Notas iniciais
ok desculpem mesmo não ter postado no domingo passado, o capítulo não tava terminado :|

O fraco barulho de vidro da garrafa de whisky importado chocando-se com as outras repousadas no pequeno bar, fez meus olhos piscarem em direção ao homem alto. Brian devolveu a garrafa no mesmo lugar após encher o copo pela metade com a bebida marron, o silêncio presente na sala de estar deixava-me mais nervosa e apreensiva com a situação em que estávamos, escondi minhas mãos nos bolsos do jeans, andando em passos lentos em direção de um dos sofás, sentando-me. Observei meu padrasto pensativo sentar-se na poltrona a minha frente, tomou mais um gole da bebida antes de descansar o copo na mesa de centro, levantando os olhos claros em minha direção. Engoli seco, receosa, preocupada como ele iria reagir com o que eu tinha para dizer.

- Então... — As mãos grandes descansaram nos braços da poltrona de couro. Seu rosto continuava sério, fazendo-me desconfiar se não estaria apenas atuando.

- Você sabe, essa pose de durão não é tão necessária assim. — Soltei um riso baixo e nervoso.

- Até eu saber o que está acontecendo entre você e aquela mulher, é sim. E além do mais... — Levantou a mão esquerda, checando a hora no relógio em seu pulso. — Não quero ter que adiar essa conversa, já é tarde e nós dois levantamos cedo amanhã.

- Certo. — Suspirei pesadamente. — Antes de tudo preciso que saiba que... eu, eu gosto de garotas. — Confessei rapidamente, desviando meus olhos dos claros em minha direção, mirando o couro marron do sofá onde meus dedos brincavam nervosamente.

Não recebi nenhuma resposta imediatamente. Percebi o pequeno movimento do corpo em minha frente, ganhando minha atenção. Brian levou o copo até os lábios, bebendo mais um gole do whisky. Moveu lentamente a mão em movimentos circulares, remexendo os blocos de gelo dentro do copo. Eu já estava tensa, inquieta e novamente o silêncio que apoderou-se da sala apenas piorou o meu estado.

- Depois do que presenciei na porta, essa declaração não me deixou totalmente surpreso. — A voz calma quebrou o silêncio.

- E você... hm, você... está bem c-com isso? — Perguntei receosa, assistindo um pequeno sorriso formar-se no rosto sereno de Brian minutos depois, deixando-me um pouco mais calma.

- Sim, eu estou. — Soltei a respiração, permitindo meu corpo relaxar no sofá. — Chegou a pensar que eu iria contra você, Sel? — Perguntou, parecendo incrédulo.

- Bem... eu, eu estava com medo, apenas esperando pela hora certa para revelar. — Expliquei, com um meio sorriso.

- Certo, pois saiba que eu nunca iria contra você, parceira. De maneira alguma, mas agora... — O copo foi repousado novamente na madeira. Brian levantou-se, dirigindo-se em minha direção e sentando-se ao meu lado. — Me explique o que está havendo entre você e Doutora Lovato. — Pediu. Sorri de lado um pouco envergonhada, aquela situação era completamente embaraçosa para mim.

- Eu... hm, nós... estamos... é...

- Namorando? — Indagou com um sorriso.

- N-não. — Senti minhas bochechas esquentarem. — Quero dizer, eu não sei.

- Como vocês dizem hoje em dia mesmo... é, ficando? — Riu. Abaixei meu olhar para minhas mãos, rindo do meu padrasto.

- Pode ser. — Dei de ombros, sorrindo e lembrando-me das ótimas vezes em que fiquei com Demi.

- A quanto tempo isso está acontecendo? — A pergunta veio séria.

- Eu não sei corretamente. — Franzi o cenho tentando contar em minha mente as semanas desde quando tudo começou. — Bem... acho que a um mês, quando você estava no Canadá, nós acabamos nos aproximando.

- Maria sabe? — Assenti. Brian soltou um pequeno suspiro, correndo os olhos rapidamente pela sala silenciosa. — Você sabe Sel, eu não tenho o direito de ir contra esse relacionamento e mesmo que tivesse não iria, você tem dezoito anos e se está gostando de alguém, fico feliz que seja Demi. Ela parece ser uma boa moça.

