Anna Prior - Em Busca de um Passado Esquecido

29 Capítulo 28 - O pior ainda está por vir


Notas iniciais
Boooooooa Noite gente!!!!!! Mil desculpas pela demora para postar o cap, eu tava toda enrolada hoje! Mil desculpas também pra quem ainda não teve o seu comentário respondido, eu prometo que eu já resolvo isso!!! Enfim: Boa Leitura! EDITADO: Gente! Eu to toda confusa por causa do feriado, e eu JUREI que ontem era sábado!!!! Meu Deus! Bom, agora eu não vou excluir não, um dia da adiantamento não tem problema!

A escuridão me evolveu de uma hora para a outra. Com angústia, desespero e pavor. Não era uma escuridão terna. Ao contrário disso. Eu não via nada, me coração batia descontrolado e apenas uma palavra ressoava em minha mente.

Medo.

Comecei a ficar angustiada. Minhas pálpebras pareciam coladas pelo desespero. Tentei respirar fundo. Mas eu não conseguia encontrar ar puro. O medo começou a se instalar um mim.

Senti meu corpo quente. Consumido por um calor externo. Muito mais do que febril. Eu parecia estar...queimando. Uma lufada de fumaça aterrou-se em meus pulmões. Meu coração apertou e eu me forcei a abrir os olhos.

Um campo grande se estendia diante de mim. Olhei para baixo e me vi...Queimando. As chamas me consumiam lentamente em um emaranhado artístico e angustiante. Labaredas ardentes subiam pelas minhas pernas, beliscando meu quadril.

Desesperada, tentei me soltar, correr, ou fazer o que fosse. Eu estava amarrada com cordas firmes a uma rocha grande. Senti algo negro envolvendo o meu coração em desespero. Angústia. Medo. Temor.

Meu corpo ardia. Doía. Eu podia sentir a minha pele em carne viva. Tudo o que eu queria era gritar para que todos ouvissem. Gemi baixinho e fechei os olhos, sentindo uma lágrima escorrer pela minha bochecha. Ai.

Semicerrei meus olhos marejados. O fogo. Que me angustiava. O fogo. Que antes não passava de meu joelho e agora queimava minha cintura. O fogo. Que ardia. O fogo. Que deveria arder mais.

Balancei a cabeça. Estava doendo. Mas deveria doer muito mais. Lembrei-me da vez em que eu, sem querer, coloquei o indicador em um caldo fervente. Eu era pequena, mas me lembrava: Doeu muito.

E a dor que eu estava sentindo não chegava nem perto.

Ela não era física.

Ela não era real.

Fechei os olhos e libertei meu coração da angustia. Ou, pelo menos tentei. Eu ainda podia sentir. Dor. Medo. Desespero.

“Não é real” repeti a mim mesma “Nada disso é real”. Respirei fundo Meu coração não desacelerava. Eu não conseguiria. Eu tinha que conseguir. Nada daquilo era real. Nada daquilo era real.

Mas algo podia ser.

Apertei os olhos. Imaginei as nuvens cinza chegando até mim. Vi os trovões anunciando a própria chegada e a brisa se tonando um vento forte enquanto a chuva dava seus primeiros sinais. Chuva. Pensei nas nuvens derramando agua por todo o campo. Apagando o fogo com gotículas geladas e me deixando livre.

Sorri quando a primeira delas tocou a minha bochecha. Abri os olhos de vagar, ainda com o coração martelando nos ouvidos. A chuva estava brigando com o fogo em ritmo constante, me deixando, por hora, livre da ardência desesperadora.

Coloquei a língua para fora, me vendo livre das chamas. Meu coração estava se acalmando e se livrar das amarras era fácil. “Acabou” Consolei, feliz, a mim mesma. Não queimava mais. Não ardia mais.

Foi quando tudo ficou escuro de novo.

Minhas pernas perderam a força e os meus pulmões de viram sem ar. Envolvendo-me em agonia novamente. Caí na grama morta e tentei, em vão, me levantar. Machas escuras cobriram meus olhos enquanto meu coração disparava.

Me debati no chão, forçando minha mente a não apagar. Mas eu não conseguia me levantar. Meus braços e pernas pareciam presos no chão. Como se alguém forte estivesse os segurando. Eu só precisava abrir os olhos...

Meu coração disparou com o que eu vi a minha frente. Gritei. Puxei meu corpo com força. Mas ele me segurou mais. Era um homem grade, corpulento e com um cheiro repugnante.

