Another Chance For Love
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Virei a caixa de cereal na tigela de vidro derrubando alguns deles sobre o balcão da cozinha, bufei ao não encontrar o leite por perto, levantei-me e andei até a geladeira pra pegar. Maria desviou seus olhos escuros do jornal para mim enquanto me sentava novamente, enchendo a tigela cheia de cereal com leite.
- Que horas foi dormir ontem a noite? — perguntou.
- Acjgho que dephjois dja mhjeia nogjhite.
- Ok, engole tudo e depois responde — riu.
- Depois da meia noite, fiquei brincando com meu novo amiguinho — sorri, enterrando a colher novamente no cereal colorido.
- E por que está de pé tão cedo, são apenas oito da manhã e hoje é sábado. Selena você está bem?
- Estou super bem, só acordei a essa hora porque vou sair, levarei meu cachorro para passear!
- Ainda não deu um nome pra ele?
- Não, vou escolher um hoje.
Terminei meu café da manhã enquanto conversava com Maria, minha vontade no momento era de voltar para minha cama quentinha, debaixo do edredom e dormir até o almoço, mas tinha algo mais divertido para fazer essa manhã. Subi para meu quarto e tirei meu pijama, vesti um short jeans curto, uma camiseta básica cinza e calcei meu converse. Peguei meu celular e wayfarer antes de sair do quarto. Desci a escada e Maria brincava com meu novo amigo, lembrei que antes de pegar Lizzie em sua casa eu tinha que passar em alguma loja de animas, precisava de coleiras, ração, brinquedos e tudo mais, já sentia a animação em comprar.
- Vamos menino! — agachei no chão, pegando-o no colo — Está pronto pra conhecer uma menininha muito adorável? — ele lambeu meu nariz.
- Se cuide filha, quero que esteja de volta antes do almoço — Maria beijou-me na bochecha.
Coloquei meu óculos antes de sair de casa, o céu estava inteiro azul sem nenhuma nuvem, o vento um pouco forte balançava as árvores em frente as casas e o sol das nove horas começava a esquentar mais. Abri a garagem onde só havia meu carro, algumas ferramentas de Brian e outras coisas que nunca usávamos, coloquei meu cachorro sentado no banco do passageiro e fechei a porta, ele começou a chorar mas logo parou quando sentei-me ao seu lado, ele não parava quieto enquanto eu dirigia a caminho do Pet Shop, começou a morder o couro do banco provocando um pequeno furo com seus dentinhos afiados. Inclinei-me para o banco de trás ao parar no sinal vermelho e peguei uma camiseta minha que havia ali, joguei em sua cabeça e ele esqueceu do couro, começando a morder o pano vermelho, antes uma roupa que não usava mais do que o banco do meu carro furado.
Estacionei em frente a loja de animas, aproveitei que ele estava distraído com minha camiseta e deixei-o no carro, abaixando um pouco os vidros para entrar ar, não iria conseguir carregá-lo junto com as coisas. Comprei duas coleiras verdes, ração, shampoo, brinquedos para ele morder e tudo o que precisava. Depois que paguei, o moço do caixa colocou tudo em duas sacolas plásticas e ajudou-me a levar, guardando tudo no porta-malas. Entrei em meu carro e coloquei a coleira verde com um ossinho pendurado no rapaz, sorri ao ver como ele era lindo. Comecei a dirigir em direção a casa de Lizzie, lembrava muito bem do caminho e não ficava muito longe.
Everybody sing like it's the last song you will ever sing tell me, tell me do you feel the pressure now? — bati minhas mãos no volante enquanto cantava o refrão da música de uma das melhores bandas de rock.
Não demorei muito pra chegar onde Lizzie morava, parei meu carro bem em frente a casa de cor branca com janelas e portas de madeira. Saí do carro e peguei o menino arteiro em meu colo, colocando-o no chão em seguida já que estava preso na coleira. Andei até a porta da casa e toquei a campainha.
- Selena! — Liz atendeu, abraçando-me apertado. — Demi me disse que viria.
- Gostou? — afastei-me para olhar em seu rostinho.
- Muito! — seus olhos desceram para meu cachorro que não parava de cheirar a grama. — É seu cachorrinho? — perguntou, sorrindo.
