Annabeth Chase - O Ladrão De Raios
4 Capitulo 4
Notas iniciais
A semana seguinte passou rapidamente. Percy já estava se acostumando com a rotina do acampamento, todas as manhas nós conversávamos sobre os deuses e deusas e estudávamos grego antigo. Eu estava tentando descobrir quem era o pai dele, mas estava sendo complicado. Ele era péssimo em arco-e-flecha, então podemos descartar Apolo. Não era forte e não lutava muito bem, então não era de Ares. Não tinha habilidade com metais, como Hefesto, e nem jeito com as vinhas, como Dionísio. Ele até era bonitinho, mas não era vaidoso nem tinha jeito com as meninas como os filhos de Afrodite. Definitivamente não era de Atena, com aquela lerdeza toda. Sério, em uma de nossas aulas ele confundiu Hécate com Hefesto! Uma das únicas coisas em que era bom era canoagem, mas que eu saiba não existe um deus de canoas ou algo assim... Estava sendo bem mais difícil do que eu pensei.
Sexta-feira finalmente chegou, e o jogo foi anunciado depois do jantar. Todos estavam animados. Eu e meus dois meios-irmãos entramos com a bandeira que estava decorada com uma coruja, animal símbolo de Atena e Clarisse e suas amigas entraram com a bandeira de Ares, que portava uma lança ensanguentada abaixo de um javali, do outro lado do pavilhão. Todos aplaudiram, ansiosos pelo jogo.
Captura da Bandeira é um jogo de estratégia. São dois times, cada um com uma bandeira, e o objetivo é proteger a sua e roubar a do outro time. Podemos usar o bosque inteiro. Dessa vez o meu chalé se aliou com Hermes e Apolo, os outros chalés estavam com Ares.
— Heróis! — Quíron anunciou — Vocês conhecem as regras. O riacho é o limite. A floresta inteira está valendo. Todos os itens mágicos são permitidos. A bandeira deve ser ostentada de modo destacado e não deve ter mais de dois guardas. Prisioneiros podem ser desarmados, mas não podem ser amarrados ou amordaçados. Não é permitido matar nem aleijar. Servirei de juiz e médico do campo de batalha. Armem-se!
Vestimos armaduras, colocamos os capacetes e pegamos as espada, lanças e escudos que apareceram sobre a mesa. Eu tinha ganhado um boné da invisibilidade de Atena no meu aniversario de 12 anos, ele era sempre muito útil.
— Equipe azul, para frente! — gritei, brandindo minha faca acima da cabeça para que todos pudessem ver. Meu plano era simples: Clarisse ainda estava com raiva de Percy, e com certeza ia querer descontar essa noite. Se fosse atrás dele com os amigos, não iriam proteger o território direito. Tudo que eu precisava era mandar Percy para longe da nossa bandeira. Ele ia bancar a isca... mas eu não queria que ele se machucasse, então ia ficar por perto, invisível.
— Ei! — Percy me chamou. — Então, qual é o plano? Tem alguns itens mágicos para me emprestar? — ele perguntou, andando até mim com a armadura meio torta. Automaticamente coloquei a mão no bolso, checando se meu boné ainda estava ali.
— Só digo para ter cuidado com a lança de Clarisse. Você não vai querer que aquela coisa toque em você. Fora isso, não se preocupe. Vamos tomar a bandeira de Ares. Luke determinou sua tarefa?
— Patrulha a fronteira, seja lá o que isso for.
— É fácil. Fique junto ao riacho, mantenha os vermelhos longe. Deixe o resto comigo. Atena sempre tem um plano.
Segui adiante, conferindo se todos estavam marchando para os lugares designados. Alguns filhos de Hermes acompanhavam Luke, que corria sorrateiramente para o lado norte. Coloquei meu boné, voltei para o riacho onde estava Percy e fiquei ali esperando e ouvindo o murmurejar do riacho. As armaduras estavam um pouco grandes para ele, parecia desconfortável. Era um dia quente e úmido e o bosque estava escuro. Eu observava alguns vaga-lumes que voavam por ali quando a trombeta soou, e logo em seguida gritos e barulhos de espadas chocando-se umas contra as outras se espalharam por todo o bosque. Estava começando a me arrepender de ter ficado ali esperando, enquanto toda a diversão acontecia do outro lado, quando ouvi um rosnado. Cinco guerreiros de Ares saíram repentinamente do outro lado do riacho, correndo na direção de Percy:
— Acabem com o mané! — berrou Clarisse, apontando sua lança carregada de eletricidade para frente. Eu odiava aquela coisa.
Como eu previ, ela ainda estava com raiva dele. Eles começaram a lutar com Percy, mas ele não tinha prática ainda, e estava em desvantagem numérica. Clarisse deu um choque em Percy com sua lança, e ele recuou, seus cabelos em pé. Então um dos filhos de Ares derrubou-o com um chute. Pensei em ajudá-lo a se levantar, mas decidi dar mais um tempo a ele, afinal, é na prática que se aprende a lutar e se defender. Percy se levantou com dificuldade, arfando.
