Anna Prior - Em Busca de um Passado Esquecido

9 Capítulo 8 - Mas eu não quero esquecer


Notas iniciais
Aqui estou eu, com mais um capítulo pra vocês!!!!! Eu amo esse cap de paixão, e espero que vocês gostem dele também!!!! E muito obrigada para quem está lendo e comentando!!!!

– J-Julia – comecei, gaguejando um pouco. Meus olhos estavam esbugalhados, tomados pelo choque. FZ parecia igual, porém um pouco mais furioso. Julia exibia uma ansiedade quase demoníaca, como aquelas crianças de filme de terror.

– É hora de você estar acordada por acaso, mocinha? – FZ esbravejou, tentando parecer mais irritado do que realmente estava. Na verdade sua voz saiu trêmula e terrivelmente falhada, pouco convincente.

– E é hora pra planejar fugir de casa por acaso, mocinho? – Julia imitou o tom que FZ queria ter conseguido usar. Ela cruzou os braços no peito depois de ajeitar o cabelo atrás da orelha. Uma pose triunfante, como quem diz “Eu descobri o que vocês estrão aprontando e vou contar paro papai e pra mamãe”.

Eu definitivamente não podia deixa ela ferrar com a nossa viagem. Não, não e não. Ela definitivamente precisava calar a boca.

– Vai dormir – FZ respondeu, desta vez em um tom mais convincente – Agora – completou, fazendo cara de poucos amigos e cruzando os braços, exatamente como a irmã.

– Não – Julia teimou, abrindo um sorriso – Não até vocês me contarem – ela colocou as mãozinhas na cintura, parecia estar até feliz com toda aquela chantagem.

Vi FZ enrijecer. Ele murmurou algo como “pirralha” e abriu a boca de novo para começar a falar, mas eu o cortei.

– O que você ouviu? – perguntei, com a voz trêmula. Logo depois me senti uma estúpida por abrir a boca, aquela frase admitia de certa forma que nós havíamos falado sobre algo que ela não poderia escutar.

– Tudo, eu estava aqui desde o início – ela respondeu, feliz. Permiti-me um minuto de choque antes de me dar conta: ela estava blefando, é claro que não tinha escutado tudo. Lancei a irmã de FZ um olhar repreensivo, como quem diz “Eu sei que você não está falando sério”. Julia revirou os olhos – Ta, eu só peguei a parte no fugir e talz.

Senti o alívio chegar ao meu corpo como se fosse uma onda. Ela ouvira, mas não muito. Pelo menos assim era melhor. Suspirei mordendo o lábio inferior.

– Julia, vai dormir – FZ disse pausadamente com a mandíbula cerrada, quase soletrando as palavras. Ele lançou um olhar assassino à irmã, que permaneceu teimosa a insistente.

– Só me expliquem o que vocês estão planejando – Julia começou, tentando fazer cara de cachorrinho que caiu da mudança – Por favorzinho – ela apelou e fez biquinho.

– É coisa de gente grade Julia – eu disse, tentando usar um tom mais adulto. Lembrei-me de como eu odiava que me dissessem aquilo quando eu era criança. Se bem que, eu e FZ, não somos bem “gente grande” – Vai dormir, vai. – completei com aquela vozinha exagerada que se usa para falar com crianças.

– Nem vem que vocês são gente média – Julia disse, quase lendo o meu pensamento, e cruzou os braços. Ela caminhou com passou decididos até a cama e pulou pra cima dela, sentando-se no lugar em que antes eu estava. – Não saio daqui até vocês me contarem! – completou, em um tom que não deixava dúvida de que ela conseguiria o que quisesse, custe o que custar.

FZ jogou os braços para cima e suspirou pesadamente, em um tom de derrota. Ele caminhou a passos lentos até a porta e a fechou, procurando não fazer muito barulho.

– O pai e a mãe acordaram? – FZ perguntou com um tom irritado. Julia fez que não com a cabeça, sem perder aquele brilho nos olhos que estava presente nos seus desde que ela chegara ali.

