Annabeth Chase - O Ladrão De Raios
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Eu mostrei o resto do acampamento para ele. A história do banheiro já tinha se espalhado, e onde quer que a gente fosse, as pessoas apontavam e murmuravam alguma coisa sobre isso. Ou simplesmente me encaravam, pois eu ainda estava encharcada.
— Tenho treinamento. — eu disse, irritada, quando paramos próximos ao lago de canoagem. — O jantar é as sete e meia. Você só tem de seguir o pessoal do chalé até o refeitório.
— Annabeth, desculpe pelos sanitários.
— Não importa.
— Não foi minha culpa.
"Ah, não foi?" Pensei, mas fiquei quieta. Eu acho que banheiros não explodem de propósito na cara das pessoas.
— Você precisa falar com o Oráculo. — eu disse.
— Quem?
— Não quem. O quê. Vou pedia a Quíron. — ele ainda parecia confuso. Olhou para o lago e assustou com as náiades, que acenavam para ele embaixo d'água. Ele automaticamente acenou de volta.
— Não as encoraje. As náiades são flertadoras incontroláveis.
— Náiades. — ele repetiu, estupefato — Já chega. Quero ir pra casa agora.
Franzi a testa:
— Você não percebe, Percy? Você está em casa. Este é o único lugar na terra seguro para crianças como nós.
— Você quer dizer crianças mentalmente perturbadas?
— Eu quero dizer crianças não-humanas. Não totalmente humanas de qualquer modo. Meio humanas.
— Meio humanas e meio o quê? — ele perguntou. Deuses! Já disse que ele era lento?
— Acho que você sabe.
— Deusas. Meio deusas.
Até que enfim! Eu confirmei:
— Seu pai não está morto, Percy. Ele é um dos Olimpianos.
— Isso...é loucura.
— Será? Qual é a coisa mais comum que os deuses faziam nas velhas histórias? Eles andavam por aí se apaixonando por seres humanos e tendo filhos com eles. Você pensa que eles mudaram os hábitos nos últimos poucos milênios?
— Mas isso são apenas... — ele se interrompeu. Acho que ele ia dizer 'mitos', mas se conteve. — Mas se todos aqui são meio deuses...
— Semideuses. — eu corrigi. — Esse é o termo oficial. Ou meio-sangues.
— Então quem é seu pai?
Fiquei tensa. Ele tinha feito a pergunta errada. Me fez lembrar de todos os momentos que passei em casa, tentando me adaptar à uma vida normal. Então ele se casou. Percebendo que eu não era mais bem-vinda ali, eu fugi.
— Meu pai é um professor em West Point. Não vejo desde que era muito pequena. Ele ensina história americana.
— Ele é humano.
— O quê? Está pensando que tem que ser um deus homem encontrando uma mulher humana atraente, e não o contrário? Sabe que isso é machismo?
— Então quem é sua mãe?
— Chalé 6.
— O que significa?
— Atena. Deusa da sabedoria e da guerra. — "Com muito orgulho", pensei.
— E meu pai?
— Indeterminado, como eu lhe disse antes. Ninguém sabe.
— A não ser a minha mãe. Ela sabia.
— Talvez não, Percy. Os deuses nem sempre revelam sua identidade.
— Meu pai teria revelado. Ele a amava. — Percy afirmou.
Escolhi com cuidado as próximas palavras. Eu já tinha alguma experiência com os deuses. Eles muitas vezes abandonavam os filhos, não se importavam muito com os semideuses.
— Talvez você esteja certo. Talvez ele vá enviar um sinal. Este é o único modo de saber com certeza: seu pai tem de mandar à você um sinal reclamando você como filho. Às vezes isso acontece.
— Quer dizer que às vezes não acontece?
— Os deuses são atarefados. Eles tem uma porção de filhos e nem sempre... Bem, às vezes eles não se importam conosco, Percy. Eles nos ignoram. — infelizmente, essa era a verdade.
— Então eu estou encalhado aqui. É isso? Pelo resto da minha vida?
— Depende. — então expliquei para ele que se ele não fosse um semideus muito poderoso ele poderia viver fora do acampamento. Mas se ele for muito poderoso os monstros vão senti-lo e vão tentar matá-lo. Também contei que os monstros não podiam entrar no acampamento, por causa da proteção magica envolta dele.
— Ah. Então... Eu poderia simplesmente sair andando daqui agora mesmo se quisesse? — Percy me perguntou.
— Seria suicídio, mas você poderia, com a permissão do Sr. D ou Quíron. — respondi — Mas eles não dariam permissão até o final da sessão de verão, a não ser...
— A não ser?
— Que lhe seja concedida uma missão. Mas isso dificilmente acontece. Na ultima vez...
Eu contar a ele a ultima missão que aconteceu no acampamento, que foi a de Luke. Mas lembrei que as coisas não foram muito bem. Luke ficou irritado com a missão que ele recebeu, acho que não era o que ele esperava... E então ele conseguiu aquela cicatriz.
Eu e Percy continuamos conversando, até que ele me perguntou o que tinha no solstício de verão. Disse a ele que estava desconfiada que alguma coisa estava acontecendo, mas Quíron não me contava nada.
— Preciso conseguir uma missão. Eu não sou jovem demais. — murmurei para mim mesma. — Se ao menos eles me contassem qual é o problema.
Então ouvi algo roncando. Percebi que era a barriga de Percy, ele não tinha comido nada desde que acordou. Disse para ele ir jantar, depois eu alcançaria ele. Eu precisava que pensar em alguma coisa, pois o solstício já estava chegando. Fui tomar um banho para esfriar a cabeça. Estava sentada em minha cama, discutindo algumas estratégias de batalha com meu meio-irmão, Malcom, quando soou a trombeta para o jantar. Nos dirigimos ao o pavilhão. Era um lugar aberto, com colunas de mármore e tochas acesas, o clássico estilo da arquitetura grega. Se eu tivesse projetado aquele lugar, teria colocado colunas mais altas e mais espaçadas, o que daria impressão de ser um lugar mais arejado... mas enfim. Jantamos, conversamos, fizemos as oferendas para os deuses. Depois o Sr. D apresentou Percy para todos e anunciou o jogo de sexta feira. E eu já tinha um plano...o chalé de Ares ia ter uma surpresinha especial.
Fale com o autor