Anna Prior - Em Busca de um Passado Esquecido

21 Capítulo 20 - Eu Reconheço uma Prior quando Vejo Uma.


Notas iniciais
Booooooo Tarde amores!!!! Porque eu estou aqui? Noooovo capítulo!!!!! É que hoje é sábado né!!! Bom, espero que gostem e Boa Leitura!!!!!

A primeira coisa que senti depois de seus dedos me espremendo foi uma tontura passageira foi um metal gelado sendo pressionado contra a minha cabeça. Àquela hora eu já havia parado de me debater e estava pensando em como escapar. Mas o que eu vi quando virei os olhos eliminou qualquer chance que eu pudesse ter.

Uma arma.

O guarda estava segurando uma arma carregada contra a minha cabeça.

Era só ele puxar o gatilho que eu morria.

Eu podia sentir a adrenalina correndo em minha veias. Não era como na tirolesa, definitivamente não era uma adrenalina prazerosa. Era medo. Misturado com batidas desenfreadas de um coração ansioso.

Engoli em seco e fiz o máximo para continuar lúcida. O homem cadeirante tinha um sorriso frio e calculista, que me dava ânsia. Ele já havia largado o meu braço alguém estava empurrando a sua cadeira até a minha frente.

– A-acho que v-vocês se confundiram – tentei despistar, mas a minha voz estava trêmula e gaga. O homem riu com gosto, como se estivesse tentando me encabular. Eu já estava suando frio. O que ele planejava fazer comigo? Me matar? Me estuprar?

– Você é a pessoa certa, acredite – ele disse com um ar superior. Tentei respirar fundo. Qual era a pior coisa que podia acontecer? Todos morrermos e Chicago ser explodida. Ótimo, tudo que for melhor do que isso seria uma agradável surpresa.

– O que você quer? – perguntei em voz baixa depois de alguns minutos pensando. Se eu perguntasse como ele sabia o meu nome seria o mesmo que usar uma camiseta escrito “Meu nome é Anna Prior” com letras grandes e brilhosas.

– Você vai descobrir – o homem respondeu. Ele parecia querer dizer “eu sei mais do que você” ou “eu sou melhor do que você” em cada frase que saia de sua boca.

Sem saber o que responder eu pensei em FZ. Será que ele estaria preocupado? Ou viria atrás de mim? Será que ele estava bem? Pensei involuntariamente em seus beijos para acalmar o meu coração acelerado.

– Então Anna, me conte – ele começou, fazendo pose de misterioso – Como é o experimento sem as facções? – respirei fundo, aquele cara estava jogando comigo, iria me perguntar coisas sem sentido até chegar ao “ponto”. E, enquanto isso, aquela arma continuava na minha cabeça.

– Bem melhor – grunhi, mesmo não sabendo como era antes. O homem continuava com uma expressão divertida.

Será que ele só iria me fazer perguntas? Ou queria algo mais? Meus batimentos aceleraram com a ideia, mesmo que vaga. E se ele tentasse me violentar? Parei de respirar por alguns segundos, já com as palmas suando. Tentei afastar as imagens que me torturavam, mas, cada vez que eu fechava os olhos, elas estavam ali.

– Oh queridinha, está pálida como um fantasma, o que aconteceu? – o homem comentou, chegando cada vez mais perto de mim. Ele esticou seus dedos enrugados em minha direção e segurou o meu queixo om força, como se estivesse me analisando. Minha vontade era de vomitar em cima dele.

– Me largue – eu pedi, com a voz firme na medida do possível. Se o guarda não estivesse segurando os meus pulsos eu juro que daria um tapa da cara daquele safado. Engoli em seco e supliquei, com a voz fraca – Por favor...

O homem riu com gosto, jogando a cabeça para trás. Ele aumentou a pressão em meu queixo conforme a minha respiração se tornava mais ofegante. Por fim, tirou a sua mão nojenta do meu rosto como se achasse graça.

– Seu desejo é uma ordem – brincou, enquanto o meu jantar ia e vinha por todo o meu corpo. Ele parecia estar experimentando um prazer único ao me assustar daquela forma. O homem abriu mais um sorriso irônico e adicionou – Majestade.

Um silêncio pairou no ar por vários minutos. Eu podia ouvir a minha respiração entrecortada, sentir o meu coração palpitando e o cano da arma apertando a lateral direita da minha cabeça. Tudo o que eu queria era que aquilo acabasse logo.

– Você pretende me matar? – perguntei, com a voz rouca e os olhos baixos. Então, respirando fundo, ergui a cabeça e o fuzilei com o olhar enquanto continuava, veneno parecia escorrer da minha boca de tanta raiva – Porque se pretende, faça isso agora – meus olhos continuavam cravados nos dele quando mais uma frase jorrou da minha boca como se fosse uma sentença de morte – Mas faça você mesmo, com uma arma em suas mãos e não nas de em guarda qualquer.

Aquilo pareceu tê-lo irritado. Ele pigarreou e mordeu a bochecha, com as mãos desafiadoramente atrás do corpo. Eu me esforcei o máximo para ficar calma enquanto a pressão em meus braços aumentava e o meu crânio ficava cada vez mais gelado. Aquilo tudo era um jogo, eu só tinha que aprender a joga-lo e ganhar do homem que me ameaçava.

– Acredite querida – ele começou, com um tom que dizia “eu tenho meus truques para vencer”. E acrescentou, olhando dentro dos meus olhos como se pudesse ler a minha alma e com um sorriso de lado – Eu meteria uma bala em você sem pensar duas vezes.

Minhas palmas suadas tremularam, assim com todo o meu corpo. Eu havia feito uma jogada errada, havia errado em pensar que eu era preciosa a ponto do homem me manter viva. Mas eu estava errada. Engoli em seco e, fechando os olhos, reuni forças para dizer o que precisava ser dito.

