Another Life

106 Chapter 106


Notas iniciais
Esse capítulo me deu tanta dor de cabeça que vocês nem imaginam. Fiz e refiz o mesmo inúmeras vezes, pois pra mim nunca parecia bom o suficiente - e ainda não parece. Mas assim que o finalizei, de última hora surgiu uma ideia que achei pertinente colocá-la. E isso me fez mexer na estrutura do capítulo e acrescentar "cenas" que não tinham, aumentando assim o tamanho do texto, por isso a demora na postagem. Mas cá estamos com a tão aguardada conversa entre Amanda e Sara, e em paralelo a essa conversa teremos outra entre Grissom e Hank. Espero que o capítulo agrade a vocês. Torcendo aqui pra isso. Boa leitura.

Amanda fitou em silêncio por um breve momento a mulher diante dela. E, por mais que a jornalista quisesse sentir raiva e até mesmo odiar a outra mulher pelo fato da mesma ter se envolvido com o pai de sua filha, a ruiva não conseguia. Aquela tal Sara não lhe fazia ter quaisquer sentimentos ruins por ela. Vai ver Grissom tinha inteira razão quando dizia que aquela moça era a menos culpada naquela história toda. E deve ser por isso mesmo que Amanda não conseguia sentir nada de ruim pela jovem, até queria, mas curiosamente não sentia.

Do outro lado Sara olhava pra ruiva num misto de apreensão e curiosidade por àquela mulher ter vindo lhe procurar. O que será que ela queria com ela? Um acerto de contas?! Fazer briga?? Se bem que ela não parecia ter vindo pra brigar ou senão, já teria começado e não foi o caso.

—Acho melhor nos sentarmos. — Amanda se pronunciou, indicando a cadeira do outro lado da mesa pra Sara que assentiu e foi acomodar-se na mesma. _Grissom deve ter te avisado que eu viria, não?

Pela preocupação com a qual ele pediu mais cedo que ela não fizesse isso, a jornalista intuiu que seu ex-noivo daria um jeito de "alertar" Sara disso.

—Não! Eu sequer vi ou falei com o Grissom. — mentiu a médica.

De certo um dos assuntos que ele tinha pra lhe contar ao procurá-la, fosse esse também, mas não houve tempo pra isso.

Um garçom veio até a mesa saber se as duas mulheres queriam pedir algo. Amanda pediu uma xícara de chá e Sara a acompanhou no pedido. Assim que o garçom se foi, Sara quis saber o que Amanda queria com ela.

—Antes de te responder isso, eu preciso saber de uma coisa. Àquele dia que nos encontramos na loja de bebês, você sabia quem eu era, não sabia?

Enquanto vinha para o hotel falar com Sara, Amanda teve esse pensamento ao se recordar da forma como aquela mulher saiu "fugida" dela. Na ocasião esse fato não lhe chamou tanta atenção, mas agora que sabia da ligação dessa tal Sara com Grissom, a jornalista juntou os pontos e chegou aquele resultado.

Sara resolveu jogar limpo com a noiva de Grissom quanto aquela pergunta.

—Sim, eu sabia!... Já tinha visto uma foto sua na internet com o Grissom e também em um jornal.

Amanda meneou com a cabeça. Com a proximidade do casamento com Grissom algumas fotos suas com ele estamparam algumas colunas sociais de jornais e até sites de fofocas.

—Sabe que quando eu te vi... — Amanda tornou a se pronunciar após uma fração de segundos em que permaneceu calada depois da resposta de Sara. _... A primeira coisa que me chamou a atenção em você foi o seu perfume. Era o mesmo que senti no meu noivo... — a jornalista fez questão de dar ênfase nas últimas duas palavras. _... Dias antes. Achei curiosa essa 'coincidência'. Até comentei com a minha mãe na ocasião, depois que você saiu da loja. E ela disse que era apenas coincidência, eu também achei isso. Mas, agora, vejo que não deve ter sido, né?

Sara franziu a testa ante a questão lançada por Amanda. E no segundo seguinte entendeu o sentido daquelas palavras.

