Anna's Life
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Notas iniciais
Era domingo, Anna acordou, estavam na casa de Nicole, ela e Taxa, as duas já haviam acordado.
–E ai Anna, o que aconteceu ontem?
–Já querem saber? –ela pegou o óculos ainda sonolenta.
–Obvio.
–Bom, ele foi lá e me viu com o Rilley...
–Se pegando?! –Taxa a interrompeu.
–Não, só conversando. Ai ele me empurrou com tudo e saiu, ai eu fui atrás e a gente brigou, ai fim.
–Fim de tudo?
–Isso.
–E você ainda é virgem.
–Nicole!
–Ta, tudo bem, mas não acho que o Rilley seja muito bom de cama, sei lá, parece meio virgem.
–Não me importo!
–então você vai ele sendo bom ou ruim?
–Eu não quis dizer isso Taxa! Que seja, eu vou pra minha casa!
Ela recebeu uma mensagem de texto domingo, não reconhecia o número, eram 14 horas.
“Oi Anna, quer sair hoje? Rilley.”
Ela não resistiu e abriu um sorriso, mas ainda era cedo pra se envolver de mais, mas eram só amigos, mas e se evoluísse? Ela acabara de terminar seu namoro com Luigi, que por sinal era o vizinho, que por sinal ela via todo dia e que por sinal ela ainda gostava dele!
“Oi Rilley, como conseguiu meu número? Kkk Podemos nadar na piscina aqui de casa, hoje está muito calor.”
Enviado.
–Meu Deus! Não acredito que mandei isso! E se ele vier, ele nem sabe onde eu moro! Rá!
“Claro, pode ser, mas não sei direito onde é a sua casa.”
“É onde você me atropelou.”
“Certo, chego ai em alguns minutos”
Ela paralisou. Como assim? Mal o conhecia! E Ryan estava na piscina com a sua mãe. Anna vestiu o biquíni rapidamente, prendeu os cabelos num rabo de cavalo alto e pegou os óculos de sol, desceu as escadas e foi até a parte de trás da casa conversar com a sua mãe.
–Mãe.
–Oi Anna.
–Terminei com o Luigi. –ela despejou rápido demais.
–Ó filha, que pena... Tudo bem?
–Tudo, já superei –apesar de ter sido ontem- E um amigo meu vai vir hoje nadar na piscina com a gente está?
–Ah... Está bem, que horas?
–Daqui a pouco. Fui!
Ela subiu correndo na hora exata em que o celular vibrou.
“Estou aqui”
Ela desceu correndo de novo e quase tropeçou ao sair de casa. Olhou para os lados e o viu logo a frente, agitou os braços e ele veio até ela.
–Oi.
–Oi. Vem, minha mãe e meu irmão estão lá... E.... Ele é autista, então não gosta que cheguem muito perto nem nada.
–Tudo bem.
Eles entraram, atravessaram a casa e saíram no quintal, Rilley foi extremamente gentil e ganhou um abraço de Ryan. Estavam jogando vôlei na agua quando a mãe de Anna saiu e levou o irmão dela para tomar banho. Ele já não aguentava mais ficar na agua, continuaram jogando até a bola cair na grama e nenhum dos dois ter vontade de levantar da agua pra pegar.
–Vai lá Anna.
–Ah não, vai você!
–Pago um sorvete se você for.
–Eu te pago um sorvete se você for!
Eles se olharam e começaram a rir, perceberam que estavam muito próximos e os dois coraram, mas só isso, não se afastaram, não se aproximaram mais, nada. Eles eram iguais, tímidos. Então ela respirou fundo e encostou no braço dele, chegou um pouco mais perto, sentiu sua cintura ser timidamente enlaçada e quando iam finalmente se beijar escutaram um barulho vindo da cerca que separava os quintais, seguido de um “droga”, era a voz de Luigi, a inconfundível voz rouca e fria de Luigi. Voltaram a se olhar e coraram de novo se afastando dessa vez. Ela saiu da piscina e se secou, em seguida se sentou na beira da piscina com os pés balançando na agua. Rilley se aproximou timidamente, tentando fingir que nada havia acontecido, parou ao lado dela e corou violentamente quando não resistiu a olha-la tão de perto. Anna olhava para o céu.
