Notas iniciais
A continuação da história será postada todo sabado, podendo ser adiantada. Leitores Fantasmas Apareçam. Avisando que PLAGIO é crime, então por favor vai dormir pra ver se sai algo criativo de você ok? Beijos e Mordidas.

Eu corria como uma loba faminta, eu estava atrás de um alvo, meus olhos estavam embaçados, mas era possível sentir os cheiros ao meu redor, havia chovido, eu tinha certeza, sentia o cheiro de molhado que vinha de mim e da minha caça, nós estávamos em uma mata fechada, ou talvez uma reserva, eu conseguia sentir o cheiro de medo e sangue invadindo minhas narinas e fazendo-as inflar, rosnei e corri o mais rápido que pude para alcança-lo, quanto mais eu corria mais ele fugia, era uma briga interminável, mas nós dois sabíamos quem iria ganhar, eu. Em algum momento, não sei dizer ao qual, consegui pega-lo, a última cena que eu me lembro, foi minha devorando um corpo humano.

Levantei extremamente assustada, como da primeira vez em que tive esses pesadelos, eu não conseguia me acostumar com isso, eu precisava me acalmar, levantei bem devagar e fui em direção ao banheiro, dessa vez eu sabia que ninguém conseguiria me ouvir, meus passos eram como se eu na verdade flutuasse sobre o chão.

Eram 03h29min da manhã eu tinha certeza, mas como eu não sei. Passei correndo pelos quartos e entrei no banheiro, eu olhava tudo como se fosse a primeira vez, tudo estava mais nítido, com mais detalhes, quase como se eu enxergasse a moléculas do vidro do espelho unidas, era algo estranho, diferente, mas fascinante, passei as mãos pela madeira da pia sentindo cada minúsculo defeito dela, olhava as paredes, via os erros, imperceptíveis a olhos humanos, feitos no rejunte, era algo que me deixava boba, maravilhada com isso. Fiquei minutos assim, até que decidi que estava na hora de eu voltar ao quarto, mas antes eu precisava lavar meu rosto, parei em frente e a pia e me olhei no espelho, então era verdade? Vampiros tem sim reflexo no espelho, mas você não é só vampira se lembra? Minha mente lembrou-me.

Pela primeira vez comecei a me avaliar, eu estava diferente, sabia disso, sentia isso e via isso, meus olhos estavam ligeiramente mais claros, minha pele estava um pouco mais pálida, como em um dia de frio, nada do tipo “sou uma morta ambulante” como havia imaginado, a maior mudança havia ocorrido nos meus lábios, eles estavam inchados, vermelhos cor de batom e ao sorrir era possível perceber que meus caninos estavam mais pontudos, ao passar o dedo na ponta de um deles, senti minha pele se enrijecer, meus olhos ficarem quase brancos e minhas presas descerem, meu rosto ficou totalmente branco com meus lábios ficando vermelhos cor de sangue com o contorno preto, me afastei do espelho o mais rápido que pude, batendo com força na parede, o barulho foi ensurdecedor porem não senti dor, com medo corri para o corredor a fim de me certificar que ninguém me visse naquela situação.

Aparentemente ninguém havia escutado, mas como? O barulho foi como se uma caixa enorme de metal caísse em um chão de madeira o destruindo, pelo menos foi o que eu percebi. Como ninguém havia acordado, respirei fundo diversas vezes e me concentrei em relaxar, depois de algumas vezes consegui com que minhas presas se retraíssem, mas minha visão ainda continuava alterada, eu estava enxergando como aqueles aparelhos que apenas vemos o calor das coisas em vermelho. Andei bem devagar respirando fundo diversas vezes para me acalmar, estava conseguindo.

– Isso Belly, apenas mais alguns passos, você só precisa respirar fundo e ir mais alguns passos. – sussurrava a mim mesma, não bastava toda aquela loucura, ainda havia o cheiro, aquele cheiro que perturbava minha mente e umedecia minha boca.

Estava num ritmo, um passo, duas respiradas, um passo duas respiradas, havia acabado de passar o quarto da minha mãe, eu conseguia ouvir cada respiração, cada bombada de sangue que o coração dava para alimentar seu corpo, respirei fundo novamente e voltei ao meu ritmo zen para não fazer mais besteiras.

– Apenas mais um pouco, só mais um pouco.