- Sim, meu novo amigo. Vamos passear com ele pelo parque!
- Que legal, como ele chama? — Liz agachou-se ao lado do cão, acariciando sua cabeça e orelhas.
- Ainda não escolhi um nome, estava pensando em fazer isso com você enquanto passeamos com ele, o que acha?
- Super legal! Posso pegar ele no colo?
- Claro Liz, mas cuidado com os dentinhos afiados.
Assim que Lizzie o pegou em seus braços teve o rosto pequeno todo lambido pelo cão, ela gargalhava enquanto tentava afastá-lo de sua face. Fiquei observando a cena, Liz começou a brincar com ele pelo gramado verde enquanto eu conversava com sua mãe na porta. Deixei meu carro em frente a casa e fomos andando para o parque próximo, Liz segurava a coleira e de vez ou outra ela se enrolava nela quando o menino travesso dava a volta em suas perninhas, ele cheirava tudo quanto era canto da calçada. Quando chegamos no parque comprei um algodão-doce pra Liz e enquanto ela comia eu levava o filhote arteiro.
- Bob! — ela disse, com a boca melada de algodão-doce.
- Elvis é mais legal — dei de língua, fazendo-a bufar.
- Louis!
- É bonitinho mas não combina com ele.- ela suspirou.
- Doug?
- Huhn. — fiz careta.
- Baylor — sorriu, com pedaços do doce rosa preso em seus dentinhos.
- Hm, vamos ver. Chama ele.
- Baylor! — Liz gritou para o cão que imediatamente começou a brincar com seus pés.
- É gostei, e acho que ele também, combina com ele — sorri. — Temos um nome!
- A gente te ama, Baylor.
Lizzie terminou de comer seu doce e começou a brincar com Baylor correndo pela grama do parque, sentei-me na sombra de uma das árvores apenas observando como a garotinha estava feliz. Nunca havia me relacionado assim com nenhuma criança na vida, antes de minha mãe morrer ela havia falado algo sobre ter um filho com Brian, eles queriam muito e ao ouvir aquilo deixou-me extremamente feliz, sempre quis ter um irmão para brincar e implicar mas infelizmente não tive a chance, agradeço por ter encontrado Liz. Deitei-me na grama com as mãos embaixo da cabeça aproveitando a sombra gostosa, fechei os olhos respirando fundo o ar puro. O repentino peso em minha barriga assustou-me fazendo-me sentar no mesmo instante, Baylor estava em cima de mim puxando minha camiseta, seu rabo de um lado para o outro, estava completamente animado, Lizzie sentou-se ao meu lado na grama, ela estava ofegante e com a roupa um pouco suja de terra.
- Caiu em um buraco é? — ri, apontando para a sujeira na blusa.
- Estava rolando na grama com Bay!
- Então quando seu corpo começar a pinicar, já sabe o por quê.
- Demi não deixa eu fazer isso, você não vai contar pra ela não é? Por favor Selly — choramingou, fazendo-me rir.
- Relaxe Liz, não sou dedo duro — eu disse em uma piscadela. — Mas precisamos ir embora, já está na hora do almoço.
- Ahhh não quero ir, não estou com fome — um bico formou-se na boca pequena.
- Hm... e se fomos para minha casa e almoçarmos cachorro-quente? Sua fome apareceu agora?
- Siiiim, vamos! Vamos! — levantou-se animada, puxando-me pela mão.
- Espertinha. — apertei o nariz pequeno.
Antes de levar Lizzie para minha casa, ela guardou em uma mochila um vestido cor de rosa e uma sandália para ir ao cinema no final da tarde. Mandei uma mensagem para Demi avisando que Liz iria passar o resto do dia comigo e ela apenas precisava passar em minha casa mais tarde, ela respondeu concordando e pediu para que não desse besteiras para Lizzie comer durante o dia, isso era uma coisa impossível primeiro porque já tinha feito e segundo; qual criança vive sem comer porcarias? Era o nosso segredo, Demi não poderia saber que iríamos passar a tarde comendo doce, sorvete, chocolate e tudo mais. Aumentei o som da música ao parar no sinal, Lizzie brincava com Baylor no banco de trás enquanto eu dirigia a caminho de minha casa.
