Another Life

103 Chapter 103


Notas iniciais
Quero começar essas notas agradecendo a cada comentário recebido no capítulo anterior em especial ao deixado pela loh que me me fez ficar sem palavras, assim como, a recomendação da Jackeline. Meninas, sério, eu só tenho a agradecer a vocês e a todas as demais leitoras por cada palavra que me enviam através de seus reviews. São de uma gentileza e um carinho, que ficou sem saber o que escrever em agradecimento além de: obrigada! Hoje essa história faz um ano e não é a toa que deixei de postar esse capítulo ontem pra fazer isso hoje. Pena é não poder dedicar a vocês e a Jackeline um capítulo melhor em termos de acontecimentos, já que a fic está passando por momentos conturbados para nossos protagonistas. Mas ainda assim espero que apreciem o capítulo.

Amanda sentia necessidade de estar novamente diante daquela moça agora que sabia quem ela era. Queria falar com ela, saber seu lado da história e confrontá-la. Mas não queria brigar ou discutir com aquela desconhecida, apenas conversar. Talvez não fosse a conversa mais amistosa do mundo, entretanto queria falar com a mulher que se meteu na vida de Grissom.

—Pra quê isso, Amanda?

—Quero falar com ela.

O empresário se afastou da porta e caminhou de volta pra perto da ex-noiva.

—Não há necessidade disso, querida.

—Talvez pra você não. Mas pra mim sim. O endereço dela, Grissom!

Ele não teve dúvida alguma em se recusar a dar aquela informação.

—Me desculpe, mas não darei. Sara não tem culpa de nada, Amanda! É tão vítima das circunstâncias quanto você. Não a procure. Não faça isso.

Foi incômodo e doído pra Amanda vê-lo "intercedendo" pela outra. Podia sentir no modo como ele falou, que Grissom temia que ela fizesse algo contra a tal Sara.

E de fato, o empresário estava temendo isso. Apesar de que ele conhecia sua ex-noiva e sabia que ela não era de brigas e nem de agredir alguém. Só que diante dos fatos e do que ela soube, podia se exceder e acabar fazendo algo a Sara. Sem contar que esse encontro tinha tudo também pra não fazer nada bem a mãe de sua filha.

—Você se preocupa com ela. — constatou a jornalista com pesar e tristeza.

—E com você!

Sua preocupação com ela era tão grande quanto a preocupação com Sara. Ambas estavam grávidas dele e esse encontro não podia fazer bem a elas e nem aos bebês.

—Acha que vou fazer algo de ruim contra a mãe do seu outro filho? Pois fique despreocupado que não vou. Como eu disse quero conversar com essa moça. E se, você se recusa a me dar o endereço dela, eu mesma dou meu jeito de conseguir essa informação sozinha.

—Estou te pedindo, não vá falar com ela, Amanda.

—Passar bem, Grissom! — ela indicou a porta do escritório ao ex-noivo dando a conversa entre eles como algo encerrado.

Amanda estava mais que decidida a falar com Sara e não abria mão disso.

Vendo que nada do que dissesse ia fazer Amanda desistir daquela ideia de procurar Sara, Grissom deu-se por vencido. Porém, antes de seguir de novo em direção a porta o empresário fez um pedido a ex-noiva.

—Não faça nada que não vá fazer bem a você e nossa filha.

—E a Sara também?

Também!, Pensou Grissom só que não ousou dizer.

—Se têm um culpado nessa história toda, Amanda, sou eu e não Sara.

Dito isso ele despediu-se da jornalista e seguiu até a porta do escritório, saindo pela mesma no segundo seguinte.

Vindo pelo corredor Grissom chegou a sala onde não encontrou mais Perry e sim, Vivian falando ao telefone. A mulher ao notar a presença dele encerrou a ligação em segundos.

—Conversaram?

—Sim. E Amanda terminou nosso noivado. Eu já esperava por isso. Fiz por onde, não é?

Vivian apenas assentiu em concordância. Mesmo entendendo o lado de sua filha e concordando com sua decisão, pois esta seria a mesma atitude que tomaria caso algo parecido lhe acontecesse,Vivian não deixava de ficar triste pelo rompimento de Amanda com o empresário e mais ainda, pela forma como isso se deu.