Estava passando agora, em frente ao quarto em que Tonie dormia, sua porta estava apenas encostada e era possível ouvir seu ressonar tranquilo, como o sono de um bebê, seu coração estava a um ritmo suave e normal, parei em frente a sua porta, ouvindo por alguns minutos sua respiração e batimentos, aquilo estava me acalmando.

Decidi entrar no quarto e vê-lo dormir por alguns minutos, seria algo rápido prometi a mim mesma, eu queria acreditar nisso.

Aproximei-me bem devagar da porta do quarto e parei por alguns instantes para me certificar de que ele não estava apenas fingindo, quando tive a certeza, voltei a caminhar, abri a porta lentamente, evitando fazer qualquer tipo de barulho, o quarto parecia diferente, era o mesmo quarto que eu brinquei por anos e anos a fio, mas talvez fosse pelas coisas de Antonie ocupando os espaços que antes estavam vazios, tornavam o quarto diferente, o tornavam dele. O cheiro de desodorante masculino, uma muda de roupas jogada na poltrona marrom, que minha mãe amava, mas que eu a convenci de que era horrível e velha demais para ficar na sala, então entramos em um acordo, aquela coisa horrível ficava, mas no quarto de hospedes.

Havia no chão rente a poltrona, dois pares de tênis, um branco e outro cinza, de tamanhos 38/39 deduzi. Aproximei-me um pouco mais da cama, onde Tonie dormia tranquilamente, ao seu lado, havia um pequeno móvel, onde em cima havia alguns dos pertences de Tonie, andei até ficar ao lado da cama, passei os olhos pela cama, para me certificar que não seria flagrada em meu pequeno delito e em seguida me virei para ver o que aquele homem, tinha a dizer sobre ele. Havia no móvel, uma carteira, duas chaves e um celular.

Analisei por um bom tempo os objetos sob a cômoda, por curiosidade peguei a carteira, era de couro marrom, parecia velha, mas sem um rasgo ou qualquer outra danificação, ele parecia cuidadoso, andei lentamente até a poltrona onde estavam as roupas, sentei por cima delas mesmo, nem me importando em amassa-las ou algo do tipo. Comecei olhando o pequeno bolsinho de fora, onde havia um zíper pequeno, dentro havia algumas moedas, umas três ou quatro nacionais e outras 6 internacionais, talvez países que tonie quisesse conhecer ou havia conhecido, olhei todas as moedas atentamente, tentando descobrir um pouco mais sobre os gostos dele, Recoloquei as moedas no bolsinho, fechei com cuidado e abri a carteira. Dentro dela havia alguns cartões de credito, identidade, carteira de motorista, dinheiro, vale refeição, um comprovante, era do mercado onde nos conhecemos, estava já fechando a carteira, quando algo me chamou atenção, à ponta de um pedaço de papel, abri novamente a carteira e puxei o papel, eu estava errada, não era um papel, mas sim uma foto 3x4 de Tonie e uma menina loira dos olhos mel, lábios rosa formando um exato coração, pele levemente morena, devido a exposição diária ao sol, eles sorriam, Tonie parecia feliz, faziam um belo casal. Fechei a carteira rapidamente com uma força maior do que a necessária e antes que eu percebesse já estava de pé ao lado da cama novamente.

Coloquei a carteira exatamente onde estava, com o zíper virado para cima, já estava saindo quando me dei conta de que a foto ainda estava em minha mão, retornei e guardei a foto exatamente como a encontrei.

Eu estava com um sentimento diferente, algo que eu não sabia identificar se era raiva, tristeza ou solidão, eu queria de alguma forma colocar para fora, e aquela sede? Eu estava com muita sede. Virei para ir embora, mas não sem antes olhar Antonie dormir um sonho de anjo, enquanto eu tentava lidar com meu lado Demônio. Aproximei-me dele e com um pequeno gesto beijei-lhe a testa, havia algo nele que fazia com que eu quisesse acorda-lo naquele exato momento e o beijasse de algo nada sutil, mas também havia uma parte minha que eu fazia um esforço ainda maior para controlar, uma parte de que gostaria de fazer algo coisas nada humanas.

Voltei ao meu quarto, deitei em minha cama, mas minhas tentativas de voltar a dormir foram todas e vão, os pensamentos não me deixavam dormir, a ardência em minha garganta era cada vez maior e mais enlouquecedora.