Guardei meu carro na garagem e Liz saiu rapidamente levando Baylor em seu colo, entramos em casa e o filhote levado escapou das suas mãozinhas, sumindo pelo corredor, ela começou chamá-lo enquanto corria atrás dele. Larguei minhas chaves e óculos em cima da estante e fui para a cozinha onde Maria cozinhava algo e cantarolava uma música desconhecida, provavelmente antiga.
- Hey Sel, como foi o passeio? — perguntou ao notar-me ao seu lado.
- Incrível, trouxe uma convidada para almoçar. Vamos querer cachorro-quente! — eu disse, animada.
- Uma convidada? — perguntou, surpresa.
- Sim, é uma garotinha e nome dela é Liz, ela é...
- Selena, peguei ele! — Lizzie apareceu na cozinha com Baylor se remexendo em seus braços.
- E aí está ela — eu disse, Maria sorriu virando-se para a menina.
- Que garotinha linda você é! — Lizzie sorriu. — É amiguinha da minha Selena?
- Aham — Liz assentiu — Você é a mamãe da Sel?
- Não querida, mas é como se eu fosse — sorriu, abraçando-me de lado.
- Lizzie é como uma irmã pra Doutora Lovato, ela vai passar a tarde comigo e a noite vamos ao cinema!
- Doutora Lovato? A moça bonita que jantou aqui?
- Essa mesma — sorri.
Maria começou a preparar nosso almoço e Liz deixou Baylor um pouco de lado quando sugeri que jogássemos video game. Estava divertido ficar com a garotinha, se não fosse ela eu ainda estaria em meu quarto dormindo. Seus olhos esverdeados brilharam quando Maria pousou uma tigela média com cachorro-quente na mesa de centro da sala junto com dois copos de coca-cola, ela largou o controle do playstation de lado no sofá e pegou um dos pães, lambuzando-se com o molho. Gargalhei olhando Liz devorar o pequeno cachorro-quente. Comemos os seis que haviam na tigela, virei meu copo em minha boca bebendo todo meu refrigerando e Liz fez o mesmo com o seu, nos olhamos por alguns segundos e depois a sala foi tomada pelo barulho alto dos nossos arrotos, ela gargalhava, eu deitei no sofá sem conseguir parar de rir.
- Vocês duas são umas porquinhas — Maria riu, ao pegar a tigela de vidro e os copos da mesa.
- Sim nós somos, bate Liz! — levantei a palma da minha mão e ela tocou.
Maria voltou para cozinha rindo de nós duas, voltamos a jogar video game o que enjoou depois de uma hora. Assistimos desenho animado enquanto comíamos torta de chocolate, quando o relógio marcou três horas da tarde uma idéia veio em minha mente, fazia tanto tempo que não relava meu pé naquela água, estava sol e calor. Olhei para Liz que tinha sua atenção nas meninas super poderosas na tela a sua frente e sorri antes de chamá-la.
- Liz! — ela olhou-me, rapidamente — Quer nadar?
- Não sei nadar, Selly. — fez bico.
- Sem problemas, eu seguro você. O que acha de irmos lá para o quintal nadar, hein?
- Eu quero! — ela sorriu mostrando os dentes, alguns deles faltando.
- Então o que estamos esperando? — levantei-me e ela ficou de pé no sofá.
Peguei Lizzie em meu colo que começou a gargalhar enquanto eu subia a escada até meu quarto com ela em minhas costas, vesti meu biquini roxo e descemos novamente, fomos para o fundo de casa onde raramente eu ficava, era bem espaçoso e além da piscina haviam várias plantas, coqueiros e uma árvore que formava uma grande sombra no quintal grande. Coloquei Lizzie no chão e andamos até a beira da piscina, como não tinha nada para ela vestir, ficou apenas com sua calcinha, Liz parecia assustada ao olhar para toda aquela água que a cobria por completo. Haviam duas bóias vermelhas e um colchão colorido, entrei na água e parei em frente onde liz estava de pé.
- Pule Lizzie — sorri.
- N-não, eu tenho medo.
- Não precisa, confie em mim. Está vendo essas bóias? — ela assentiu — Elas não vão deixar você se afogar.