Estavam comendo na cozinha, rindo. Conversando sobre livros.
–Tenho vários livros no meu quarto, vem!
Subiram sem maldade até o quarto dela, onde ela apresentou orgulhosa a estante que estava ao lado de seu roupeiro. Ele observava e sorria.
–Tenho a maioria desses no meu not book. Mas sinceramente, nada se compara ao livro de verdade.
–Eu concordo!
–Pode me emprestar esse?
–Claro! Estou feliz por conhecer alguém que goste dos meus livros! –Ela sorriu sincera e sentou em sua cama. Ele pegou o livro e sentou ao lado dela. Posso te perguntar uma coisa?
–Claro que sim Anna.
–Lembra quando eu e a Nicole sentamos com você no refeitório?
–Sim.
–Você deu um sorriso... Aliviado quando viu que eram nós duas. Por que? Quem você achava que era?
–Ah.... Anna. Você não sabe muita coisa sobre a escola certo?
–Não muito eu confesso...
–Bom, eu não sou o tipo atleta forte do colegial... Acho que me encaixo mais no grupo dos nerds, certo? –ele riu nervoso. Bom, o fato é que todo nerd um dia apanha na escola. Não que eu não seja capaz de me defender, mas, contra um time inteiro de futebol fica meio difícil... Bom, daí virou rotina....
Ela abriu a boca para falar mas não havia o que ser dito. Ele parecia tão frágil naquele momento, tão doce... Anna não resistiu e o abraçou quase se jogando em seu colo, e foi retribuída, recebendo também um beijo no ombro descoberto.
–Quando Rilley?
–Ah... Uns dois meses atrás, mas não precisa se preocupar, sério.
–Tudo bem. Só que não vai mais ficar sozinho.
Ela o soltou sorrindo. E finalmente recebeu um beijo, surpreendente, algo que ela não esperava, porém retribuiu com todo o prazer, o beijo doce que logo foi se aprofundando, o beijo que ela conseguiu respirar! Rilley a puxou pro seu colo e ela não recuou. Suas mãos entraram por de baixo da regata azul que ela usava, apenas acariciando suas costas que tencionaram mas logo relaxaram ao toque desconhecido, Anna sentiu as mãos dele descerem até seu quadril e em seguida a suas coxas, ela arqueou as costas em sinal de surpresa, e recebeu uma mordida leve no lábio inferior, então o celular dela toca alto uma música J-Pop e Anna praticamente salta de cima dele e anda até a cômoda para atender o telefone.
–Alo? –ela estava um pouco ofegante.
– “Oi Anna, é a Nicole. O que está fazendo?”
–Nada de mais.... Por que?
– “Ah é que semana que vem te a prova de Geografia, queria que você me ajudasse a estudar aquelas coisas de solo.”
–Ah, tudo bem Nicole. Amanhã você vem aqui em casa depois da aula.
– “Ok, Tchau Anna.”
–Tchau.
Ele desligou e respirou fundo. Pretendia ao máximo evitar que aquilo tivesse acontecido, mas como poderia segurar? Ele é impossível depois que começava a ... Bom ... Anna sentiu um arrepio após pensar nisso e se virou, olhando pra ele que retribuía o olhar, agora com um pequeno sorriso malicioso no canto do lábios que se extinguiu pouco depois voltando a ser gentil. Ele levantou e caminhou até ela, não escondendo a “animação” de poucos minutos que ainda se expunha em sua calça. Pousou as mãos nos ombros dela e beijou-lhe a testa.
–Acho melhor eu ir. Já está escuro.
–Tudo bem.
Ele a abraçou por cima dos ombros e ela retribuiu envolvendo a cintura dele.
