Another Chance For Love
11 Capítulo 11
Notas iniciais
eu ia dividir esse capitulo em dois porque ficou muito grande mas achei melhor postar tudo de uma vez mesmo, espero que gostem e desculpe se tiver erros!!
Cobri minha cabeça com um dos travesseiros, o sol quente já brilhava lá fora e os raios adentravam pelas duas janelas do meu quarto. Sentei na cama espreguiçando-me, pisquei os olhos esfregando-os e me levantei com a pouca vontade que tinha, lavei meu rosto e escovei os dentes. Como estava sem aulas até a próxima semana aproveitava pra acordar tarde, desci para a cozinha ainda vestida em meu pijama e o cheiro delicioso de biscoito de chocolate se intensificava a cada passo que eu dava, Maria sabe fazer os melhores cookies.
- Hum biscoitos pra mim? — eu disse, ao entrar na cozinha.
- Oh não querida, sinto muito mas esses não são para você! — ela sorriu, retirando os biscoitos do forno, colocando-os em cima do balcão.
- Como não? — franzi o cenho — São pra quem então? — perguntei, enciumada.
- Debby, uma garota adorável que ajudou-me com as compras hoje. Ela está lá na sala você não a viu?
- Não havia ninguém na sala, e eu poderia ter ajudado você. — sentei-me em um dos bancos, apoiando-me com os cotovelos no balcão. Estava um tanto quanto emburrada.
- Tire esse bico Selena Marie Gomez, depois faço algo melhor pra você. — disse em uma piscadela, colocando os biscoitos em uma tigela de vidro.
- Ok então, mas isso não quer dizer que não estou brava por ter feito meus biscoitos favoritos pra outra menina. — peguei um dos biscoitos em minha frente mas Maria bateu em minha mão fazendo soltá-lo. — Nem um? — perguntei, incrédula.
- São pra Debby. Falando nela, vai ver onde ela está enquanto eles esfriam.
Deixei a cozinha um pouco irritada, poderia ter muito bem ajudado com as compras, estava com fome e proibida de comer umas das coisas que mais amava por pertencer a outra garota, uma completa estranha por sinal. Cheguei na sala de TV encontrando uma menina de cabelo castanho claro liso, estava concentrada em uma das minhas revistas em quadrinhos que tinha em mãos, raspei a garganta provocando barulho e a garota deu um pequeno pulo no sofá largando a revista de lado ao mesmo tempo. Encarou-me parecendo assustada, olhei bem para seu rosto e não poderia negar que ela era bonita.
- Eu... fiquei curiosa em ler. — disse, envergonhada.
- Sem problemas. — aproximei-me, sentando ao seu lado no sofá — Gosta dessas coisas? — perguntei.
- Hum sim, tenho algumas. — sorriu — Sou Debby! — aproximou sua mão de mim.
- Selena. — cumprimentei-a — Nunca havia conhecido ninguém antes que gostasse dessas coisas.
- Duas! — riu — Mas aí, eu já te vi pelo bairro... junto com uma garotinha.
- Ah sim é Liz, você mora por aqui?
- Sim, a três quadras. — seus olhos desviaram-se do meu rosto para atrás de mim, virei-me encontrando Maria aproximando-se com os biscoitos, pousando a tigela na mesinha.
- Aqui estão Debby, e mais uma vez obrigada querida. — Maria sorriu, sentando-se na poltrona.
- Não precisava mesmo, apenas fiz o que devia em ajudar a senhora.
- Senhora não, apenas Maria por favor. — riu — Estavam conversando sobre o que, meninas?
- Ahh, que eu já havia visto Selena pelo bairro antes. — sorriu, pegando um biscoito.
- Oh interessante, podem ser amigas não?
- Claro! — concordou Debby — Podemos fazer alguma coisa hoje a noite o que acha, Selena?
- É.. eu.. não sei, talvez. — dei de ombros.
- Aceite, querida. Você quase não sai, nem quando Hayley está aqui. — disse Maria, tentando me convencer.
- Está bem... onde vamos? — perguntei pra garota.
