Another Life

104 Chapter 104


Notas iniciais
Demorei mas estou aqui com capítulo novo. E respondendo a pergunta que a Loh me fez pelo review dela sobre se demoraria mais pra descobrir qual das gravidez seria interrompida. Não, não vai demorar. Capítulo 107 trará esse fato, que já está devidamente escrito. Aguardem.

Um pouco depois de ter ligado pra Grissom e ser tratada por ele com visível rispidez, Sara ligou pra Lucy para desabafar com a amiga os últimos acontecimentos. Mas por alguma razão a mãe de Doug e Lewis não atendeu a chamada. Sara tentou mais algumas vezes entrar em contato com Lucy, mas depois da quinta tentativa desistiu.

O restante das horas daquela manhã a médica passou no seu quarto esperando por uma ligação de Grissom, mas esta não veio e isso entristeceu a morena. Ela começou a acreditar que quando Grissom lhe disse que ela não era culpa do que houve, ele mentia.

O "silêncio" dele que foi se estendendo pelo avançar das horas daquele dia e seu comportamento ríspido com o qual tratou-a pela manhã quando ligou pra ele, denotavam mais ainda pra Sara o contrário do que o empresário afirmou pra ela.

Cansada de tanto ficar naquele quarto a espera de que Grissom entrasse em contato, a médica resolveu descer e comer algo no restaurante do hotel, diferentemente do que fez no almoço, quando decidiu pedir a refeição no quarto, porque queria evitar os olhares alheios dirigidos à ela e também ser abordada por mais algum repórter querendo uma "conversa" com ela.

Ficar trancafiada ali também não ia adiantar nada! Então, ela saiu do quarto e em poucos minutos já entrava no restaurante. Respirou aliviada por ver que no local só haviam pouquíssimas pessoas naquela tardezinha. Mas seu "alívio" durou quase nada ao ver que entre as pessoas presentes no restaurante, estava Hank.

O enfermeiro inclusive quando a viu, acenou pra ela na mesma hora convidando-a pra se juntar à ele. Mesmo não sendo da sua inteira vontade ir juntar-se ao ex por já deduzir que provavelmente, ele lhe faria novas perguntas sobre ontem, ainda assim, Sara foi até Hank.

Com poucos passos ela chegou à mesa dele. Hank levantou-se de sua cadeira estampando um sorriso amável e cumprimentou a médica com um demorado beijo no rosto que pegou Sara meio desprevenida. Logo em seguida, ele gentilmente puxou a cadeira para que a médica se acomodasse.

—Obrigada! — ela agradeceu enquanto se acomodava.

—Quer pedir alguma coisa? Não faz quase nada que fiz meu pedido.

A médica assentiu e Hank sinalizou ao garçom que lhe atendeu poucos minutos atrás. Assim que o homem chegou a mesa, Sara fez seu pequeno pedido de lanche da tarde: apenas um copo de suco de abacaxi com hortelã e um sanduíche natural. O garçom assentiu e saiu levando o pedido dela.

—Suco e sanduíche era o lanche que sempre você me pedia pra te preparar quando íamos pro meu apartamento, lembra?

Sara apenas assentiu não muito confortável com aquele assunto. E não querendo que Hank trouxesse à tona novas "recordações" deles, a médica mudou o tema da conversa. Ficar falando do passado que eles tiveram juntos, não lhe interessava muito. Sem contar, que lhe deixava desconfortável.

—Como está sendo o simpósio?

—Está sendo bastante enriquecedor. Novas técnicas de atendimento, novos procedimentos e uma porção de novas informações que na nossa área de saúde fazem toda a diferença pra salvar vidas.

—De fato!

—Naquele dia em que nos encontramos, eu me esqueci de perguntar onde você trabalha agora.

—Em lugar nenhum. Abandonei a profissão depois do que houve com meu pai. Não tinha e continuo não tendo condições de exercer a medicina.

—Puxa é uma pena, você era uma ótima médica. E segundo o seu chefe, tinha um futuro promissor na área.

