Anna's Life
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Notas iniciais
Estavam voltando pra casa, Luigi e Anna, ele com as mãos nos bolsos e ela segurando as alças da mochila.
–Não acreditei na Nicole.
–Ah...
–Por que mentiu pra mim?
–Eu não menti.
–Omitiu, tanto faz, por que não me falou que estava super afim de falar com o cara que te atropelou?
–Eu não estava super afim de falar com ele, eu só... Por que está sendo tão irônico?
–Por que você é boba Anna, é uma romântica e se ficar muito amiguinha dele vai se apaixonar por ele por que todo mundo sabe como ele é meloso, do mesmo jeito que você é. Sei que se dependesse de você passaríamos todos os dias colhendo flores e brincando de casinha!
Ele se descontrolou, e pareceu arrependido quando viu a expressão dela, totalmente magoada. E se arrependeu mais ainda quando as lagrimas rolaram no rosto dela e ela saiu correndo, não pra casa dela, pra qualquer lugar longe dele. Mas demorou muito para pensar em ir atrás dela. Anna já deveria estar longe, Luigi suspirou e continuou indo em direção a sua casa.
Anna corria pra qualquer lugar, sabia que ele não estaria atrás dela e nem iria, Sabia que o que ele disse era verdade, ela era assim, mas achava que ele não se importava ou até mesmo que gostasse, afinal, ela era assim, era seu jeitinho. Ela parou no parque, abaixou a cabeça e andou rapidamente até a área mais vazia de lá, não onde dera seu primeiro beijo, as lembranças voltariam. Sentou encostada numa árvore e continuou a chorar.
Ela gostava de Luigi, do jeito frio, manipulador, do jeito que ele era. E Saber que o jeito dela o incomodava chegava a ser doloroso pra ela.
Ficou quase uma hora até que as lágrimas parassem de rolar e sua respiração se acalmasse. Olhou para cima e viu Rilley a olhando, um pouco distante, apenas a observando com o olhar preocupado. Ele inclinou levemente a cabeça quando percebeu que ela o vira. Ele usava uma bermuda caqui, uma camiseta de gola V azul clara e vans preto, tinha um livro em mãos. Hesitou um pouco antes de se mover e sentar na frente dela.
–Você está bem?
Anna sacudiu a cabeça assentindo, seu rosto estava inchado e vermelho, dava pra ver que ela não estava bem.
–Te vi entrando no parque, fiquei preocupado.
Ela não queria falar agora, tirou a mochila das costas e a colocou no chão, deitou a cabeça lá e ficou, olhando para a copa das arvores, ouviu o suspiro dele e o som das páginas do livro sendo viradas.
O céu já estava escurecendo quando Anna acordou, Rilley ainda estava lá, olhando para ela com o livro fechado, sorriu gentilmente quando ela abriu os olhos.
–Anna.
–Hm?
–Meu nome é Anna.
Cap. 2
Ela voltava pra casa, estava suada e cansada, além da dor nas costas por ter dormido na grama do parque. Ligou o celular e não havia nenhuma mensagem de texto ou ligação perdida, não teve coragem de olhar em direção a casa de Luigi e foi direto para a sua. Tomou banho, comeu um sanduiche e foi ler na sala onde sua mãe estava com seu irmão Ryan.
A campainha tocou e Anna foi atender, bom, era Luigi. Ela o deixou entrar e foram para o quarto dela conversar.
–Onde você estava?
–No parque.
–Com quem?
Ela estreitou os olhos.
–Está mais preocupado com quem eu estava do que como eu estou Luigi?
–Não é isso Anna. Eu só...
–Você só continua o mesmo. O que você quer aqui? Além de saber com quem eu estava quando você me magoou.
–Para de falar assim Anna, eu sei que falei coisas que não deveria, mas você me provocou.
–Provoquei?
–Claro. Pra que precisa de mais um amigo?