– E porque ainda não o fez? – desafiei, com os olhos fixos nele, amaldiçoando cada centímetro daquele ser horroroso. A remota possibilidade de uma bala dentro de mim já me fazia tremer de medo. Mas ele não podia saber disso.

– Você tem uma coisa que eu quero – ele revelou, rindo, como se aquilo fosse óbvio. Na verdade era sim, eu só não sabia o que. O homem continuou sorrindo e disse as próximas palavras como se elas tivessem gosto de mel e veneno ao mesmo tempo – O diário.

Esforcei-me ao máximo para não engolir o ar de uma vez só. O diário estava na mochila. FZ havia roubado para mim. E eu não pretendia abrir mão dele tão cedo.

– Que diário? – perguntei, tentando parecer desentendida. Afinal, eu sabia bem que diário. E, não, eu também não sabia enrolar – Não faço ideia do que você está falando – completei, me repreendendo mentalmente por aquela frase. Dizer aquilo era a mesma coisa que escrever “Eu sei do que você está falando" na testa.

– Não se faça – ele repreendeu, em tom firme. Levantei os olhos e o vi sorrindo de um modo diabólico. Depois de alguns instantes o homem foi chegando cada vez mais perto e começou a falar comigo como se estivesse conversando com uma criança de cinco anos – Deixe-me refrescar a sua memória: Quem te convidou para a reunião Anna?

– Qual é o seu nome? – decidi ignorar a pergunta e o fato de que ele sabia o meu nome. Eu podia sentir meu sangue pulsando pelas veias, como se ele me incentivasse a desviar daquelas perguntas a qualquer custo.

– Anna, quem? – o homem repetiu, insistente. Eu apertei meus lábios até que eles se tornassem em linha fina, era tão importante não revelar aquilo? – Eu sabia – ele continuou, me deixando intrigada – Você entrou de penetra.

Aquela não era a acusação mais grave do mundo. Pouco importava se eu havia entrado de penetra ao não. Apesar de eu ter mesmo entrado. Mas, naquele instante singular, uma força pulsou dentro de mim e a necessidade louca de contesta-lo veio a tona, jorrando uma palavra pela minha boca.

– Bruna – eu revelei, caído no jogo dele. Era um pouco óbvio que eu havia tomado o lugar dela, mas não custava tentar. O homem riu mais uma vez, soltando aquela risada que me fazia querer vomitar.

– Bobinha – ele disse, como se aquilo fosse me ofender. A verdade era que eu me importava muito pouco. Meus pulsos continuavam doendo, assim como a minha cabeça e, àquela altura, o guarda já havia me algemado. – Aquela cientista não tinha convites.

Não foi uma grande revelação, afinal, nós dois sabíamos como eu havia conseguido um convite. Eu fiquei quieta e dei de ombros. Passaram-se alguns instantes até que ele resolveu se pronunciar.

– E sabe de uma coisa, Anna? – ele começou. Eu não movi um músculo, deixando o meu descaso bem aparente. O homem colocou os dedos sobre o meu queixo e o ergueu, fazendo-me olhar em seus olhos – Essa reunião era falsa, feita para traidores como você.

Minha boca ficou seca de repente, eu perdi o ar por alguns segundos e meu coração descompassou. Droga! Eu devia ter pensado naquilo. Vi um sorriso surgir em seus lábios, ele parecia estar agraciando a minha surpresa.

– Qual é o seu nome? – insisti, com a voz baixa e inflexível. O homem pareceu considerar a proposta por alguns instantes. Ao contrário do que eu pensava, ele parecia bem disposto a responder.

– David, Anna. O meu nome é David – revelou.

David, David, David, David, David. Repeti o nome mentalmente, tentando descobrir o seu significado. Pensei que, ao ouvir o seu nome, eu me lembraria de tudo com flashes em preto e branco. Mas não, não aconteceu nada. E, além de uma vibração negativa, eu não senti nada ao ouvir aquele nome.

– Você não acredita na minha sorte menina – David começou, após alguns minutos, em um tom gelado e sarcástico. Levantei os olhos, meio disposta a ouvir – Eu fiquei anos tentando encontrar a neta de Natalie. E veja só: ela veio até mim! – completou em um tom animado. – A terceira Prior que eu conheço. Não é uma graça?

Senti meu coração batendo forte, meu corpo tremia, desenfreado. O que aquele homem sabia sobre a minha avó? O que ele sabia sobre mim? E sobre a minha família? O que ele iria fazer comigo?

– Como sabe o meu nome? – perguntei, o fuzilando com o olhar. Minha vontade era de fazer picadinho daquele David. Ele conhecera Natalie? Porque não me contava? E porque ele havia colocado uma arma contra aminha cabeça?

– Eu reconheço uma Prior quando vejo uma – David respondeu, olhando dentro dos meus olhos. Eu engoli em seco, mas inflei o peito, eu não iria me render tão facilmente. Então, ele abriu um sorrisinho de lado e decretou a sua sentença final – Levem-na.

Notas finais
E aí, o que acharam? No próximo capítulo.... "Então, pela primeira vez desde que fugi de casa, eu pensei no meu pai. Será que ele estava sentindo a minha falta? Que pergunta óbvia, é claro que sim. Ele me amava, me tratava como o cristal mais precioso do mundo. Comecei a sentir um pouco de culpa. Meu pai sempre me protegera tento e eu havia o abandonado. Tudo o que eu queria, naquela hora, era dizer para ele que eu não fugi por mal, que ele não precisava se preocupar e que eu o amava de forma infinita. Meu Deus, o que foi que eu fiz?" Beeeijos e até os comentários!!!