Another Day
11 Capítulo Onze
As semanas de prova já tinham começado. O segundo semestre do ano tinha entrado com força total pra avacalhar qualquer saída de qualquer jovem da UCLA. Fury parecia ter dado uma ordem aos professores que dizia: “foda com as vidas desses vagabundos!”, por que era o que parecia, muita gente sem dormir parecendo terem saído do The Walking Dead, pelas caras de zumbis, e pelo estresse! Não se duvidava nada que alguém ainda ia voar em cima de outra pessoa querendo seu cérebro pra passar nas provas! Os nerds que se cuidassem...
Virginia estava numa das mesas ao ar livre do campus tentando entender mais sobre Gestão de Produção Aplicada no Mundo Bélico. A ruiva não compreendia muito como a matéria em questão a ajudaria a se dispor no mercado de trabalho, afinal ela não pretendia trabalhar com armas... inevitavelmente ela lembrou-se de Tony... Fazia um mês, na verdade, fez um mês exato na semana passada. Ela não o viu desde o dia em que brigaram. Ele não atendia seus telefonemas, mas atendeu Steve, Peter e Clint uma vez, por que ambos arrombaram as portas da mansão, e só assim ela sabia que ele estava vivo, mas ele não queria ver ninguém, palavras do mesmo, enfim... ela dizia pra si mesma que não deveria se preocupar com ele, que ele era um adulto e sabia o que estava fazendo, mas outra parte dela queria o acalentar e cuidar dele, ajudá-lo a lidar com a dor.
Ela suspirou e fechou o livro, era sempre assim, quando começava a pensar em Tony ela perdia a concentração e tudo ia por água abaixo, só esperava que ele estivesse melhor do que antes... com isso levantou-se e caminhou rumo ao prédio de seu curso.
***
A morena já brigava com os livros de Medicina Especializada. Como fora burra em escolher Pediatria. Como ela poderia imaginar que as crianças, seres tão adoráveis, na opinião dela, poderiam ser tão complexas?! Deveria ter continuado como Clinica Geral ou ter estudado Biologia e ter se tornado Professora!
Voltou ao começo do parágrafo que falava sobre vacinas infantis, ela sabia aquilo, mas estava com a cabeça tão cheia devido ao estágio que estava fazendo no Hospital Infantil Geral de Malibu que simplesmente não conseguia se lembrar!
– Eu sou horrível! – ela exclamou e bateu a cabeça no livro. Desistira de estudar aquilo, e fosse o que Deus quisesse da prova!
– Eu posso te ajudar se quiser... – ela ouviu uma voz atrás dela. Betty olhou pra trás e encarou o tal Bruce Banner com um sorriso simpático em seu rosto bronzeado.
– E como você poderia? – ela inquiriu. Pelo que sabia, ele fazia especialização em Neurologia! O máximo que ele podia ajudar era com A Evolução de Neurônios nas Crianças.
– Eu era bom nessa matéria na época da primeira formação! – ele somente respondeu e sentou ao Aldo dela numa das mesas do refeitório da faculdade.
Ela deu de ombros e esticou o livro pra ele.
– Sabe, você deveria saber isso de cor... – ele comentou enquanto dava uma lida.
– E eu sei! – ela respondeu. – é só que o estágio no Hospital tem tirado meu sono! – ela suspirou. – acho que não consigo mais me concentrar nas coisas!
– Sei como é! – ele disse dando de ombros. – quando eu trabalhava como Clínico Geral no Hospital Central eu fazia plantões como louco! – ele sorriu como se lembrasse da época. – era bem cansativo, mas valia à pena, sabe? – ele sorriu pra ela.
– Sei... – ela sorriu tímida, o encarando.
– Enfim, vamos ver isso aqui! – ele se voltou pro livro. – sua prova é hoje? – ele inquiriu.
– Não... – ela comentou displicente.
– Então por que está estudando agora? – ele indagou um pouco chocado.
– Eu pretendo dormir à noite, sabe?
– Ah okay! – Bruce exclamou. – muito bem, então qual a primeira vacina que um recém nascido toma? Sigla, por favor.
Betty o encarava. Bruce Banner parecia ser um cara legal. Tudo bem que ela o achou um perfeito idiota quando há alguns meses ele trombou com ela no campus, a derrubando e levando ao chão suas coisas, mas ele foi legal em oferecer uma carona. Elizabeth sabia que não devia confiar muito em caras que demonstravam ser legais — sua última decepção amorosa já lhe alertara sobre isso -, mas olhando o homem a ajudando ali... não havia nada que ela admirava mais num homem do que sua inteligência e comprometimento! E o moreno à sua frente, ou melhor, ao seu lado, com um livro dela em mãos, lendo algumas coisas, que ela não estava prestando muita atenção no dado momento, Bruce ali só provava o quão prestativo e companheiro ele poderia ser e isso a fez sorrir e criar algo dentro de si que ela ainda não sabia o que era...