—Amanda... eu não tinha qualquer intenção de encontrar com você de propósito pra te provocar, se é isso que está querendo insinuar. Por mim aquele encontro jamais teria acontecido.

Só Deus sabe o quanto topar com a noiva de Grissom lhe incomodou e deixou mau ao final do mesmo. Ainda mais depois de ouvir o que ouviu de Amanda a respeito de Grissom.

Por dois dias aquilo lhe remoeu e fez seu coração doer de tristeza por saber que Grissom teve a preocupação de presentear sua filha com a noiva e sequer havia ainda presenteado o filho que Sara carregava dele.

—Será que não teria mesmo? — Amanda não acreditou muito nas palavras de Sara.

—Pode ter certeza que se dependesse de mim, não teria mesmo. Mas tem coisas que a gente não tem como comandar. O destino é quem comanda.

—Destino?? — Amanda soltou um sorriso com uma pitada irônica. _Eu não sou muito de acreditar nele, Sara, mas vai ver que dessa vez ele me pregou uma peça e colocou-me frente a frente com você naquele dia.

O garçom chegou com os pedidos delas e impediu a jornalista dizer mais coisas. O sujeito dispôs as xícaras devidamente a cada uma das mulheres e depois pedindo licença, se retirou dali.

—Acredito que o destino na verdade pregou uma peça em nós duas ao nos colocar frente a frente naquele dia, Amanda. — afirmou Sara mexendo em sua xícara de chá.

Fora do restaurante Grissom se encaminhava agora pra saída do hotel. Ele resolveu dar um bom espaço de tempo pra não correr o risco de topar com as duas mulheres por ali. Por isso que ele demorou pra sair do quarto de Sara.

Caminhando apressado pelo saguão em direção a saída do hotel, Grissom enxergou Hank mais adiante e o sujeito lhe encarava, e parecia estar lhe esperando. Tão logo se aproximou mais de onde o outro sujeito estava, Grissom ouviu do mesmo:

—Podemos conversar?

O que esse sujeito quer comigo? Se o que for, eu não estou interessado em saber!

—Me desculpe, mas estou com pressa. — inventou o empresário. _E não acho que temos algo pra conversar. Então, se me der licença...

Grissom ia passar por Hank, mas o enfermeiro não deixou isso ao se pôr na frente do empresário.

—A minha conversa com você é sobre a Sara. Acho que esse assunto deva interessar a você, não?

***

No restaurante do hotel, Amanda contava a Sara o motivo daquele encontro delas.

—Sara, eu vim te procurar pra ter uma conversa com você. Quero saber o seu lado da história com o pai da minha filha. Gil me contou o dele. Não foi muito, quase nada pra falar a verdade, já que ele não lembra de nada sobre esse período. Sendo assim quero ouvir o seu lado, Sara. Saber como vocês se conhecerem, como foi esse tempo ao lado do Grissom e como ele era com você.

—Tem certeza que quer mesmo saber como ele era comigo? — Sara mostrou-se surpresa com esse fato. Se estivesse no lugar de Amanda, a médica não ia gostar de saber sobre aquilo. Pra ser franca sequer sentiria a menor vontade de descobrir como o homem com quem era comprometida, costumava ser com outra enquanto esteve desmemoriado.

—Sim! — confirmou a jornalista sem titubear.

Amanda tinha consciência de quê no fim das contas ia acabar se machucando ao saber daquilo que perguntou, mas já estava mesmo machucada que uma ferida a mais não ia fazer a diferença. Sem contar que a jornalista sentia curiosidade em descobrir se Grissom foi com aquela moça o mesmo que era com ela, Amanda.

—Tudo bem então. — concordou Sara. Se aquela mulher queria saber seu lado da história, pois ela teria isso.

Fazendo uma regressiva no tempo de mais de quatro meses, quase cinco, a morena começou a contar como tudo começou.