Lizzie hesitou por um tempo olhando para mim e para as bóias antes de pular em minha direção, segurei o corpo pequeno em meus braços rindo da sua respiração acelerada. Coloquei ela sobre o colchão flutuante e mergulhei, aparecendo do seu outro lado fazendo-a rir. Como o tempo foi passando seu medo foi desaparecendo, saiu várias vezes da piscina e quando não era para pular em meus braços, pulava sozinha com a segurança de uma das bóias em seu cintura. Fizemos uma guerra de água, jogamos bola, tomamos sorvete, brincamos, tudo na piscina. Nosso dia estava sendo completamente divertido e tinha certeza que iria continuar até de noite.
Em um dos pulos de Lizzie em minha direção, Maria apareceu sorridente na varanda, segurei a garotinha em meu colo e sorri ao ver que Doutora Lovato estava ao seu lado, acho que ficamos tempo demais na piscina. Elas conversavam sobre algo que não conseguia ouvir, apenas a gargalhada que Demi soltou derrepente deu-me a certeza de que já estava sabendo sobre o arroto que Maria havia presenciado. Seus olhos escuros viraram-se em nossa direção, Liz a chamou alegremente e ela sorriu, Maria entrou novamente em casa depois de alguns minutos conversando e Demi começou a andar até nós, parando na beira da piscina. Ela usava botas, uma calça jeans preta surrada e uma blusa amarela, estava maravilhosa.
- Se divertiram tanto que até esqueceram que iriam sair comigo — deu de ombros, fazendo bico.
- Foi a Sel! — Liz apontou o dedinho para mim.
- Eu? — levantei as sobrancelhas. — Você quem quis nadar.
- Mentirosa — deu de língua fazendo Demi gargalhar.
Levei Lizzie até a borda da piscina colocando-a para fora em frente a Demi que teve sua calça molhada pelo abraço da garotinha. Nadei até o outro lado saindo pela escada, peguei a toalha branca em cima de uma das cadeiras de sol e comecei a me secar de costas para elas que começaram a conversar sobre o cinema enquanto secava meu cabelo. O sol já estava fraco e o vento estava frio o que fez minha pele arrepiar-se.
- E que filme vamos ver, Demz? — ouvi Lizzie perguntar.
- Hum... você escolhe Liz.
- Hoje foi muito divertido, você já viu o Baylor?
- ...
- Dem?
- Hum?
- Você viu o Baylor? Ele não é fofo?
- Sim, ele é muito fofo.
Sorri enquanto ouvia a conversa logo atrás de mim, virei-me terminado de secar meu cabelo, Lizzie estava secando-se também com outra toalha. Olhei para Demi encontrando seus olhos escuros em minha direção, ela sorriu rapidamente parecendo desconfortável e abaixou-se ajudando Liz terminar de se secar. Andei até elas e depois entramos em casa, levei Lizzie que tremia de frio para meu quarto enquanto Demi esperou na sala com Baylor em seu colo no sofá, e Maria provavelmente contando tudo o que fizemos hoje. Dei um banho quente em Liz e depois ela se trocou, deitou de bruços em minha cama e ficou jogando jogos em meu notebook enquanto eu tomava banho. Não queria fazer Demi esperar mais então não demorei, saí do banheiro já pronta e Lizzie sorriu ao me ver, levantando-se da cama.
- Eu amo Power Rangers! — ela disse, animada referindo-se a minha camiseta.
- Eu também, nós temos que ser melhores amigas hein? Qual deles você queria ser? — perguntei, esticando o tecido.
- A rosa! Mas... Demi também queria ser essa então, acho que o amarelo. E você, Selly?
- O vermelho, sempre quis ser esse. — ri — O seu vestido é lindo Liz! — sorri, apertando seu nariz e ela bateu em minha mão.
- Vamos logo, Sel! — começou a puxar-me para a porta do quarto.