- Então... t-tudo bem pra você? — Mordi o lábio esperando a resposta, agradecendo por ter um pai tão bom quanto Brian. Seu apoio já estava sendo bem óbvio mas queria confirmar, o aceno da cabeça junto com o sorriso no rosto foi a chave para que eu pulasse em seu corpo, abraçando-o fortemente.

- Eu já aguardava esse momento, você sabe. — Comentou, franzi o cenho afastando-me para olhá-lo. — Mas só que esperava por um rapaz e não uma bela moça. — Abaixei a cabeça corando, com um sorriso em meus lábios. Não estava sendo tão confortante e simples falar sobre aquele assunto com Brian. — Gostaria de falar com Demi, isso é possível? — Olhei-o rapidamente.

- Por acaso não vai fazer como aqueles pais preocupados com quem a filha está saindo, vai? — Arqueei as sobrancelhas, deixando um riso debochado escapar de minha garganta.

- Exatamente. — Afirmou sério. Revirei os olhos, com um sorriso. — Então, quando eu posso falar com ela?

- Isso é mesmo sério? — Aquela tal conversa não era bem necessária.

- Sim, e então? — Bufei com a insistência do homem.

- Está bem... mas por favor, não diga nada que possa me envergonhar. — Supliquei, tirando uma risada alta de Brian.

- Fique tranquila, parceira. — Bagunçou brevemente meus cabelos com um cafuné, rindo da careta que formou-se em meu rosto. — Agora vamos dormir, está tarde e você tem colégio cedo.

- Ótimo. — Deitei preguiçosamente no sofá macio. — Obrigada por me lembrar disso. — Agarrei a almofada, cobrindo meu rosto. — Daqui a pouco eu vou pra caAHHH!

Em segundos eu já encontrava-me sendo carregada pelo homem forte, subindo os degraus da escada enquanto ria de meus pedidos fracassados para soltar-me, desisti no meio do caminho sabendo que seria levada até meu quarto e comecei a rir junto de meu padrasto enquanto seguíamos para o segundo andar.

(...)

Apoiei meus cotovelos no balcão vermelho, completamente entretida com o jogo viciante que jogava em meu celular. A tarde ensolarada estava calma no estabelecimento, não havia mais de cinco pessoas na loja de sorvete de iogurte, as mesas e cadeiras todas de cor branca diferenciavam-se da pintura alegre das paredes amarelas.

Ouvi a morena entediada ao meu lado no balcão bufar, soltei um riso baixo sem desviar meus olhos da tela do meu celular. Não percebi o momento em que as portas de vidro foram abertas, pausei meu divertimento repousando meu iPhone de lado na madeira vermelha, sorri gentil para as duas garotas que adentraram o lugar, um pouco surpresa ao reconhecer rapidamente o rosto de uma delas quando o óculos de sol foi retirado, revelando os olhos castanhos, a touca cinza cobria parte dos cabelos claros e a camisa xadrez roxa acompanhava a calça jeans. As duas trocaram algumas palavras antes de aproximarem-se do balcão.

- Pois não? — Perguntou Hayley, sorrindo gentilmente.

- Vamos querer dois iogurtes de morango. — A morena de cabelos ondulados pediu, tinha os olhos escuros e levemente puxados.

- Só um minuto. — Avisou minha amiga, antes de seguir até a máquina de iogurte.

- Não sabia que você trabalhava aqui, Selly. — Comentou Debby, correndo os olhos pelo local.

- Bem.. eu não trabalho na verdade, apenas ajudo e faço companhia a Hayley. — Apontei para a garota pegando os pedidos.

- Oh... — Apoiou-se no balcão com um sorriso nos lábios. — Como você está, Sel?

- Muito bem, Maria quer saber quando vai aparecer em casa pra comer mais biscoitos. — Ri, lembrando-me das perguntas sobre a garota.