- Se quiser, vai rolar uma festa hoje a noite.
- Hum tudo bem, fechado.
Debby contou que havia mudado-se para o bairro faz pouco tempo, além de revistas em quadrinhos nós compartilhávamos outras coisas como tipo de música e filme, acabamos nos conhecendo um pouco melhor enquanto comíamos os biscoitos, Maria nos deixou a sós após um tempo participando da conversa. Trocamos os números do celular antes de ela ir embora, nos encontraríamos a noite para essa tal festa que ainda não estava certa se seria agradável mas queria ir, queria me divertir como o resto dos adolescentes da minha idade, não como a maioria deles bebendo e se drogando, apenas queria um pouco mais de diversão, aproveitaria a noite.
Subi para meu quarto e fiquei um bom tempo no telefone conversando com Hayley que estava no acampamento, aproveitei para falar sobre a noite de uma semana atrás que deixou-me confusa sobre Doutora Lovato, não conseguia tirar seu olhar da minha mente e o quão perto chegamos a ficar, Hayley tirou uma com minha cara afirmando que a mulher estava na minha mas é claro que não levei a sério.
(...)
- Não deveríamos estar aqui, Debby. — olhei para a casa grande e movimentada, com música alta.
- Por que não? — perguntou confusa, desligando o carro.
- É meio complicado, o dono da festa me odeia.
- Eu nem o conheço. — riu — Mas por que ele te odeia?
- É que... bem, deixa pra lá. Vamos embora daqui.
- Está brincando? Qual é Selena, vamos entrar. Foda-se se esse garoto odeia você, mostra que não se importa e aproveita da própria festa do cara.
- Você é louca. — ri — E se eles nos expulsarem?
- Não vão, com certeza não vão nem notar nossa presença.
- Duvido mas... vamos lá!
Andamos até a entrada da casa luxuosa onde haviam vários garotos bêbados, alguns deles eram do meu colégio e olharam-me estranho e surpresos, os que não conhecia pareciam me comer com os olhos usando um sorriso malicioso o que achei nojento. O som alto se intensificou quando entramos na sala grande, os copos vermelhos de bebidas espalhados por todos os lados nos móveis caros sujavam a madeira, a festa estava lotada, haviam garotas seminuas dançando sensualmente com outras, casais se beijando para todos os lados, comecei a me sentir desconfortável até Debby puxar-me para dançar, demorei um tempo para me soltar e começar a curtir o som torcendo para que Justin não me visse em sua casa.
Olhei Debby pegar dois copos de uma bandeja do cara que passou por nós rapidamente e entregou-me um deles, levei o copo descartável até meu nariz cheirando o líquido incolor, não sabia o que era aquilo e não iria tomar mas antes que pudesse largar o copo em qualquer lugar da sala Debby impediu-me, segurando meu pulso.
- Eu não bebo. — minha voz saiu alta em meio a música.
- É uma festa, Selena. — aproximou-se sua boca em meu ouvido. — Apenas uma vez não irá deixar você bêbada e além do mais estamos de carro, não sou uma garota irresponsável.
- Hum... — olhei para os lados antes de levar o copo até meus lábios — Isso é... — fiz uma careta sentindo a bebida descer pela minha garganta.
- Muito bom, agora vamos dançar! — puxou-me para perto de si, dançando sensualmente.
Apenas uma vez pareceu não ser o suficiente pra mim, eu já estava completamente animada quando Debby me entregou um terceiro copo vermelho com uma bebida diferente da primeira, eu não estava bêbada mas estava gostando, estava um pouco suada e com a respiração descontrolada enquanto dançávamos ao som de uma música agitada, virei o copo em minha boca tomando um último gole certa de que seria o último da noite. Em um momento começamos a cansar então saímos para o lado de fora da casa, nos fundos onde comemos alguns aperitivos que haviam na área da piscina o que surpreendeu-me, pensei que só haviam bebidas alcoólicas no lugar.