Já passava das cinco horas da tarde quando saímos de casa, chegamos no shopping e Demi permaneceu na fila pequena para comprar os ingressos do filme infantil que Lizzie havia escolhido enquanto fomos comprar pipoca e coca-cola, eu queria pagar metade dos gastos mas Demi não permitiu, alegando que eu era convidada. Encontramos com ela na entrada da sala, entreguei uma caixa de pipoca a ela antes de entrarmos, sentei em uma poltrona no meio de Demi e Liz que estava extremamente animada, o filme começou e ela não tirou seus olhinhos um segundo da tela enquanto enchia a boca pequena com pipoca, Demi olhava a cena e soltava um dos seus risos que era completamente bem vindo ao meus ouvidos.
Durante o filme, desviei meus olhos da tela para Demi ao meu lado, ela comia calmamente a pipoca enquanto assistia, não sei quanto tempo fiquei observando o perfil do rosto bonito esquecendo do que acontecia na grande tela em minha frente, em um movimento súbito ela olhou pra mim e rapidamente disfarcei, voltando a assistir o filme. Ao passar dos minutos, não ouvia-se mais a voz nem risadas de Liz, a garotinha havia adormecido na poltrona ao meu lado com sua cabeça deitada em meu ombro, tentei não me mexer muito para não acordá-la, o filme estava quase no final. Demi sorriu ao ver Lizzie dormindo, enquanto os créditos subiam na tela em nossa frente ela levantou-se da poltrona depois que as pessoas da nossa fileira começaram a sair da sala, continuei sentada até Demi pegar Liz em seu colo que resmungou algumas palavras enroladas fazendo-nos rir. A garotinha estava tão cansada que não acordou nem com a música e as conversas das pessoas pelo shopping enquanto caminhávamos em direção ao estacionamento.
Abri a porta de trás do carro de Demi e ela colocou Liz deitada ali, a menina aconchegou-se no banco e continou dormindo. Não conversamos muito no caminho de volta, respondia sem deixar de sorrir a suas perguntas sobre meu dia com sua garotinha, havia sido muito divertido passar o dia com Liz e terminar a noite ao lado de Demi. Chegamos em minha casa e ela parou o carro bem em frente, não queria sair, eu ainda estava animada, feliz e não queria entrar em casa.
Comecei a sentir um certo nervosismo com o silêncio que formou-se dentro do carro, o sentimento de estar sendo observada pela mulher ao meu lado fez meu coração bater mais rápido, olhei rapidamente pra Demi que tinha sua cabeça encostada no banco de couro, seus olhos escuros em minha direção.
- Obrigada por me convidar, foi muito divertido — sorri, tentando esconder o nervosismo e virei-me no espaço entre os bancos para olhar Lizzie adormecida no banco de trás.
- Não precisa agradecer, Selena. Afinal, ela adora você. — senti Demi mover-se no banco, seu rosto aproximou-se do meu enquanto também olhava para a menina.
- Ela dorme como um anjo — sussurrei, observando Liz.
Engoli seco ao notar o quão perto eu estava de Demi. Não tirei meus olhos de Lizzie e um frio passou rapidamente pelo meu estômago ao virar meu rosto para a mulher ao meu lado, meus olhos encontraram os seus, senti que olhava-me diferente das outras vezes ou talvez fosse coisa da minha cabeça. Ela estava me deixando louca, abaixei minha cabeça virando-me de frente e meus dedos começaram a mexer na barra da minha camiseta, eu era uma completa covarde, e estava tão nervosa.
- É melhor você entrar. — sua voz saiu baixa.
- S-sim, também acho.
- Boa noite! — sorriu, aproximando-se em um abraço.
- Boa noite. — sussurrei, sentindo o perfume do cabelo sedoso.
Não sei de onde tirei coragem mas a vontade foi maior e apenas fiz, antes que nos afastássemos do rápido abraço, toquei meus lábios na bochecha de Demi a centímetros da boca, em um beijo um pouco demorado. Corei ao olhar em seu rosto e ver um dos seus sorrisos sem mostrar os dentes, desci meus olhos fitando seus lábios, tudo o que queria era sentí-los mas não podia; não queria estragar tudo com ela, gostava da sua companhia e estava ciente de que meu sentimento não era correspondido. Eu a queria, desde a primeira vez em que nos falamos naquele quarto de hospital comecei a fantasiar coisas, me pergunto se desconfia ou sabe do que realmente quero com ela. Entrei em casa e antes de pegar no sono comecei a repassar em minha mente tudo de divertido que havia feito hoje.
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