Do lado de fora do hotel, Grissom e Hank começavam a ter a sua própria conversa deles. O enfermeiro chegou a sugerir de falarem no restaurante, mas Grissom não aceitou, pois sabia bem que lá não podia aparecer já que Sara estava conversando com Amanda. Desse modo, o empresário disse para o enfermeiro pra eles conversarem do lado de fora do hotel. Hank achou no mínimo estranho isso, mas aceitou a sugestão do empresário.

—O que você quer falar comigo sobre a Sara? Seja breve porque estou sem tempo. — Grissom mostrava-se bastante impaciente.

O empresário só esperava que aquela conversa não se esticasse muito a ponto de Amanda terminar a dela com Sara e encontrá-lo ali. Além do mais, não era do seu agrado ficar muito tempo de papo com aquele sujeito que mal conhecia direito e de quem ele não gostava pelo que lembrou a seu respeito.

—Você gosta da Sara?

Hank já imaginava a provável resposta àquela sua pergunta. A forma ciumenta com a qual aquele sujeito lhe tratou momentos atrás no restaurante quando lhe viu com Sara, já falava por si só. Todavia, Hank queria saber se o outro homem admitiria seus sentimentos. Coisa que não aconteceu devido a resposta que ouviu do mesmo.

—Acho que isso não é da sua conta. — de forma seca e ríspida respondeu o empresário.

Grissom não ia ficar dando satisfações dos seus sentimentos àquele sujeito que nem seu amigo, ou algo parecido a isso, era pra ele.

—Realmente não é. Mas eu me preocupo com Sara. E essa situação toda que ela está vivendo por sua causa não está fazendo bem pra ela.

—Você acha que estou fazendo de propósito isso? Ou por que quero?

—Sei que não. Mas eu quero te pedir, que se não gosta dela, se afaste. Não dê esperanças a ela de algo entre vocês se não sente nada pela Sara. Ela não merece sofrer como eu vejo que está sofrendo por você.

—Sabe o que eu acho? — Grissom se pronunciou após ter passar alguns segundos da fala de Hank, a qual ele processou e não gostou nada. E dando um passo na direção do enfermeiro fazendo com isso, que eles ficassem próximos, Grissom prosseguiu em sua fala: _Que isso não tem nada haver com preocupação sua pela Sara. Você quer que eu me afaste pra se aproximar dela, não é isso? Ainda gosta dela, não é?

***

—Eu dei a ele o nome de Arthur, por conta de um comercial de um filme que passou no momento em que a enfermeira me perguntou o nome do Grissom. — Sara sorriu ao recordasse da lembrança daquele momento. Amanda apenas a ouvia e encarava calada e quieta. _Achei que Arthur combinava com ele. Jamais imaginei que combinasse tanto e que fosse o nome do meio dele.

—Arthur veio do avô materno dele. — revelou Amanda. Logo no começo do namoro, Grissom havia lhe contado sobre seu nome do meio ter sido em homenagem ao avô. _E só a mãe do Gil o chamava por esse nome. E depois que ela morreu, quando ele era um menino pequeno, Gil não quis que mais ninguém o chamasse assim, nem mesmo o pai.

Com tristeza Sara recordou-se de quando Grissom lhe pediu pra não chamá-lo de Arthur, pois somente sua mãe o chamava assim, como Amanda acabara de mencionar. Foi doído na ocasião a forma ríspida com a qual ele lhe disse aquilo. Ali ela teve certeza, que seu marido e o homem que "assumiu" de volta o seu lugar nele, não se tratavam da mesma pessoa. Arthur jamais falaria com ela daquela forma rude.

Na sequência Sara contou que após Arthur — a médica enquanto contava sua história com o empresário sempre fazia questão de se referir ao mesmo pelo nome que lhe deu. — receber a alta médica, ela o levou pra sua casa. Questionada por Amanda sobre o porquê de não tê-lo levado à uma delegacia para que os parentes dele o encontrasse, Sara não mentiu a resposta:

—Ele me pediu pra não fazer isso.

—Ele pediu?

—Sim. Ele só confiava em mim e não queria se separar de mim.

—Ele tinha acabado de te conhecer, como já confiava tanto assim em você?

