Anna Prior - Em Busca de um Passado Esquecido

20 Capítulo 19 - Eles merecem ou não ser bombardeados?


Notas iniciais
Volteeeeeei!!!! Mais um capítulo divo, para os meus leitores divos!!!! Já viram a novidade? A fic tem uma capa nooova!!!!! Boa Leitura!!!

– Você tem certeza Anna? – FZ me perguntou pela milésima vez. Porque será que era tão difícil confiar em mim? Se eu tinha certeza? É claro que sim. Bom, talvez nem tanto. Ok, eu estava praticamente com o coração na boca, mas é claro que daria tudo certo.

– Claro que eu tenho – confirmei, mas FZ não se convenceu, afinal, ele me conhecia bem de mais – É por Chicago, então, sim, eu tenho certeza – completei, tentando que ele largasse do meu pé.

A reunião aconteceria pela noite, em uma sala do quinto andar. Eram quase nove horas, eu e FZ estávamos no corredor do andar de baixo. Ele insistira em vir junto comigo, e deixar Julia dormindo.

Mas só eu iria a reunião. Sem chance dele vir junto.

Se era um plano arriscado? É claro que era, sem sombra de dúvida. Tudo o que eu tinha que fazer era aparecer lá, escutar, bolar um plano e executa-lo. Ok, não era tão fácil assim. Mas eu iria tentar.

– Você é corajosa Anna – FZ disse com aquela voz que fez o meu coração parar de bater por um segundo. Sorri enquanto me lembrava de meu pai dizendo “Seja corajosa Anna”. Será que o meu pai já disse isso para minha mãe? “Você é corajosa Tris”, será?

– É, acho que eu tenho que ir – comentei, meio sem graça. A reunião era as nove e meia e já tínhamos matado tempo o suficiente depois do jantar. FZ concordou com a cabeça.

– É, acho que sim – ele disse. Eu fui me virando em direção as escadas quando FZ colocou sua mão quente sobre o meu ombro e eu me virei subitamente. De forma rápida, agradável e molhada, ele lascou um beijo estalado na minha bochecha fria.

Assim que o seu rosto se afastou do meu um sorriso desabrochou de meus lábios. Levei a mão até a face, como se quisesse manter o beijo dele ali. FZ parecia meio sem graça, mas sorria também e o corredor mal iluminado dava um toque especial.

Depois, foi minha vez. Me segurei em seu ombro e, na pontinha do pé, desenhei um beijo suave em um meio caminho entre a bochecha e a boca. A face de FZ era quente, assim como seus lábios. E cada detalhe me fazia querer ir um pouco mais para o lado.

Mas logo cuidamos disso juntos.

Nossas bocas se uniram em um encaixe ideal. Era tudo inconsciente, caloroso e molhado. Mas aquele beijo, aquele beijo finalmente foi o mais próximo de perfeito que eu poderia descrever.

Nós nos mexíamos em perfeita sintonia, agraciando os lábios um do outro. Suas mãos me puxavam para perto desesperadamente, como se não pudesse ficar mais um segundo sem mim. Eu o segurava com toda a força, obrigando nossos corpos colados a chegarem mais perto ainda um do outro.

Estávamos dançando uma música só nossa, escrevendo uma poesia a quatro mãos. Cada vez que os meus lábios devoravam os dele com mais foça, ele deva um jeito de me envolver ainda mais. Cada vez que a minha língua tentava se aventurar um pouco mais a dele parecia querer vir busca-la.

Naquele momento, uma dúvida estranha me bateu: Eu ainda era BLV? Quer dizer, eu não me lembro de ter enfiado a língua na boca de FZ no nosso primeiro beijo, apesar de ter tentado. E, o segundo, foi um beijo mais respeitoso. Já o terceiro, veio recheado de uma paixão incontrolável.

Comecei a, literalmente, atacar a sua boca, forçando-o a abri-la. Então, tentei tirar a minha língua de dentro da minha e colocar na sua. Primeiro, fui agraciando seus lábios, gravando aquele gosto de pasta de dente misturado com uma boca ressecada. Depois, explorei seus dentes, lambendo cada incisivo, canino, molar e deleitando-me com o seu gosto.

Senti um arrepio percorrer toda a minha espinha, só então percebi que que a sua língua também estava na minha boca. Continuei minha exploração de forma mais voraz e apaixonada, quase desesperada. Cada segundo era único e maravilhoso.

Eu já estava contra a parede, puxando FZ para perto de mim com uma intensidade incontrolável. Minha vontade era de pular em sua cintura e não o deixar sair de meus braços. Então, como em um estalo, eu despertei.

Estava atrasada para a reunião. Claro, era impossível ficar ali para sempre.

Fui diminuindo a intensidade do beijo, tentando que ele se tornasse algo mais calmo. Mas, toda a vez que eu ia mais de vagar, FZ tentava me convencer a continuar totalmente envolvida e era difícil resistir a tentação. Por fim, depois de algum tempo indo e vindo, eu coloquei um ponto final que me partiu o coração.

