Annabele Vermont
8 O primeiro encontro que nunca tive.
Minha terça feira é muito rápida, nem vejo o tempo passar, recebo alguns diretores regionais da Vermont e ficamos em reunião para discutir novas metodologias o dia todo, almoçamos em Forks em um restaurante comum. A cidadezinha que é um pouco maior que Lá Push tem pessoas bem diferentes. Nem todos são muito receptivos, e os homens me olham como um pedaço de carne exposto em um açougue. Voltamos para La Push e tivemos uma reunião por vídeo conferencia com alguns outros diretores. A reunião se estende até as 8 da noite e como anfitriã tenho que jantar com os diretores novamente, vamos ao restaurante do Big J. Quando chego em casa já são 10 horas, só consigo tomar um banho e me deitar, fico olhando para o teto por um tempo. Meu celular vibra com uma mensagem de Jacob.
“Senti sua falta hoje, vou ter que me contentar com um dia incompleto.”
Sorrio ao ler. Penso por alguns minutos.
“Também senti a sua! Nos vemos amanhã.”
Adormeço rapidamente.
Em meus sonhos um lobo anda pela praia tranquilamente, o sol ilumina sua pelagem marrom. A brisa do mar balança a vegetação. Tudo é bem calmo e bonito. Quando tento tocar o lobo com a mão ele se desintegra, vira pó.
Acordo assustada. Ainda está escuro, levanto para beber um copo de agua. Pela janela da cozinha, em um relance de olhar vejo dois pontos brilhosos na escuridão da floresta. Como dois olhos grandes de algum animal. Meu coração acelera. Subo para meu quarto rapidamente e deito na cama. Deve ser coisa da minha cabeça. Eu espero que seja.
Pela manha, o trabalho ocorre normalmente. Vou almoçar um pouco mais cedo, Embry e Seth estão na mesa. Quil e Jacob ainda não chegaram.
–Bom dia rapazes.
–Bom dia Anna.
–Bom dia!
Quil chega em seguida, me dá um beijo no rosto e senta ao meu lado.
–Cara, acordei com uma ressaca das bravas. Não sou mais o velho Quil.
–Na verdade agora é que você é o velho Quil. Já não tem a mesma juventude de antes.- Sorrio.
– Não vem tirar sarro não, que você também não é mais a novinha de 18.
Risos.
–Só estou mais experiente.
Desvio meu olhar em direção à janela. Vejo Jacob chegando um uma moto preta. Ele estaciona e retira o capacete, passa os dedos entre os cabelos e desce da moto. Está usando uma calça escura, camiseta branca e jaqueta preta. Caminha até a mesa, nos cumprimenta com um bom dia e um sorriso e senta-se ao lado de Quil. Depois de alguns minutos vejo alguém se aproximar de lado e logo percebo que é o garoto da marina. Ele cumprimenta Quil e Embry como se fossem velhos amigos, A Seth e Jacob ele apenas estende a mão, então seus olhos param em mim.
–Annabele Vermont!
–Olá.
–Lembra de mim? Da marina.
–Sim, eu lembro.
–Voces se conhecem?- Quil pergunta
–Sim. Nos conhecemos outro dia, Annabele estava a trabalho na marina e tive que responder algumas perguntas a ela. Na verdade até a convidei para jantar, mas ela já tinha compromissos. Mas eu não vou desistir. – Ele fala puxando uma cadeira e a colocando entre mim e Quil. Jacob não o olha amigavelmente.
–Então você já tem amigos aqui? – Marco se inclina para trás e coloca uma das mãos no encosto da minha cadeira.
–Sim. – respondo objetivamente.
–E você mora com sua família?
–Não, moro sozinha.
–Interessante. – Ele sorri.
Big J chega e fazemos nossos pedidos.
Marco me interroga descaradamente, sem permitir outro assunto na mesa até terminarmos de comer. Sinto-me desconfortável. Até que ele olha no relógio:
–Já esta na minha hora pessoal, mas foi um prazer almoçar com vocês. Anna, será que essa noite você estaria livre pra conhecer meu restaurante? Eu ficaria muito honrado em te levar para jantar e te conhecer melhor.
Marco é muito abusado. E fala de mais. Invento um compromisso.
–Na verdade eu já tenho um compromisso pra hoje. – Sinto os olhos de Jacob em mim, não sou muito boa em mentiras.
–Que tipo de compromisso? É inadiável? — ele insiste.
Quando ia começar a falar Jacob me interrompe.
–Na verdade Marcondes, é uma grande coincidência, Anna aceitou meu convite para jantarmos juntos justamente no restaurante do seu pai essa noite. – Ele fala se inclinando na mesa. Quil o olha de lado, e Embry prende um sorriso. Marco se surpreende com a fala de Jacob.
