Anjíra - Domine O Mal Ou Seja Dominado Por Ele.
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Leitores Fantasmas Apareçam.
Avisando que PLAGIO é crime, então por favor vai dormir pra ver se sai algo criativo de você ok?
Musicas que combinam:
Jace Everett :
Possession
Bad Things
Beijos e Mordidas.
- Belly você não vai sair desse quarto? – Minha mãe disse, batendo incessantemente na porta.
- Não, eu não vou sair nunca mais! – disse me encolhendo cada vez mais no canto do quarto.
- Belly, por favor, sai deste quarto, já faz três dias, pelo amor de Deus você vai morrer ai dentro? – ela esperou alguns segundos e disse bufando e ameaçando. – Já que você não vai responder, vou chamar o Antonie.
Ela saiu de perto da porta e foi pelo corredor em direção a cozinha, ela não estava brava, mas preocupada eu podia sentir isso, apesar que desde aquela noite, eu descobri que poderia fazer muitas coisas e outras que sempre pensei que não.
Aquela noite aconteceu coisas que eu jamais pensei que poderiam acontecer. Depois que comecei a sugar o sangue do Tonie, senti que meu mal estar estava diminuindo e uma sensação de estar satisfeita estava tomando conta de mim, mas mesmo assim eu não queria parar, eu queria continuar e parar apenas quando não houvesse mais nada, mas eu vi os olhos assustados de Tonie e aquilo me fez cair na real, mas não tive tempo de ter um ato consciente, senti que algo estava mudando dentro de mim e novamente a sede de antes voltou e com mais força, apertei ainda mais o braço dele contra meus lábios, ele fazia força para tira-lo, mas perto da minha, parecia que ele estava apenas se mexendo, para ficar mais confortável.
De uma hora para outra, senti um baque e quando olhei para o lado vi que não havia mais Tonie, eu estava sozinha, foi ai que eu percebi o que tinha feito, tentei me levantar mais não consegui, eu não conseguia me mexer, apenas meus olhos, olhando a minha frente vejo Tonie pegando o pano que eu joguei para longe e amarrando no braço, eu comecei a chorar, Meu Deus como eu pude fazer aquilo ? Tentei me levantar para explicar ao Tonie tudo o que estava acontecendo, estava disposta a falar tudo e pedir perdão pelo que eu fiz, mas assim que tentei me erguer, percebi que estava presa e todas as coisas estavam paradas demais, mais que o normal, olhei para a porta e vi que minha mãe estava parada na porta com uma cara de grito, mas ela nem se mexia.
Gemi.
-O...O que esta acontecendo? – Pelo menos eu tinha o domínio sobre a minha boca agora.
- “O que esta acontecendo?” Você esta louca? O que você é uma vampira? – ele disse com ironia e medo.
- Eu não sei o que aconteceu, me.. me desculpe. O que você fez comigo?
- Eu parei o tempo e era para você estar paralisada totalmente se...se você ainda fosse humana.
- O que? Depois eu que sou a louca, eu não sei o que me deu, desculpa, vou a um médico não sei, mas EU? Sobrehumana? HAHAHAHA. – eu ri de desespero.
- Eu não estou brincando Belly, como você acha que eu te salvei naquela noite, daquele monstro? Eu parei o tempo e como você ainda era humana,eu consegui te salvar, mais agora.... – ele suspirou. – você se tornou ela.
- Que monstro? Não era um cachorro? Você surtou legal hein? – eu disse e tentei movimentar meus dedos, consegui. – ela? Ela quem Antonie? E outra pelo amor de Deus, o que você é?
- Não Belly, não era um cachorro que te atacou, foi uma anjíra, sim era uma mulher e pelo visto te conhecia, pois anjíros não costumam chorar.
Milhões de cenas passaram pela minha mente, a conversa, a serpente dançando em direção a mim, as lagrimas, o anjo monstruoso. – Isso não é possível, A Carol? Ela, ela é um monstro mesmo? Ela, ela fez isso comigo? – apontei para minha boca e para o braço dele, ele assentiu. – eu não acredito. – disse me abaixando novamente.
- mais ou menos, ela apenas te deixou em processo de mutação pelo que eu estou vendo e você completou ele quando...quando.. você sabe. – ele olhou para o braço.
- Eu sou um monstro! – sussurrei.