Havia um leve tom irônico nas palavras da jornalista, que foi sentido e revidado por Sara por meio de sua atravessada resposta.

—Isso só ele pode te responder, quando recuperar a memória. Não cabe a mim falar por ele, e sim por mim.

—E se ele nunca recuperar a memória?

—Eu prefiro acreditar que ele vai recuperar.

Amanda não ousou dizer nada. Na sequência, Sara já retomava sua narrativa. A médica relatou como foram os primeiros dias de convivência com Arthur.

A jornalista ouvia aquela mulher descrever um sujeito falante, de bom humor, sorridente, atencioso, e não parecia que ela estivesse falando do mesmo homem que Amanda conhecia. E isso ficou mais evidente quando Sara começou a contar como Grissom era com ela quando eles passaram a se envolver amorosamente.

"Ele era um doce de pessoa. Sempre tentando me agradar, fazia as minhas vontades, brincalhão, carinhoso, delicado, alegre. Ele vivia sorrindo pra mim."

Aquele nem em sonho era o Grissom que a jornalista estava acostumada a conviver e o mesmo que ele era com ela.

***

—Eu não vou negar que eu ainda tenho sentimentos fortes pela Sara. Revê-la fez com que ressurgissem em mim esses sentimentos que eu julgava não tê-lo mais. Contudo, eu sei que não há chances pra mim, porque ela só tem olhos pra você. É você quem ela ama.

—Não! Ela ama quem eu fui com ela. O Arthur! — corrigiu Grissom.

—Arthur ou Grissom, ambos são você. E sendo assim é você quem ela quer do lado dela. E é só você quem ela vai ter no coração dela, acredito que pra sempre. Por isso que eu te peço, que se você não sente nada por ela, não dê esperanças e se afaste dela.

Talvez se não houve um bebê no meio daquilo e sentimentos que o empresário já tinha pela jovem médica, certamente, o mais correto seria ele se afastar dela pra não fazê-la sofrer como aquele sujeito disse. Mas não era assim.

—Eu não posso fazer isso.

—Não pode ou não quer?

Grissom sabia bem que tratava-se das duas coisas. Não podia, porque Sara estava grávida dele e não ia virar as costas pra ela e muito menos, para o filho que ela carregava dele. E não queria, porque gostava dela. Aprendeu a gostar. E não sentia a menor vontade de tê-la longe dele, muito pelo contrário, queria a médica por perto. O simples fato de não tê-la mais do seu lado ou de não poder vê-la mais lhe causava uma sensação tão estranha e incômoda. Um vazio, na verdade!

—As duas coisas. — limitou-se em dizer.

***

—Você e ele casaram?

Amanda não escondeu seu abalo diante daquela informação. Pelo visto, aquele relacionamento foi mais sério e mais longe do que ela imaginava. A cada coisa que ia descobrindo através daquela Sara, era uma dor a mais em sua alma e em seu coração. Grissom foi com aquela moça alguém tão diferente do "habitual" dele. A ruiva arriscaria em dizer que ele foi na verdade outro homem com aquela Sara. Um outro melhor, que não condizia com ele e que jamais ela imaginou que ele pudesse ser um dia.

—Foi só simbolicamente. Nada oficial, porque ele não tinha documentos. Mas foi lindo e especial da mesma forma. Eu me sinto casada com ele e me sentirei assim até o fim da vida.

Essas suas últimas palavras no fundo comoveram Amanda, como já vinha comovendo algumas partes do relato que ouvia daquela mulher.

—Você o ama demais.

Foi mais uma afirmativa da jornalista que propriamente uma pergunta. Amanda teve que reconhecer o sentimento daquela moça por Grissom. Já estava ali há muitos minutos ouvindo aquela mulher contar a história que ela teve com Grissom, e pela forma como ela falava dele, Amanda viu o amor explícito e enorme de Sara pelo mesmo homem que a jornalista também amava.

—Eu o amo mais que a mim mesma, Amanda! — admitiu Sara com um sorriso triste nos lábios e enxugando uma lágrima que involuntariamente escapava do canto de seus olhos.