–Não preciso, e a questão não é essa.
–Qual é então?
–é que você não gosta de mim do jeito que eu sou. E deixou isso bem claro da maneira mais rude possível. E quer saber? Tudo bem.
–Para de ser boba, é obvio que eu gosto de você...
–Para de me chamar de boba! –ela gritou. Eu não sou uma criancinha Luigi, eu sei o que eu faço, sei o que é certo e o errado, posso ser ingênua mas boba eu não sou.
Ele ficou quieto olhando incrédulo pra ela.
–Luigi, vai em bora.
Ele não respondeu, simplesmente se virou e foi em bora, não pediu desculpas por ter magoado ela ou não ter se preocupado ou qualquer coisa!
Era sexta feira e Anna saiu de sua casa no mesmo horário de sempre, não importava se iria encontrar Luigi ou não, ela estava decidida a seguir sua vida não se importando com a vida dele.
Ele saiu de sua casa e foi ao lado dela como todos os dias, ela não falou com ele e nem ele com ela.
Chegando na escola Anna agarrou Nicole e a levou para a sala.
–O que foi Anna?
–Eu e o Luigi brigamos feio, muito feio. –ela contou os motivos da briga, incluindo Rilley- e acho que agora a gente terminou.
–Mas... Mas assim? Por uma coisa dessas? E o amor todo de vocês?
–Pela minha parte eu tenho certeza do que sinto, mas da dele eu não tenho certeza. Ele não gosta de mim Nicole, do jeito que eu sou sabe?
–Mas Anna, você sempre fez as vontades dele, eu sei que é romântica e grudenta mas sempre agiu tão controlada perto dele.
–Eu sei, não posso fazer nada a respeito.
–Tudo bem, vamos parar de falar sobre isso!
–Obrigada.
No intervalo Anna se separou de Nicole e foi sentar com Rilley.
–Bom dia.
Ele levantou o olhar pra ela e sorriu.
–Bom dia... Anna.
–Obrigada por ter ficado comigo ontem.
–Hm, tudo bem. Não poderia te deixar sozinha dormindo no meio do parque.
Ela riu.
–Claro!
–E por que você estava chorando Anna?
–Ah... Eu briguei com o Luigi, por um motivo bem besta na verdade...
–Mas foi só uma briga...
–Na verdade eu acho que não... Acho que não tem volta, não sou o tipo que corre atrás, nem ele.
–Entendo... Bom, que pena, você parecia gostar dele.
–Sim... Hm... Você vai na festa a fantasia de amanhã?
–Ah, não...
–Por que?
–Não sou muito fã de festas... E.... Quase ninguém conversa comigo então...
–Quer ir comigo? Mesmo não sendo fã de festas.
–Ah... –ele hesitou bastante antes de sorrir e assentir- Tudo bem, já que você me convidou.
Anna imaginou que isso não poderia dar certo, e imaginou que Luigi certamente não iria na festa. Ela foi se arrumar na casa de Nicole. E estavam quase prontas quando Anna deu um grito ao vestir a fantasia.
–Nicole! Você disse que ia ficar grande em mim!
–Como eu ia saber que você tem os quadris tão largos!!
–Não posso usar uma saia desse tamanho! E que tipo de camiseta é essa?
–Isso se chama top, você amarra em cima no umbigo! E a saia nem está tão curta, Anna, relaxa, é uma festa ninguém vai reparar nisso. Coloca as botas. Cadê o chapéu? E você não levar o cassetete Anna?
–Obvio que não! O que eu vou fazer com um cassetete Nicole?
–Ai lerda, prende no cinto, é pra dar charme!
–Tudo bem... –Ela calçou a bota de cano alto preta que ia até abaixo do joelho, a saia e o top eram azuis, tinha o chapéu azul também e um distintivo como um colar, ela colocou luvas sem dedo pretas e Nicole a obrigou a passar um batom vermelho.