Os pedidos deles chegaram em alguns minutos mais e enquanto degustavam seus lanches em silêncio, Sara agradeceu ao fato de Hank ainda não ter tocado no assunto de ontem ou sequer ter questionado algo relacionado ao ocorrido. Mas foi só eles terminarem de comer pra ele trazer o assunto à tona.

—Sara, sobre ontem... o tal Grissom que aquela mulher mencionou é o Arthur, não é?

Ela que limpava a boca no guardanapo, olhou para o homem sentado do outro lado da mesa e suspirou. Talvez fosse melhor contar logo a verdade a ficar fugindo disso. Ainda que não deva satisfações de sua vida particular à seu ex, era melhor que ele soubesse a verdade por ela.

—Sim. É ele mesmo Hank.

—Mas pelo que soube esse tal Grissom é comprometido.

Achando estranha aquela situação presenciada por ele ontem, o enfermeiro resolveu averiguar aquilo hoje mais cedo. Acabou descobrindo que Arthur na verdade se chama Grissom e é um homem muito importante, noivo de uma bela mulher com quem casará em pouco mesmo de duas semanas.

—Antes que me faça outra pergunta ou tire conclusões erradas, peço que escute com atenção o que vou te contar. — Sara apressou-se em dizer.

Hank apenas assentiu e ela então começou a lhe contar sua história com Arthur/Grissom.

***

Grissom terminou de assinar as papeladas que Andréa lhe trouxe e entregou a pasta de volta a sua secretária.

—Entregue ao Warrick. Ele está esperando por esses papéis pra reunião com o pessoal da prefeitura daqui a meia hora.

—Sim, senhor.

—Eu não poderei participar dela, porque tenho algo importante pra fazer agora e pedi a ele que cuidasse disso pra mim. — Grissom falava enquanto colocava seu palitó. _Estou indo embora e não volto mais. Se alguém me procurar ou ligar, anote o recado e diga que amanhã entro em contato.

—Pode deixar. — a secretária seguia Grissom que aquela altura já saía da sala.

No meio do caminho ambos encontram-se com Catherine que vinha pra falar com o irmão a respeito do almoço de negócios de amanhã que eles teriam que ir. Mas ao vê-lo todo pronto pra ir embora, ela logo deduziu aonde ele iria. Mais cedo ele lhe contou isso.

—Você já vai lá, Grissom?

—Sim, Cath. Mais cedo quando ela me ligou, eu disse que ia ligar, mas acho melhor ir lá pra gente conversar pessoalmente.

—É melhor mesmo.

—Até mais tarde em casa.

—Até!

Ele seguiu com pressa para pegar o elevador. Poucos minutos depois já estava no estacionamento entrando em seu carro. Colocou o cinto e deu a partida no veículo esportivo. Destino? O hotel onde Sara estava hospedada.

***

—Eu nem sei o que te dizer, Sara.

Hank estava ainda estupefato e tentando digerir aquela história toda que ouvi de sua ex. Já sabia de alguns fatos meio que por alto pelo que leu na internet e também por algumas deduções que fez. Mas não imaginava que a história fosse tão complexa assim.

—Você acha que um dia ele vai lembrar de você e de tudo que viveram?

—Eu tenho esperanças que sim.

—E se ele nunca lembrar, Sara?

—Eu não penso nisso.

Ela só pensava no contrário. Ele ia lembrar dela. Podia demorar mais um pouco de tempo ou com sorte até que não, mas ela acreditava que a mente dele ia trazer de volta às lembranças dos momentos que compartilharam juntos e principalmente, o amor que ele sentia por ela, que era tão grande quanto o que ela sente por ele.

—Você o ama mesmo não é?

—Sim. Ele é o amor da minha vida, Hank.

O enfermeiro sentiu uma inveja daquele sujeito que tinha conquistado não só o coração de Sara, como também, seu amor desmedido.

—Eu espero que ele lembre de você logo, Sara. — disse de maneira sincera e segurando na mão de sua ex que repousava sobre a mesa.

De verdade ele torceria muito para esse fato ocorrer logo, pois Sara não merecia sofrer como via que ela sofria por conta do esquecimento do tal Arthur/Grissom.