—Você e essa moça...

—Não somos amantes. Sua filha certamente vai lhe contar a história toda. Eu preciso ir, mas antes... — ele deu alguns passos em aproximação da ex-sogra. Talvez ela pudesse persuadir Amanda da ideia descabida de procurar Sara. _Quero te pedir uma coisa, Vivian. Converse com Amanda e tente fazê-la desistir de ir falar com Sara. Ela quer procurá-la. Me pediu o endereço, mas neguei. Não acho que esse encontro vá fazer bem a ela.

—É com ela só a sua preocupação ou com a outra também?

—Com as duas! Pois ambas estão grávidas e não quero que nada aconteça com elas ou as crianças. Então, por favor, fale com Amanda. Vamos evitar uma situação desnecessária. Ou será que você acha que esse encontro trará algo de bom pra sua filha e a sua neta?

—Não! Mas você sabe que Amanda é tinhosa e quando ela decidi fazer algo, é bem difícil de fazê-la mudar de ideia quanto a sua decisão.

—Mas tente e insista, por favor. Ela não tem nada que conversar com Sara.

Ao contrário da opinião do ex-genro, Vivian achava que sua filha tinha sim o quê conversar com essa moça, mas realmente essa conversa podia não lhe fazer bem, já que Amanda estava com uma gravidez mais avançada.

—Vou tentar, mas não prometo conseguir.

Grissom apenas assentiu e agradeceu a mulher por isso. Depois despediu-se dela e saiu dali.

***

Acomodado em sua cadeira em sua sala, Grissom fitava há um tempo razoável o anel de compromisso que Amanda lhe devolveu. Aquilo não era pra ter saído do dedo dela, mas ele se encarregou de tal fato ao esconder coisas da sua ex. Certamente se não tivesse feito isso, aquele aro dourado ainda estaria enfeitando o dedo dela.

Ele ouviu uma batida na porta e logo em seguida, sua irmã cruzava a mesma, invadindo o recinto sem pedir licença.

—Soube só agora que já tinha chego e vim falar com você.

—Já até imagino porquê veio falar comigo. — resmungou Grissom com mal-humor e fechando a mão pra esconder o anel que nela estava. Depois desviando o olhar da irmã, o empresário se pôs a fitar uns papéis em sua mesa.

—Se sabe então desembucha ora! — Catherine acomodou-se em uma das cadeiras postas diante da mesa do irmão mais velho. _Como foi lá com ela?

Ele bufou em impaciência. Sua irmã não podia esperar pra lhe interrogar depois, em casa?

Pra se ver livre logo dessa situação, Grissom abriu sua mão e mostrou a Catherine o anel de noivado de Amanda, que a seu vê resumia bem o que aconteceu.

Não estava muito a fim de ficar contando o que houve na conversa com Amanda e muito menos ficar detalhando sobre a mesma ali no seu local de trabalho. Queria "dispensar" sua irmã logo dali e assim ocupar a mente com trabalho e não mais com assuntos pessoais.

—Ela terminou com você! — concluiu com pesar a irmã do empresário ao fitar a jóia na palma da mão de Grissom.

—Pois é. Ela ficou bastante magoada comigo e esse foi o resultado.

—Devo supor que ela nem te perdoou, não é?

—Estou com cara de quem foi perdoar por acaso, Catherine? — ele encarava com seriedade a irmã. A pergunta dela pra ele foi extremamente desnecessária.

—Ei, não descarregue em mim sua raiva pelo que houve. Não sou seu saco de pancada, sabia?

Vendo que exagerou no modo como falou, Grissom tratou de se retratar com a irmã. Não devia mesmo descontar nela sua raiva.

—Desculpa, Cath. Eu não estou bem.

—Estou vendo. E quanto a Sara?

—O quê que tem ela? — franziu a testa.

—Agora que Amanda terminou com você, vai dar uma chance a essa moça?

—Que chance o quê? Não viaja!

Ele estava sem cabeça pra isso. Acabou de ver seu relacionamento de três anos ir por água abaixo.

—Eu sei que você gosta dela, não gosta?