- Ela é tão adorável, qualquer dia faço uma visita e nós duas pod... — O raspar de garganta da garota ao seu lado interrompeu-a, fazendo-a revirar os olhos. — Selena, essa aqui é minha amiga Brenda.

- Oi. — A garota sorriu, estendendo a mão em minha direção.

- Prazer, sou Selena. — Cumprimentei-a, retribuindo o sorriso.

- Aqui está, seus iogurtes garotas. — Hayley pousou os dois potinhos brancos com o doce rosa gelado no balcão.

- Obrigada. — Agradeceu Brenda. — Debby, eu tô sem grana.

- Não me diga! — A garota sorriu ironicamente, retirando as notas verdes do bolso de sua calça.

Depois que pagaram, Debby e sua amiga ocuparam uma das mesas vazias perto das janelas de vidro. Observei por um momento a conversa silênciosa aos meus ouvidos, antes de voltar ao jogo no meu celular.

- Então essa é a Debby? — Perguntou Hayley, com os olhos fixos na tela do computador.

- É sim, e ela é bem legal. — Respondi, tentando bater meu record. Porém, fui interrompida por uma nova mensagem.

Só... estou ansiosa pra te ver hoje a noite. :)

Mordi o lábio tentando evitar que o sorriso feliz aumenta-se em meu rosto, aquele frio que já estava acostumada a sentir quando tratava-se da morena, apoderou-se do meu estômago; as famosas borboletas. Adorava aquela sensação, era tudo novo pois nunca havia gostado tanto de alguém assim antes, já tive algumas quedas por garotas mas ninguém além de Demi conseguia fazer eu me sentir daquela maneira.

Eu também!!:) mal posso esperar pra te ver!!

Com um suspiro ainda sorrindo, enviei. Notando os olhos curiosos da minha amiga fixos na tela do celular em minha mão, olhou-me pronta para fazer suas piadinhas sobre meu primeiro encontro.

- Vocês formam um belo casal. — Sorriu docemente.

- É o quê? — Franzi o cenho, estranhando a falta das brincadeiras. — E... não estamos namorando... — Abaixei meu olhar mirando o balcão. -... ainda. — Completei em um sussurro.

- Sabe, ainda vou ser madrinha desse casamento. — Um riso alto escapou da minha garganta, neguei com a cabeça ainda rindo do comentário.

- Você é maluca, você sabe? — Ela revirou os olhos. — Olha tem clientes. — Informei, notando três meninos terminando de entrar no local.

Enquanto Hayley pegava os pedidos dos garotos, Debby e sua amiga levantaram-se da mesa onde estavam, sorri simples notando as duas aproximarem-se outra vez depois de jogarem os potinhos e colheres em um dos lixos. A morena retirou um pequeno panfleto verde escuro de dentro da bolsa, entregando-o para Debby.

- Sábado vai ter esse show aqui na cidade. — Ela pousou o papel no balcão, arrastando-a em minha direção. — Aparece lá com sua amiga, pode ser divertido. — Deu de ombros.

- Que banda é? — Perguntei franzindo o cenho, lendo as informações do evento no panfleto.

- Não é famosa, eles estão começando agora mas as músicas são fodas. Sei que gosta de rock, então. — Sorriu de lado.

- Talvez eu vá, vou falar com Hayley. — Eu disse, recebendo um aceno de cabeça.

- Irei esperar por você lá, espero que apareça. — Disse com uma piscadela, entrelaçando o braço no de Brenda. — Assenti, um pouco confusa. Isso não foi um flerte, certo?

As duas deixaram o local em seguida, corri os olhos pelas letras pequenas do panfleto outra vez, pensando em aparecer no show.

- O que é isso aí? — Hayley puxou o papel da minha mão, franziu o cenho enquanto lia.

- É um show no sábado, o que acha de nós irmos? — Apoiei o cotovelo na madeira, descançando meu rosto na minha mão. Fitei a garota pensativa.

- Parece legal. — Deu de ombros, largando a folha no balcão. — Agora vá limpar as mesas por que até agora você não fez nada.