–Somos amigos né Anna?
–Claro.
–Só amigos?
Ela hesitou, apertou ele com mais força e respirou fundo, absorvendo o cheiro do corpo dele.
–Por enquanto, só amigos...
Cap. 3
Anna estava ligeiramente feliz quando saiu de sua casa, o uniforme impecavelmente arrumado, usava uma lingerie nova, não sabia por que, arrumara os cabelos, usava uma tiara de lacinho rosa claro, passou até máscara de cílios dessa vez. Luigi a viu andando na rua e ela o viu também, mas resolveu ignorar. Mas ele correu até ela tirando alguma coisa da mochila.
–Anna! Espera... Eu...
–O que foi?
–O seu aniversário é daqui a uns dias... E, bom, eu já havia comprado um presente pra você. Não sei se lembra.
–é, eu lembro, mas não acho que seja uma boa ideia...
–Não, é uma coisa que você vai gostar... Você vivia falando sobre isso... Não recuse, por favor.
–Tudo bem.
Ele sorriu um pouco e Anna quase se jogou nos braços dele pedindo pra voltar, aquelas covinhas... Ele retirou um pacote rosa, aquele que ela havia visto, e entregou pra ela. Anna abriu e seus olhos brilharam quando descobriram o livro que ela procurava a meses, junto com um colar, era a coisa mais delicada que Luigi havia feito por ela, o pingente era parecido com uma aliança prateada, os olhos dela transbordaram de lágrimas, a visão dele estava embaçada, mas ela podia vê-lo sorrir e sentir o abraço.
–Me desculpe Anna. É obvio que eu gosto de você, do jeito que você é. Colhendo flores e tudo o mais. Me desculpe pelo jeito como te tratei e só gora consigo perceber que você merece muito mais carinho do que eu te dei e estou mais do que disposto a lhe dar agora.
–Mas... Eu...
–Eu sei, eu vi vocês dois juntos, e também estou disposto a esquecer isso. Preciso que fique comigo Anna...
–Eu... Preciso pensar...
–Tudo bem. –Ele levantou o queixo dela e a beijou. Eu te amo.
Anna entrou na sala extremamente calada, até ver Nicole e contar tudo pra ela, desde o beijo de Rilley até o “eu te amo” de Luigi.
–Meu Deus, você se meteu numa encrenca tão grande...
–Eu sei disso, o que eu não sei, é o que eu faço em relação a isso.
–Eu acho que o Rilley não merece sofrer de novo, sabe? Ele é um cara tão fofo pra passar por tantas desilusões. E como você mesma disse Anna, não hesitou nem um pouco em se atirar em cima dele, já com o Luigi você mal consegue beijar ele sem ficar roxa.
–Você não está do lado do seu amigo?
–Eu estou do seu lado. E acho que o Luigi não te merece mais.
–E o que eu faço com o presente?
–Devolve!
–Com o livro junto?!
–Não sua nerdona!
–Para de me chamar assim.
–Tanto faz! Só acho que você deveria esquecer o Luigi, e logo.
–Também acho, bom, vou devolver o colar no intervalo.
Ela andou até Luigi, que estava sorrindo, mas ele parou ao ver a expressão dela. Foram até um canto mais vazio do pátio, ela viu Rilley entrando no refeitório e olhando pra eles um pouco confuso, mas sentou na mesa de sempre, sozinho.
–O que foi?
–Desculpa Luigi, mas não sinto por você o que eu sentia antes. Então não posso aceitar o seu presente, apesar de querer ficar com o livro.
Ela entregou os dois, mas Luigi não pegou, ficou olhando pra ela como se não estivesse entendo, achava que ela era loucamente apaixonada por ele, e que voltaria para seus braços num estalo de dedos.
–Não Anna. Eu achei que você gostasse de mim, de verdade.
–Eu gostei, mas as coisas mudam, você não foi cuidadoso o suficiente em seus atos e o encanto acabou, simplesmente isso. Pegue logo.