Gritei novamente. Seus braços pendiam os meus aos chão e suas pernas peludas se enrolavam nas minhas. Comecei a ficar desesperada. O que ele iria fazer comigo? Estuprador parecia estar escrito na sua testa. Quer dizer, estaria se ele tivesse uma. E essa era uma das partes mais repugnantes: Ele não tinha rosto.

Me vi ofegante. Tentando escapar daquele aperto. O homem se mexia em cima de mim grudando sua cintura repugnante na minha. Gritei com todo o fôlego da que eu tinha. Minha vontade era de vomitar.

Foi quando sua mão direita saiu de meu braço que eu tive uma ideia. Gritei de novo, vendo aquele dedão sujo colocar-se na barra da minha calça. “Pense Anna, pense”. O “meio” de suas pernas abertas, que parecia querer você-sabe-o-quê, estava totalmente exposto. Senti nojo de mim mesma.

“Não é real Anna. Pense. Faça”

Deixei que ele se distraísse com o elástico da minha calça enquanto eu continuava gritando. Cerrei o punho de vagar e fui descendo o meu braço. Senti meu coração disparado. Um. Dois. Três. Agora.

Lancei minha mão cerrada com toda a força em direção ao meio de suas pernas. Um gemido alto ecoou pelo ar. Meu punho o atingiu em cheio e eu logo senti seu aperto afrouxar enquanto ele se contorcia de dor.

Rolei para o lado e me impulsionei. Em menos de três segundos eu estava de pé. Correndo. As batidas temorosas de meu coração ressoavam por todo o meu corpo. Continuei correndo. Eu sentia nojo de mim mesma. Corri. Tudo o que eu queria era livrar o meu corpo de seu cheiro. Corri mais rápido.

Água.

Senti que o chão aos meus pés não era mais grama e estava úmido. Não úmido, mas molhado. De repente, a água chegava aos meus tornozelos. E eu não tinha para onde correr.

De novo, uma grande caixa me envolvia. Não era uma caixa. Era aquela caixa. O ar me faltou de repente Com as mesmas paredes que se moviam em minha direção fazendo minha claustrofobia me enjaular.

Respirei fundo. A água fluía por todos os lados e, em segundos, já passava do meu joelho. Senti meu coração disparar.

Eu sabia o que aconteceria em seguida. A caixa iria diminuir cada vez mais até me forçar a sentar no chão. Ela iria me enjaular até a morte enquanto a agua aumentava seu nível. Me obrigaria a respirar com o pescoço esticado enquanto eu tentaria, em vão, acalmar meu coação desesperado.

Eu sabia. E tinha medo. Eu morria de medo.

Enquanto eu pensava no que tinha que eu fazer, a caixa diminuía e a água aumentava. Fechei os olhos, tentando não me desesperar. Curvei o meu pescoço e escorreguei pela parede.

Respirar estava cada vez mais difícil. A agua batia em meus ombros, criando marolas desesperadoras. Apertei os olhos. Aquela caixa era muito pequena. Clamei por ar.

Eu tinha que acalmar meu coração. Só não sabia como. A sensação da caixa diminuindo e me espremendo era constante. O movimento água ressoava em meus ouvidos, a própria já roçava em minha boca. Meu coração batia cada vez mais rápido. Estiquei o pescoço em busca de ar. Eu tinha que acalma-lo.

Apertei os olhos e deixei que minha mente levasse. Pensei em FZ. Em nosso primeiro beijo. No segundo, terceiro e quarto. Em cada perfeita vez em que sua saliva entrou um minha boca.

Em como o seu braço me fazia bem. Aquele abraço quente e aconchegante, que me fazia sentir-me viva. Sorri, ou pelo menos tentei. Eu daria tudo para estar em seus braços novamente. Para sentir o gosto de sua boca mais uma vez.

Eu podia sentir o meu corpo relaxando. Mas não, eu não podia voltar a minha mente para...Suspirei, me esforçando para pensar em tudo, menos na caixa. Lembrei da noite estrelada da tirolesa. Da emoção, adrenalina e paixão que eu senti. E, de repente, mas coração batia de vagar novamente.

Quando consegui respirar, o ar entrou em uma grande quantidade em meus pulmões. Abri os olhos. Eu estava naquele campo, de novo. Eu estava livre. A água não havia me afogado. A caixa não havia me esmagado. Sorri, aproveitando aquele segundos em que eu ainda estava bem.

Um formigamento no meu braço direito me acordou. Eu tinha a plena consciência de que eu estava deitada. E de uma ardência subindo pelo meu braço. Gemi. Estava doendo. Juntei forças para me mexer, virei o pescoço de vagar. Gritei.