-Eu não sei.
- Você é outro monstro, pois você sabia de tudo e ainda faz essa, essa coisa com o tempo.
- Eu nasci assim Belly, não fui transformado, mas sim eu sou sobrenatural também.
- Meu Deus! – a realidade parecia bem mais assustadora do que meus sonhos.
- Belly eu preciso soltar o tempo, mas você vai ter que prometer que não vai me atacar.
- Você ta louco? eu nunca mais vou chegar perto de você. –Disse me levantando e ficando de frente para ele, olhos nos olhos. – E outra se eu realmente quisesse te atacar já teria feito isto a mais tempo, já que eu não sou mais humana e você não tem controle sobre mim. – Meu Deus como eu pude falar assim? Como se fosse dona do mundo e entendesse de tudo?
-Mas...Mas como? O processo foi rápido demais.- ele disse perplexo – ok Belly, pelo menos feche os olhos, isto é meio constrangedor.
- Espera um momento... Estique o braço, eu não vou beber você. – eu disse como se soubesse o que fazia, mas eu não fazia ideia alguma.
-Você me diz isso depois de tudo e quer que eu confie? Eu sou um mago do tempo não um idiota. – Ele disse com sarcasmo.
- Ou você me dá logo esse braço ou eu posso obriga-lo a trazê-lo aqui. – ameacei.
Ele esticou o braço com receio pronto para correr caso eu fizesse um movimento brusco. Examinei, estava um pouco ruim devido a perda de sangue, mas nada incurável, senti o peso da culpa cair sobre mim ao ver o que eu fiz, como eu fui capaz de fazer isto?, uma lagrima escapou dos meus olhos, rolou por minha face e caiu diretamente no corte.
Tonie se remexeu e me olhou atônito.
- O que você esta fazendo?
- Nada, eu estou apenas vendo o meu estrago. – digo limpando outra lagrima que insistia em cair.
-Não, não é isso, é isso – Ele apontou para o braço que estava se regenerando bem lentamente por uma gota azul.
- Eu não sei, me desculpa eu não fiz por querer. – disse assustada e sai correndo para o meu quarto.
Eu fiquei no quarto por 3 dias sem sair por medo de mim mesma, por medo do que eu era, do que posso fazer e do que queria fazer, sim eu queria sangue e queria muito. Foram muitas descobertas para uma adolescente normal fazer, mas agora eu não sou mais uma adolescente, eu sou uma Anjíra, seja lá o que isso seja.
As janelas do quarto permaneceram fechadas durando todo o tempo, eu não sabia o que era e tinha medo de que qualquer coisa que eu fizesse pudesse me ferir fisicamente mais do que eu já estava por dentro. Boa parte do tempo que eu estava no quarto, fiquei sentada no chão do quarto ao lado da cama, chorando por dentro e tentando entender, tudo o que estava acontecendo e o que estaria por vir, a outra parte pesquisando sobre Anjíros.
Na internet havia muito pouco, apenas mitos e relatos de algumas poucas almas que pareciam tão loucas quanto eu se não estivesse vivenciando isso, relatos de monstros humanos com asas coloridas. A cada relato eu via as imagens rodarem minha mente, lembrando de cada memória esquecida ou armazenada, já os mitos apenas diziam que Anjíros eram deuses justiceiros que tinham o poder da cura em sua alma azul e da morte em sua sede vermelha, para que estes deuses vivessem era preciso beber a vitalidade humana. Abaixo do mito tinha um desenho preto e branco de um homem de terno e cartola abaixado sobre uma mulher de vestido branco, bufante e longo, ela estava com olhos assustados e ele sorria para ela, um sorriso divertido com presas e olhos brancos hipnotizantes, fechei o notebook, aquele desenho era perturbador.
Eu estava pensando naquele desenho, quando ouvi batidas na porta novamente, eu não precisava ter bola de cristal para adivinhar quem era, ou melhor, o que eles queriam.
- Belly abra a porta meu amor. – Minha mãe, pedia com aquela voz que eu nunca resistia, mas dessa vez não.
- Não, eu preciso ficar sozinha, vai embora! – Falei um pouco mais alto do que queria.
- Belly abre a porta agora. – Era voz de Tonie soando como uma ordem.
- Eu não vou abrir porcaria nenhuma, entendeu? Ou preciso te sugar de novo pra você aprender hein Merlin?- Gritei de volta.