Já Nicole era uma gatinha, usava um maio branco com um rabo felpudo branco com a ponta preta, uma meia calça e sapatos de salto 7cm preto luvas também pretas até acima dos cotovelos, os cabelos loiros estavam cacheados a franja presa por uma tiara com orelhas pretas, ela se desenhou como uma gata, incluído bigodes e nariz rosa.
–Vamos?!
–Vamos né!
Chegaram na festa e foram obviamente o centro das atenções por alguns minutos, afinal eram as fantasia mais “ousadas”. Mas logo foram esquecidas, Nicole foi dançar ensandecida com muitos rapazes e encontrou Taxa no meio deles, que estava fantasiada dei enfermeira. E Anna ficou num canto com uma cerveja na mão, então viu Rilley se aproximar e corar ao vê-la de corpo inteiro, ele estava vestido de pirata, uma camisa branca aberta com um colete adernado com uma borda dourada, a calça subia até a linha de seu umbigo e era preta, as botas eram marrons até o meio da canela, usava umas pulseiras estranhas, um chapéu típico e uma faixa vermelha por de baixo do chapéu, por sorte não usava o tapa olho, mas sua franja loira estava levemente sobre o olho, e suas orelhas ostentavam brincos enfileirados.
–Oi Anna...
–Olá! Achei que não viria mais.
–Eu também, mas não poderia fazer isso com você, e por sinal, está linda... –ele corou levemente, nada que ela pudesse perceber.
–Obrigada... Eu não teria vindo assim se tivesse mais tempo...
Ela também corou. Então foi bruscamente empurrada por alguém atrás dela e estatelou seu rosto no peito de Rilley, os dois coraram violentamente e não sabiam o que fazer, então Anna olhou pra trás e viu, saindo da festa, Luigi. Ela arregalou os olhos e foi atrás com Rilley atrás sem saber o que estava acontecendo.
Ela o encontrou parado do lado de fora, afastado do grupo de pessoas que estava lá, ele estava vermelho de raiva, andava de um lado para o outro e parou quando a viu, Rilley não se aproximou deles.
–O que você quer Anna?! Não está se divertindo?!
–Qual o problema Luigi?
–Como qual o problema? Que eu saiba ainda estamos namorando, ou estávamos.
–E...?
–E vejo você numa festa com um cara que fez a gente brigar sem nem saber, usando uma roupa minúscula como essa!
–Achei que você seria a última pessoa a se importar com essas coisas. Relacionadas a mim pelo menos.
–Anna, por que você fez isso?
–Por que ele é meu amigo agora, qual o problema de eu sair com ele? E qual o problema de eu sair assim? Eu fiquei o dia inteiro chorando sozinha num canto do parque e você nem pensou em me ligar, ou mandar uma mensagem. Você não me pediu desculpas pelo jeito que me tratou quando brigamos, sabe Luigi, se você não gosta de mim do jeito que eu sou, melosa e romântica, colhendo flores e brincando de casinha o dia inteiro, tem quem goste.
–Você está terminando comigo então?
–Estou.
–ótimo.
Os dois viraram ao mesmo tempo, ele mais vermelho do que nunca rumo a sua casa, apertando os punhos, e Anna, parada, com os olhos apertados, lutando contra as lágrimas com a garganta doendo, o corpo tenso relaxou um pouco quando sentiu Rilley a abraçando.
–Pode chorar Anna, ninguém vai ver e nem saber...
E ela o fez, chorou, não com tanta intensidade, mas o suficiente para o nó em sua garganta desatar. Se separou dele e sorriu, e ele gargalhou. Anna o olhou chocada por sua reação.
–Me desculpe, é que, sua maquiagem... Está engraçada...
–Que bobo! –Ela bateu nele e então os dois perceberam o quão próximos estavam. Vamos entrar, curtir essa festa. E limpar o meu rosto.
Ele assentiu rindo.
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