Durante uma conversa descontraída com Debby senti uma mão em meu ombro, virei-me assustada com medo de encontrar o rosto conhecido e foi o que aconteceu, o garoto parecia furioso enquanto fitava meu rosto.
- O que pensa que está fazendo aqui?
- Eu..
- Ela está se divertindo. — Debby disse, abraçando-me pelo pescoço.
- Quem é você? — Justin franziu a testa.
- Amiga do Chaz e você deve ser o dono da festa, ele me chamou e eu trouxe Selena por que alguma coisa contra?
- É claro que sim. — disse óbvio — Quero vocês duas fora.
- Calma playboy. — Debby ergueu as mãos — Isso não é uma festa? Então eu e Selena só queremos nos divertir.
- Hum.. quer se divertir, Selena? — ele sorriu pra mim, eu conhecia aquele sorriso cínico; Justin iria aprontar mais uma comigo, já era o que eu esperava.
- Não, eu vou embora. — ameaçei sair mas a mão do garoto segurou forte meu pulso.
- Não, agora você fica e se diverte. — afirmou, antes de virar a garrafa de cerveja na boca.
- Foi fácil. — Debby sorriu. Ela não fazia idéia mas Justin estava planejando algo.
O garoto jogou a garrafa vazia no gramado e virou o boné para trás, sorriu diabólicamente pra mim antes de chamar seus colegas, eu estava prestes a correr mas seus parceiros chegaram ao nosso lado.
- O que acha de darmos uma volta, Selena? — Justin aproximou-se, segurando meu queixo. Bati em sua mão fazendo-o soltar.
- Me deixe em paz, Justin.
- Ela não vai a lugar nenhum com vocês. — afirmou Debby. Justin revirou os olhos.
- Levem essa desconhecida daqui. — mandou.
- Me solta, agora. — Debby debateu-se quando um dos garotos a segurou pelos braços. — Me solta! Selena. — gritou, sendo levada pelo garoto.
- Justin por favor, pare com isso me deixa em paz eu vou embora da sua festa ok, eu não sabia que iria vir pra cá foi tud...
- Cale a boca lésbica do caralho. — gritou furioso, fazendo-me fechar os olhos — Você vai se divertir agora.
Um dos comparsas de Justin segurou-me forte pelos braços, mesmo que eu gritasse ninguém iria me tirar das mãos do garoto, todos estavam bêbados, aproveitando a festa e de maneira alguma iriam encarar Justin. Eu estava com medo do que iria acontecer, não sabia até onde aquele garoto era capaz de chegar comigo. Levaram-me até a garagem onde havia vários carros, um deles pertencia a Justin que entrou e mandou o garoto colocar-me no banco de trás, ele empurrou-me batendo a porta e sentou-se no passageiro ao lado de Justin enquanto os dois riam.
O garoto na direção ligou o som alto após arrancar com o carro para longe da casa, os gritos altos dos dois se misturavam com o rock enquanto bebiam as garrafas de cerveja, Justin acelerou o veículo na rodovia, já estávamos longe e eu não sabia o que pensar ou fazer, tentei levar minha mão até o bolso da minha calça atrás do meu celular mas eles me olhavam a cada segundo, jogavam as garrafas de vidro vazia em mim quando terminavam de beber. Estavam deixando-me completamente assustada.
- Ei cara. — Justin tocou o ombro do garoto ao seu lado — Você podia fazer ela começar gostar de homens não acha? — fitou-me pelo retrovisor. Engoli seco, com medo.
- Não irmão, sem essa. Não vou comer essa garota. — riu, bebendo a cerveja.
Agradeci mentalmente por ter sido rejeitada, me encolhi no banco abraçando meus joelhos. Queria ir pra casa.
- Toma. — jogou-me uma garrafa de whisky — Beba tudo, queria se divertir não é? — Justin riu. A velocidade do carro tornava-se cada vez mais rápida.
- E-eu não bebo. — minha voz tremeu ao pegar a garrafa.
- Beba essa merda logo, Selena. — gritou.
- Pra onde está me levando?
- Lugar nenhum, quero que beba. AGORA.