Meu braço estava em carne viva. Jorrando sangue de cada centímetro de musculo decepado. Um cheiro podre vinha de todo ele e toda aquela mistura macabra me dava náuseas. Mas o mais assustador não era o estava do meu braço, mas sim o que havia feito isso com ele, ou melhor, quem. Eu não sabia dizer se aquilo ainda era uma pessoa. Aquela criatura que mastigava o meu braço sem piedade com a boca coberta de sangue e carne humana.

Gritei. A dor fazia todo o meu corpo ter espasmos. Ela era latejante e insuportável. A agonia consumiu todo o meu ser. Gritei com todo o fôlego dos meus pulmões. Eu estava com medo. Dor. Nojo. Agonia. Medo.

Canibalismo. A palavra me fez ter vontade de chorar. Ai.

A dor me consumiu. De repente, tudo o que eu podia sentir eram as pontadas, cortes e mordidas. Gritei. Gemi. Urrei. Clamei por ajuda. Mesmo sem poder ver, eu sabia que cada perna, braço e qualquer outro membro que eu ainda tivesse estava sendo devorado por uma daquelas criaturas horripilantes. Gritei. A dor tomou conta da minha mente.

Como eu ainda não morri? Pensei entre gritos e mordidas. Gemi. Gritei o mais alto que pude. “Isso não é real” tentei me concentrar nesse pensamento. Mas a dor era agonizante, cortante e aterrorizante. “Acalme o seu coração”. Eu não queria mais lutar. Meu corpo se contorcia. Gritei.

Não era “como se eu estivesse sendo devorada”. Eu estava sendo literalmente devorada. Meus gritos desesperados cortavam o ar. Doía muito. E ninguém me ouvia. Quando eu iria apagar? Eu tinha que apagar. Dormir. Escapar daquilo. Gritei.

Eu estava chorando. Soluçando. Gritando. Lágrimas molhavam o meu rosto em meio aquele banho de sangue. Gritei, agonizada. Aquele pesadelo não acabaria? Eu só tinha que...

“Seja corajosa Anna”

Uma lufada de ar entrou em meus pulmões de repente, me enchendo de vida. Gritei. Mas não fui um grito de agonia. Foi um grito de liberdade. Um grito arrancado de minha garganta fraca e que ressoou por todo o campo. O som de minha voz determinada ecoou em meus ouvidos.

Eu tinha que sair daquilo.

Me contorci. Gritei. Chutando para todos os lados como um polvo. Uma nova energia pulsava dentro de mim. Aquela dor paralisante que antes tomava todo o meu corpo havia desaparecido.

Eu não sentia nada, tudo parecia se resumir aqueles segundos que eu levei para me libertar. Aqueles instantes que me fizeram reerguer meu corpo acabado, fortalecer a minha mente fraca e cessar meus gritos de agonia.

Pulei. Eu menos de três segundos eu estava de pé. Minhas pernas, que deveriam estar em carne viva, me sustentavam no chão com uma precisão impressionante.

E elas haviam desaparecido. As criaturas canibais, não estavam mais ali. Olhei para os meus braços e pernas. Eu deveria ver um banho de sangue, carne podre e membros devorados. Mas tudo que encontrei foi uma pele lisa cintilando a luz do sol.

Sorri. Desfrutando dos próximos cinco segundos de felicidade. Fechei os olhos. Eu me sentia nas nuvens.

Na verdade, eu me sentia literalmente nas nuvens.

Percebi o vento ficando gradativamente mais forte. De repente, aquele cheio de grama molhada não estava mais no ar. Eu quase não podia sentir o chão sobre meus pés. Na verdade eu sentia um pedaço de chão, frio, duro e instável.

Abri os olhos de vagar. Soltei um grito. Fechei os olhos de novo, tentando me recompor. Meu coração tinha chegado a boca e estava batendo mais rápido do que nunca. Eu não podia ficar de olhos fechados.

Depois de mais um grito, movi minhas pálpebras apenas pra confirmar o que eu já havia visto. Meu corpo estava equilibrado sobre o parapeito, uma pequena mureta frágil, de um prédio imenso. Meus pés oscilavam, tremendo ao ver os borrões pretos que deveriam ser o chão a quilômetros de onde eu estava.

Tentei me mexer, dar um passo atrás, mas era como se estivesse presa. Gritei. Eu nunca tive medo de altura. Nunca, até agora. Meu estômago revirava, mascarando minha respiração ofegante. Eu não podia me mexer.

Para trás. Eu não podia me mexer para trás. O que significava que...Não, definitivamente não. Meu coração estava batendo na garganta. Eu não era tão louca assim. Não a ponto de pular.