Sentei-me ao lado dela na cama, um pouquinho mais atrás, fazendo sinal para ela ir para o lado. FZ sentou na cadeira, suspirando pesadamente mais uma vez.

– É o seguinte Julia, agente vai ter uma aventura – comecei, olhando nos olhos dela. Sempre me dei bem com crianças no geral, por isso me considerei a mais apta para explicar aquilo para ela. – Tipo nos filmes, sabe?

Julia balançou a cabeça em sinal de afirmação. FZ quis começar a explicar, mas eu fiz um sinal para que ele se calasse. Eu iria fazer Julia entender e ficar de bico fechado, ele que não atrapalhasse.

– Só que ela é longe de casa – continuei, depois do olhar interrogativo da menina – Mas é legal e segura – completei esboçando um sorriso. Eu imaginava que Julia, toda curiosa, me soltaria uma enxurrada de perguntas, mas ela me surpreendeu. Uma risada infantil de puro divertimento e zombaria ecoou pelo cômodo.

– Você acha mesmo que eu tenho cinco anos, é? – Julia parecia meio irritada, mas ria até não poder mais. Eu estava espantada, o que eu fizera de tão errado assim? Olhei de lado para FZ e notei que ele também ria um pouco, mesmo tentando esconder isso – Ta bom, eu calo a boca com duas condições, primeira: me digam para onde vocês vão.

– Departamento – FZ respondeu sem rodeios e completou, diante da expressão confusa de Julia – Você não conhece, joga no Google depois – e abriu um sorriso maroto que eu retribui. Ambos sabíamos que ela não encontraria absolutamente nada no Google.

– Agora escutem a segunda – Julia disse fazendo pose de importante. Eu podia ver um sorriso brincar nos seus lábios, exatamente como acontecia com FZ, só que um pouco menor e mais travesso, ela só podia estar aprontando alguma. Julia tomou fôlego e completou – Vocês tem que me levar junto!

Isso é apenas uma expressão, mas eu juro que o meu queixo caiu. Fiquei abismada, boquiaberta, surpresa. Ela só podia estar brincando, não é?

– Sem chance – FZ foi o primeiro a se pronunciar, em um tom firme, quase lendo a minha mente. Ele chegou a se levantar, com uma expressão fria e calculista que eu havia visto poucas vezes eu seu rosto. Mas Julia permaneceu inabalável.

– Vai ser legal, né? – ela abriu um sorriso contagioso, mas a sua voz tinha um toque de súplica misturado à alegria que sempre irradiava dela. – A me deixa, vaaai – completou, com um tom manhoso, aumentando algumas letras da frase por puro dengo.

– Julia, não, eu to falando sério – respondi fazendo a cara mais séria que eu conseguia. Julia abriu um beicinho, eu arqueei as sobrancelhas, pronta para uma chantagem.

Mas, de novo, a pirralhinha me surpreendeu. Ela mostrou uma língua comprida com puro desprezo, depois murmurou algo como “feios” e por fim, cedeu.

– Affff seus... – ela reclamou, cruzando os braços – Mas ta – ela havia cedido cedo de mais. Julia foi andando até a porta do quarto, ainda emburrada.

– Espera – FZ a barrou, colocando a mão em seu braço fino. – Você não vai sair contando pro pai e pra mãe, né? – bati a mão contra a testa. Ele não precisava ter dado essa ideia. FZ olhou de lado para mim e cruzou os braços sobre o peito, não pude deixar de notar como seus bíceps eram definidos e fortes, com toda a certeza, um pensamento estúpido.

– Eu não sou X9 né! – Julia respondeu indignada, posicionando suas mãos na cintura como que para dar mais veracidade à fala – Eu quero muito ir, mas não vou estragar a aventura de vocês – ela fez uma carinha triste e manhosa, que quase me fez ceder. Quase.

Julia abriu a porta e começou a sair do quarto com passos lentos, esfregando os olhos cansados de uma forma preguiçosa e melancólica. FZ soltou um suspiro, juro que vi uma pontinha de remorso passando pelo seu rosto.

