não existia mais.

Tentando reconfortá-la o médico disse que ela era uma moça jovem e saudável, que podia daqui à um tempo engravidar novamente.

—Não, eu não posso, doutor. — ela retrucou descobrindo seu rosto e os homens presentes ali com ela puderam ver seu rosto molhado pelas lágrimas. Porém um deles notou algo diferente em seu olhar. Não era mais o mesmo que ele se habituou a ver nela. _Eu não posso, porque o homem que eu amo e com quem gostaria de ter filhos não existe e talvez jamais volte a existir. — seu olhar se dirigiu a Grissom.

O bom médico franziu a testa em desentendimento quanto ao que aquela paciente queria dizer com aquelas palavras dela.

—Doutor pode me deixar sozinho com ela? — Grissom pediu não gostando nada da forma raivosa com a qual Sara agora lhe olhava.

O médico assentiu concordando com o pedido e se retirou do quarto avisando que mais tarde voltava.

—Eu sinto muito pelo que houve! — foi a primeira coisa que Grissom conseguiu dizer após o médico ter lhe deixado a sós com Sara.

Depois do baque e da tristeza profunda que sentiu ao saber da perda do filho, agora o que Sara só conseguia sentir, era raiva.

Raiva pela perda; pelo motorista que avançou o sinal; raiva de si mesma que foi inventar de sair naquele dia; e principalmente raiva do homem diante dela. Jamais imaginou que ia sentir isso por ele, mas estava sentindo. E esse sentimento tão contrário ao que ela vinha nutrindo por ele juntado com todos os acontecimentos vividos por ela nas últimas semanas desde que Arthur passou a ser Grissom, lhe fez chegar ao seu limite emocional e "explodir".

—Sente muito? Será mesmo? — o tom seco e o semblante nada fragilizado, e sim raivoso dela foi desconsertante pra Grissom.

—É claro que sinto. Era meu filho também.

Como ela tem coragem de achar que ele não sentia a perda daquele bebê?

—Não, não era seu. Era do Arthur! E você não é ele. Nunca vai ser! Você é frio, sério, incapaz de sentir algo por mim, não é?

Mas quem é aquela mulher amarga e cheia de raiva que lhe dizia aquelas coisa? Não era a Sara que ele conheceu e vinha se encontrando nessas mais de duas semanas.

Vai ver o trauma da situação que ela acabava de passar tivesse a ver com aquela hostilidade e raiva que ela demonstrava.

—Sara, eu imagino que você tá bastante abalada e...

—Abalada?... Eu tô morta em vida, Grissom. A perda do meu filho veio pra acabar de vez comigo. Essa criança era o único laço que me ligava ao homem que eu amava. O homem que você era comigo. — seus olhos ficaram marejados e as lágrimas logo já escorriam por seu rosto. _A gente era tão feliz, sabia?... Você me amava tanto!... Era tão diferente desse empresário que tá na minha frente.

—Sara... — ele tentou interrompê-la, mas ela não lhe deixou falar e seguiu no seu desabafo. Havia chego ao seu limite e era o momento de colocar pra fora tudo o que ela guardava.

—Era tão cheio de vida, alegre, sorridente, brincalhão e... Apaixonado por mim!... Você, ou melhor, o Arthur foi a coisa mais bonita e especial que aconteceu comigo. Ele me trouxe à vida de novo! Uma vida que você, Grissom me tomou quando assumiu o lugar dele. Você roubou de mim o homem que eu amava e que me amava!

Ela caiu em prantos e Grissom não sabia o que dizer ou fazer. Não era bom em lidar com pessoas e muito menos com situações que envolviam sentimentos, ainda mais sentimentos tão intensos como aquela envolvia.

Estava fora do controle dele aquilo!

—Sara... — ele se aproximou dois passos da cama dela. _Eu juro que se dependesse só de mim, já teria lembrado de você. Não faz ideia do quanto...

Ele ia dizer que lhe doía demais vê-la sofrer, porque via o quanto o sentimento que ela nutri pelo Arthur é grande. E que às vezes, lhe dá até inveja disso, pois visivelmente ela o ama demais. Só que não houve tempo pra dizer todas essas coisa já que a morena lhe interrompeu.

—Eu quero que você vá embora daqui! — ela anunciou, enxugando suas lágrimas.

—Como?

—Cansei!... Chega!... Eu prometi e jurei ao Arthur que ia lutar pra te ajudar a lembra de mim quando ele não estivesse mais em você... Só que pra mim deu! Depois da perda do nosso filho, eu não tenho mais forças pra seguir tentando te fazer lembrar do que viveu comigo. Eu desisto! Vai ver que você e eu juntos não é pra ser. Até porque se fosse pra gente ficar juntos... Você já teria lembrado de mim e nós já estaríamos juntos. Então esse é o fim da linha. Vai embora!

—Não, eu não vou, Sara.

Em um impulso, ele segurou na mão dela. Não ia deixá-la sozinha ali. Ela precisava naquele momento dele e ele estava ali pra isso.

—Vai, por favor. — ela suplicou, puxando sua mão e livrando-a do contato com a dele. _E não se preocupe que assim que você cruzar aquela porta eu não vou mais te importunar. Você não vai mais saber de mim e nem receber qualquer notícias a meu respeito. Eu vou sumir pra sempre da sua vida, como já sumi da sua mente e do seu coração!

—Não faz isso. Eu te bei...

—Vai embora de vez! — ela disse em um tom mais enérgico e firme. _Essa não vai ser a primeira vez que isso acontece, mas será a última. Agora, some daqui!

Vendo que ela parecia segura daquilo que lhe "pedia", ele resolveu não constar mais e acatar aquilo.

—Estimo sua melhora e... Tchau!

—Adeus!

Ele lhe deu as costas apanhou do encosto da poltrona seu blazer e a gravata que havia tirado, e seguiu cabisbaixo até a porta.

—Grissom!

Ele já abria a porta quando ouviu o chamado de Sara. Olhou pra medica na mesma hora ansiando que ela tivesse se arrependido do que disse, mas não foi isso que viu e pior, escutou dela:

—Devia procurar a Amanda pra reatarem seu compromisso e casar com ela. A mãe da sua filha te ama e combina mais com você!... Até nunca mais!

Ele não foi capaz de dizer nada em resposta, apenas saiu do quarto. Fechando a porta, o empresário se encostou à mesma. Em segundos ouviu lá dentro do quarto Sara chorar. Sentiu ímpetos de se virar, abrir aquela porta e dizer a médica tudo o que sentia, só que não era capaz. Sem contar, que ele sabia que aquele choro dela não era por ele, era pelo Arthur que ela derramava aquelas lágrimas. Era por ele que ela chorava. E isso fez doer seu peito mais ainda do que já doía por conta de tudo o que ela lhe disse.

Incapaz de continuar ouvindo aquele choro dela, o empresário saiu dali com lágrimas nos olhos e o coração rasgando de dor.

Dentro do quarto, Sara chorava pelo fim definitivo de sua história com aquele que outrora era chamado por ela de Arthur, mas que na realidade se chamava Grissom.

—Me perdoa por quebrar a promessa que fiz, Arthur. Mas pra mim chegou!

Notas finais
*Trecho da música Two Ghosts - Harry Styles. Capítulo gigante e bem doído de escrever e acredito que também de ler. Até o próximo.