–Ah sim, ok então. Tenham um bom dia. – Ele se levanta rapidamente e sai do restaurante.
Ficamos em silencio por um instante, em seguida Embry e Seth soltam o riso.
–você é muito marrento Jacob, o cara estava até se saindo bem! – Embry fala.
– Voces já tinham combinado esse encontro?- Quil me indaga.
Balanço a cabeça negativamente meio envergonhada.
–Agora está combinado, passo na sua casa as 8 Anna. – Jacob fala levantando da mesa e pegando suas chaves. – Agora tenho que ir porque meu pai tem uma consulta no médico em Forks.
Ele sai andando em direção ao caixa sem nem me dar a oportunidade de falar.
Quil me olha de lado com um sorriso malicioso.
–Só me chamem para o casamento ta!
–Cala boca Quil.
–Agora eu vou ter que esperar outra garota gostosa chegar na cidade, por que ai o Jake vai estar ocupado e eu vou ter uma chance. – Embry fala se levantando.
–Gente, parem com isso, é só uma janta.
–É, explica pra ela Quil. Como é o restaurante. – Seth também se levanta e os dois vão para o caixa.
Olho para o Quil, ele sorri.
–O restaurante dos pais do Marco é o mais famoso da região, por ser muito romântico. Até o pessoal de Seattle percorre vários quilômetros para comer lá. Fica na praia, no final da cidade. Se chama Cabana´s e é bem caro. Na verdade a gente sempre brinca que só da pra levar a namorada lá se for pra pedir em casamento, e ai o Jake sempre falava: “No caso, só se a sua namorada for a miss mundo e se você souber que o casamento vai durar a vida toda”. Mas ele não fala pelo valor, por que o Jake está bem financeiramente agora, ele fala pelo romantismo que é exagerado lá.
Fico meio sem reação na hora. Quil sorri de lado a lado.
–É hoje Anna!!! – ele fala rindo. Dá-me um beijo no rosto e levanta. Pagamos a conta e vamos embora. No caminho eu fico o tempo todo pensando no fato ocorrido. Começo a sentir um nervosismo inesperado. Eu realmente não sei o que é me sentir nervosa para um encontro. Chego a minha sala e começo a trabalhar. Depois de mais ou menos 2 horas eu já não estou conseguindo me concentrar. Resolvo manda uma mensagem para o celular de Jacob.
“Jake, eu agradeço pela sua ajuda hoje no almoço me livrando de um encontro ao qual não queria ir. Mas você não precisa me levar para jantar por isso. Eu posso inventar alguma coisa depois...”.
Depois de alguns segundo meu celular vibra.
“Marco foi só um pretexto. Esteja pronta às oito.”
Meu folego some por um segundo. Deixo o celular no canto e trabalho por mais uma hora. Depois decido ir para casa mais cedo. Ao chegar tomo um banho e me deito no sofá por um instante. Meu telefone toca, é minha mãe.
–Anna?
– Oi mãe. Tudo bem?
–Tudo, e você?
–Eu estou bem.
–Que bom.
Ficamos em silencio por um momento.
–Mãe, eu... sinto sua falta.
–Eu também Anna. Seu pai já esta chegando, vou ver como está a preparação do jantar. – ela fala com voz engasgada.
–Tudo bem.
Ela desliga o telefone e eu fico olhando sem foco por uns instantes. Respiro fundo e ligo a televisão. Mudo de canal aleatoriamente, não encontro nada que me chame a atenção. Desligo a Tv e subo até meu quarto. Ligo o Macbook e respondo a alguns e-mails pessoais. Olho no monitor, já são 18 horas. Decido começar a me arrumar, apesar de ainda ser bem cedo. Provo dezenas de vestidos acabo optando por um vestido vermelho com tecido grosso. O vestido é de manga longa e tem ombros no estilo princesa, é bem cinturado e rodado na parte de baixo, é curto, não muito, mas ainda é curto. Coloco uma sandália preta com salto alto e grosso e uma bolsa de mão preta também. Termino de secar meus cabelos que ainda estavam úmidos. Passo uma maquiagem leve, sem realçar muitos os olhos e um batom vermelho mate. Coloco brincos pequenos e um pequeno cordão no pescoço, passo meu perfume usual e hidratante nas mãos. Desço para a sala e fico esperando com a televisão ligada e com um nervosismo de um primeiro encontro que nunca tive. Ouço o barulho do carro, a porta sendo batida, ouço os passos se aproximar e a campainha toca. Meu coração acelera, respiro fundo e caminha até a porta. Pego na maçaneta. Giro. Abro. Vejo.
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