– Betty? – ao longe ela ouviu seu nome. – Betty?! – de novo. – Elizabeth!
– Quê?! – ela inquiriu estupefata.
– ‘To te chamando! – ele respondeu. – te fiz uma pergunta!
– BCG.
– Hã?
– A vacina!
– Ah sim, okay! ‘Tá certo! – ele fez um sinal de positivo com o polegar e sorriu.
Betty sorriu de volta e dessa vez continuou prestando atenção nas demais perguntas que ele fez.
***
– Darcy... será que podemos conversar? – ela Clint quem falava.
A morena citada estava saindo de sua sala. Acabara de fazer uma prova maçante de Física Nuclear.
– Eu acabei de sair de uma prova que me esgotou... – ela explicou enquanto caminhava pelo largo corredor da Universidade. – será que podemos deixar pra depois? – ela inquiriu seca. – até por que estamos deixando tudo pra depois há mais de um mês né Clint? – ela foi sarcástica.
– Darcy...
– Sério Barton! – ela exclamou e se virou pra ele. Ambos parados no meio do corredor vazio. – a gente não ia dar certo! Por que você gosta de outra! Fim!
Clint respirou fundo. – é sobre isso que quero falar!
– Ah, então como nosso relacionamento não durou nem três semanas você quer vir terminar comigo, formalmente pra poder ir pegar outra? – ela indagou e voltou a andar rumo o lado de fora do prédio.
– Lewis! Você é difícil! – ele comentou a seguindo. – não é isso! Mas, você não me deixa falar!
– Então desembucha! – ela exclamou agora já do lado de fora do prédio de Exatas.
– Quero mais uma chance! – ele pediu.
– Hã? – ela inquiriu totalmente confusa.
– Você ouviu! – Clint disse. – eu quero outra chance! – ele falava se aproximando dela.
– ‘Tá louco? – ela inquiriu se afastando dele. – bebeu? Bateu a cabeça?
– Por que é tão difícil?
– Talvez por que há algum tempo eu estava no seu lugar...
– Então é vingança?
– Não! – ela exclamou perplexa. – eu não sou assim! Embora eu goste muito de você eu reconheço que não te amo! E mais, você gosta da Natasha!
– Não gosto não! – ele desconversou.
– Eu não vou ser a distração Clint... – ela justificou. – quando ela te der uma chance, eu vou sair machucada, então ou amigos, ou nada... – ela olhou pra baixo, mas logo voltou a encará-lo.
Ela o viu virar as costas e sair dali a passos rápidos.
A morena não queria que as coisas acabassem assim, mas ela sabia quando não era correspondida, e embora tivesse mentido dizendo que não o amava Darcy sabia que fora melhor assim... suspirou. Precisava focar em suas macumbas online pra tirar notas boas nas provas que viriam! Com isso, sacou o celular do bolso da jaqueta e abriu o Firefox.
***
Jane conversava com uma menina de sua sala. Ambas estavam combinando de irem estudar na casa da segunda. Elas caminhavam indo para o estacionamento da faculdade, já passava das 14h e Foster não teria mais aulas naquele dia. Despediu-se da amiga e rumou para seu carro. Quase soltou um grito quando viu um loiro bem conhecido encostado no seu carro.
Naquela semana tentara evitar Thor ao máximo. Não só naquela semana na verdade, desde que ele a beijou há um tempo.
A verdade era: nunca se supera um primeiro amor. Mas, Jane estava disposta a tentar por que ela não queria ter nada a ver com esse cara mulherengo que provavelmente estava só tentando comer ela e depois sair se gabando!
Além do mais aquele beijo no corredor tinha despertado algo bem escondido nela. Por isso daquele dia em diante a morena/loira tinha saído com outros caras, pelo menos tentando por que os dados encontros foram todos uma desgraça! E ela vira o loiro a sua frente, encostado imponente no seu humilde sedan, saindo com outras garotas também... “eu escolhi esperar”? Que grande baboseira!
– Jane... – ele chamou quando a viu se aproximar mais do carro.
– Thor... – ela balbuciou. – você poderia dar licença, quero sair com o carro! – ela destravou o alarme.
