Anjos da Noite: O Despertar

10 Capítulo 8 - Amarga Realidade


Notas iniciais
Mais um capítulo. :)A música desse capítulo é a minha favorita!!Super recomendo que você a ouça enquanto lê. :)Enfim, boa leitura!

*Clique aqui para ouvir a música*

Ele segurou a minha mão e me puxou até o sofá. Ambos nos sentamos, um de frente para o outro. Seus olhos me encaravam. Sua expressão era séria e sombria. Ele parou por alguns segundos daquele jeito, suspirou e então começou a falar.

– Estamos em agosto de 2075. Esse mundo em que você vive, mudou desde 2050. Não sei quantos anos tem, mas pela sua aparência, não deve passar dos vinte anos. Se eu estiver correto, você sequer conheceu o mundo enquanto ainda era chamado de Planeta Terra. Mas esse lugar existiu e eu vivi nesse mundo. Nele, os humanos eram seres vivos. Seres que possuíam vontade própria e seguiam suas vidas da maneira que bem desejasse. Mas eles também eram muito ambiciosos e egoístas. Em 2050, o chamado "Apocalipse" na antiga Bíblia dos humanos, finalmente havia chegado.

Eu estava confusa. Como assim eu nasci depois do apocalipse e não me lembrava dele? Porque só conseguia me lembrar de tarefas comuns e cotidianas, como ler, saber o que é uma cama e uma geladeira... E simplesmente não me lembrava do que estava acontecendo à minha volta?

Eu o interrompi.

– Bíblia? O que é isso?

– É um antigo livro religioso dos seres humanos, muito, muito antigo mesmo. Nele havia coisas como profecias e palavras pregadas pelo profeta deles. Mas agora isso não vem ao caso.

– Você fala como se não fosse um humano... — Eu disse. É claro que eu sabia que ele não era. Mas eu queria ouvir ele mesmo dizer com suas próprias palavras que eu estava certa.

– Eu não sou. — Ele disse firmemente olhando para mim ainda mais sério e perplexo. Sua expressão, apesar de séria, era muito bonita.

– Você se lembra de tudo que não está diretamente relacionado a você e a sua vida agora. — Ele retomou -Isso é porque você não é mais a mesma. Você mudou. Ou melhor, está mudando. E tudo isso faz parte do procedimento. Depois você recuperará todas as memórias. Por isso estou tranquilo, entendeu? — Ele me disse, segurando minha mão direita firmemente. Seus olhos estavam tristes e sombrios. Eu estava ficando assustada.

Vendo minha expressão de medo e angustia, ele suspirou novamente e continuou.

– Olha, você tem todo o direito de me culpar se quiser. Sua perda de memória e essa fome, sua estadia aqui, tudo é culpa minha.

Eu estava ficando nervosa, mas minha ansiedade não me deixava falar nada, só escutar. Ele me observou e sorriu torto de novo. Outro sorriso triste. Eu não gostava daquele sorriso. Meu coração apertava toda vez que o olhava dessa forma.

– A história que vou contar agora parece absurda, mas, por favor, acredite nela, está bem?

– Sim... — Eu disse.

