Capitulo dez

O sol foi o que o despertou.

Ele não sabia que horas eram e na verdade, nem queria. Somente se levantou e foi até o banheiro. Passou os olhos rapidamente pelo espelho. Sua cara estava péssima. Olheiras, marcas de lágrimas no rosto, camisa amarrotada. Uma bagunça. Jogou as roupas pelo chão e entrou no box. Tomou uma ducha rápida e gelada pra terminar de acordar.

Rumou para o closet, escolher o que vestir, uma camisa de banda era a primeira coisa na gaveta então ele a usou, uma boxer e uma calça jeans meio surrada. Passou a toalha nos cabelos e jogou em qualquer lugar dentro do cômodo.

Desceu as escadas, encarou sem animo a sala. Estava arrumada e limpa nem parecia que houve uma festa ali. Suspirou e foi pra cozinha. Não se surpreendeu quando viu Pepper lá.

Ela não se pronunciou somente lhe dirigiu um sorriso fraco e esperou que ele se sentasse na banqueta ao seu lado.

– Café ou almoço? – ele ouviu ela perguntar.

Tony estava perdido, encarando o nada enquanto sentia de leve ela tirar seu cabelo da testa. Ele queria acreditar que tudo o que aconteceu na noite passada fora só um pesadelo muito louco, ou o resultado de um porre daqueles, mas ao ver o sorriso triste de Pepper ao cumprimentá-lo e não sentir-se nenhum pouco de ressaca ele percebia o quão dura era a verdade.

– Tony? – ela o chamou notando quão longe ele estava.

Pepper não queria ter ficado lá. Ela queria ter ido embora junto com os outros, mas ela sabia que ela tinha que ficar. No fundo do coração dela tinha uma intuição que fez as pernas dela se moverem até o sofá, pra perto de Tony e não pra porta.

A face antes animada, travessa, estava agora tímida. Ele sorriu fraco pra ela. – café...

Pepper o serviu e a si mesma, também pegou algumas frutas e pães que estavam sob a bancada, saiu por um momento de perto dele pra pegar outras coisas na geladeira, mas logo voltou pra banqueta alta, fronte ao balcão.

– Eu nem disse adeus... – ele começou. – eu só queria que eles fossem embora depressa, pra organizar tudo... – ele continuou depois de um tempo. Tomou uma golada e café que desceu amarga por sua garganta. – você ‘tava aqui, você os conheceu... – ele sorriu fraco novamente. Ela passou uma das mãos pelas costas dele. – o que achou deles? – ele esperou uma resposta, mas não muito, pois já engatara numa outra fala. – Jarvis... ele era como um tio sabe! – ela sorriu pra ele o encorajando a continuar, ele precisava falar, botar pra fora tudo o que sentia e se ela estava ali, era por que queria ouvir, queria o ajudar a carregar este fardo. – eu lembro quando eu era criança e ele cuidava dos meus machucados como fez com os seus ontem. – ele a encarou profundamente, mas quebrou o contato. – ele teria adorado ficar mais tempo com você Pep... – ela ouviu um suspiro. – eu nunca tive muito contato com o grande Howard Stark! – ele deu de ombros, ela assentiu. – talvez alguém o conhecesse melhor que eu! Talvez alguém daquela empresa! – ele disse a última palavra com um pouco de remorso. – mas, não importa, ele se foi agora e... – ele fechou fortemente os olhos forçando as lágrimas a ficarem dentro dele. Ele não queria mais chorar. – mas, sabe quem o conhecia melhor que ninguém Pep? – ele deu um sorriso. Como se lembrasse de algo bom. – minha mãe. Eu nunca soube por que eles realmente se casaram, sabe? – ambos riram com o comentário dele. – dizem que o amor é cego, pois deve ser verdade! Ela era tão doce e pacífica, um verdadeiro bálsamo na vida conturbada dele. – ele sorriu pra ruiva ao seu lado. – uma vez ele foi como eu, será que eu vou ficar como ele? – ele inquiriu e a encarou profundamente uma segunda vez naquele dia.

– Você não tem que pensar nisso agora Tony... – ela dizia calmamente acariciando os cabelos da nuca dele. – só tenta relaxar, por que depois vai ser um inferno! – ela sorriu. – mas, eu vou descer com você okay?