– Eu queria falar com você! – ele continuou.
– Já ouviu falar que querer não é poder? – inquiriu seca tentando entrar no carro, mas ele bateu a porta do veículo. – me deixa Thor!
– Jane eu tenho pensado muito em você!
– Nossa! E esses pensamentos você tem sozinho ou quando está com as piranhas que você costuma pegar? – ela perguntou brava e cruzando os braços fronte ao corpo.
– Aquelas garotas eram distrações! – ele justificou. – estava tentando te esquecer! Esquecer a nossa história!
– E conseguiu? – ela perguntou desinteressada.
– Se eu estou aqui falando com você, claro que não! – ele exclamou.
– Problema é seu! – ela exclamou de volta.
– E seu também! – ele respondeu.
– E como é problema meu? Eu não tenho nada a ver com essa merda! – ela tentou abrir a porta do carro, mas o loiro voltou a fechá-la.
Agora Jane estava entre o carro e corpo musculoso do loiro.
– Você tem esse jeito de durona, mas eu sei que sente algo por mim... – ele a encarou profundamente.
– Sinto mesmo... – ela o encarou de volta.
– E o que é? – ele indagou hipnotizado com os olhos castanhos dela.
Ela sorriu e por trás do corpo abriu a maçaneta do carro bem devagar.
– Sinto... – ela começou e sorriu. – nojo! – dito isso ela o chutou bem nas partes baixas.
Ela viu Thor se contorcer e apoiar-se noutro carro próximo, num pulo ela abriu a porta do carro e entrou, logo dando partida e cantando pneus pra fora do estacionamento, deixando o loiro com a mão entre as pernas e uma careta de dor.
***
Depois de algumas horas o moreno olhou pras janelas da oficina. Não se surpreendeu quando encontrou o céu escuro lá fora. Já era por volta das 20h de uma Sexta feira e Tony Stark estava trancafiado há mais de um mês na garagem/oficina que um dia dividiu com o pai.
Ele não quis ver os corpos sendo baixados; ele não quis dizer adeus, Tony não queria nem mesmo lembrar-se, embora fosse impossível que a lembrança de algum momento vivido com eles não viesse à sua mente. Ainda assim, o que ele mais queria era que aquilo passasse. Aquele vazio, aquela coisa estranha e inexplicável dentro de seu peito, Tony só queria que ela fosse embora.
Por isso, se afundou num árduo trabalho. Ele estava decidido a revitalizar, ou pelo menos honrar a memória das três pessoas mais importantes em sua vida. Primeiro ele faria Jarvis renascer.
Na semana seguinte a morte deles, o moreno começou a pesquisar sobre os pregressos com Inteligência Artificial. Que nada mais era um computador multitarefa e multi-local. O que o gênio criaria faria tudo por ele, pesquisaria tudo, faria as tarefas domésticas, — claro, que isso requeria uma boa reforma na casa -, o ajudaria a desenvolver outros projetos tão audaciosos quanto o próprio J.A.R.V.I.S. sim, esse seria o nome do AI. Era uma homenagem ao mordomo mais fiel, que era como um parente pra ele. Talvez até mais que seu próprio pai. Futuramente o supercomputador faria muitas outras coisas, mas por hora, ele precisava de uma voz pra não enlouquecer naquela mansão então já bastava.
Demorou um menos de um mês pra ser concluído, ele só falara com Obie nesse meio tempo e sempre para pedir que ele lhe enviasse alguém pra lhe trazer comida e/ou o que ele precisava pra criar J.A.R.V.I.S.
E assim foi durante esse tempo, nenhuma vez sequer ele perguntou por Virginia. Pepper. Não importava mais, ele duvidava muito que ela ainda quisesse falar com ele depois do que ele disse pra ela, ou deixou de dizer, dependia do ponto de vista. Mesmo sem questionar, Obadiah tinha tocado no nome dela duas vezes, uma três dias depois do enterro quando o mais velho adentrou a mansão e logo inquiriu o porquê de Tony estar sozinho ali. A outra foi há uma semana, quando o grisalho quis saber se eles tinham terminado, pois Anthony estava isolado naquela casa há mais de um mês.
O Stark não respondeu a ele nenhuma das vezes, ignorou-o como vinha fazendo com s demais coisas, se ele quisesse terminar seu AI tinha que estar focado, não podia chorar mais, não poderia sentir mais... ele tinha a próxima missão e somente isso. E com esse pensamento ele passou um mês de sua vida. A Faculdade? Ele passaria depois, afinal, era um gênio!