Comecei a abrir a garrafa, não tinha escapatória, o que poderia fazer? Enfrentá-los? Não, inútil. Levei a garrafa até minha boca virando-a, fechei os olhos com o gosto que tomou minha boca, era horrível e forte. Comecei a tossir enquanto os dois em minha frente gargalhavam.
- Beba tudo, quero ver você chapada.
- Justin nã...
- Cale a boca e beba.
Deixei a garrafa pela metade, já me sentia tonta e minha visão começava a distorcer os rostos dos dois em minha frente, comecei a falar coisas que nem eu mesmo entendia e as risadas dos garotos pareciam explodir meus ouvidos, Justin gritou mais uma vez mandando-me terminar de beber, não aguentava mais o gosto daquela bebida, queria colocar tudo o que já havia engolido pra fora.
- Tome isso, vai se sentir melhor. — o garoto no banco do passageiro entregou-me um comprimido. — Acho que passamos do limite com você, tome.
Pisquei algumas vezes tentando enxergar corretamente o comprimido azul em sua mão, não deveria aceitar mas não sabia nem mais o que estava acontecendo comigo direito, tomei outro gole da bebida após engolir o comprimido. Depois de alguns minutos ainda dentro do carro em movimento comecei a me sentir diferente, a vontade de rir e dançar com o som da música invadiu-me e foi o que fiz mesmo não querendo. Virei a garrafa em minha boca acabando com a bebida enquanto os garotos riam, comecei a cantar e falar coisas da minha vida, peguei o boné de Justin e coloquei em minha cabeça enquanto mexia meu corpo no rítmo da música, o garoto não se importou e apenas bebia.
Eu me sentia eufórica, animada e coloquei minha cabeça para fora do vidro, comecei a gritar sentindo o vento forte bater em meu rosto levando meu cabelo pra trás, estava completamente fora do meu normal. A velocidade do carro diminuiu encostando na estrada escura e isolada, senti meu corpo ser puxado pra dentro do veículo, o garoto loiro começou a falar enquanto eu olhava para seu rosto sem entender corretamente as palavras agressivas e apenas ria da sua cara, ele irritou-se e mandou-me sair do carro, eu queria respirar e me sentir livre então abri a porta, saltando pra fora. Abri os braços sorrindo para o céu escuro, as estrelas brilhavam, não tinha idéia de onde estava, o barulho do motor do carro assustou-me e quando olhei para os lados estava sozinha no meio do nada onde só haviam escuridão, árvores em todos os lados, uma rua onde não sabia para que lado seguir.
- Cadê os carros hein? — ri, olhando para os dois lados da rua e tropecei em uma pedra. — Merda o que é isso? — peguei na mão atirando para longe.
Não conseguia andar mais de três passos corretamente, sentia medo, frio e vontade de vomitar e rir ao mesmo tempo. Sentei-me na beirada da rua sentindo um incômodo, levei minha mão até meu bolso e retirei meu celular. Fechei os olhos quando a claridade da tela tomou meu rosto, demorei mais do que o normal para procurar os nomes, estava tudo distorcido então comecei a rir até fitar o nome daquela mulher, não sabia certo o que fazer apenas queria ela perto de mim. Coloquei o telefone no ouvido ao selecionar o nome que tanto ocupava minha mente, o frio que fazia arrepiou todo meu corpo enquanto esperava a ligação ser atendida.
- Selena?
- Deeeeeeemi. — ri, feliz.
- Você está bem?
- Sabe que eu não sei, nem sei onde eu tô. — dei de ombros.
- O quê? Como assim?
- Tô no meio do nada, até que é legal mas tá muito friiiiio.
- Selena isso é algum tipo de brincadeira? — a voz da mulher pareceu séria mas não para que eu evitasse rir.
- Nããão, eu juuuro. Só que tá frio.
- Por quê me ligou?
- Ah deixe-me lembrar. — cocei a nuca olhando ao meu redor — Acho que eu preciso de ajuda.
- Onde você está?
- Eu já disse linda, no meio do nada. — gargalhei.
- Em que lugar no meio do nada?