Mordi o seu lábio e o meu o mesmo tempo. Não o suficiente para machucar, mas também não mordiscadas suaves que só nos estimulariam. Depois de três “apertadas” FZ entendeu o recado e se afastou de mim gradativamente, mais ainda me abraçando.

– Eu to atrasada – sussurrei, procurando manter a voz baixa, com medo que aquele momento quebrasse. Pude ouvir FZ suspirando, mas eu também não estava muito feliz.

– Suba – ele disse enquanto já nos distanciávamos. Apesar de seu tom decepcionado, ele sabia que era importante. Me virei em direção a porta que dava para as escadas e fui andando.

– Ei, gata – ouvi a inconfundível voz de FZ me chamando. Me virei sorrindo e um pouco vermelha. Ele estava com as mãos enfiadas nos bolso das calças e um sorriso lindo no rosto. Fiz sinal e ele continuou, com uma voz de galã – Você tem namorado?

– Não sei – respondi, quase rindo. Que tipo de indireta era aquela? Só pra descontrair? Eu não fazia ideia do eu responder. Depois de alguns instantes pensando e com a escuridão escondendo o meu rosto vermelho, eu sorri e disse – Acho que quase...

***

O quinto andar não era bem iluminado e eu havia me esquecido da lanterna. Segui pelo corredor gigante apenas iluminado pela luz da lua tentando achar a sala em que a reunião aconteceria. Os papéis informavam que era a última sala do corredor, a maior.

Passei por várias portas com plaquinhas até achar a lá do fundo, meu coração estava aos pulos e a minha respiração entrecortada, eu não sabia se era por causa do beijo ou de expectativa. Depois de tomar fôlego eu finalmente tive coragem de colocar a mão na maçaneta daquela porta dupla e puxa-la.

Meu puxão não foi muito forte, mas a porta se abriu toda e de repente. Fiquei em choque por alguns intentes, antes de perceber que alguém a tinha puxado por dentro. Logo senti uma mão me juntando pelo braço sem a menor delicadeza.

Tentei gritar, mas logo a minha boca foi calada por um travesseiro. A mão havia me puxado para dentro da sala, que estava escura como breu. Eu comecei a ficar desesperada, o que estava acontecendo? Será que Bruna contara para eles sobre o que acontecera? Meu coração já estava a mil quando eu ouvi uma voz grossa em meu ouvido.

– A senha – ele (sim, eu tinha certeza que era um homem) sussurrou, em um tom ameaçador que parecia dizer “Não ouse me desafiar”. Engoli em seco algumas vezes, me forçando a lembrar da senha. Logo, algo pareceu estalar na minha mente, é claro que eu lembrava. O homem afastou o travesseiro milímetros do meu rosto para que eu pudesse falar.

– Soro do Medo – eu disse tentando não gaguejar. Senti a pressão no meu braço diminuir e o travesseiro foi jogado longe. Uma lanterna foi acesa, me dando um vislumbre do homem barbudo (que parecia um armário) e da sala em que eu estava.

– Sem facção – ele disse a contrassenha e apontou com o a lanterna para uma porta. A julgar pelo tamanho da sala que estávamos ela era algo como uma antessala. Depois da porta, deveria estar a sala principal.

Não era exatamente um auditório. Na verdade era meios ou menos uma sala de aula um pouco maior do que o normal. Pelo menos trinta cadeiras estavam dispostas de frente para uma lousa digital.

Meu coração foi a mil enquanto eu analisava as pessoas ali, será que alguma delas poderia me reconhecer? Todas pareciam mais velhas, e se alguém percebesse a diferença? E se Bruna tivesse contado o que acontecera? E o homem de chapéu, será que ele me viu?

Bom, naquele momento, foi só falar no diabo que ele apareceu. Virando os olhos um pouco mais para a direita vi aquele homem de preto carrancudo. O ar me faltou, e se o nosso esconderijo improvisado não era tão secreto assim?

Obriguei as minhas pernas trêmulas a levarem o meu corpo a um lugar qualquer que não parecesse muito suspeito. Não sentei nem muito na frente, nem muito atrás, escolhi uma fileira intermediária com algumas pessoas sentei em uma cadeira vazia sem cumprimentar ninguém. Tentei não olhar pra todo o lado toda a hora, mas foi difícil.

Depois de alguns minutos a maioria das pessoas já estava acomodada. Então um homem tomou a frente da lousa, ele já estava ali antes, mas só agora eu havia notado a sua presença. Era cadeirante e com idade para ser meu avô, com os cabelos grisalhos e os olhos negros.