Ele sorriu e se aproximou dela, encostou seu nariz nas madeixas arruivadas e aspirou o perfume que parecia acalmá-lo, depois se afastou, mas só o bastante pra bater o nariz dela com o seu e ficar ali de olhos fechados somente aproveitando o momento.

– Tony! – eles ouviram o nome do homem ser chamado por outra voz masculina. Obadiah Stane.

O casal se separou e Tony se levantou da banqueta pra ser abraçado pelo homem mais velho.

– Sinto muito Tony... – ele balbuciou no abraço.

– Tudo bem Obie... – ele olhou pro chão, mas depois levantou os olhos pro outro homem. – quero que conheça a Pepper!

A ruiva levantou-se e foi para o lado de Tony e pôs um braço em volta da cintura da moça.

– É um prazer. – o mais velho disse apertando a mão pequena. – pena que tenhamos que nos conhecer em circunstâncias tão... – ele deixou a frase morrer. Pepper assentiu e deu um sorriso fraco. – sua mãe nunca contou que estava namorando, nem você Tony. – Obadiah comentou indo sentar-se no sofá, mas não sem antes se servir de um copo de Whisky e oferecer a Tony que aceitou.

– Ah nós não somos... – Pepper foi cortada.

– É que é recente. – o mais novo dizia entre uma golada e outra da bebida ardente.

– Você sabe pra quê estou aqui não é?

– Os corpos... – ele disse baixo e sentou-se numa poltrona na sala, Pepper ficou de pé ao seu lado com sua mão pousada num dos ombros dele.

– O que você vai fazer sobre isso? Afinal, são seus pais e Edwin, temos que comunicar as famílias dos tripulantes... e a imprensa logo estará divulgando e batendo na sua porta.

– Temos gente pra resolver isso Obie. – Tony argumentou. – eu só quero paz nesse momento, eu não sei o que vou fazer e não quero pensar nisso agora! Faça como quiser!

– Mas, Tony... são seus pais... – Pepper disse.

– Não interessa! – ele se levantou da cadeira. – faça o que tiver que ser feito, quando eu tiver alguma coisa relevante eu te comunico Obie. – dito isso ele saiu do cômodo descendo as escadas pra oficina.

Pepper suspirou e sentou-se na poltrona antes ocupada por Tony. Num momento estava tudo relativamente bem e agora ele tinha ficado bravo com o que quer que fosse. Ele iria se isolar agora, ela sabia.

– Ele vai precisar de você. – ela ouviu Stane proferir enquanto se levantava e caminhava rumo à saída.

– Resta saber se ele vai aceitar precisar de alguém... – ela disse e sorriu fraco assistindo ele sair da sala.

***

Os telejornais, os programas de fofocas, além de pequenos plantões televisivos só falavam de um assunto: A morte de Maria e Howard Stark.

As emissoras tinham mandado helicópteros e jatos pra sobrevoar o local onde o avião havia caído e os programas sensacionalistas elaboravam e comentavam teorias da conspiração mirabolantes, que na cabeça aloprada deles fazia sentido. Pepper não queria nem escutar o que diziam, mas em todos canais era o que se passava, por fim, desligou a televisão aproveitando a deixa do toque de seu celular.

– Alô? – ela atendeu enquanto passava a mão sob as têmporas. Já eram quase 18h e ela não tinha dormido de manhã nem à tarde, na expectativa que Tony saísse da oficina, mas não aconteceu.

– Pepper? – ela ouviu Gwen chamar do outro lado.

– Hey... – ela balbuciou.

– Como você ‘tá? Como o Tony ‘tá?

– Eu estou preocupada, e ele está na oficina, no luto dele... – ela levantou-se do sofá.

– E você tentou conversar com ele? – ela indagou.

– Conversamos de manhã sabe, ele desabafou, mas depois o sócio do pai veio aqui e ele ficou nervoso, provavelmente confuso, chateado e se trancou na oficina com um rock tão alto que faz tremer os vidros de lá! – a ruiva explicou.

– Entendi... – a loira falou do outro lado. – e você acha que podemos ir pra aí?

– Não sei Gwen, pode ser uma boa... – ela suspirou. – sinceramente, eu não sei...