- Na estrada deserta e escura, tô com medo. — choraminguei.
- Deus, como foi parar aí? Fique onde está.
- Sentada na beira da estrada, é onde eu tô.
Doutora Lovato encerrou a ligação, guardei meu celular de volta no bolso e abracei meus joelhos, comecei a cantarolar uma música qualquer, o gosto da bebida ainda em minha boca e a sensação de prazer ainda permanecia em meu corpo, depois de minutos sentada levantei-me do chão com dificuldade olhando para os dois lados da rua deserta, fechei meus olhos quando avistei as luzes de um carro se aproximar de onde eu estava, tapei meu rosto com o braço evitando a claridade, o veículo preto parou em minha frente e meus ouvidos doeram com o som da buzina, a mulher mandou-me entrar e foi o que fiz.
- O que pensa que está fazendo, Selena? Como veio parar aqui? Você está bêbada?
Doutora Lovato parecia furiosa, meus olhos caíram para as coxas descobertas, usava apenas um short curto e regata branca.
- Parece até minha mãe. — ri, voltando a olhar seu rosto.
Demi balançou a cabeça negativamente enquanto começava a dirigir.
- Vou te levar pra sua casa.
- Não. — pedi, rapidamente. — Maria não pode me ver assim, p-por favor. Ela suspirou.
- Está bem mas primeiro me fale como veio parar aqui.
- E-eu não lembro direito. — solucei sentindo o gosto do whisky — Eu estava numa festa aí eu... — gargalhei fazendo Demi olhar-me confusa — F-foi tão engraçado, Justin me achou lá e d-depois ele...
(...)
- Cuidado. — Demi segurou-me ao entrarmos pela porta de madeira preta. Eu não conseguia andar sozinha sem que meu corpo caísse para os lados. Era estranho nunca havia me sentido assim.
- Sua casa é liiiiinda! — sorri olhando para o lugar espaçoso, enquanto ela trancava a porta.
- Eles drogaram você, pensei que fosse uma garota esperta e não caíria nessa. — comentou, ajudando-me chegar até o sofá confortável.
- Acabou de me chamar de burra?
- Você precisa de um banho frio e café forte.
- Não gosto de café. — fiz careta — Tem coca-cola?
- Cale a boca. Ande, levante-se e me ajude. — Demi segurou-me pela cintura e seguimos por um corredor.
Enquanto andávamos para não sei onde, levantei minha mão e passei as pontas dos meus dedos na pele do rosto bonito e ela esquivou-se fazendo-me parar. Comecei a rir admirando a beleza da mulher, Demi abriu uma porta do corredor e nós entramos, ela soltou-me e eu andei até a cama me jogando no colchão macio e cheiroso, abracei um travesseiro sentindo o perfume conhecido.
- Tome. — jogou-me uma camiseta e um short. — Vá tomar banho, o banheiro fica ali. — apontou para uma porta ao lado.
- Eu tô bem assim. — eu disse ainda abraçada no travesseiro. — Você tem um cheiro tão bom. — suspirei.
- Selena por favor, faça o que eu pedi. — sentou-se na cama ao meu lado — Vai se sentir melhor.
- Já estou melhor. — sorri, sentando-me.
- Vem. — aproximou seus braços de mim, puxando-me para fora da cama em direção ao banheiro.
- Demi? — fitei seus olhos.
- Hum?
- Eu.. e-eu gost.. — não terminei, tudo o que havia ingerido a minutos atrás veio para minha boca, agachei-me em frente ao vaso colocando tudo pra fora.
- Ainda bem que estamos no banheiro. — ouvi a voz atrás de mim.
Me senti um pouco melhor ao sentir a água fria em meu rosto e corpo, isso ajudou-me a voltar ao meu normal porém ainda me sentia tonta, nunca tinha bebido tanto na vida. E o pior, incomodar Demi no meio da madrugada foi uma péssima idéia, ela não tinha o direito de me ajudar, pra começar não deveria ter entrado naquela festa. Peguei a toalha branca que Demi havia deixado junto com as roupas e me sequei, me vesti e olhei-me no espelho, precisava me desculpar por incomodá-la.
