Annabele Vermont
9 Voraz.
Normalmente eu sempre fui uma pessoa muito segura, e sempre tive muita autoestima, na verdade os caras é que ficavam nervosos comigo. Eu nunca enfrentei as inseguranças que as mulheres enfrentam. Mas eu estou assim desde que conheci Jacob. E ao abrir aquela porta eu intendi o porquê. Ele estava em pé na minha frente, estava com uma calça escura justa, uma camisa branca e um blaser preto, seu perfume me atingiu instantaneamente. Eu nunca me senti tão atraída por alguém assim antes. A vontade que eu tive foi de puxá-lo pelos braços e beijar seus lábios carnudos e macios; e não deixa-lo mais sair da minha casa.
O que me reconfortou é que ele também demonstrou sua admiração a me ver. Seus olhos que estavam no chão, ao abrir a porta foram subindo vagarosa e descaradamente, passando por cada centímetro do meu corpo, sua boca se abriu um pouco até que ele chegou em meu rosto. Ele mordeu os lábios inconscientemente e provocadoramente, muito provocadoramente. Seus olhos se estreitaram, e depois de algum tempo em silencio ele se manifesta.
–Na verdade, eu achei que você não pudesse me surpreender, porque eu já te achava a mulher mais bonita que conheci na vida. Então você aparece assim e eu só fico aqui me perguntando por que o Marco não apareceu antes naquele restaurante? – Um sorriso malicioso brota em seus lábios e mais que depressa os meus também põem-se a sorrir, mais até do que eu gostaria.
Ele me estende uma das mãos, coloco a minha mão sobre a dele, ele a beija delicadamente sem tirar os olhos de mim.
– Vamos? — ele me abre caminho.
–Vamos. – Fecho a porta atrás de mim, e seguimos em direção ao carro, ele abre a porta para que eu entre.
No caminho ele intercala seus olhares entre a estrade e eu. Até que acabamos sorrindo um para o outro.
– Você também está muito bonito Jake.
–Obrigado.
Ele mantem seus olhos em mim por tempo de mais, olho para a estrada para que ele perceba.
–Gostaria que eu dirigisse enquanto você me admira? – Sorrio provocadoramente. Ele ri.
–Desculpa, é que não estou conseguindo evitar.
–Seu pai está bem?- mudo de assunto.
–Está sim, só fez alguns exames de rotina.
– Que bom!
Ele liga o rádio e trocamos mais algumas palavras sem muita importância até chegarmos ao restaurante.
Quando avisto o local percebo o porquê de sua fama romântica. O restaurante em si fica bem perto do mar, vejo algumas luzes de vela em seu interior não muito iluminado, na areia da praia do lado de fora existem algumas tochas acesas e vários sofá distantes uns dos outros. Entramos no local e o garçom nos leva até uma mesa. Existem candelabros em todas as mesas, juntamente com arranjos de rosas vermelhas. As toalhas são todas brancas e as paredes têm pequenas luminárias com luzes aconchegantes. Todas as mesas têm apenas dois lugares e o restaurante está quase lotado.
– O casal gostaria de pedir alguma bebida até decidirem seus pratos?
–Eu gostaria de um vinho tinto seco, por favor. – digo.
–Traga uma garrafa e nós dois bebemos. – Jacob completa.
O garçom se retira. Olho ao redor admirando a decoração. As paredes são todas de vidro na parte da frente então podemos ver a praia inteira.
–Gostou?
–É um restaurante muito bonito.
–É sim. Nunca tinha vindo aqui antes também.
–É que não existe muita miss mundo dando sopa por aí né?! – Sorrio cinicamente.
Ele demora alguns instantes e então sorri também.
–Dei sorte hoje. – ele me olha intensamente.
Nossa bebida chega e o garçom nos serve e se retira. Bebo um gole do vinho. Jacob também bebe.
– Me fala de você Anna...
– O que quer saber?
Ele pensa um pouco e se inclina sobre a mesa.
–o que você mais gosta de fazer?
Fico surpresa com a pergunta.
–Gosto de superar desafios.
–Qual foi o seu maior desafio superado?
–recentemente o maior deles foi... falar sobre meu irmão.
–E o que você mais gosta que façam com você? – Seus olhos não desviam dos meus nem por um segundo.
–Gosto que sejam sinceros. Também gosto de ser surpreendida.
Ele para por um momento e desvia os olhos, seus dentes se serram e ele respira um pouco pela boca. Depois de um tempo ele volta a olhar para mim.
–Você já se apaixonou por alguém?
Engulo a seco. Não esperava tanta intensidade.
–Em todos os relacionamentos que já tive, eu nunca me deixei envolver emocionalmente. Mas só agora eu intendo que, na verdade, a gente não manda em nada, só não me envolvi porque nunca me apaixonei...- Desvio meu olhar- E você Jacob Black? Como é sua vida amorosa?
Ele para por um segundo.
–Eu já me apaixonei antes, uma vez. Mas foi um amor platônico. Não era pra ser.
–Seria, se não fosse platônico?
–Nunca deixaria de ser platônico. Porque não é porque ela amava outra pessoa, é porque ela não me amava.
– E você superou isso?
–Demorou muito mais do que eu gostaria, mas sim.
–Como era o nome dela?
–Isabela Swan.
Ele me olha por mais um tempo, bebo mais vinho. Umedeço os lábios com a língua e o olho nos olhos.
Ele estreita os olhos.
–Você não tem noção do que causa nos homens não é?
Rio.
–Não. O que eu causo?- Pergunto me inclinando em sua direção.