Olhei-a incrédula, segurando o pequeno pano que me foi jogado no rosto. Entregou-me o borrifador com um sorriso nos lábios, revirei os olhos empurrando-a do meu caminho e comecei a limpar as mesas desocupadas recentemente.

(...)

- Então, estou bem? — Perguntei ansiosa para a garota deitada no meio da minha cama junto de Baylor.

Corri meus olhos brevemente pela bota de couro de cano alto, calça jeans escuro e camiseta branca simples que escolhi usar. Esperei pela opinião de Hayley, a garota levou a mão até o queixo analizando-me.

- Está ótima, Sel. — Sorriu, sentando-se no colchão. — Adoro esse colar, tia Mandy tinha um gosto perfeito pra jóias. Pra tudo na verdade.

- Sim... — Levei minha mão até a jóia dourada pendurada em meu pescoço, sobre minha camiseta. — Preciso usá-las mais vezes. — Suspirei.

Meus olhos piscaram com o latido alto de Baylor que ficou de pé no colchão, meu coração disparou no peito mas não pelo pequeno susto e sim pelo som da campanhia. Respirei fundo tentando não parecer tão nervosa, aquele era apenas o primeiro encontro com a mulher mais bela que conheço, deveria estar mais calma.

- Boa sorte. — A morena em minha cama desejou, abrindo o notebook. — Vou estar aqui quando você voltar, quero que me conte tudo.

- Tudo bem. — Sorri nervosa, sentindo minhas mãos soarem frio.

Adentrei o banheiro rapidamente checando meu cabelo e maquiagem no espelho antes de sair do quarto. Fechei a porta atrás de mim, ouvindo a voz grossa de meu padrasto no quarto ao lado do meu, provavelmente estava no telefone. Dirigi-me para a escada, avistando a morena de costas para os degraus lá embaixo enquanto conversava com Maria, dando-me assim a perfeita visão de sua bunda, a calça preta e justa deixava-a tão sexy. Balancei minha cabeça espantando esses pensamentos da minha mente e apressei meus passos nos degraus, notando na mão direta de Demi algo que me fez sorrir. Ela virou-se assim que percebeu o olhar de Maria sobre mim, o jeans surrado deixava a mostra pequenas partes da pele pálida das coxas grossas, o colete de couro acompanhava a camiseta simples.

- Divirtam-se moças. — Disse Maria, deixando-nos a sós.

- Oi. — Ela sorriu docemente, aproximando-se de mim. — Trouxe isso pra você. — A voz baixa chegou lentamente aos meus ouvidos.

Não conseguia mais respirar corretamente, minhas pernas ficaram bambas, meu coração batia descontroladamente e meu estômago revirava-se. Fitei a rosa branca na mão de Demi completamente encantada, poderia afirmar que meus olhos brilhavam naquele momento. O sorriso tomou meu rosto inteiro, peguei a linda flor da mão da morena, admirando cada traço delicado do rosto bonito. Segurei-a delicadamente pelo rosto, depositando um beijo breve e carinhoso nos lábios secos.

- Não sabia que era romântica. — Comentei, ainda sorrindo feito boba.

- E não sou, quero dizer... não a algum tempo. Mas hoje no caminho para o hospital passei em frente a uma floricultura então... achei que iria gostar... bem, arrisquei na verdade. — Os dedos em minha cintura, brincavam com a barra da minha camiseta. Soltei um riso baixo, admirando a rosa branca em minha mão.

- É linda, eu adorei. Obrigada. — Fitei os olhos castanhos profundamente. — Você é incrível. — Coloquei uma mecha do seu cabelo liso atrás da orelha, pressionando meus lábios contra os seus que aprofundaram o beijo.

Antes de saírmos de casa, pedi que Maria guardasse minha rosa com cuidado pois significa tudo pra mim, nunca havia recebido nenhuma flor antes, claro. E aquela era especial, a pessoa que presenteou-me era especial, ela estava conseguindo facilmente fazer com que eu gostasse cada vez mais dela, o que assustava-me pois não conseguia mais ver minha vida sem ela, Demi era a mulher dos meus sonhos e lembrar que estávamos praticamente namorando, era surreal.