- Belly.. – Ele suspirou e disse para minha mãe. — Sra. Travels pode nos dar licença?
Não escutei a resposta, apenas ouvi passos se afastando.
- Estamos só eu e você agora, será que da pra você abrir a porta, por favor? – Eu sentia a preocupação em sua voz, novamente ela ficou dura, como a de um pai ordenando. Ou você abre ou eu realmente arrombo, quer testar?
Escutei passos, eu sabia que ele iria fazer o que disse, me levantei e quase voei ate a porta e a abri antes mesmo que ele desse o terceiro passo para o impulso.
- UAU! Isso foi incrível.
- Isso o que? – Ele disse confuso – Ninguém nunca tentou arrombar uma porta?
- Entra. – ainda maravilhada com o que eu fiz, dei passagem para ele entrar, assim que o fez fechei a porta. – O que você quer?
- Eu quero conversar com você, explicar algumas coisas e te ajudar. – falou passando uma das mãos nos cabelos.
- Por que? – Agora quem estava confusa era eu. – Porque você quer me ajudar?
- Porque eu sei como é se sentir um monstro e ter muitas duvidas sobre isso Belly.
Pensei por um momento sobre isso e andei para perto da cama, sentei no chão próximo a ela e apontei. – Sente-se, mas fique longe por favor, é pra sua segurança. – Eu estava preocupada com essa possível aproximação.
Ele andou na direção da cama, mas no ultimo segundo agachou-se e sentou no chão ao meu lado. Eu estava tão brava, com medo, fascinada e com sede que apenas agora, com ele sentado ao meu lado pude perceber como ele era lindo, estava vestindo uma camisa xadrez azul e cinza, larga demais para o meu gosto, mas ainda sim o deixava com um ar causal, vestia jeans azul escuro e um tênis cinza, ele olhava para mim como que tentando adivinhar meus pensamentos e nesta hora agradeci por ele não poder ouvir pensamentos também. Encarei-o:
- O que são Anjíros?
- São seres sobrenaturais que por assim dizer, são os dois lados da história, o bem e o mal. – Ele viu minha cara e tentou melhorar. — Mas talvez para você entender melhor, você é meio anjo e meio vampiro. – Ele disse calmamente, avaliando minha reação.
Como assim os lados da história? O bem e o mal não são coisas diferentes? Eles podem ser um só? Anjo e vampiro? Eram muitas perguntas rondando minha mente, eu precisava organiza-las. Fiquei um bom tempo em silêncio, avaliando e absorvendo cada palavra e organizando minhas dúvidas, ele aguardou pacientemente.
- Eu ainda estou tentando entender. – murmurei mais pra mim mesma do que outra coisa. – Isso é impossível, como eu posso ser o bem e o mal juntos? E como é possível ser anjo e vampiro? – Olhei para ele com olhos perdidos em medo e duvida, já não conseguia mais falar as palavras eram apenas sussurros.
- Belly, seres como você são como Ying Yang, como quando ouvimos que o bem e o mal andam juntos, nós que nunca paramos para pensar que eles são um só, são os dois lados de uma mesma moeda, você é um anjo com poderes referentes a cura — Dizendo isso ele apontou para o braço que eu feri, curado e sem cicatrizes. – e um vampiro, pois para sobreviver se alimenta de sangue humano, Belly, você agora é a morte e a vida, você pode dá-la ou tira-la.
Era como se toda essa historia fosse um filme que eu estava assistindo, sentada no sofá marrom da sala da minha casa com um pote enorme de pipoca e torcendo para a mocinha achar um jeito de lidar com tudo isso, mas o problema é que tudo era real demais e no filme da minha vida o vilão e o monstro da história era também a mocinha indefesa, pois era exatamente assim que eu me sentia.
Eu precisava saber mais, saber o que ele sabia e como ele sabia todas aquelas coisas sobre Anjíros e seus poderes, me peguei imaginando como é que ele descobriu isso tudo sobre eles, nós, seja lá o que for, imaginei ele beijando uma mulher de uns 27 anos com vestido curto e colado vinho, as famosas “piriguetes”, sussurrando-lhe palavras excitantes, puxando-a para mais perto e pedindo a ela para que ela fosse dele com sua voz sedutora e mais cenas quentes, mas espera ai? O que eu tenho a ver com isso? E sem querer eu me peguei com ciúmes.