Ele pegou o colar mas deixou o livro com ela.
–Pode ficar com o livro, sei que estava louca atrás dele. Sinto muito pelo que te disse... Não sou o tipo que continua amigo de ex namoradas...
–Exceto a Jean –uma pontinha de ciúmes e rancor surgiu na voz dela, mas não foi percebida por Luigi que ignorou a frase e continuou:
–Mas espero que você seja feliz, e não sei se é pedir demais, mas gostaria que não ficasse com outros caras –ele enfatizou essas últimas palavras, se referindo obviamente a Rilley- na minha frente.
–Tudo bem, não me importo.
–Certo, obrigado Anna, por todo o tempo que passamos juntos...
Ele a puxou para um abraço, mas ela não o abraçou também, mas não se afastou. Luigi a soltou e ela andou até Rilley sentindo-se fixamente observada.
–Tudo bem Anna?
–Uhum.
–Não vai comer nada?
–Ah, não sei, estava pensando exatamente nisso. Mas a comida da escola me dá medo.
–A mim também –ele riu, mas estava obviamente incomodado e certamente curioso.
–Ele me deu um presente –ela ergueu o livro- isso e um colar... Mas eu não pude aceitar.
–Não precisava me contar.
–Você é meu amigo agora.
–Mesmo assim.... –Ele mordeu uma maça e pareceu tão... Sexy, Anna se xingou por pensar aquilo. Mas era inevitável! Continuou olhando fixamente pra ele quase hipnotizada. Apoiou a cabeça em uma das mãos, suspirou e abriu seu livro novo, leu a primeira página mas foi interrompida por Rilley um pouco tímido.
–Ahn... Quer ir no cinema comigo? No sábado... Vai lançar um filme de terror amanhã eu acho...
–Claro que quero! Mas sou bem medrosa... –era uma ótima mentirinha.
–Tudo bem! –Ele deu um sorriso tão brilhante que amoleceu o coração dela, bom, era uma mentirinha do bem.
Anna foi para o parque de tarde, ler como de costume, seu aniversário seria no sábado. Obviamente Rilley não sabia e pensando nele, ela o viu, sentado num canto, lendo também, foi até ele e sentou ao seu lado sorridente.
–Acho que você está me perseguindo Anna.
–Como descobriu?! –Eles riram. Não, vim ler também, adoro esse lugar.
–Eu também.
Ficaram umas duas horas lendo até ele fechar o livro e se espreguiçar, em seguida se jogar na grama. Anna o observou discretamente, percebeu um sorriso bobo, os olhos fechados, o vento balançando levemente a franja... É, ele era o seu tipinho. Fechou o livro também, mas não deitou, apoiou as mãos no chão, e fitou o céu. De repente uma garota loira, com cabelos longos e ondulados apareceu, ela usava um vestido verde-água de alças e uma sapatilha preta, trazia consigo um enorme cachorro preto e extremamente peludo, um são Bernardo. Ela pulou em cima de Rilley o abraçando e Anna apenas arregalou os olhos com aquela cena.
–Mia! O que está fazendo aqui? Não está sozinha certo?
–Não Rilley, Bastião está comigo, mamãe achou que eu poderia vir sozinha e te encontrar.
Ela olhou para Anna e sorriu, o sorriso mais lindo que ela já havia visto na vida.
–Oi! Quem é você?
–Anna, muito prazer. –ela estava hesitante, não sabia quem era aquela garota, aparentava uns 13 anos.
–Mia!
–é a minha irmã.
Anna se sentiu estranhamente aliviada e abriu um sorriso, então o enorme cachorro, Bastião, praticamente se deitou em seu colo pedindo por carinho, e o recebeu, Anna adorava cachorros.
–Acho que ele gostou de você. – Mia engatinhou até a frente dela e brincou com as orelhas de Bastião.
–E esse é o nosso cão de guarda feroz!
–Ele é lindo!
Ficaram conversando por mais uma hora até Anna ir em bora.
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