– Então, vou considerar como um não! – ela deu uma risada pra quebrar o clima. – vou falar com todo mundo e eu te ligo amanhã okay?

– Certo!

– Até mais Pepper, se cuida okay? Não deixa ele fazer nenhuma besteira.

– Eu vou tentar... – e com isso desligou.

– Quem era? – Pepper ouviu Tony indagar.

Ela o encarou ele estava no último degrau da escada que dava para a oficina. A roupa estava amarrotada, tinha olheiras e parecia mais abatido do que de manhã.

– Gwen. – ela respondeu e caminhou até ele. – queria saber se podia vir aqui...

– E o que você disse? – ele desviou dela e foi até o bar.

– Que eu não sabia... – ela disse percebendo que ele tinha ignorado a aproximação dela.

– Ótimo! – ele se serviu de Whisky. – eu não quero ninguém aqui!

A ruiva sorriu fraco e o encarou. Esperou Tony dar a primeira golada na bebida e indagou. – então eu posso ir embora? – ela tinha um pouco de remorso na voz. – por que você não quer ninguém aqui!

– Pep... – ele iniciou, mas foi cortado.

– Eu não entendo a sua dor Tony! – ela se aproximou dele. – eu nunca perdi ninguém! Eu quero te ajudar, mas você não me dá espaço!

– Eu não pedi a sua ajuda! – ele exclamou e apoiou o copo no pequeno balcão.

– E precisa? – ela indagou perplexa. — Olha só pra você! Não é nem sombra do que era ontem! – ela apontava pra ele enquanto falava.

Talvez por que ontem eu tinha uma família, pra quem voltar, essas coisas! Mas hoje eu não tenho nada! – ele exclamou aumentado a voz. O choro apertou-se na garganta dele, mas ele o prendeu. Bastava de lágrimas.

– Você tem a mim! – ela gritou. Ela o encarou quieta. Ele também não ousou proferir nenhuma palavra. Pepper manteve o olhar e viu nos olhos dele um vazio que não existia ontem. – mas, eu não sou o bastante não é? – a voz dela embargou. – eu nunca vou ser o que você precisa, vou? – ela mesma balançou a cabeça negativamente.

– Pep...

Ele a viu caminhar pra saída, mas antes que ela pudesse ir, virou-se e disse: — sabe Tony... eu acho que você vai me perder também... – não esperou que ele respondesse, abriu a porta da mansão e caminhou porta a fora.

***

O dia seguinte amanheceu combinando perfeitamente com o humor da ruiva. Cinzento, triste, sem vida... Pepper tinha voltado pro seu apartamento na noite anterior, depois da pequena discussão com Tony. Agora ela entendia que tinha de deixá-lo sozinho. O garoto sempre fora muito impulsivo, que o diga o dia em que eles se conheceram, ele chegou num Monster Truck na faculdade.

Pepper fez o que era preciso, já pensava mesmo em ir pra casa, pena que antes eles falaram o que não queriam, as palavras machucam às vezes e ela duvidava que a ferida fosse cicatrizar tão cedo.

Ela recebeu uma ligação de Obadiah por volta das 11h, dizendo que os corpos tinham chegado à Los Angeles, ele perguntou por Tony e ela explicou a ele, omitindo a conversa deles, mas contando que eles não estavam tão bem. O homem pediu que ela tentasse falar com ele e ela o fez. Ligou para Tony, mas não obteve resposta e antes de ir pro enterro, ela foi até a mansão, mas estava trancada, como se não tivesse ninguém em casa, por fim, ela desistiu, se ele quisesse iria aparecer, ela tinha deixado mais de um recado na caixa de mensagens dele.

Por volta das 16h uma chuvinha fria caia sob Los Angeles e os corpos estavam sendo baixados até a cova. No cemitério, alguns funcionários da Stark, que estava em ponto facultativo, por três dias, algumas pessoas que Pepper reconheceu serem conhecidos de Tony, pessoas que estavam na festa na noite do acidente, e os amigos da faculdade. De todas as pessoas dali, ela não reconheceu uma garota que estava próxima a Steve. Mas, ignorou, talvez fosse uma amiga do loiro, ela nem falaria com ninguém, mas Peter, Steve e Gwen vieram até ela, que estava sentada numa espécie de tenda montada pra proteger os presentes da chuva.