Ele sorri, engole a seco e respira bem fundo.
– Descontrole.
Nos encaramos por alguns segundo até que o garçom chega com os cardápios.
–Gostariam de fazer seu pedido?
Ambos pedimos massas com molhos diferentes. O garçom se retira com os pedido e um violinista se aproxima de nossa mesa, solando uma canção romântica. Sorrio em agradecimento, depois de alguns minutos ele se afasta. No outro canto do restaurante avisto Marco atrás de um balcão, ele nos olha no exato momento e desvia o olhar imediatamente. Jacob ri.
– O garoto deve ter ficado traumatizado. — Advirto-o
–Eu não faria isso se ele fosse um cara normal e se você fosse uma garota normal.
–Como assim?
–ah... O Marco sempre tenta tirar vantagem dos outros e vive falando que tem o que não tem. Além de respeitar bem pouco as mulheres em geral. E você Anna... Você acha mesmo que ia deixar o Marco ter o prazer de passar a noite com uma mulher como você?
Sorrio.
–Hoje você está bem direto, não é?
–A culpa é sua. Você me disse que tudo vai dar certo, então não vou mais perder tempo. – Ele me olha com um olhar profundo e um sorriso no canto dos lábios.
Depois de alguns minutos o jantar chega, comemos sem trocar muitas palavras, deferentemente dos olhares. Pedimos uma sobremesa que também não demora a chegar.
–Quer dar uma volta na praia?
–Claro. – Sorrio.
Jake paga a conta e saímos do restaurante, existem decks de madeira que formam um caminho por entre os bancos, o que é bom já que estou de salto.
Ele caminha ao meu lado calmamente. A lua está bem clara e venta muito. Sinto frio e cruzo meus braços. Mais que depressa ele retira o blazer e me entrega para que eu vista. Seu perfume está em todo o casaco. Sentamos em um dos sofás. Ele olha pra mim.
–Gostou da noite?
–Muito, Jake.
O vento bagunça meu cabelo. O coloco de lado deixando meu pescoço a mostra, cruzo minhas perdas, e arrumo o vestido para que o vento não o levante. Jacob acompanha cada um dos meus movimentos e respira profundamente quando olho pra ele.
–Seu perfume é muito bom. – digo.
–Posso sentir o seu? – ele fala me olhando seriamente.
Inclino a cabeça para o lado deixando o pescoço ainda mais evidente. Ele se aproxima, coloca uma das mãos na minha nuca e levanta um pouco mais meu cabelo. Sinto o calor de seu rosto ao se aproximar, ele respira profundamente. Arrepio-me. Ele continua a milímetros de mim e então sussurra.
–Continua tão bom como quando o senti assim que você abriu a porta da sua casa.
Sorrio... mordo o lábio inferior inconscientemente. Jacob não se afasta.
–você não deveria morder seus lábio assim Anna... Meu autocontrole não é tão bom.
Sorrio e olho para a praia.
–Quem disse que é pra se controlar?
Volto meu olhar a ele sedutoramente, nossos rostos estão a centímetros de distancia. Posso sentir o calor do seu hálito.
Ele estreita os olhos e serra os dentes. A sua mão que esta em minha nuca me puxa, e então nossos lábios se encontram. Sua boca quente e macia me invade com uma voracidade delirante. Sua outra mão se dirige e, firmemente, aperta minha cintura juntando ainda mais nossos corpos. O beijo é tão surreal que meu coração é quase audível. Sua língua invade minha boca e sua mão percorre toda a extensão de minhas costas. Minhas mãos penetram em seus cabelos grossos e meu corpo se aquece por inteiro. Incessantemente nos beijamos até faltar o folego. Então nos afastamos, duas respirações ofegantes se confundem, Jacob não solta meu corpo e seus olhos me invadem assustadoramente. Nos beijamos novamente, dessa vez menos ferozmente, mas mais demorado. Suas mãos descem pela lateral do meu corpo até a minha coxa. As minhas mãos percorrem os músculos das suas costas. Ele se inclina sobre mim. Todas as sensações juntas me levam a um estado inerte ao mundo externo, só sinto seus lábios queimando em minha boca. E então depois de um tempo nos afastamos. Sua mão que estava em minha coxa rapidamente é retirada. Sorrio. Ele sorri também. Ainda estamos ofegantes.
Ele me trás pra perto dele em um abraço. Respira fundo em meu pescoço e o beija sorrateiramente. Sua mão acaricia meus cabelos. E ele sussurra em meu ouvido.
–Annabele Vermont, você não pode mais ir embora.
Então se inclina novamente para me beijar.
Assim passaram-se 2 horas sentados no sofá em frente a praia entre beijos, sorrisos e olhares. Decidimos ir embora. No carro ele me faz sentar bem perto dele e divide os olhos entre mim e a estrada.
Ele desce para me levar até a porta de casa. Para na minha frente com as mãos no bolso. Se fossem outros tempos eu já o convidaria pra entrar, mas com ele é tudo diferente. Ele sorri ao me olhar. E me abraça forte. Me aqueço no calor de seus braços. Delicadamente, desta vez, ele beija meus lábios. O beijo acaba com gosto de quero mais. Sorrimos. Devolvo seu blaser.
–Obrigada Jake. Pela noite.
–Eu que agradeço. – um sorriso malicioso brota em seus lábios.
–Boa noite Jacob Black.
–Boa noite Annabele Vermont.
Entro em casa. Ouço o carro se afastar. Toco meus lábios me lembrando de cada milésimo de segundo do que aconteceu essa noite. Sorrio sozinha.
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