***
Dois dias depois de instalar o AI em todos os lugares que ele achava conveniente, Tony acordou cedo e se arrumou como costumava fazer. O herdeiro dos Starks sairia de sua toca. Todos achavam que ele ainda estava de luto e de certa forma estava mesmo. Não estava muito animado pra festas, mas ele sentia que logo isso iria passar.
Não demorou pra descer as escadas e pegar uma de suas Ferraris.
– J.A.R.V.I.S. – ele chamou. – vamos pra UCLA, dirija sem cautela. – ele disse e colocou os óculos de sol enquanto sentia o carro sair do lugar.
– Fique tranquilo sir, suas ordens serão seguidas. – o supercomputador respondeu e Tony sorriu já sentindo o carro entrar na avenida. Ele estava no lugar do motorista com as mãos no volante só pra figurar, ele não poderia chegar num carro sem piloto, isso geraria polêmica e por enquanto, ele estava fugindo disso.
Como quebrou pelo menos dez regras de limite de velocidade, ele chegou rápido até a Universidade. Estacionou seu pomposo carro em sua vaga costumeira, próxima à entrada do bloco onde estudava, saiu de sua Ferrari e seguiu para o prédio, mas no percurso, acabou por encontrar uma ruiva conhecida.
– Tony? – ele ouviu Pepper o chamar.
O moreno virou-se e sorriu fraco. Tirou os óculos de sol do rosto quando ela se aproximou.
– Hey... – ele cumprimentou.
– Você ‘tá bem? – ela quis saber.
– Estou... – respondeu normalmente dando de ombros. – e você?
Virginia encarou o chão e depois deu um sorriso forçado.
– Você nem voltou e já vai mentir pra mim?
– Pepper... – ele começou. – eu não quero ser grosso, mas nós não temos nenhuma relação e eu não voltei pra responder seus questionamentos sobre como eu me sinto okay? – ele disse e já ia caminhando na direção do prédio.
– Você já me respondeu Tony! – ela disse e ele voltou a virar-se pra encará-la. – quando quiser ser verdadeiro com alguém e quiser meu outro ombro pra chorar... – ela suspirou e deu um sorriso fraco. – eu... – ele ia começar a falar, mas ela virou-se e caminhou pra longe dele.
Tony ficou ali parado próximo às escadas que levavam pra dentro do prédio dos Mestrados. A relação dele e de Pepper, se é que eles tinham alguma coisa, era tão complicada como aprender Mandarim. Primeiro ele tinha se encantado com ela assim que a viu no dia da Cerimônia de Boas-Vindas. Depois na festa em sua casa quando ela dançou junto das meninas, ele se lembrava perfeitamente de só conseguir focar nela a todo tempo, as coisas foram deixadas de lado, por que ele dormiu com Natasha, pura bebida nas veias, ele não sentia nada pela ruiva pintada, tudo bem, ele tinha que admitir que a situação entre eles ficara estranha desde então, mas era tudo uma questão de conversa, enfim, depois teve o dia do estacionamento, quando ele a levou pra sua casa e ela conheceu seus pais, eles passaram uma tarde divertida juntos. Pepper era uma garota incrível, além de bonita, claro, mas ela tinha um ar misterioso, um jeito doce, embora fosse um pouco mandona às vezes e também tinha o sorriso perfeito que aparecia a todo momento, os olhos azuis cristalinos, o céu tinha inveja do tom do olhar dela.
Então, veio à tarde quando eles quase se beijaram, depois a festa onde eles passaram o tempo inteiro juntos, e pode até ser estranho, mas foi só ele se afastar dela e a polícia chegou trazendo provavelmente, a pior noticia que ele receberia na vida inteira.
Há um mês, Tony pensava que eles poderiam dar certo, quando ela lhe ofereceu o ombro, quando ela somente o ouviu, mas não era assim tão simples, ela não o podia compreender e ele duvidava que isso fosse mudar, ele não queria tentar, ele não queria se iludir, sua vida já estava caótica demais.
***
A loira fechou o livro quando viu o garoto sentar-se fronte a ela.
– Diz o que você quer! – ela falou sorrindo e o encarando.