—Você não é a única nisso!... Eu também o amo da mesma maneira, Sara. Ainda que ele tenha errado comigo.

A médica via esse sentimento nos olhos daquela mulher, assim como, Amanda via nos dela. O amor que ambas compartilhavam pelo mesmo homem era tão claro e visível que ficava impossível delas não enxergarem na outra esse sentimento mencionado por elas.

—Só que há uma diferença. — Sara pronunciou com certa tristeza e quebrando o breve silêncio que se formou entre elas após a fala de Amanda. _O Arthur era quem me amava, não o Grissom. De quem ele gosta é de você, mais do que imagina. Ele se preocupa bastante com você, Amanda.

Era doído dizer isso, mas ela tinha que reconhecer esse fato, pois o mesmo ficou bem claro pra ela em algumas conversas que teve com o empresário e na forma, como o via agir quando se tratava da noiva. Ele gostava dela e não era pouco. Era bem mais do que aparentava.

—Isso que disse é pra me consolar?

—Não. Isso é a verdade.

—Quando você soube que estava grávida dele? — Amanda mudou de assunto. Ainda tinha mais coisas pra saber e não sairia dali sem ouvir tudo.

Sara contou quando e como contou. Dentro de si Amanda sentiu um pouco de inveja da forma como a outra mulher revelou a Grissom sobre a gravidez dela. Foi lindo! Uma pena que ela não teve o mesmo com o noivo, já que na época em que descobriu a gravidez, o empresário já tinha sido dado como morto.

Foram vários minutos ouvindo sobre os momentos pós descoberta da gravidez, os planos que segundo Sara, eles faziam, coisas simples do dia a dia de um casal apaixonado que incomodaram Amanda ao saber, já que com Grissom, ela não teve nada dessas coisas do tipo: ver o pôr do sol abraçada com ele, cozinhar junto com ele, ou até mesmo receber um sorriso seu, já que ele não era de sorrir tanto assim. Na verdade eram raríssima as vezes em que ele sorriu pra ela.

Tudo que Sara teve com Arthur, Grissom não proporcionou a noiva. Primeiro porque ele trabalhava demais e segundo, porque ele era do jeito que era.

Então Sara chegou o começo do pesadelo pra ela. Os primeiros flashes de lembranças.

—A primeira coisa que ele lembrou foi do acidente, pelo menos foi isso que ele me contou. Depois ele teve sonhos com uma Catherine, depois flashes de lembranças com uma mulher que acredito ser você. — Sara sinalizou com a mão direita Amanda. _E outras pessoas foram surgindo na mente dele. Foi tudo tão difícil quando ele começou a se lembrar das coisas. — Sara suspirou com tristeza e por um momento Amanda se compadeceu daquilo. Certamente, não deve ter sido fácil para aquela mulher lidar com o fato de estar "perdendo" o homem que ela amava. _A certeza de que pouco a pouco eu estava perdendo o meu marido, ia me causando tanto medo e me deixando tão apavorada. Eu sabia que ia perdê-lo, no fim das contas, sabe? — Amanda apenas balançou de leve a cabeça em afirmação. _Mas torcia pra não ser por muito tempo. E quando ele me deixou lá, foi o pior de tudo. Doeu tanto. Eu vi uma parte de mim ir embora.

—Foi o mesmo que eu senti quando me disseram que ele estava morto. — revelou a jornalista.

***

—Eu torço de verdade pra você lembrar da Sara.

—E eu devo acreditar em você, por quê?

—Porque estou sendo franco e sincero. Não tenho porque bancar o bonzinho com você já que está sendo hostil comigo desde o início desta nossa conversa.

—Me desculpe. — pediu o empresário ao enfermeiro, pois lhe devia aquilo. Realmente vinha tratando o sujeito com demasiada hostilidade desde o princípio.

—Sem problema. Eu te entendo. No seu lugar estaria agindo igual por ciúmes de alguém como a Sara. Você gosta dela, só tem medo do que sente. Ou talvez de admitir isso.

—Não sei do que está falando. E, se você não tem mais nada pra me dizer... Eu preciso ir. Passar bem!