Saí do banheiro sentindo meu corpo tombar para o lado ao passar pela porta mas consegui andar sozinha até a cama grande, sentei-me e Demi apareceu na porta do quarto segurando uma xícara branca, ela sentou-se ao meu lado e mandou-me beber o líquido preto.
- Obrigada. — agradeci após tomar um gole do café — Não deveria ter ligado pra você me desculpe, não sabia o que estava fazendo.
- Sem problemas, Selena.
- Mesmo? — assentiu — Isso não era p-pra ter acontecido... — entreguei a xícara pra ela e suspirei passando as mãos pelo meu cabelo.
- Durma, vou ligar pra sua casa avisando que está tudo bem. — Demi levantou-se, andando até a porta.
- Demi? — virou-se — Eu meio que ia dizer uma coisa no banheiro e...
- Eu sei.
- Sa-sabe? — engoli seco.
- Sim, boa noite. — sorriu, saindo do quarto.
''Eu sei'' duas simples palavras que não deixaram-me pregar os olhos, ela sabia. O que isso significava afinal? Demorei um tempo para adormecer, estava na cama de Demi embaixo das suas cobertas abraçada em seu travesseiro sentindo seu perfume, o cheiro do seu corpo; não poderia ter dormido melhor.
Acordei lentamente ao ouvir um barulho vindo de fora do quarto, sentei-me na cama sentindo minha cabeça prestes a explodir, passei as mãos pelo meu rosto e olhos levantando-me, um pouco zonza e perdida. Abri a porta do quarto e andei pelo corredor, parei em frente a uma porta entreaberta e empurrei a madeira encontrando Demi de costas para mim, pisquei os olhos entendendo o que acontecia ali dentro; ela pintava a parede do quarto, seus pés estavam erguidos nas pontas enquanto a mão tentava alcançar o máximo que podia. Havia uma lata de tinta no chão onde alguns jornais estavam espalhados cobrindo o piso. Soltei um riso baixo ouvindo-a xingar quando o pincel escapou de sua mão, ela virou-se pra mim e então não evitei em começar a rir, havia respingos de tinta rosa pela sua face, sua camisa xadrez escura e as coxas descobertas estavam com tinta também.
- Não é engraçado. — afirmou, séria. — Sou péssima e estou fazendo o pior trabalho aqui.
- Desculpe é que... — entrei no quarto olhando em volta. -.. você quer pintar as paredes ou a si própria? — ri, recebendo um tapa de leve no braço.
- Como se sente? — perguntou.
- Minha cabeça, quero arrancá-la e jogá-la longe. — ela riu.
- Você precisa comer alguma coisa.
Segui Demi para fora do quarto até a cozinha do apartamento, era tudo bem organizado com móveis pretos, sentei-me em uma das cadeiras enquanto ela pegava uma jarra de suco na geladeira e torradas, colocando tudo sobre a mesa de vidro.
- Eu não sei se isso desce. — fiz careta ao olhar para a comida.
- É melhor comer.
Demi sentou-se na cadeira em minha frente e começou a passar requeijão em algumas torradas, observei seu rosto sujo de tinta, o cabelo frouxamente preso, estava adorável por sinal. Comi apenas três torradas e tomei um pouco do suco de laranja. Comecei a relembrar a noite passada, não havia esquecido de maneira alguma suas últimas palavras antes de sair do quarto.
- Desculpe por tomar conta da sua cama. — pedi, sem jeito.
- Sem problemas, fiquei no quarto de hospedes. — levantou-se, guardando a jarra de suco de volta na geladeira. — Preciso terminar de tentar pintar o quarto.
- Eu ajudo. — levantei-me.
- Obrigada. — sorriu, antes de virar-se para o armário grande em busca de algo.
Corri meus olhos pelo corpo perfeito onde uma parte da pele de sua cintura ficou exposta quando levantou o braço.
- Isso vai tirar sua dor de cabeça. — entregou-me um comprimido junto com um copo de água.