Em dado momento não me lembro exatamente, comecei a suar muito e tremer, meu corpo reagia a minha teimosia, ele clamava por sangue, eu me sentei na cama rapidamente e comecei a arfar, cada respirada ardia como estar se afogando, eu estava salivando e podia sentir com a ponta da minha língua que minhas presas estavam expostas.

Meus instintos estavam tentando me dominar, eu me levantei e corri para o corredor, eu podia sentir o cheiro, aquele cheiro doce, atraente e que me chamava. Corri. Corri o mais rápido que pude, eu sabia que aquilo não terminaria bem. Passei por todos os cômodos da casa sempre levando algo comigo ou ao chão, eu sentia minha visão embaçar, eu não sabia lidar com aquilo, eu estava lutando contra algo muito poderoso que vinha de mim, eu lutava contra minha sobrevivência.

Sai porta a fora e corri, eu precisava ficar longe, eu sentia que estava perdendo as forças, tropecei em algo, alguém na verdade, quando senti novamente o cheiro doce e quente, já não podia mais lutar contra, curvei-me sobre olhos assustados e cravei meus dentes no primeiro pedaço de carne que vi.

Acordei de Manhã cedo bem, talvez tudo não passasse de um pesadelo, mais um dentre muitos.

Fiquei parada alguns segundos, apenas escutando, certificando-me que apenas eu estava acordada, levantei-me lentamente, tomando consciência das coisas ao meu redor, estava atordoada, com uma leve dor de cabeça, também sentia leves dores nos braços, como se tivesse pegado algo um pouco mais pesado do que o comum.

Estava de pijamas, eu ainda me sentia confusa sobre tudo, mas estava disposta a não me deixar levar por tudo aquilo, eu conseguiria, sim, como sempre foi. Levantei na pequena escuridão do quarto e olhei a minha volta, pensando no que iria fazer primeiro.

– Sou uma Anjíra, Anjíros são seres sobrenaturais metade anjos e metade vampiros... – Eu estava falando comigo mesma, para ter certeza de todos os fatos que já conhecia sobre minha condição. – Sei que tenho o poder da cura, mas com ele vem a sede de sangue.... – Precisava descobrir se a sede era apenas com a cura. – Se sou um anjo ,tenho asas ou não? – Andei até o espelho, pensei por um segundo que por ser vampira também, não teria reflexo, mas assim que me vi, comecei a rir da ideia idiota, eu já havia testado isso.

Não havia asas, talvez eu não tivesse asas, me lembrei do ataque e que eu tinha certeza de ter visto asas em Carol, seriam elas reais? Ficariam escondidas ou seria apenas minha imaginação? Aproximei-me mais ainda do espelho e levantei o lábio superior e fiquei observando as duas pequenas cicatrizes que localizavam acima de cada canino. Elas pareciam um ponto de costura e pela forma como brilhavam pareciam praticamente curadas.

Fui ao armário, abri as duas portas do meio, a fim de pegar uma peça de roupas, já que estava disposta a não me deixar levar por minha nova condição, precisaria de uma roupa ao invés de uma camisola lilás de flores brancas. Abri duas gavetas e retirei de dentro delas, um shorts boyfriend preto envelhecido e uma camisa branca semi transparente, assim que as vesti, voltei a me olhar no espelho, mas desta vez uma avaliação conhecida, saber como estava, eu estava mais confiante, disposta ousar, algo dentro de mim mudara, no momento eu não saberia dizer.

Sempre fui apaixonada por livros, vivi uma vida secreta durante toda a minha vida, onde todos os meus sonhos podiam ser reais, mas que da mesma forma podia tornar-se apenas um sonho, era como se agora eu vivesse presa dentro de um dos meus livros, procurando a saída para algo que eu ja não saberia olhar com os mesmos olhos. Talvez fosse desta forma que estivesse vendo o mundo neste momento e apenas talvez, fosse única que continuaria a ver.

Consultei o relógio, 7:40, estava claro, será que eu queimaria ao sol ou seria algo mais Edward Cullen? Estava claro que esta questão não poderia esperar, eu precisava saber, não só por curiosidade, mas por necessidade.

Afastei-me do espelho seguindo em direção as cortinas, meu quarto jamais foi algo parecido com o de uma menina, paredes brancas, moveis pretos e uma cortina vermelha que descia até o chão. Minha cama ficava próxima à porta, a única parede livre do quarto era a janela, pois em algum momento eu precisaria dela desta forma. Eu estava tremendo, com uma ansiedade e medo que pulsavam como um duplo coração, coloquei uma das mãos na cortina e fiquei um bom tempo parada decidindo se realmente esta preparada para saber aquilo, mas eu precisava saber, precisava saber até onde eu poderia ir como normal sem ultrapassar as fronteiras do que me definia como Anjíro.