Ele suspirou de maneira pesada enquanto se recostava melhor a cadeira. Quis refutar de dar essa resposta, mas depois desistiu disso. À sua irmã ele não tinha porquê omitir a verdade. Até porquê, Catherine lhe conhecia bem o suficiente pra saber quando ele mentia, caso ele fizesse isso agora. Desse modo, ele foi sincero na resposta.

—Gosto, sim. Na verdade aprendi a gostar dela, Cath. Só que Sara não gosta de mim! — foi categórico ao afirmar isso em um tom sério.

Essa sua afirmação fez Catherine franzir a testa sem entender aquela suas últimas palavras.

—Como assim ela não gosta de você, Grissom? Essa moça veio de longe atrás de você e...

—Atrás de mim não! — ele interrompeu a fala de Catherine. _Ela veio atrás do Arthur. O homem por quem ela se apaixonou e que também se apaixonou por ela. Um homem que eu fui e que jamais como Grissom, eu serei pra ela!

***

Depois de conversar com sua amiga Lorena sobre os fatos recentes e dela ir para a sala dela, Amanda se pôs a dar alguns telefonemas em busca do que queria. E após falar com vários contatos seus, a jornalista agora encarava o endereço da tal Sara, que havia anotado num pequeno pedaço de papel colorido.

Avenue Lincoln , Hotel Village Royale.

Antes de estar de posse desse endereço, Amanda estava convicta em ir até Sara. Mas, agora, que enfim tinha em mãos o paradeiro daquela moça, a jornalista já não sabia mais se realmente devia ir falar com Sara. Sua mãe lhe aconselhou a desistir dessa ideia que Grissom havia contado a ela.

"Filha, pra quê encontrar essa moça? Me diz no quê isso vai acrescentar à você?", Vivian lhe questionou no breve diálogo que tiveram antes de Amanda sair para trabalhar, pouco tempo após sua conversa com Grissom ter terminado.

"No quê vai acrescentar não sei. Mas eu sinto que preciso desse reencontro com ela, mãe.", Foi o argumento da jornalista antes de se despedir de Vivian alegando que estava atrasada para o trabalho.

Realmente, quando deu aquela resposta a sua mãe, Amanda sentia que precisava daquilo, e a verdade é que ainda continuava a sentir o mesmo. Mas apesar disso, ela agora tinha dúvidas quanto a seguir em frente no que queria.

O "confronto" com aquela moça tinha tudo pra não ser agradável. Ouvir dela detalhes sobre seu envolvimento com Grissom, não era algo que Amanda quisesse saber, ou melhor, temia saber. Certamente, a decepção seria maior ainda com o conhecimento dos detalhes daquela relação que até ontem a noite ela sequer sabia que existia.

Mas por outro lado havia a curiosidade em descobrir como foi esse relacionamento na visão da outra mulher. Saber dela como Grissom se portou com ela enquanto estava desmemoriado. Se ele foi o sujeito que Amanda conhecia ou se ele foi diferente do que seu "habitual".

—Céus! O que faço?

A jornalista se via numa encruzilhada, sem saber que caminho tomar.

Uma batida na porta de sua sala e ela viu Patrick, seu editor, surgir segundos depois pelo vão aberto.

—Patrick ainda estou finalizando a minha matéria. Assim que acabar levo na sua sala. — apressou-se em inventar a jornalista.

A verdade é que sequer havia ainda começado a redigir sua matéria da edição dessa semana da revista.

—Não vim pra isso. Vim por outra razão. Quero conversar com você um instante. Podemos?

Ela concordou já supondo qual fosse o teor da conversa que seu chefe queria tratar com ela.

Patrick adentrou a sala e após trancar a porta, o homem de estatura mediana, pele clara, olhos castanhos e cabelos grisalhos se dirigiu até uma das cadeiras que haviam dispostas diante da mesa de Amanda.

O editor tinha se questionado muito acerca de se devia ou não vir falar com a jornalista sobre aquele assunto que dizia respeito a vida particular dela. Não queria ser mal interpretado por Amanda e passar a ideia de ser um enxerido. E por isso mesmo demorou em se decidir.

Mas no fim das contas sua preocupação com Amanda lhe fez optar por vir falar com a ruiva. Estava de verdade preocupado com ela. Queria saber como estava depois dessa exposição desnecessária a qual ela tinha sido submetida. Ninguém merece passar por isso, muito menos uma mulher como ela.