Senti o vento ficando forte, como se ele quisesse me dizer “Pule”. “Pule ou caia”. Respirei fundo. Eu estava cada vez mais instável. Senti meu coração disparar. “Isso não é real” repeti para mim mesma. Pule.

Eu não tinha tempo para ficar me remendo. Fechei os olhos. Abri os braços. Senti meu coração martelando no peito. “Vamos Anna. Não é Real. Seja corajosa”. Respirei fundo, com o medo trancando minha garganta.

Pulei.

A princípio senti só o vento. De todos os lados do meu corpo. Me consumindo. Me levando. Então o zumbido em meus ouvidos se intensificou e eu tive consciência do meu corpo caindo. O que eu fiz?

“Não é real” eu repetia para mim mesma. Mas o chão estava tão perto. “Não é real”. Mas e se for? “Não é real”. Não. Mas o medo é.

Aquela queda pareceu durar anos. Anos de agonia remoída em um coração desesperado. Eu estava caindo? E o chão? O que aconteceria? Eu só podia sentir o vento. Tão leve em contraste com o meu corpo pesado rasgando o ar.

Já podia ver os mil pedações em que o meu corpo se espatifaria assim que chegasse ao chão. Fechei os olhos tentando afastar a imagens de sangue e membros por todo o lado. Não. Não era real. Não haveriam cabeças rolando.

Mas o chão estava cada vez mais perto. Meu coração batia cada vez mais rápido. Fechei os olhos.

E esperei pelo pior.

Cinco segundos se passaram. Eu tinha calculado que, em menos de três, eu já estaria morta na calçada. Mais cinco. Esperei, com o coração estourando no peito de tanta ansiedade. Deixei que mais dez segundos se passassem antes de abrir os olhos.

Escuro.

Eu não podia ver nada. Estava totalmente escuro. O breu parecia cegar meus olhos. Senti meu coração socando o peito. Eu não estava em pedações no chão. Aquilo só podia significar uma coisa: Outro medo.

Podia sentir um chão sólido sob meu corpo. Sob todo o meu corpo. Eu tinha plena consciência de estar deitada. Tentei tatear com as mãos, mas o espaço era pequeno. Eu não conseguia abri as pernas alguns centímetro e o teto ficava logo em cima da minha cabeça. Como uma caixa.

Como um caixão.

De repente, o ar em meus pulmões era escasso. Eu não conseguia ver nada através da escuridão. Eu não me mexia, não respirava. Meu coração agoniado ecoava em meus ouvidos. Eu só conseguia sentir um cheiro ruim, um cheiro de cadáver.

Gritei. Botei para fora todo o ar que meus pulmões ainda tinham. Me debati, dando socos fortes por todos os lados até que as minhas mãos doessem. Cotovelei os lados de concreto. Gritei. Clamei por ajuda. Gritei de novo. Eu estava presa.

Senti uma lágrima molhando minha bochecha. Em meios aos gritos desesperadores e as pancadas agoniantes eu comecei a soluçar. De repente eu sabia que todo o meu rosto estava vermelho. Que aquilo doía, me agoniava.

E não tinha nada que eu pudesse fazer.

Parei de gritar. Minha garganta rouca pediu por descanso. Parei de me debater quando maus braços começaram a latejar. Não tinha nada que eu pudesse fazer. Deixei que as lágrimas lavassem o meu rosto e fechei os olhos.

Não é real Anna. Nada é.

Não é real.

Não é real.

Repeti para mim mesma várias vezes. Acalmando meu coração de vagar, minha respiração voltou ao normal. Não é real. Não real. Era como se eu estivesse caindo em um sono profundo, com o mundo girando ao meu redor.

Mantive os olhos fechados enquanto uma sensação estranha era plantada no meu estômago. Sendo real ou não, alguma coisa me dizia claramente, como uma voz diabólica ressoando em minha mente: O pior ainda está por vir.

Notas finais
E aí, o que acharam? Vocês me desculpam por estar demorando essa eternidade para responder os comentários??? Aí vai um trechinho do próximo cap... "– Atire e tudo acaba. – minha mãe disse, com a voz fria e sentida. Pisquei, o que? Ela notou me olhar confuso e repetiu, com a voz calma e clara – Puxe o gatilho e acabe com isso. Aquela não era minha mãe. De repente, eu fui tomada por uma certeza indecifrável que me atingiu de uma hora para a outra: Aquela não era a minha mãe. Nada era real." Beeeeeijos e até os comentários!!!!