Lentamente, puxei uma das cortinas para o lado deixando a luz entrar em meu quarto, eu não estava sobre ela, levantei minimamente meu braço para que a luz o abraçasse com toda a sua ternura e alegria, assim que a luz do sol tocou meus dedos, não senti nada, apenas aquela deliciosa quentura típica do sol, abri totalmente a cortina e fiquei de frente para o sol, senti todo meu corpo se aquecer, ele se aquecia com a perfeita luz do sol e eu não estava brilhando com em Crepúsculo, eu estava normal, quente, fechei os olhos, sim o sol estava quente, quente demais por falar nisso, abri rapidamente os olhos sentindo minha pele queimar, rapidamente olhei para meus braços, nada de bolhas, mas minha pele balançava, eu sentia como se fosse uma chaleira preste a explodir, corri para longe da luz, sentindo enormes dores, minha mente girava, minha respiração irregular, eu sentia como se estivesse sendo cozida lentamente, sim era isso que acontecia, o sol não queimava minha pele ou fazia-me brilhar, o sol fervia o sangue que corria em minhas veias, ele o fervia a tal ponto que de alguma forma ele parecia evaporar.

Aquela dor era imensa, nada há superava, eu queria grita, sim eu queria, mas da mesma forma que eu queria gritar e destruir tudo a minha volta de tanta dor, eu tinha consciência de que se fizesse isso acordaria a todos, então eu apenas me encostei-me à parede oposta a da luz e deslizei o guarda-roupa até sentar no chão, gemendo, a dor diminuíra um pouco, mas ainda sim eu me sentia como uma bomba relógio, a dor se transformava em fúria e sede.

Aos poucos a dor foi diminuindo e foi possível conseguir tomar controle das coisas de novo, lentamente eu levantei-me e andei até a parte da janela que ainda continha sombras e num movimento rápido, mas doloroso, puxei a cortina novamente, fechando-a completamente.

Voltei para cama e fiquei deitada apenas atenta aos sons a minha volta, na rua era possível ouvir um carro sendo aberto, um alguém sentando- se no banco do motorista, talvez um homem, devido ao barulho do carro descendo com o peso, uma chave sendo inserida na ignição e um pequeno ronco de um motor, por detrás disso ainda era possível ouvir, um choro baixo de um cachorro, ou melhor, de uma cadela, um ganido baixo e triste de um ser pedindo por liberdade, também havia...

CLICK, CLICK, CLICK!

Abri os olhos instantaneamente.

CLICK, CLICK, CLICK!

– O que é isso? – me perguntei.

CLICK, CLICK, CLICK!

Droga!

Era o despertador da minha mãe, ela neste exato momento jogava uma das mãos sobre o despertador a fim de desliga-lo por crueldade, ele estava interrompendo seus sonhos, era o que ela sempre dizia, todos os dias.

Levantei-me novamente, eu estava sentindo minha cabeça doer, sim eu sabia o que era essa dor, sede, sangue...

Liguei a tv para me distrair, eu estava cansada de pensar, dali a poucos minutos minha mãe levantaria, reclamaria do despertador e iria a cozinha fazer café e de lá gritaria que já estava na hora e que eu iria perder o horário da escola. Típico dela.

Ouvi passos no corredor, alguém se aproximava do quarto, será que mamãe conseguiu levantar mais cedo? Os passos eram certos e com certeza cautelosos, não, não era mamãe, eu sabia exatamente quem era.

TOC, TOC.

– Belly, você esta acordada?

Eu fiquei em silencio, não era hora para conversa.

TOC, TOC.

– Belly? – Ele girava a maçaneta lentamente. – Eu sei que você esta acordada, nós precisamos conversar um pouco.

– Sério Tonie? Quando nós não temos que conversar? – ele acendeu a luz, automaticamente cobri minha cabeça com as cobertas. – vai ficar parado na porta? Entra.

Ele deu mais um passo entrando completamente no quarto, virou e fechou a porta.

– Belly você saiu ontem?

– Não...- Minha voz balançou um pouco, lembrei da noite passada. – Porque?