- Posso saber onde vamos? — Perguntei com um sorriso para a morena terminando de colocar seu cinto de segurança.

- Está vendo essa cesta no banco de trás? — Perguntou, olhei rapidamente para o banco onde havia uma cesta de piquenique. Franzi levemente o cenho, voltanto a encarar o rosto bonito.

- É o que eu estou pensando? — Arqueei as sobrancelhas.

- Bem, se você estiver pensando em piquenique noturno, é sim. — Soltou um riso baixo, enquanto ligava o carro.

- Você vai continuar me surpreendendo assim? — Olhei-a curiosa, assistindo o sorriso formar-se nos lábios rosados.

- Você gosta? — Olhou-me brevemente, o carro em movimento deixando a rua de minha casa. Assenti, pensando no quão aquela mulher era incrível. — Então eu vou.

[...]

As estrelas brilhavam no céu limpo e escuro, a lua brilhante ajudava a deixar a imagem da noite ainda mais linda e a bela vista que tínhamos da cidade toda iluminada, não ficava para trás. Estávamos no Griffith Park, no meio do nosso piquenique noturno, apreciando aquele momento juntas, somente eu e ela. Despertei-me dos meus pensamentos quando outro morango foi estendido diante da minha boca, movi lentamente minha cabeça repousada confortavelmente sobre o peito de Demi, abocanhando a fruta de seus dedos. Ela riu baixo, depositando um longo beijo na lateral da minha testa. Fechei os olhos com um sorriso em meu rosto, aquele momento estava mesmo sendo real? Deus, aquela mulher era tão minha, adorável, carinhosa, inteligente, linda... inimaginável. Talvez a palavra certa para definí-la seria perfeita, ela era perfeita aos meus olhos.

- No que está pensando? — Ouvi a voz baixa em meu ouvido. Sorri, levantando o rosto para olhá-la.

- Em você. No quanto eu gosto de você. — Demi deu um pequeno sorriso, beijando-me na testa.

- Como consegue fazer isso comigo? — Perguntou com a voz calma, encarando meus olhos curiosamente. Franzi levemente o cenho.

- O que? — Perguntei, acariciando lentamente seu maxilar. Demi suspirou, os olhos fecharam-se por um momento.

- Fazer com que eu goste mais de você, cada dia mais. — Levantei-me do ombro confortável, sentando-me ao seu lado. Fitei os olhos castanhos, pareciam tão temerosos agora.

Suas palavras repetiram-se em minha mente, fez todo meu corpo estremecer. Senti uma sensação estranha mas confortante. Demi desviou o olhar para a vista da cidade, as mãos antes apoiadas no pano vermelho sobre o gramado onde estávamos, fecharam-se nos joelhos.

- Eu não sei. — Minha voz saiu em um sussurro. — Mal consigo acreditar que esse momento aqui com você é real. — Ela soltou um pequeno riso, voltando a olhar-me. Desviei meus olhos, mirando a pequena tigela de uvas repousada sobre o pano.

- Hey. — Senti as mãos levemente frias, levantar meu rosto delicadamente fazendo-me encará-la. Demi ajoelhou-se em minha frente, ainda segurando meu rosto. — É tão real quanto o que estou sentindo por você.

Meu coração acelerou, as mãos pequenas prenderam-se em minha nuca enquanto os lábios sorridentes aproximaram-se dos meus. Levei minhas mãos até a cintura fina, apertando-a levemente ao sentir a língua quente contornar meus lábios fazendo-me conceder rapidamente a passagem para minha boca. Cada beijo nosso era como se fosse o primeiro, as borboletas voavam pelo meu estômago, nossas línguas roçavam-se lentamente, aproveitava cada toque delicado, cada pequeno suspiro, seus lábios doces e macios movendo-se contra os meus, parecia tudo um sonho perfeito. Senti meu corpo ser deitado delicadamente sobre o tecido macio do pano, minha cabeça descansou no gramado coberto enquanto nossos beijos continuavam.