– Boa Noite – ele sussurrou e ficou acompanhando a irmã com os olhos até ela entrar no próprio quarto e fechar a porta decorada com adesivos. Instantes depois FZ fechou a porta novamente, desta vez um pouco mais feliz do que antes, afinal, aquele sorriso nunca cansava de brincar em seus lábios.

Sentei na cama mais uma vez com as pernas esticadas. Passei os dedos pelos meus cabelos bagunçados, de repente eu começara a me importar pelo menos um pouco com a minha aparência.

– Pelo menos ela vai ficar quieta – tentei quebrar o gelo e acabei percebendo, meio tarde de mais, que eu sorria abundantemente.

– Não duvido – FZ respondeu, me fitando com os seus olhos cor de âmbar.

– Pois é... – comentei, indignada com a falta de assunto. De repente lembrei-me sobre o que estávamos conversando antes da intromissão de Julia – Mas e aí, vamos fugir mesmo?

Levantei os olhos e dei de cara com uma imagem bem estranha. FZ não estava mais sentado, e sim em pé. Ele se apoiava no peitoril da janela e olhava para fora, provavelmente sem prestar atenção em mim.

Seu olhar doce, conturbado e inquietante logo se voltou para mim prontamente. Pude ouvi-lo pegando fôlego, sugando o ar para os seus pulmões como se tivesse corrido uma maratona. Não pude deixar de pensar que talvez ele estivesse pegando coragem.

Notei que o meu próprio coração estava batendo mais rápido, descompassado e ansioso, eu não tinha ideia do que ele iria fazer, mas alguma coisa dentro de mim se desquietou.

FZ deu um passo para o lado da cama, em minha direção. E depois outro, então mais um, o que cobriu toda a distância entre nós. O brilho da lua refletiu mais uma vez em seus cabelos cor da noite, criando uma combinação perfeita e estranha ao mesmo tempo.

Ele colocou os joelhos na cama, quase ao meu lado, e então sentou sobre as panturrilhas fazendo sua bermuda de amontoar nas coxas. Sua expressão era uma mistura de ansiedade, felicidade e determinação.

Então, quando o seu corpo esguio se inclinou na minha direção, a compreensão me atingiu como um balde de água gelada. De repente eu podia sentir meu sangue correndo nas veias, meu coração prestes a ter um enfarte e a minha respiração ofegante. Não pude acreditar: FZ iria me beijar? Me beijar? Beijar?

Enquanto eu entrava em pânico o seu corpo continuava se inclinando para perto do meu. Ele havia apoiado as mãos na cama e ficado de quatro, aproximando seu rosto delicadamente do meu. Seus olhos estavam fechados e a boca meticulosamente aberta, como se ela estivesse pronta para encaixar-se na minha.

Fiz a única coisa que eu poderia ter feito naquele instante: virei o rosto para o lado direito, mirando a parede. Fechei os olhos a tempo de sentir seus lábios macios roçando sobre a minha bochecha, uma sensação estranhamente reconfortante e imprópria.

Continuei com os olhos fechados, tentando acalmar a tempestade dentro de mim. Fiquei imóvel enquanto eu ouvia FZ se levantando e sentando novamente na cadeira, tão mudo quanto eu.

Precisei de toda a minha coragem para abrir os olhos, e mais um pouco dela para encarar FZ. Eu ainda podia sentir os seus lábios na minha bochecha, tão familiares, macios e tempestuosos ao mesmo tempo.

Senti o calor subir a minha face, que em instantes, ficou tão vermelha quanto a de FZ. E eu só consegui ficar ali, encarando-o boquiaberta, sem acreditar.

– Desculpa – a voz de FZ saiu tão firme o quanto possível. Ele virou o rosto para baixo e mordeu o lábio, tão arrependido o quanto possível – Só vamos esquecer, ta legal?