– Boa noite — o homem começou, com uma voz potente e decidida. Todos responderam com um aceno rápido de cabeça – Todos aqui já sabem do que viemos tratar. Espero que vocês estejam de acordo com o que vamos fazer e dispostos a cooperar para que isso aconteça! – vi um sorriso maligno dançar em seus lábios enquanto o meu estômago dava um nó.

O homem estalou os dedos e outro homem de branco apertou alguns botões em um painel. Logo, uma grande imagem com ruinas apareceu na tela. Ele começou a discursar sobre a guerra da pureza, algo interessante, mas repugnante ao mesmo tempo.

Depois, as facções vieram a tona. As imagens continuavam passando e me mostrando mais do que a aula de história contou. O homem apontava pra as fotos e tinha dados na ponta da língua. O sistema de GDs e GPs foi explicado em detalhes e teve seus benefícios salientados. Até, ali, todo estava indo bem.

– Bom, tudo estava maravilhoso até que alguns jovens do experimento decidiram sai da cerca – a tela ficou preta de repente, o seu rosto se enfureceu e todos ouviam com atenção – Mas até isso era esperado. E, depois de explicarmos tudo a eles, pensamos que nos apoiariam no plano de jogar o soro e começar Chicago do zero. – ele parecia estar com raiva, como se aquilo fosse um grande insulto – Acontece que não, eles tinham um plano melhor: Queria jogar o soro da memória no Departamento!

Todos pareciam chocados, inclusive eu. As falas do homem vinham acompanhadas de gestos veementes e uma interpretação que convenceria qualquer um.

– E eles conseguiram. – declarou, deixando a plateia ainda mais boquiaberta, ele mesmo parecia estar decepcionado – Sim, todos vocês tiveram a sua memória apagada e reconfigurada, como se fossem máquinas – sua voz carregava desprezo, como se quisesse cuspir no chão.

– Eles merecem ou não ser bombardeados? – o homem questionou e a todos gritaram “sim” em um coro uniforme e guerreiro. – Podemos dar um chance para o soro? – perguntou e a plateia respondeu um “nãããão” indignado – Vamos bombardear Chicago? – gritou, bramindo o punho ao alto. Todos gritaram “siiiim” com todo o ar de seus pulmões e ergueram os braços exatamente como líder.

Tive que fechar a boca com força para não vomitar. Levantei junto com todos, para as suspeitas diminuírem, mas a minha vontade era de mandar toda aquela gente a merda. Eu podia sentir meu sangue pulsando nas veias enquanto o repugno me dominava.

Depois dos vivas todos sentaram, para que os detalhes do plano fossem acertados. Comecei a prestar mais atenção. Um grande calendário surgiu na tela com um dia circulado em vermelho.

– Teremos que fazer isso a noite – o homem começou, apontando para o dia circulado, era uma quarta, dali a duas semanas – Os aviões já estarão equipados, apareçam no sétimo andar, primeira sala – informou com algum descaso e adicionou – Com a mesma senha e contrassenha.

As pessoas começaram a se levantar de uma hora para a outra e eu fiquei confusa. Era só aquilo? Sem mais detalhes ou plano de ação? Me levantei o mais rápido possível, seguindo todos para não chamar atenção.

Fui indo em direção a porta pela qual entrei, já pensando em um plano, quando vi que uma espécie de segurança alto não deixava ninguém passar. Todos estavam indo até uma porta na outra extremidade, que passava pelo líder cadeirante. Mesmo sendo arriscado, decidi seguir o fluxo.

Me apressei notando que eu era uma das últimas. Meu coração parecia estar socando o meu peito de tão agitado. Tentei caminhar como as outras pessoas e baixar a cabeça para não ser notada.

Fui chegando cada vez mais perto do homem e fui ficando cada vez mais nervosa. Parecia que todos estavam olhando diretamente para mim. Mais cinco passos e eu estaria na frente dele. Três, dois, um e só faltava mais um para eu escapar daquele pesadelo.

Mas ele me segurou pelo braço.

Sua mão era fria e apertada. Tentei me debater ou gritar por ajuda, mas todos já estavam saindo da sala. Fiquei desesperada, com o coração a mil. Agora apenas eu, homem e três guardas estavam na ali. Então, ele abriu um sorriso gelado e disse, com a maior calma do mundo:

– Anna Prior? Nós temos que conversar.

Notas finais
E aí o que acharam??? Comeeentem!!!!!! Aí vai um trechinho do próximo cap... "– Oh queridinha, está pálida como um fantasma, o que aconteceu? – o homem comentou, chegando cada vez mais perto de mim. Ele esticou seus dedos enrugados em minha direção e segurou o meu queixo com força, como se estivesse me analisando. Minha vontade era de vomitar em cima dele. – Me largue – eu pedi, com a voz firme na medida do possível. Se o guarda não estivesse segurando os meus pulsos eu juro que daria um tapa da cara daquele safado. Engoli em seco e supliquei, com a voz fraca – Por favor..." Beijos e nos vemos nos comentários!!!