– Voce já saiu deste quarto hoje? — Ele fitou-me, eu ainda esta atônita, então ele prosseguiu – Você já viu quantas coisas destruiu noite passada Belly?

– Destruir? – Refleti um pouco e estava ligando os fatos, ontem, Antonie, controle, sede, carne...- Eu realmente sai ontem, eu corri, perdi o controle, tropecei em algo, quente, macio e delicioso... Ai meu deus!

– Belly você perdeu o controle? – Ele parecia pouco surpreso, na verdade ele estava incrivelmente calmo, estava apenas confirmando.

– Sim, acho que sim. Mas eu só me lembro de uma parte, falta um pedaço do qual eu não cons.. não consigo me lembrar. – Eu tentava, por mais que eu tentasse eu não lembrava. – eu estava com sede, com uma dor de cabeça insuportável, eu senti um cheiro doce, agradável, eu corri pra longe, não queria machucar ninguém, minha visão embaçou... – eu estava ofegante de novo. – eu cai, cai em algo quente, macio e... eu não lembro mais.

– Seus instintos te dominaram. – ele falou mais para si mesmo do que para mim.

Ficamos assim, em silencio, durante um bom tempo, apenas respirando e sentindo o martelar de cada pensamento recair sobre nós. Algo precisava ser dito, mas o que? Nós dois sabíamos como histórias assim terminavam.

– Antonie, eu vou embora, hoje, não posso ficar aqui, é perigoso pra todos.

– Belly você não pode sair assim, esse foi apenas o primeira de muitas vezes que você pode perder os sentidos se não tiver ajuda.

– Eu vou me virar, assim que escurecer vou embora.

– Escurecer? – Ele parecia não entender.

– Você não sabe? Eu não posso sair a luz do dia, algo acontece comigo, é como se eu me tornasse uma chaleira com agua fervente, é algo que... Dói.

– Então foi isso. – ele sussurrava. – Vo.. você não pode ir embora Belly, como você vai deixar sua mãe?

– Ela vai aprender a se virar sozinha Tonie, eu não posso ficar aqui sendo que eu posso perder o controle de novo e posso matar – Dizer isso me causou certo arrepio. — de novo.

– Você não sabe se matou, eu vou te ajudar, você precisa tentar.

– Não tonie , eu já me decidi, preciso descobrir mais sobre mim. — disse isso olhando pra mim mesma por um segundo. – E pra fazer isso eu preciso sair daqui. Você pode me dar seu telefone e nós podemos nos falar.....de vez em quando.

– De vez em quando? – a cara dele era de quem entregava um pensamento. – Você tem mesmo certeza? Eu então posso ir junto com você e te ajudar. – Sua voz era esperançosa.

Eu não estava entendendo, isso parecia um termino de namoro, mas sem namorados, apenas conhecidos tendo uma conversa incomum sobre um assunto mais que incomum.

–Antonie, eu preciso que você entenda você sabe sobre Anjíros, você pode me ajudar, mas de uma certa forma eu sinto que preciso descobrir certas coisas eu mesma, sozinha, você foi o que manteve sã, que me ajudou a entender sobre o que sou, mas há coisas que apenas eu posso fazer, nesse momento eu preciso disso. – Eu já não estava mais embaixo das cobertas, quando a respiração de tonie ficou baixa ao pronunciar seu nome, me levantei e me aproximei mais dele para que de certa forma mesmo com tudo o que acontecia eu pudesse apoia-lo. – Eu espero que você entenda.

Ele me olhou fundo nos olhos e com um sorriso disse – Eu entendo perfeitamente.

Sim aqueles olhos, aqueles olhos castanhos que me deixavam tremula, fora de mim, o que era pior: Saber que talvez não pudesse olhar mais aqueles lindos olhos, boca, pele e tudo mais ou saber que o eu poderia encontrar la fora podia me destruir e não teria nenhum Antonie pra me ajudar? Sim, era uma duvida cruel.

– Belly? – Ele quebrou o silencio, falando de modo que uma criança fala quando acaba de saber que não ganhou o maior presente, mas pode acabar ganhando dois pequenos.

– Oi.

– Você deixaria apenas eu me despedir? Quero dizer, a noite antes de você ir?

Eu não podia negar, não depois de tudo, quase mata-lo, sua paciência comigo, ele me salvou e ainda tinha aquele TUM-TUM que parecia acontecer quando nos víamos. – Claro, você pode sim, eu irei sair a 01:00h.