Então, eu não senti apenas como se uma onda tivesse me atingido. Eu senti um maremoto inteiro me derrubando para trás. Não literalmente é claro, mas eu tive que colocar as mãos atrás das costas para não cair.

Foi pior que um balde da água gelada sendo jogado na minha cabeça. Por que eu de repente enlouqueci e cai por mim no exato instante em que pensei “Mas eu não quero esquecer”.

E talvez eu não quisesse mesmo. Talvez eu desejasse imensamente não ter virado o rosto. Não ter sentido sua boca roçando na minha bochecha e sim na minha boca. Talvez eu quisesse um beijo. Mas talvez eu estivesse ficando louca.

Sabe aquela pontinha de ansiedade no fundo do seu estômago? O meu já havia se afogado completamente nela, eu tinha vontade de vomitar o coração pela boca de tanto que ele batia desamparado, ansioso e receoso ao mesmo tempo.

Não sei de onde eu tirei a coragem, a ousadia e a força para mover o meu corpo. Não sei quanto tempo eu demorei, que movimentos eu fiz, ou se eles foram calculados ou não.

Em instantes ou uma eternidade, não importa, estava na frente de FZ, que me encarava sentado, com os olhos esbugalhados. Minhas pernas estavam bambas, eu não me coordenava mais, tudo em mim gritava para eu fechar os olhos e correr. Mas eu fui mais forte, não sei como, apenas fui.

Apoiei as mãos nos braços da cadeira, tentando me equilibrar. Eu duvidava que eu estivesse tão graciosa quanto FZ estivera antes. Sentia um turbilhão de emoções corroendo o meu coração como eu sentia o meu cabelo loiro espalhando-se pelos meus ombros.

Num instante eu tive certeza. Uma certeza única, especial. Como eu tinha certeza do chão sob meus pés eu tinha certeza que deveria beija-lo. Não sabia como, mas deveria.

Eu não me inclinei com uma delicadeza calculada, como ele havia feito, eu simplesmente me joguei. Joguei-me em cima de FZ, fazendo a cadeira tombar para trás e cair no chão com um barulho estrondoso. Nós dois caímos junto, eu por cima dele, em uma posição constrangedora, mas com os rostos incrivelmente perto.

Um sorriso brincou em seus lábios vermelhos. Senti os meus próprios lábios secos e os molhei com a língua. Eles ficaram molhados de mais dessa vez, mas eu não liguei, só inclinei meu rosto em direção ao dele, fazendo as nossas bocas se tocarem.

Não sei dizer como foi, e também não vou ficar fantasiando espalhando que foi mágico e maravilhoso. Eu podia sentir um mar de cabelos nos cobrindo e o meu coração martelando contra o peito.

Eu realmente encostei a minha boca na dele, e juro que acabei beijando também o seu nariz sem querer. Foi molhado e estranho, eu não consegui colocar a minha língua entre os dentes dele, não consegui que fosse romântico ou mágico, não consegui fazer com que fosse um beijo de verdade.

Na verdade foram duas bocas estranhas se tocando. Duas pessoas se beijando, tentando enfiar a língua dentro da boca uma da outra.

Eu sabia que FZ já devia ter beijado muitas meninas. Mas eu tinha quatorze anos e ridicularmente nunca tinha beijado na boca. Sim aquele era o meu primeiro beijo, o famoso. E eu sabia que ele iria grudar na minha memória como chiclete gruda do sapato, eu querendo ou não.

Então, o que eu posso dizer é que foi especial de certa forma. Especialmente molhado e esquisito. E talvez com uma pessoa especial. Que ficaria especialmente guardada em um lugar especial do meu coração pequeno e maluco.

Por fim, eu tomei fôlego. Desisti de tentar fazer algo a mais e rolei para a direita, consciente do chão gelado sobre as minhas costas, do meu cabelo emaranhado sobre o meu rosto e do sorriso bobo que ameaçava desabrochar dos meus lábios.