—Obrigada, Hank!

—Sabe que eu me arrependo muito de ter te enganado? — ele confessou erguendo a mão dela da mesa e guardando-a entre as dele. Em seu íntimo Hank se viu descobrindo que os sentimentos que nutria por Sara ainda perduravam de uma maneira mais intensa que ele julgava. Mas o que ela disse ainda pouco sobre o tal sujeito que ela amava, fez Hank ver que não havia qualquer chance pra ele caso tentasse investir pra cima dela. Sara amava o pai do filho dela e não tinha olhos pra outro além desse tal sujeito. _Se eu pudesse voltar no tempo e fazer tudo diferente, eu faria, Sara. E com alguma esperança, talvez, a gente até estivesse juntos agora e o seu bebê fosse meu.

Ao término dessas suas palavras que pegaram Sara de surpresa, Hank levou a mão dela até sua boca e beijou-a com carinho.

Nesse mesmo instante na entrada do restaurante, um par de olhos azuis viu tal cena.

***

Grissom chegou em seu destino em torno de vinte minutos e após entregar a chave do seu veículo ao guardador, seguiu pra dentro do hotel. Já na recepção, ele pediu a jovem que ali trabalhava pra ela ligar para a hóspede Sara Sidle e avisar que Gil Grissom estava ali pra falar com ela.

—Um minuto senhor. — pediu a jovem já discando o número do quarto da hóspede após tê-lo checado no computador a sua frente. _Ela não está atendendo, senhor. Acho que a hóspede não deve estar no quarto. — informou a recepcionista após o quinto toque da chamada.

—Ela saiu então?

—Provavelmente! Mas eu não tenho certeza, pois acabei de começar meu turno.

Nesse momento a colega da recepcionista apareceu ali e como ela estava há mais tempo trabalhando naquele turno, a jovem lhe questionou se por acaso ela viu a hóspede Sara Sidle do 807 passar por ali.

—Ela passou há meia hora pro restaurante. Não sei se ainda se encontra por lá. — contou a mulher mais velha.

Grissom agradeceu a informação e seguiu pra onde a outra recepcionista disse que Sara foi. Em segundos o empresário chegava a entrada do restaurante e enxergava o tal Hank beijando a mão de Sara.

A cena lhe desagradou e incomodou de tal maneira que Grissom se viu sentindo ímpetos de ir até lá e fazer aquele sujeito largar na mesma hora a mão de Sara.

O que isso é Grissom? Você não é assim!

Um sentimento estranho e desconhecido lhe remoía por dentro enquanto seus olhos coloridos estavam fixos em Sara e Hank. Jamais sentiu algo parecido com aquilo que estava sentindo naquele momento após ver aquela cena.

Grissom ainda viu quando Sara retirou de maneira delicada sua mão das de Hank. E aproveitando esse fato, o empresário seguiu com pressa até os dois que não se encontravam tão distantes assim.

—Desculpa, Sara. Não queria te constranger.

Ele podia sentir seu desconforto e constrangimento ante ao que havia feito e dito antes.

—Tudo bem. Mas Hank vamos deixar o passado no passado.

—Você tem razão.

—Interrompo? — Grissom se pronunciou assim que chegou nos dois.

Sara se virou em sua cadeira no mesmo momento em que ouviu o som seco da voz de Grissom reverberar atrás de si, depois a médica se pôs de pé. Já Hank apenas levantou a cabeça e fitou a figura do sujeito que ele conheceu outrora como Arthur, mas que descobriu ser mais comumente chamado de Grissom apesar de Arthur também ser seu nome do meio.

—Interrompeu apenas uma conversa entre dois velhos conhecidos. — Hank contou sem fins provocativos, apenas respondendo a questão lançada por aquele sujeito que lhe encarava incisivamente.

Sara não conseguiu disfarçar a surpresa pela presença de Grissom ali. Não esperava por aquilo. Notou que o empresário não tirava os olhos de Hank e por um segundo aquilo ali lhe pareceu um déjà vu de quando ele era Arthur e conheceu Hank. Era a mesma expressão fechada e tarcituna da primeira vez.