– Tudo bem. – Ele parecia derrotado numa disputa invisível.- Bom, vou organizar alguns objetos que alguém, não sei dizer quem derrubou num movimento bêbado. – Ele sorria novamente.

– Desculpe, eu queria ajuda-lo, mas... — Ele interrompeu-me

– Eu sei, eu sei, chaleira né? – ele levantou rindo. Não pude evitar sorrir.

Assim que Tonie fechou a porta ao sair deitei novamente, precisava me organizar, pensar por onde começaria uma aventura de livros, sem mapas ou dicas.

– Belly?

–Sim mãe.

– Você não vai sair deste quarto? Você vive nele, PELO AMOR DE DEUS. – Minha mãe reclamava rente a porta. – Você precisa comer sabia? As pessoas morrem se não comem.

– Eu sei... – Eu pensei em uma resposta rápida.- Já comi, estava com insônia, senti fome no meio da noite, fiz um lanche e vim deitar, não estou com fome, mas sim com sono. – Menti descaradamente.

– Tudo bem, mas não se esqueça que apenas quarto não é vida, você precisa e deve sair daí.

– Pode deixar mãe.

Escutei os passos pesados de minha mãe se afastando, ela estava brava, era possível saber de longe, mas eu nada poderia fazer, mesmo porque estava prestes a abandona-la.

Virei-me novamente na cama, eu precisava descansar, pelo menos um pouco, seria uma noite longe, muito longa.

Já eram mais ou menos umas seis da tarde quando terminei de arrumar minhas coisas, estava levando apenas o necessário, duas mochilas de roupas e dois pares de sapato.

– É acho que eu me viro bem com isso por umas duas semanas.

Duas semanas? Minha mente reclamou, você passa o mês inteiro com isso.

Não vamos exagerar ok?

Fechei uma das mochilas, satisfeita por finalmente ter decidido o que levar. Mesmo com todos os motivos que me levava a sair dali, de certa forma eu intimamente estava feliz por tomar alguma atitude, achei que em nenhum momento eu seria capaz ou levada a me tornar independente, mesmo sendo um sonho intimo.

Ergui as duas bolsas e a sacola para me certificar de conseguiria carregar o peso, para minha surpresa estava incrivelmente leve, como se não houvesse nada dentro das bolsas e sacolas.

É agora você esta mais forte, mais destemida e pode cuidar de si mesma.

Deixo um sorriso tímido escapar de meus lábios, preciso de um banho, estou o dia inteiro sem sair do quarto, eu preciso de um banho, urgentemente.

Saio do banheiro já vestida e de cabelos presos em um rabo de cavalo frouxo, estou com um vestido preto, nada sexy, com rendas pretas, seria lindo se eu fosse do tipo “Gostosa”,mas eu sou magra demais nas partes erradas e “cheia” nas piores. Olho atentamente para a casa querendo guarda cada pedaço da minha vida antiga, ouço um barulho na cozinha e outro na sala, poderia apostar que mamãe estaria vendo a novela com drama mexicano que passa aqui e o outro barulho era Antonie provavelmente preparando algo para comer, ele não havia retornado ao meu quarto desde cedo, não que eu quisesse é claro. JAMAIS.

Retornei ao quarto e voltei ao espelho tantas vezes odiado pela imagem refletida, tantas vezes refletindo tristezas por sentimentos contidos pelas expressões mas gritantes em minha alma. EU estava levemente doce, com um toque poderoso, sim, preto era definitivamente minha cor. Vesti uma sandália baixa e sai rapidamente do quarto rumo a rua.

Quando passava pela sala mobiliada estilo anos 60, minha mãe apenas levantou seus olhos surpresa, porem a novela havia retornado de seu comercial e sua novela era sagrada.

Assim que passei pela cozinha vi tonie debruçado sobre uma tabua cortando em pequenos pedaços bacons e colocando- os em seguida dentro de uma frigideira e mexendo-os como um legitimo chef de cozinha, ele estava vestindo uma blusa cinza com pequenos flocos azuis aqui e ali desenhados, calças jeans claras e um tênis cinza. Ele estava tão concentrado em sua função que era possível ver seu olhar compenetrado apenas na comida a sua frente, ele fazia movimentos circulares, porem era possível ver que ele estava visivelmente perdido, ele estava lindo daquela forma que eu via, gostaria de ter uma câmera nos olhos para fotografa-lo e ter esta imagem em minha mente e coração para o resto da vida, OPS, eternidade.