Grissom saiu pra pegar seu carro sem esperar por resposta de Hank, ou melhor, sem dar a chance do mesmo de dar uma resposta ou dizer algo mais. Para o empresário o assunto tinha encerrado ali.

Cantando pneus, ele saiu em seu carro sendo observado por Hank que ficou seguindo com o olhar o veículo de Grissom até o mesmo dobrar a esquina.

Lá dentro do restaurante Amanda queria saber desde quando Sara estava na cidade. A jornalista sabia a resposta Grissom havia lhe dito. Mas ela fez a pergunta a Sara pra saber se a resposta deles bateriam, como até agora vinha batendo.

—Há mais de duas semanas.

Exatamente a mesma resposta de Grissom! Será que eles combinaram?

—E vocês têm se visto todo esse tempo, não é?

—Sim. Mas não houve nada demais. Apenas nos víamos pra que eu lhe contasse sobre como foi o tempo em que ele viveu comigo, na esperança de que ele lembrasse de mim.

—Não foi bem isso que as fotos que saíram na mídia mostraram.

—Amanda... — Sara resolveu ser a mais franca possível como vinha sendo com aquela mulher. _Sei que você não tem a menor obrigação de acreditar no que eu vou dizer, mas... Eu te garanto que durante as vezes que vi o Grissom nada aconteceu, porque ele sempre te respeitou. Como eu disse antes... Ele gosta de você, se preocupa com você.

—Gosta de mim, quando ele devia me amar. E se preocupa tanto que não foi capaz de abrir o jogo comigo. Me enganou esse tempo todo ao omitir sobre você e essa criança que carrega dele.

—No seu lugar também estaria revoltada, mas...

—Você veio pra tirá-lo de mim, não foi?

—Não, Amanda. Eu vim tentar recuperar meu marido, o pai do meu filho. Fazer com que ele lembre de mim.

—Mas o homem em questão por coincidência era meu noivo e é pai da minha filha. Quer saber? Ele está livre agora pra você. Faça bom proveito!

A jornalista resolveu dar por encerrada aquela conversa. Já tinha ouvido coisas desagradáveis demais pra ela. Não devia ter vindo.

Levantando de sua cadeira, a ruiva jogou uma notas de dinheiro na mesa pra pagar seu chá e dizendo adeus, saiu dali sem dar a menor chance de dizer mais qualquer palavra. A médica ficou vendo a outra mulher até a mesma sumir do seu campo de visão.

***

Era por volta das oito da noite quando Grissom ligou para o hotel onde Sara estava hospedada. A recepcionista direcionou sua chamada para o quarto da médica e bastaram apenas dois toques para o empresário ouvir a voz de Sara.

—Oi, Sara. Sou eu, Grissom.

Como se ela não reconhecesse sua voz. Era capaz de distingui-la entre muitas.

—Oi, Grissom.

—Tudo bem? — quis saber todo cauteloso.

—Sim. E com você?

—Mais ou menos. Liguei pra saber como foi com Amanda. Correu tudo bem nessa conversa?

Desde que pôs os pés em casa ele não parou de pensar nas duas mulheres e a conversa que elas deviam estar tendo. Até deixou de lado o pensamento acerca do papo nada amistoso que teve com Hank, pois estava mesmo preocupado com as duas e aquela conversa que a seu ver não tinha que ter acontecido.

—Correu tudo bem. Não foi tão amistosa, mas também não foi o contrário. Acho que ficamos no meio termo.

—O que disse a ela?

—O que ela queria saber!

—E o que ela queria saber?

—O meu lado da história sobre você e eu.

—E presumo que você contou tudo.

—Não tenho porque esconder nada. Ela queria saber o meu lado e foi o que ela ouviu!

Notas finais
Olha devo admitir que fiquei bastante reticente com esse capítulo. Mesmo com as mudanças que fiz. No fim espero que não tenha ficado aquém da expectativa de vocês. Um abraço a cada uma de vocês que leu e até o próximo capítulo onde descobrirão que bebê será perdido. Até lá.