Peter sorriu de volta. As coisas entre ele e Gwen Stacy estavam diferentes. Desde o dia em que ela tinha pedido ajuda pra ele com as coisas envolvendo o pai dela os dois haviam se aproximado consideravelmente. Antes, eles já saiam pra comer juntos, bater perna, ou somente ficavam pelo campus sem ter nada pra fazer. Porém, agora eles estavam mais unidos. Sempre eram vistos juntos, sempre almoçavam na companhia um do outro, brigavam por coisas bobas como: DC vs Marvel, Big Mac ou Big Bob. Enfim, eram como irmãos... não, isso não. Peter sentia-se muito bem perto da loira, ela era divertida, simpática, inteligente, não era fútil, tinha princípios, e estes eram tão fortes que ela estava a investigar o próprio pai, com a sua ajuda, a propósito. Isso levava a outro assunto, os Parker também estavam envolvidos, ele só não sabia se positiva ou negativamente.
O que ambos descobriram, enquanto a loira usava seus conhecimentos pra invadir o computador do pai e o servidor da LAPD, foi que o Sr. Stacy estava envolvido em um caso milionário. Pelo que parecia era tipicamente a mulher que havia mandado matar o marido. Até ai, não era da conta dos dois, porém, os Parker como bons advogados que eram, tinham sido contratados pela tal Sra. Morrison. O mais estranho nisso tudo era a falta de provas contra ela. Claro, isso poderia indicar que ela era inocente, mas no começo do caso as provas apontavam contra ela, e a tal mulher também não tinha um álibi. Ainda assim, isso não seria da conta dos jovens, mas, como se não bastasse, ela tinha um conta laranja onde era desviado o dinheiro do marido, quando ainda era vivo e adivinha aonde caia ¼ dessa bufunfa? Na conta do Sr. Stacy, com mais um desvio ocasional pra conta na Suíça dos pais de Peter.
Agora era claro como o mar do Caribe por que os dois se meteram nisso.
Gwen queria fazer na vida justamente o que ela estava fazendo agora. Investigar, com seriedade, mas usando todas as armas ao seu alcance. Claro, se ela fosse da LAPD, ela poderia usar o computador deles pra investigar, mas ela apostava que já tinham feito isso, e já tinham encontrado alguma coisa. Das duas uma: quem encontrou está rico e no México agora, ou não está mais aqui pra contar a história.
– Sabe, você está atrasada pro nosso almoço! – ele comentou e deu de ombros como quem não quer nada.
A loira encarou o relógio de pulso e arregalou os olhos já passava do meio dia.
– Ai Peter! – ela exclamou. – desculpe! – ela sorriu de lado um pouco encabulada.
– Tudo bem! – ele sorriu e pegou a mochila tirando algo de lá de dentro.
– Um Big Bob? – ela encarou a embalagem do Bob’s. eles já haviam discutido muito sobre ela achar a franquia melhor que a adorada por Peter, a intitulada Mc. Donald’s. Numa dessas ocasiões, ele disse que nunca compraria pra ela um lanche da concorrência. Ela teria que viver com os picles. – achei que eu teria que “conviver com os picles” – ela repetiu a fala dele tentando engrossar a voz.
Ele somente riu e empurrou o lanche na direção dela. – eu mudei de ideia sobre isso!
– Então quer dizer que você enfrentou uma fila do Bob’s só pra me comprar meu lanche preferido? – ela encarou ele tentando esconder um sorrisinho de canto.
Ele assentiu.
– Ótimo Sr. Parker! – ela exclamou e levantou-se da cadeira, esticando-se sob a mesa pra lhe dar um beijo no rosto. – você acaba de ganhar muitos pontos comigo!
– Achei que te ajudar naquela parada que pode nos levar pra cadeia já me rendia bons pontos! – ele comentou displicente.
Ela o encarou e assentiu enquanto abria a caixa do hambúrguer.
– E rendem, mas quanto mais, melhor né?
Peter não respondeu, tirou um pacote de Trakinas da bolsa e começou a comer.
– Você é magro de ruim, sabia? – ela comentou e abriu o refrigerante que ele também tinha trazido.
– Olha quem fala! – ele comentou com um biscoito na boca, por isso, sua voz saiu meio abafada. – a Srta. Comida Saudável!
– Ah cale a boca! – ela riu e tacou uma batata frita nele.
– Com muito prazer! – ele enfiou mais dois biscoitos na boca.
Gwen ficou dividindo olhares entre seu lanche e o garoto à sua frente. Peter era o tipo de cara certo pra ela, do tipo atencioso, que te trazia comida, te ajudava no que precisasse, era muito diferente do que ela pensou que ele fosse e agora com essa treta entre os pais deles... ao mesmo tempo que era uma droga saber que seu pai estava envolvido num esquema desse, alguma coisa boa saiu disso tudo, afinal.
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