— A bandeira está pra lá. — ele conseguiu dizer para Clarisse, que estava acabando com ele.
— É, mas veja bem, não nos importamos com a bandeira. A gente se importa com um cara que fez o pessoal do nosso chalé de idiota.
— Vocês não precisam de mim para isso. — Percy respondeu, me surpreendendo novamente. Pelo jeito ele gostava de se meter em encrenca... Dois garotos voaram pra cima dele, que tentou recuar, mas Clarisse foi mais rápida e o acertou com a lança novamente, enquanto o amigo dela dava um golpe com a espada no braço de Percy, derrubando-o no lago. Ok, agora eu precisava fazer alguma coisa. Eles iam acabar matando o garoto! Eu já estava indo ajudar, quando algo aconteceu... Percy pareceu ganhar força, começando a lutar como eu nunca tinha visto antes. Derrubou todos os guerreiros com facilidade e ainda quebrou a lança de Clarisse no meio e a empurrou para o lago!
— Ah! Seu idiota! Seu verme com bafo de cadáver! — Clarisse berrou. Uau. Que criativa.
Ainda estava de boca aberta quando ouvi gritos e Luke apareceu, correndo com a bandeira de Ares na mão enquanto alguns filhos de Hermes cobriam sua retirada. Meu plano tinha dado certo. Vencemos!
— Uma armadilha! Foi uma armadilha! — a filha de Ares praguejou furiosamente.
— Nada mau, herói. — sussurrei para Percy, que olhou em volta, me procurando. — Onde aprendeu a lutar assim?
— Você armou isso para mim. — ele disse, zangado, enquanto eu tirava meu boné da invisibilidade e aparecia ao seu lado.
— Eu disse pra você, Atena sempre, sempre tem um plano.
Ele começou a reclamar, dizendo que o plano era para que ele fosse reduzido a pó, quando percebi um corte de espada no braço dele... que estava se cicatrizando sozinho! Como isso era possível?
— Como arranjou isso? — perguntei, surpresa.
— Corte de espada. O que você acha?
— Não. Era um corte de espada. Olhe só.
O corte não estava mais sangrando, e a cicatriz diminuiu cada vez mais até sumir.
— Eu...eu não entendo... — ele disse, franzindo a testa.
Aquilo era realmente estranho... semideuses não tem a habilidade de se curar sozinhos. Então comecei a ligar os pontos. Percy ganhou aquela incrível habilidade em combate assim que entrou na água... Oh, deuses, isso era um belo problema. Pela primeira vez, espero estar errada.
— Saia da água, Percy. — eu disse, para confirmar meu pensamento. Por favor, que eu esteja errada!
Quando ele saiu, imediatamente ficou fraco e cansado, tive que segurá-lo para que não caísse. Droga.
— Oh, Styx. Isso não é bom. — praguejei — Eu não queria... Eu pensei que podia ser Zeus...
Então ouvimos um rugido, seguido de um longo uivo de arrepiar os cabelos. Quíron gritou para nos prepararmos, havia um cão gigante bem no meio do acampamento! Gritei para Percy correr, mas o monstro foi mais rápido e atacou Percy com suas garras, abrindo vários cortes em seu peito. Os filhos de Apolo, com a mira perfeita, atiraram no cão, mas ele já havia machucado Percy. Graças aos deuses ele ainda estava vivo.
— Di Immortales! — praguejei — Aquilo é um cão infernal dos Campos de Punição! Eles não... Eles não deviam...
— Alguém o convocou. Alguém de dentro do acampamento. — disse Quíron, enquanto Luke se aproximava carregando o estandarte e Clarisse berrava, culpando Percy por toda aquela confusão. Quíron felizmente mandou a estressada fechar a boca. Virei-me novamente para Percy, que estava evitando olhar para sua armadura arruinada e ensanguentada.
— Você está ferido! Rápido, entre na água. — Gritei para ele, e se meus pensamentos estivessem certos ela devia ter o poder de curá-lo.
— Eu estou bem. — ele replicou. Ah, sim, tirando o fato de que a barriga dele estava completamente coberta de sangue, ele devia estar ótimo. Me segurei para não revirar os olhos.
— Não, você não está. Quíron, veja isto. — eu disse, enquanto ele entrava no lago de novo. O cortes no peito dele começaram a se cicatrizar imediatamente, e dessa vez algo mais aconteceu: Um holograma em forma de um tridente apareceu em cima da cabeça de Percy. Meus pensamentos infelizmente se confirmaram.
— Percy... Ahn...— eu apontei o símbolo — Seu pai. Isso realmente não é bom.
— Está determinado. — falou Quíron, enquanto todos os campistas se ajoelhavam — Poseidon, Senhor dos Terremotos. Portador das Tempestades. Pai dos cavalos. Salve Perseu Jackson, Filho do Deus do Mar!
Droga. É, pelo jeito eu realmente não tinha muita sorte. Muito obrigada, deusa Tique. (Também conhecida como Fortuna, se você for um semideus romano.)
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