A curiosidade estava me consumindo, mas será que era o momento exato para isso? Talvez não. Eu olhei para cima, respirei fundo e olhei nos olhos profundos e brilhantes dele, eles pareciam curiosos e perdidos, tanto quanto os meus sentimentos, ele tinha a boca fechada numa linha reta relaxada e quando nossos olhos se encontraram novamente ele sorriu e automaticamente pensei em sorrir, mas não o fiz.
- Tonie.
- Oi Belly. – ele estava calmo e olhando diretamente nos meus olhos, o que me deixava mole.
- Eu queria te perguntar umas coisas um pouco pessoais, se você não quiser responder pode falar. – paro e olho para minhas mãos-posso?
-Claro que pode.
- Como você sabe tudo isso sobre Anjíros?- Assim que eu fiz a pergunta olhei para ver a reação dele, mas seus olhos continuaram os mesmos, tranquilos e brilhantes.
- É uma história complicada, mas vamos dizer que eu convivi com uma Anjíra.
- Conviveu? Você namorou uma? – A pergunta saiu da minha boca antes que eu pudesse pensar e o tom da minha voz saiu como o de uma namorada surpresa com a possibilidade. OPS, merda!
Ele ficou surpreso com a pergunta, mas foi apenas por um segundo, assim que se recompôs, ficou em silencio, com a demora eu olhei para cima, ele sorriu e respondeu. – Não Belly, — Ele riu com vontade, mas voltou a ficar serio de novo. – Minha irmã se tornou uma e eu estava do seu lado o tempo todo durante toda a primeira fase e eu te digo Belly é a pior de toda a sua existência.
- Sua irmã? Não sabia que você tinha uma... Mas ela não é igual a você nessa coisa ai de bruxo? – Eu estava parecendo mais uma criança do que qualquer outra coisa.
- Não Belly, ela era apenas minha meia irmã e esse poder do tempo só acontece a cada quatro gerações. – Ele ria com vontade. Mas que graça que eu tenho afinal?
- Ah, Desculpe ai senhor do tempo! – Falei fazendo voz de locutor de radio com dor de barriga e ambos caímos na gargalhada.
Estávamos assim, quando percebi estávamos próximos demais, nossos rostos muito próximos quase se tocando, as risadas pararam, apenas dava para ouvir nossa respiração, os olhos dele estavam totalmente penetrados nos meus, nós estávamos cada vez mais próximos, nossos lábios quase se tocando, sentia como se meu coração voasse do peito e voltasse com um baque, um baque? Sim, era assim que eu me sentia, mas essa era uma sensação que eu já havia sentido antes, mas onde? Acho que foi na noite que tudo que eu mudei, quando o Tonie fez aquele negocio...
- Ai meu Deus! – disse um pouco mais alto que um cochicho, já começando a me levantar.
- Me desculpe Belle, eu me descontrolei não devia tentar te beijar. – ele se apressou na desculpa e foi em direção a mim.
- Não é isso Tonie, você não percebeu? Não sentiu nada? – Perguntei atônita.
- Senti o... – Ele ficou um momento em silencio,mas rapidamente ficou assustado. – Eu não p...
- Sim Tonie, você parou o tempo. Qual é o seu problema? Voce não sabe que isso me assusta? – eu fui indo em direção a porta, preste a correr.
- Desculpa, eu não controlo as vezes... – Ele respirou fundo parecendo se acalmar, e de novo houve aquele baque, aquele que eu sabia o que significava.
-Obrigada, por favor me deixa sozinha, eu preciso respirar.
- Belly eu não fiz por mal, juro — Ele foi chegando mais perto e eu me afastando. – Eu não vou te fazer mal...
- Por favor, eu preciso ficar sozinha. – Na verdade eu queria, eu não podia, eu precisava de alguém ali comigo, me mantendo consciente, alguém que pudesse me dizer que tudo mudaria, mas agora, ninguém podia fazer isso. — Saí Tonie, por tudo que eu te devo e pela minha sanidade, saí.
Eu passei o resto do dia tentando disfarçar a sede e a vontade louca de falar com Tonie, os meus sentimentos estavam uma bola de neve e as coisas estavam cada vez piores para mim, eu precisava pensar, muito.
Notas finais
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