—Aposto que veio falar sobre o que saiu na mídia. Mas de verdade, eu não queria tocar...

—Na realidade eu vim saber como você está depois dessa exposição toda? — ele contou, interrompendo a jornalista.

Diante das palavras dele e da verdade implícita nas mesmas, Amanda suspirou e baixando o olhar do homem sentado do outro lado da mesa, ela encarou o papel colorido em sua mão direita.

—Estou despedaçada. Nunca me imaginei passando por tal situação. Queria poder desaparecer, Patrick.

A voz dela embargou ao falar e Patrick sentiu dó da jornalista. Tinha um grande apreço por ela. Na verdade era mais do que isso. Ele gostava dela e não era de agora. Fazia bastante tempo que já nutria secretamente algo pela ruiva. E um dia quando enfim tomou coragem e resolveu que ia abrir o jogo a ela sobre seus sentimentos, descobriu que Amanda já estava envolvida num relacionamento com o dono das construtoras mais renomadas do país. Desse modo, Patrick decidiu "camuflar" os sentimentos que tinha e fez isso muito bem ao longo desses anos todos.

—Eu sinto muito por você está passando por essa situação.

Queria poder abraçá-la e lhe dizer que tudo ia ficar bem, mas o local não era dos mais apropriados pra tal ação. Estavam em ambiente de trabalho e certamente, um simples abraço poderia gerar mais cochichos desnecessários na editora.

—Terminei com ele. Não dava mais pra mim depois do que houve.

Pra Patrick essa notícia de que ela não estava mais com Grissom lhe deixaria feliz se não fosse pela situação que motivou tal rompimento, e por ver o o quão triste Amanda se encontrava por esse fato. Ela estava sofrendo e isto entristecia profundamente ao editor que gostava dela.

—Ele realmente tem um caso com essa moça como saiu no site?

—Ele teve!

Amanda então contou a Patrick resumidamente a história que ouviu de Grissom. E na sequência lhe falou sobre seu "desejo" de encontrar a outra mulher grávida de seu ex.

—Eu sinto que preciso falar com ela Patrick. — alegou a jornalista. _Mas, agora, que tenho o endereço dela já não sei mais se devo ir lá.

—Se você me permitir posso te dar a minha opinião sincera quanto a isso? — ela apenas assentiu, consentindo isso. Já tinha ouvido outras opiniões, mais uma não ia ser demais. Talvez até lhe ajudasse a tomar um rumo e se decidir quanto as suas dúvidas. _Eu acho desnecessário você ir falar com ela. Creio que isso não te fará bem. Mas... Se quer realmente só CONVERSAR com essa moça. E depois de ter essa conversa, você for virar a página dessa história toda e iniciar um novo capítulo na sua vida, então vá em frente nisso de ir falar com ela. Nunca é bom ficar com uma coisa mal resolvida dentro da gente.

Amanda não deixou de ficar surpresa com o "discurso" de Patrick. Quando ouviu as primeiras palavras dele, ela logo concluiu que ele fosse lhe persuadir de ir procurar a tal Sara, como fizera sua mãe antes dela sair de casa e também Lorena quando conversaram ali. Mas seu chefe fez o contrário disso.

—Vou levar muito em consideração o que me disse agora, principalmente, essas suas últimas palavras, Patrick.

—Leve mesmo! Agora, preciso ir. — ele se pronunciou ficando de pé. _Minha secretária já deve estar louca atrás de mim.

Ambos sorriram. E antes de Patrick ir, Amanda lhe agradeceu pela atenção e preocupação em vir conversar com ela.

—Que isso! Não precisa agradecer nada, Amanda. Tenho um grande... apreço por você, afinal já nos conhecemos há um tempo bem razoável, não é?

—É verdade, mas mesmo assim obrigada por vir aqui.

Ele apenas assentiu e despediu-se dela, pra na sequência sair da sala da jornalista.

Assim que seu chefe saiu porta afora, Amanda se acomodou de novo em sua cadeira e não precisou de mais que alguns segundos para deixar suas dúvidas de lado e se decidir quanto a ir ou não falar com Sara.

Notas finais
Até o próximo capítulo.