– Pepper... – Steve balbuciou.

Ele viu a ruiva respirar fundo e sorrir fraco.

– Steve... – ela falou baixo desviando o olhar dos caixões sendo baixados. – aprecio que vocês vieram. – ela falava enquanto abraçava um por um deles.

– Tony? – ela ouviu Clint perguntar. Natasha, ele, Bruce e Thor também chegaram perto.

– Ele está em casa... – ela desviou o olhar. – eu acho... – ela viu o olhar confuso de Steve e explicou: — ontem eu e ele tivemos uma discussão, não falo com ele desde então. – ela suspirou e recebeu um meio abraço de Gwen. – liguei, deixei milhares de mensagens, fui até lá, mas está tudo trancado, acho que ele quer ficar sozinho...

– Eu o entendo... – Steve disse.

– Acho que o que podemos fazer agora é rezar e tentar ajudar o Tony no que ele precisar. – Peter comunicou. – mas, por enquanto, vamos o deixar sozinho...

Ele recebeu um aceno de cada um dos amigos, que continuaram próximos até o final do ritual.

Pouco tempo depois, a chuva tinha parado, mas a brisa ainda soprava fria. Pepper esperava pelo tio de Natasha buscar o carro pra levá-las. A Romanoff decidiu que chamaria a Potts pra ficar na casa dela pelo menos por hoje.

– Eu nem as apresentei. – Steve falava se aproximando delas. – essa é a Peggy.

– É um prazer. – Pepper sorriu. Mesmo nas dadas circunstancias, ela conseguia ser simpática. Era uma virtude.

– Eu sei que essas circunstâncias não são apropriadas, mas eu gostaria de ter uma conversa com você, não agora, mas você pode me ligar? – Peggy indagou e a entregou um post-it com seu número.

– Claro. – a ruiva natural sorriu e pegou o pequeno papel guardando na carteira de mão que ela segurava.

Natasha e Virginia entraram no carro do tio da primeira e seguiram pra fora do cemitério, deixando o casal parado na calçada. Peggy sorriu para Steve e ambos seguiram até o estacionamento pra pegar a moto do rapaz.

– Desculpa ter te trazido pro cemitério... – ele dizia enquanto ambos caminhavam.

– Eu acho que não é programa mais comum num segundo encontro, mas okay! – ela sorriu.

– Segundo?

– É claro! O primeiro foi naquela festa! – ela lembrou.

– Não! – ele riu. – aquilo nem conta como um encontro! – ele segurou a mão dela e entregou um capacete.

– Okay, então a situação acabou de ficar pior! — ela colocou o capacete.

Ele se voltou pra ela e a encarou com a sobrancelha arqueada.

– Primeiro encontro no cemitério! – ela disse e passou por ele parando perto da moto do loiro.

– Desculpe! – ele pediu e subiu na moto esperando ela fazer o mesmo. – mas, eu tinha que vir... – ele viu ela colocar o capacete e subir na garupa, foi a vez dele colocar a proteção.

– Eu entendo... – ela pareceu distante por um minuto. – o que quer fazer agora?

– Eu ia te fazer a mesma pergunta! – ele ligou a motocicleta.

– Por que você não pilota sem rumo, vamos a caminho do horizonte, mas sem direção! – ela disse e segurou-se na cintura dele.

Carter ouviu um som abafado vindo dele. Uma risada contida. – eu ia dizer a mesma coisa. – Steve disse e deu partida, saindo do lugar.

Notas finais
Hey povo, mais um capítulo meio bosta! Mas, não me abandoem ainda okay?! Não me abandonem nunca na verdade! Hehe Então no próximo vai ter uma passagem de tempo pra dar uma folga desse drama todo e tal, quem não entendeu nada de Steggy ai no final, relaxem que tudo se ajeita com o passar dos capítulos! Esse finalzinho foi pra minha mana linda e magavilhosa! Lari! Sua dlc você me viciou em Steggy e a fic tem esse shipper por sua causa! Steggys agradeçam à ela! Então, é isso! Beijinhos nos cores de vocês!