Ele voltou sua atenção para cortar bacons novamente, quando de repente ele para e olha para trás, me flagrando em um delito secreto, eu coro, mas ele sorri e volta novamente a cortar os bacons.

Aproximei-me ainda envergonhada dele.

– O que você esta tentando cozinhar? – Pergunto inocentemente.

– Tentando? Estou fazendo um omelete la Tonie. – ele sorri.

É impossível que esse homem não possa ficar um segundo sem revirar meu estomago? Acho que não. – Sim tentando, você já viu como os bacons estão? – Aponto para os bacons torrados na frigideira.

– Oh não, Belly você me distrai. – ele resmunga. – Terei que fazer tudo de novo.

– Quer ajuda?

– Não. Obrigada, eu sei cozinhar. – Ele responde com tom de desdém falso.

– Sabe mesmo? – Levanto uma sobrancelha antes de continuar. – Foi assim que fez carvão de bacons? HAHAHA, e outra você os cortou errado.

Antes que desse tempo de tonie pensar, eu já estava atrás dele, segurando em suas mãos macias, muito, mas muito próxima do que seguro para nós dois.

– Você deve corta-los desta forma. – Segurando as mãos de tonie comecei a cortar os bacons da forma correta, sem perigo de cortes nem nada. – Desta forma o bacon fica mais saboroso, você não tem risco de se cortar e ele frita plenamente por dentro. – Minha respiração estava acelerada, uma mistura de nervosismo com excitação . – Prontinho.

Soltei as mãos de Antonie, mas por uma pequena fração de segundos ficamos próximos demais, ele na frente olhando para as tabuas e facas e eu atrás olhando para seus cabelos da nuca aos poucos se eriçarem, sim, ele tinha consciência de nossa proximidade. Eu queria de alguma forma continuar a toca-lo, mas não era o certo a fazer.

Afastei-me uns dois passos, ele se virou, olhando-me seriamente, o que havia em seus pequenos olhos castanhos? Medo? Atração? Desejo? Eu não sabia.

– Tonie, perdoe-me eu apenas...

– Belly... – Ele aproximou-se lentamente até estar frente a frente comigo, nossas respirações próximas, eu podia sentir seu hálito de menta. – Eu preciso te falar uma coisa, melhor mostrar.. – ele deu mais um passo para frente, nossos rostos tão próximos que estávamos quase nos beijando.

Beijar?Sera que era isso? Beijos longos que sonhei e nunca tive? Um leve cheiro toma conta de minhas narinas, fecho os olhos para saborear o momento, minha ultima lembrança desta vida, este cheiro esta dominando-me, Cheiro?, Puta que pariu o bacon.

– Antonie o bacon... – corro para a frigideira e desligo fogão rapidamente.

Tonie ainda esta Atônito em seu lugar, assim que ele se recupera corre em meu auxilio. Pega a frigideira pelo cabo, porem o fogo havia se alastrado por toda a frigideira, deixando-a fervendo.

–AAAH . – ele larga imediatamente a frigideira no fogão e começar a chupar e gemer de dor.- Ai.

– Deixe-me me ver.

– Não foi nada. – ele responde seco.

– Deixei me ver. – Aproximo-me dele afim de avaliar o grau da queimadura. Relutante ele me entrega a mão, não esta tão mal. – Relaxa você não vai perder o dedo.

Ele ri. – Aleluia!

Rimos juntos.

Passo lentamente a mão por cima de sua queimadura, ele para de sorrir e olha-me com cara de medo, olhos arregalados. Levei minha mão a boca a fim de fazer um teste, comecei a imaginar sangue, meu pesadelos, desta forma foi possível sentir minha garganta secar e arder muito, olhei bem fundo nos olhos de Antonie e me concentrei, minha visão estava mudando, ficando como calor, senti minha presas descerem e apertei-as sobre me dedo fazendo-o sangrar, em seguida pressionei o dedo na queimadura, sentindo meu sangue absorver tudo.

– Pronto, agora sim você para de chorar como uma criança. – Disse sorrindo, apenas quando tonie continuou com cara de assustado é que me liguei que eu ainda estava de presas, isso era decepcionante, não poder me controlar. – Estou saindo tudo bem?

Virei-me e sai porta a fora.

Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.