—Grissom este é o Hank... Você o conheceu quando era o Arthur, mas não deve se lembrar dele agora. Hank este é Grissom, que você conheceu como Arthur. — Sara os "reapresentou" um ao outro.

—Olá... Grissom! — Hank se pôs de pé e estendeu a mão ao outro homem.

De maneira rápida Grissom aceitou o cumprimento e apertou a mão de Hank.

—Eu não esperava sua vinda Grissom. Achei que ia apenas ligar. — Sara comentou assim que os dois homens largaram as mãos.

—E eu ia, mas depois desisti e resolvi vir pra termos uma conversa pessoalmente. Será que podemos fazer isso agora e no seu quarto? — foi só quando lançou a questão a ela que Grissom enfim olhou pra médica. Antes disso, seu olhar ainda se mantinha no sujeito de pé do outro lado da mesa.

O empresário achou melhor conversar com Sara no quarto dela pra evitar que novas fotos deles juntos fossem feitas e saíssem na mídia endossando mais ainda os boatos que sairam nos meios de comunicações a respeito dele e da médica.

—Podemos claro. Eu só preciso pagar a minha conta e...

—Não se preocupe que eu pago, Sara. Afinal fui eu quem te chamou pra se juntar à mim. Então faço questão de pagar e não aceito recusa quanto a isso.

Sara concordou e agradeceu a Hank por isso. Eles se despediram e se virando pra Grissom a médica lhe disse que podiam ir. Ele se limitou a pronunciar apenas um seco "tchau" a Hank, que lhe respondeu com o mesmo termo, porém sem a frieza de Grissom.

Num gesto de gentileza, o empresário deixou Sara passar na frente enquanto foi seguindo-a pra saída do restaurante.

Hank observou os dois se distanciarem e um triste sorriso escapou de seus lábios. Grissom ou Arthur pouco importava quem aquele sujeito com Sara fosse agora, pois sendo um ou outro seu interesse e seu ciúme pela médica ficou tão claro pra Hank ali, como ficou na primeira vez que topou em Desmond com aquele homem na companhia de Sara.

Saindo do restaurante em total silêncio, Sara e Grissom seguiram para apanhar o elevador da mesma forma silenciosa. Não precisaram esperar mais do que cinco segundos pra entrarem no elevador.

—Você parece tão sério, meio aborrecido. — Sara o olhou após apertar o número do andar o qual ficava seu quarto.

—Problemas! — limitou-se em dizer enfiando as mãos no bolso e evitando contato visual com Sara, pois por dentro estava um tanto irritado com a médica por ela estar na companhia daquele sujeito que lhe enganou e ainda por cima, por ter consentindo que o mesmo beijasse sua mão.

—As fotos que tiraram da gente devem ser as responsáveis desses problemas, não é? — Sara arriscou em perguntar.

—Não se preocupe que fui eu quem causou isso, Sara.

—Eu sinto que não é bem isso que acha. Sinto que no fundo, você me culpa pela situação.

—De maneira alguma. A pessoa menos culpada nisso tudo é você. — ele afirmou sem hesitar, pois a seu ver essa era a verdade.

—Mas...

—Posso te fazer uma pergunta? — ele interrompeu-a e enfim olhou pra ela.

A porta do elevador se abriu naquele mesmo instante.

—Pode, claro. — consentiu Sara saindo do elevador e sendo seguida por Grissom.

—Por que seu ex-namorado estava beijando a sua mão?

Ela parou de caminhar assim que ele terminou aquela pergunta. Atônica Sara virou-se pra Grissom. Ela não sabia com quê estava mais aparvalhada ali, se era com o fato dele ter flagrado a cena do beijo ou se era por ele ter mencionado que Hank era o ex dela.

—Como... você sabe que... ele é meu ex-namorado se... eu não te disse isso?

Será que ele lembrou de algo?, Encheu-se de esperança a médica.

Notas finais
O lado ciumento do Arthur está vindo a tona no Grissom. Até o próximo capítulo.