– Desde a antiguidade, sempre existiram criaturas sombrias que dependiam de carne humana para sobreviver. Criaturas cruéis para a humanidade. Era como uma sociedade oculta espalhada por todos os lugares do mundo. O segredo dessa sociedade não poderia ser revelado, pois a quantidade de humanos superava a quantidade de criaturas que existiam. Com o passar dos séculos, essa enumeração se tornou inversa. As criaturas na verdade eram anjos. Verdadeiros anjos que caíram nesse planeta em desgraça pelo pecado que cometeram. A lenda diz que o Deus dos humanos os amaldiçoou a viver na escuridão. Mas esses anjos, rancorosos com a humanidade, desejavam se vingar. Em 2050, esses anjos perceberam essa inversão quantitativa. Anjos superavam a humanidade em quantidade e poder. Então um plano diabólico fora elaborado. Clãs de anjos se reuniram. Todos queriam revelar o segredo milenar de sua existência para, então, dominar a humanidade. Houve uma grande guerra após isso. Mas as armas dos homens não eram suficientes para deter estes seres. Bombas nucleares foram jogadas em vários locais do mundo, mas nem isso fora capaz de destruí-los, destruindo apenas a própria humanidade. Os anjos obviamente venceram a guerra. Mas, para eles, a humanidade não poderia se extinguir. Do contrário, sobreviveriam de quê? Então, os anjos fizeram um pacto com os líderes da humanidade. De dia, nenhum anjo caído atacaria. E os humanos poderiam levar suas vidas “normalmente”. A partir das 18h, haveria um toque de recolher a fim de alertar a todos para voltarem as suas casas, pois nesse momento, vampiros estariam autorizados a atacar. Quem estivesse na rua nesse horário, estaria sujeito a morrer. Os líderes dos humanos aceitaram. Seria uma forma de sobreviverem e coexistirem, já que os anjos são criaturas fortes e praticamente imortais. Então nos dividimos em Sociedade do Sol e Sociedade da Lua. Para os humanos, como eu já havia mencionado antes, esse acontecimento foi o apocalipse. Para os anjos caídos, foi o momento de ascensão.

Eu estava boquiaberta com toda aquela história. Parecia irreal demais pra mim, ainda mais porque eu não me lembrava de nenhuma guerra em 2050 que envolvesse anjos...

Por quê? Por que eu não me lembraria de algo tão importante?

Me observando boquiaberta, ele resolveu continuar.

– Os líderes dos anjos se resumem em uma pequena família, um clã, com apenas alguns membros. São como uma espécie de monarquia. São os originais. Os descendentes diretos dos primeiros anjos caídos, filhos de Lilith, a mãe de todos os anjos.

Estranhamente, meu coração apertou. Esse nome me causava uma estranha aflição.

– Lilith? — Eu perguntei.

– Diferente da humanidade, os anjos não veneram o Deus dos homens. Eles adoram uma Deusa criadora. Ela foi a primeira esposa de Adão, o primeiro ser humano criado por Deus a sua imagem e semelhança. Com ele, teve inúmeros filhos. Curiosamente, os filhos não possuíam nada humano além da aparência. Na verdade, eram anjos que viviam num dos céus do paraíso, protegendo e guardando o Jardim do Éden, onde Adão vivia com Lilith. Mas Deus não sabia de nada e, quando soube, ficou furioso. Lilith era indomável e feita da mesma matéria que Adão, então queria ser tratada igualmente. Mas Adão sempre a olhava de maneira superior e, não suportando, ela o abandonou. Entristecido, Deus aproveitou a oportunidade e criou Eva, mãe da humanidade. O ódio, ciúme e inveja tomaram o coração de Lilith que se vingou de Eva causando sua expulsão e a de Adão do Jardim. Magoado, Deus também expulsou Lilith do paraíso que caiu em desgraça junto com seus filhos. Ambos, anjos caídos, foram condenados a viver na escuridão e a ser caçados pelos três grandes anjos celestes: Sanvi, Sasanvi e Semangelaf. Lilith foi exterminada desde os primórdios, bem como a grande maioria de seus filhos. Mas os sobreviventes deram continuidade a espécie de anjos caídos. Os que não se misturaram com a humanidade, permaneceram puros. Os que se misturaram, se tornaram impuros. Cada vez que a descendencia é corrompida, há perda de poder. Os Volturi são o único clã que nunca, jamais fora corrompido. Por isso são os mais poderosos e todos, anjos e humanos, se curvam diante de seu imenso poder.

– Esses anjos são como... vampiros?

– Isso. A humanidade os nomeou assim. Embora a existência dos vampiros fosse até algumas décadas atrás apenas uma lenda, poucos que se deparavam com um anjo e sobreviviam pra contar a história, falavam do que viam. Com os rumores, a história se tornou uma lenda, por nunca ter sido comprovada, onde a humanidade nomeou as criaturas de vampiros. Mas os anjos não gostam nenhum pouco dessa nomenclatura.