Já encontrava-me completamente ofegante quando percebi a camiseta de Demi levantada, revelando boa parte da pele suave da barriga e costas, a boca carnuda deixou a minha, os beijos desceram para meu pescoço e meus olhos reviraram-se involuntariamente quando senti a língua quente tocar minha pele. Devagar, arrisquei em subir com minhas mãos pelas costas desprotegidas e escorreguei suavemente minhas unhas por sua pele quente, passando sobre o sutiã e descendo novamente, sorri notando o corpo sobre o meu estremecer-se.

A mão livre de Demi passeava livremente sobre a lateral do meu corpo, arrepiando-me quando as pontas dos dedos tocavam a pele da minha barriga, os dentes da morena mordiscavam levemente meu pescoço, voltando a beijar intensamente meus lábios, a pulsação que sentia entre minhas pernas tornava-se cada vez mais forte com cada toque. Puxei o ar pelo nariz quando a mão delicada levantou minha camiseta, roçando os dedos pela minha pele. Um gemido baixo escapou da minha garganta entre o beijo ao sentir meu seio esquerdo ser levemente apertado sobre o sutiã. Aquela mulher tinha todo o controle sobre mim, nossos corpos juntos tornando-se cada vez mais quentes. Porém, a boca abandonou a minha junto com a mão que voltou para minha cintura, abaixando minha camiseta.

- O que estamos fazendo... — A voz baixa com o sorriso tímido me fez rir. Sua respiração não estava tão diferente da minha.

- Namorando. — Eu disse simplesmente, ainda ofegante. Acariciei a sua pele macia da cintura sensual. — Na verdade, você estava praticamente aproveitando-se de mim. — Ela riu baixo desviando os olhos dos meus, sentou-se novamente arrumando sua camiseta.

- Desculpe por isso.

- Por uma coisa que eu estava gostando? — Arqueei as sobrancelhas, inclinando-me para beijá-la. Demi balançou a cabeça negativamente com um sorriso brincando em seus lábios.

Beijei-a com carinho, afastando-me em seguida. Meus olhos caíram para o seu valioso colar agora a mostra sobre a camiseta, ao fitar as duas letras do pingente, por um momento senti que tudo aquilo estava sendo um erro. Senti uma sensação estranha em meu peito, foi ruim, como se eu fosse inferior a dona das iniciais que Demi carregava sempre sobre seu peito.

- Sel, tudo bem? — A voz delicada despertou-me.

- Uhum. — Assenti, com um pequeno sorriso. Lembrando-me sobre seu sentimento por mim.

- Devemos ir embora, está ficando tarde e o parque vai começar a ficar deserto. — Ela disse, levantando-se. Com coragem eu segurei sua mão impedindo-a de prosseguir. Demi olhou-me interrogativa.

- Seja minha namorada. — Minha voz saiu quase em um sussurro. Fitei os olhos atenciosos sentindo meu coração acelerado, esperando pela resposta positiva. Não queria pressioná-la, apenas não aguentava mais esperar.

- E-eu... — Desviou o olhar para as plantas em nossa volta. O silêncio reinou entre nós, deixando-me nervosa, apreensiva. -... apenas estava esperando por um momento certo e então... — Voltou a olhar-me.

- Desculpe, eu não quero apressar as coisas eu só nã...

- Sel. — Interrompeu-me, segurando-me pelo rosto. — Está tudo bem baby, você não está apressando. — Sorriu docemente. — Quero ser sua namorada.

Tudo o que fiz foi beijá-la intensamente, expressando toda a felicidade que fazia-me sentir. A melhor parte de tudo era que aquilo não passava apenas de mais uma das minhas fantasias, era real e eu tinha aquela mulher incrível em meus braços, apesar de tudo Demi tinha sentimentos por mim e isso bastava. Dizem que nada dura pra sempre, mas iria dedicar-me para permanecer ao lado dela por todo tempo possível. E agora, ela era a minha garota, minha namorada.

Notas finais
Desculpem de novo por deixar vocês esperando, quando acontecer não quer dizer que vou abandonar a fanfic.
Review? *.*