Apoiei-me nos cotovelos e passei a mão pelo cabelo. O que me desmoronou foi olhar para o lado e ver a expressão de choque o no rosto de FZ, meu sorriso esvaiu-se em menos de um segundo. Porém a sua expressão mudou nesse mesmo tempo recorde, passado para a alegria a satisfação.

Então, de repente, a ficha caiu. Eu não vou usar a metáfora do balde de água mais uma vez, mas foi como tomar um choque. Eu realmente havia beijado FZ. Meu amigo desde sempre. Tipo eu beijei o meu melhor amigo cara, como assim?

Eu sinceramente queria dizer que parecia beijar irmão, mas não posso. Porque primeiro eu nunca beijei um irmão, e segundo que, se eu admitisse isso, seria como dizer que eu sou fã de incesto.

Porque pode ter sido molhado, esquisito, sem jeito. Mas foi pelo menos bom. Um pouco bom, um pouco inesquecível e um pouco molhado. E sim, aquilo grudaria na minha cabeça bem mais do que chiclete.

Mas então, por que raios o que acabara de acontecer parecia tão certo e errado ao mesmo tempo?

– E aí, você gostou? – escutei FZ se pronunciar ao meu lado. Ele sorria para mim, aquele sorriso brincalhão e de bad boy ao mesmo tempo. Arregalei os olhos, eu devia estar muito vermelha – Mas sabe, agente pode fazer bem melhor do que isso...

Juro que eu quase literalmente vomitei o coração pela boca. Ele queria me beijar de novo? Sem chance.

Senti minhas palmas suarem e as minhas pernas bambas. Levantei-me meio nauseada e fui até a cama cambaleando, um furacão de sentimentos girando dentro de mim. Agarrei a minha mochila e enfiei dentro dela o que eu pude me lembrar que trouxera, ainda com a mente em outro lugar e as mãos apressadas, mas vacilantes.

Fechei o zíper correndo e juro que acabei esquecendo alguma coisa. Joguei a mochila nos ombros e dei um jeito nos cabelos, querendo me enfiar em um buraco.

Notei que FZ já estava de pé com um sorriso estranho plantado nos lábios e uma expressão de dúvida no rosto. A cadeira continuava caída no chão, como em uma prova viva de que aquilo realmente acontecera. Fiz o possível para não ligar e sair daquele quarto, mas ele me barrou quando eu estava quase na porta.

– Me desculpa – foi tudo o que eu pude dizer olhando dentro dos seus olhos cor de chocolate.

Não fiquei ali para ver a reação dele ou especulei o que ele poderia ter respondido. Apenas sai, meio andando meio correndo. Torci para que ninguém tivesse acordado enquanto eu abria a porta com a chave que ficava do lado de dentro.

Desci de elevador contando os segundos e as batidas do meu coração desamparado. Sai pela garagem enquanto um vizinho abria o portão para entrar. Ele não me fez perguntas, eu não o deixei faze-las.

Então eu caminhei ou corri, tanto faz, na noite escura como um breu, já passando das dez horas. Andei a passos rápidos até em casa, deixando que a escuridão densa e reconfortante apagasse de mim o que eu não queria mais lembrar. E o pior de tudo, é que uma pontinha do meu coração ainda insistia em não esquece-lo.

Notas finais
E aí, gostaram? No próximo capítulo..... "– Ele ligou – Tobias me informou, pronunciando cada palavra como se fosse uma sentença de morte. Eu senti como se tivesse levando uma pancada da cabeça. FZ ligou? Como assim? E ele disse o que? “Oi Tobias, a sua filha me beijou, sabia? Tchau”. Quase tive um treco depois daquele pensamento. Como que lendo a minha mente Tobias continuou – Ele disse que você saiu de lá correndo, que temia que você não chegasse em casa bem. Aquilo com certeza foi pior do que um balde da água gelada. Agora ele se importava com a minha segurança? Só por que tínhamos nos agarrado ele queria saber se eu tinha chegado bem em casa? Fiquei surpresa por alguns segundos. Logo depois, uma enxurrada de memórias me atingiu de repente." Comentem!!!!!