Ano 2073
1 Prologo Parte 1
Escola Estadual Shaeng Son, sala nº 2, período manhã, as sete e meia iniciara a primeira aula do ano. Lisa uma garota de quatorze anos acabara de iniciar seu colegial, sentara na primeira carteira em frente a mesa de sua professora, ao lado de uma janela com vidros embaçados, porém que possibilitava-a ver o lado de fora, que não era nada bonito, apenas um muro branco com um portão cinza aonde os alunos entravam. Não demorara muito e a professora entrara na sala, e chamara a atenção da sala — que não ficara quieta — com suaves tapas na mesa. E com um sorriso meigo no rosto começou a falar.
–Bom dia, meu nome é Ygridi e sou professora de história, filosofia e sociologia de vocês, prazer em conhece-los. A sala não respondera com muito entusiasmo, o que deixou a Ygridi um pouco sem jeito. Ela então pegara sua caneta e começara escrever na lousa. "História — primeira série do segundo grau escolar. 01/03/2073 A vida de Shaeng Son Era noite em São Paulo dia 16/04/65, uma noite garoada, e fria. E em um dos milhares de prédios, residia um químico, não um químico qualquer, mas sim um gênio da química; Shaeng Son, um norte coreano, sem família, sem fé. Sua saúde não era das melhores, um metro e sessenta e nove de altura, pesava 63 quilos, era depressivo e possuía hepatite C. Ele sentia falta de sua família, e todo dia Shaeng acendia velas pensando em sua família, que foi morta pela tsunami chamada Agma que engoliu seu país. Ele já havia saído da Coreia do Norte alguns dias antes da tsunami, sem nem pensar que algo assim poderia acontecer, foi ai então que começou a ficar depressivo. Sua depressão fez com que ele descobrisse um novo fetiche, corpos humanos, não vivos, mas sim mortos. Ele virou um necrófilo, mas como não possuía acesso aos cemitérios brasileiros por não ter nenhum parente morto ali, decidiu então nesse dia criar um ser humano, não com uma mulher, mas sim com química. Suas tentativas foram várias e nas muitos o feto nascia sem ossos ou com várias deformações, até que Shaeng decidiu revisar o que estava fazendo, e percebeu que a quantidade de oxigênio não era suficiente, em outra tentativa aumentou a dose, e finalmente criou um feto saudável, que cresceu até o tamanho adulto em poucos meses, porém eles não possuíam genitálias. Shaeng não sabia mais o que fazer e decidiu se livrar dos corpos, porém ele não poderia simplesmente joga-los no lixo, só havia um jeito de se livrar deles; decomposição química"... A professora fora interrompida pelo inspetor de alunos, ele alegara que ela deveria atender a um telefone urgentemente. Ygridi meio confusa, saiu da sala de aula e foi seguindo o inspetor. A sala ficou sem professor, ou qualquer coordenador, apenas os alunos. Eles estavam alvoroçados, não ficavam quietos, até que um homem alto com um livro de química, entrara na sala. –Calem a boca, seus merdas, a professora de vocês teve de ir embora devido uma a tragédia. -Disse o misterioso homem com um tom de fúria-. A sala então ficou quieta. O homem encarava a lousa, ficou lá por alguns minutos, virou-se para trás e perguntou para sala: –O corpo do ser humano é feito do que? Ninguém arriscara responder, nem mesmo Lisa. O homem então desconcertado, virou-se para a lousa novamente e escreveu: "Oxigênio (65%), carbono (18%), hidrogênio (10%),nitrogênio (3%), cálcio (2%), fósforo (1%), potássio (0,35%), enxofre (0,25%), sódio (0,15%), magnésio (0,05%) e ferro (0,004%)." Virou-se para sala e disse: – 99%, alguém sabe me dizer qual é esse 1% que está faltando? Lisa levantou a mão e disse com um duvida. –A alma? –Exatamente! -Disse ele sorrindo- Um corpo sem alma, é um corpo sem consciência, sem emoções, sem sentimentos. É um monte de carne. Um negativo, porém quando conectado com um positivo, pode fazer coisas incríveis, e esses são os scoporos, a maior criação do homem. Um scoporo é um corpo sem consciência, um corpo parado, esperando que alguém entre em seu cérebro e o controle, com os scoporos, podemos trabalhar dias sem se cansar, podemos ir a guerras sem nos ferir ou sentir dor. Mas a existência deles não passa de um simples acidente. Depois que Shaeng viu que não poderia usar um scoporo como entretenimento, decidiu derretê-los em ácido, a sorte é que os vizinhos sentiram o cheiro estranho vindo da casa dele e denunciaram a polícia, Shaeng ficou 10 anos presos, e após solto foi intimado a trabalhar para o governo da N.U.A.S. para criar scoporos. Foi um sucesso, um exercito só de scoporos foi criado, e Shaeng teve de criar uma maquina para que soldados pudessem entrar nos corpos dos scoporos M.C.C.(Maquina de conexão cerebral). Anos depois o Presidente Jean M. Ferrari, viu o quanto os scoporos poderiam ajudar na economia do país, e fez com que todas as empresas tivessem acesso. O sinal da escola bateu, interrompendo o homem, que saiu da sala. A sala continuou sem professores durante um bom tempo. Lisa refletindo sobre scoporos, olhou para a janela e viu dois homens discutindo, um deles era um dos guardas da escola, era possível reconhece-lo pelo seu traje. Lisa curiosa, saiu da sala para ouvir a conversa dos dois. Encostada na parede ao lado da porta se escondendo do guarda, decidiu dar uma olhada. Um erro, só havia um pessoa ali, o guarda, ele estava agonizando ajoelhado, tentando tapar o corte que o homem misterioso havia feito em seu pescoço. Lisa ficou imóvel, chocada com o que estava vendo, o chão em torno do guarda estava banhado em sangue, o guarda, já não havia mais coloração, sua pele estava pálida, todo seu sangue havia sido jorrado pelo muro e pelo chão, até que seu corpo caiu de costas, seus olhos ainda abertos encaravam Lisa, que não suportou a cena e soltou um berro. A sala assustada com o berro de Lisa, fora lá ver o que estava acontecendo, outro erro. Todos entraram em pânico, tentaram abrir o portão mas foi em vão, estava trancado, não haviam mais funcionários na escola, só os alunos.
Todas as salas em poucos minutos estavam no pátio, reunidos, menos Lisa, que ficara no banheiro trancada espiando por um vão, que lhe dava visão da saída do banheiro e do corredor que leva a escada, que leva ao pátio. Ela avistara um homem, vestido com roupas do exercito andando com uma arma naquele corredor. Ao passar na frente do banheiro, ele parou e se virou, e entrou no banheiro, Lisa para não gritar tampou-lhe a boca com as duas mãos enquanto espiava o soldado. O soldado mirou a arma para a porta aonde estava Lisa, colocou o dedo no gatinho e deu uma leve pressionada, um único tiro pegou de raspão em seu braço direito, a dor foi grande, mas não o suficiente para que ela gritasse. Ela escorregou o pé que bateu no lixo com força, e acabou lhe entregando, sua sorte era que havia outra pessoa no vaso ao lado, que saiu correndo, em vão. O Soldado mirou em suas canelas e atirou, dois tiros certeiros, e o jovem caiu gritando por socorro, o soldado se aproximou e atirou repentinas vezes na cabeça do jovem garoto, havia sangue e munições para todos os lados, Lisa não se conteve e começou a chorar, aproveitando todo o barulho que a arma do soldado fazia. Ele então, seguiu reto seu caminho à escada que leva ao pátio... CONTINUA.
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