- Obrigada. — agradeci, antes de tomar o remédio.
Voltamos para o quarto onde começamos a pintar. Conversávamos enquanto trabalhávamos na parede, Demi contou-me que iria seguir o conselho dos seus amigos no hospital e tirar um tempo livre para si. Já conseguia lembrar melhor sobre a festa de Justin e como acabei sozinha no meio da estrada. Estava com medo de comentar sobre ontem a noite no quarto de Demi então questionei sobre o que estávamos fazendo.
- Então, por que estamos pintando? — perguntei, com minha atenção na tinta que cobria a parede.
- Quero transformá-lo em um quarto para Liz.
- Oh sim, legal por isso a cor rosa. — sorri.
Continuamos a pintar, estava divertido. A dor insuportável em minha cabeça foi desaparecendo ao passar do tempo conversando com Demi, estávamos quase completando a última parede do quarto quando senti um gelo correr pelo meu braço, olhei aquilo e fitei Demi tentando parecer séria, ela começou a rir enquanto voltava a pintar.
- O que? — olhou-me, ainda rindo. — Não será apenas eu que sairei toda suja.
- Oh é mesmo? — arqueei as sobrancelhas e passei o pincel pelo braço pálido ao meu lado.
- Está revidando? — ela estreitou os olhos em minha direção.
- Não, só acho que você é muito branca. — dei de ombros — Precisa de uma corzinha. — ri, voltando minha atenção para a parede mas não demorou muito pra sentir a tinta em mim novamente, agora no ombro.
- Ops.
- Está me surpreendendo, Doutora Lovato.
- Estou? O que, achou que eu fosse uma mulher séria que não iria iniciar uma guerra de tinta? — riu e antes que eu pudesse dizer algo, vários respingos de tinta voaram em meu rosto e camiseta.
- Mais ou menos isso.
Avancei em Demi com meu pincel tentando alcançar sua face mas suas mãos seguraram meus braços, rimos da nossa situação; uma querendo atacar a outra com tinta rosa. Depois de minutos lutando consegui começar a empurrar o corpo um pouco menor que o meu enquanto ela tentava sujar meu cabelo, consegui soltar meu braço de sua mão mas antes que pudesse fazer algo seu corpo caiu levando-me junto para o chão, Demi havia tropeçado na lata de tinta enquanto eu a empurrava. Começamos a rir descontroladamente até eu notar a maneira em que nos encontrávamos, meu corpo por cima do dela, nossos rostos a centímetros de distância. Fitei sua boca e apoiei-me com as mãos no chão, uma em cada lado de seu rosto, ela ainda ria enquanto eu apenas observava, o cabelo havia se desprendido o que deixava a imagem ainda mais bonita com os fios negros espalhados pelo chão, seus risos cessaram e seus olhos encontraram os meus, ela sorriu largo mostrando os dentes perfeitos e suas mãos vieram para meus ombros.
- Vai ficar em cima de mim? — perguntou, sorrindo.
- N-não, me desculpe. — pedi, começando a levantar mas as duas mãos de Demi impediram, segurando-me pela nuca.
Seus olhos trouxeram-me a lembrança da última noite em que nos vimos, meu coração começou se acelerar. As mãos em minha nuca puxaram-me lentamente para mais perto da boca carnuda, umedeci meus lábios tentando acreditar se aquilo o que estava acontecendo era real, senti o hálito quente da mulher embaixo de mim chocar-se contra minha boca.
- Fique. — sussurrou roçando seus lábios nos meus.
Ao ouvir aquilo não esperei nenhum segundo para juntar nossos lábios deixando a língua de Demi invadir facilmente minha boca, beijá-la era um dos meus maiores desejos e aquilo estava sendo melhor do que imaginava, nossas línguas se tocando, seu gosto, seus lábios, suas mãos em minha nuca puxando-me enquanto aprofundava o beijo faziam-me acreditar que não passava de mais uma das minhas fantasias. Sem separar sua boca da minha Demi levantou o corpo, sentando-se, fazendo-me permanecer sobre seu colo com as pernas envolta de sua cintura. Eu não queria mas ela terminou o beijo depositando demorados selinhos em meus lábios, sorri envolvendo o corpo em um abraço sentindo o perfume gostoso do pescoço quente onde deixei um beijo. O barulho da campanhia assustou-me e infelizmente precisei sair da posição em que estava, Demi não disse nada sobre o que acabara de acontecer apenas sorriu e avisou que iria atender a porta, assenti observando-a deixar o quarto. Não preciso dizer que o sorriso tomou inteiramente minha face não é? Mordi meu lábio inferior pensando nos minutos atrás, Doutora Lovato e eu realmente nos beijamos.
Saí do quarto ao ouvir uma voz conhecida mas não lembrava-me a quem pertencia, andei até a sala encontrando uma cena desagradável para meus olhos, os braços finos da mulher envolviam a cintura de Demi enquanto as bocas se tocaram em um rápido beijo, cerrei os punhos sentindo uma raiva até então desconhecida, ciúmes era tudo. Engoli seco tentando me controlar afinal eu não tinha nada com Demi ao contrário daquela mulher, Victoria se não me engano.
- Hey você. — ela olhou-me, surpresa — Selena, não é? — assenti, desviando meu olhar para Demi que parecia desconfortável.
- Então Victoria, por que veio? — Demi perguntou, normalmente.
- Não acredito que esqueceu, Demz. — a mulher fez bico. Revirei os olhos. — Vamos almoçar!
- Oh é verdade. — Demi levou a mão até a testa — Desculpe, esqueci completamente.
- Já esperava. — suspirou — Mas por que estão as duas sujas de tinta? — perguntou, confusa.
- Selena estava ajudando-me a pintar o quarto, é uma coisa pra Liz.
- Oh sim, que gentil você. — sorriu pra mim, retribui falsamente — Então Demz, vamos almoçar ou não? — as mãos começaram a mexer na camisa de Demi.
- É.. hum, preciso levar Selena pra casa e..
- Não Demi, não precisa. — interrompi. — Eu posso ir sozinha, não quero atrapalhar seu almoço.
- Viu? Espero aqui enquanto você toma banho. — Victoria selou os lábios rapidamente.
Demi assentiu antes de se dirigir para o quarto, o desconforto era perfeitamente visivel nela. Cruzei os braços sobre o peito observando a mulher elegante em minha frente mexer no celular, cerrei os dentes, queria jogar na cara de Victoria o que havia acontecido antes de sua chegada mas não, não chegaria a esse ponto, não sabia nem o que aquele beijo tinha significado pra Demi. Apoiei-me no sofá, os minutos foram se passando enquanto o silêncio permanecia na sala, a mulher guardou o aparelho na bolsa e sorriu pra mim, dessa vez não me esforcei para parecer simpática.
- Essa é a camiseta da Demi? — franziu o cenho, seus olhos percorrendo meu corpo.
- É sim. — respondi, simplesmente.
- Posso saber por que está usando? — andou alguns passos, aproximando-se de mim.
- Acho melhor você perguntar pra Demi, eu não lembro direto. — dei de ombros, deixando-a confusa.
- Já saquei a sua, menina. — sorriu falsamente, apontando o indicador pra mim.
- Não sei do que está falando.
- Tenho certeza que sabe e saiba que não vai conseguir nada com Demi, ela está comigo.
- Que eu saib... — parei, ao ouvir os passos no corredor se aproximarem, Victoria afastou-se colocando um sorriso no rosto ao ver Demi.
- Selena, tome banho antes de irmos, suas roupas estão no banheiro. — Demi avisou-me, enquanto Victoria distribuía beijos em seu pescoço. Assenti notando os lábios moverem-se em um ''desculpe''.
Estava sendo tudo perfeito antes daquela mulher aparecer, me pergunto o que acontecerá daqui pra frente. A presença desagradável de Victoria não acabou com a felicidade que sentia e apenas queria relembrar eu e Demi juntas no quarto sujas de tinta.
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