– E... como você sabe tanto sobre eles?

– Eu... Sou um anjo caído.

Eu sabia. Eu vi suas asas negras. Eu sabia que ele não era um humano.

Eu fiquei de olhos abertos observando seu rosto temeroso. Estava com um pouco de medo.

– Por favor, não fique assustada. Acredite em mim, eu não quero te machucar.

Assenti com a cabeça e continuei em silêncio.

– Eu sou um dos descendentes dos originais. Faço parte da monarquia dos anjos que já mencionei, os Volturi.

Meu coração apertou. Eu estava com medo. Com muito medo. Mas não queria demonstrar. Estranhamente também não queria ir embora. Não queria deixa-lo ali. Aliás, eu não poderia mesmo que quisesse. Ele provavelmente era bem mais forte do que aparentava.

Eu engoli seco e perguntei algo que desejava muito saber.

– Qual é o seu nome?

Ele sorriu com outro sorriso triste. Como se odiasse ser quem é e ter que admitir isso.

– Meu nome é Paul. Paul Volturi. Eu sou o descendente direto do grande Senhor do Novo Mundo, Azor Volturi.

– Novo Mundo?

– É o nome do planeta, agora. Em meados de 2060, a humanidade já quase extinta, fora recriada pelos próprios vampiros. Bancos e mais bancos de sangue e treinamento humano foram instaurados ao redor do planeta, onde bebês de proveta descendentes de Adão e Eva, são gerados. Lá eles crescem e aprendem a se portar e nos servir. Perdem completamente a consciência, através de lavagens cerebrais e dolorosos tratamentos de choque. Como uma espécie de hipnose. Assim, há alguns anos, a humanidade se curvou totalmente diante dos anjos e a Sociedade do Sol finalmente fora exterminada.

Fiquei em silêncio. O que poderia dizer? E se eu, como humana, fosse um desses servos? O que ele faria comigo?

Inconscientemente comecei a chorar.

E pra minha surpresa, ele não me ameaçou ou ficou furioso.

Ele me puxou para o seu peito, onde pude ouvir seu coração bater. Seu cheiro era bom. Muito bom. Estranhamente eu fiquei calma.

Ele acariciava meus cabelos delicadamente com suas mãos grandes e masculinas.

– Shiu... Por favor, não chore mais. Eu já disse que não precisa ter medo, eu não vou te machucar.

Ainda assim, eu chorava. Não por medo, mas meu coração estava muito apertado. Aquela voz... Aquela doce e suave voz me deixava tão inquieta...

– Você me lembra muito alguém. Alguém importante para mim que se foi há muito tempo. E eu amava muito esse alguém. Esse fraco e pequeno ser...

*Clique aqui para ouvir a música*

– Eu não entendo. Então eu realmente sou humana, não é? — Disse o empurrando de maneira sutil e encarando-o.

Seus olhos brilhantes refletiam a luz da lua que entrava pela janela. Eram tristes. Eu podia jurar que vi lágrimas surgindo deles. Anjos choram?

– Não. Você não é mais uma serva humana.

Eu o encarei confusa. Então ele concluiu a frase.

– Eu te matei.

As lágrimas finalmente desceram dos seus olhos tristes.

– O quê? Eu... Eu não entendo... – Me levantei de súbito. Estava aterrorizada. Não queria mais estar ali. Não queria viver naquele mundo daquele jeito. Se ele me matou, o que eu era? Um fantasma? Ou pior...

Ele me abraçou pelas costas. Eu estava em estado de choque.

Tudo fazia sentido. Minhas memórias...

Elas finalmente haviam voltado.

Notas finais
E aí, o que vocês acham que a garota lembrou?Podem dar seus palpites, quero só ver se vocês vão acertar! hahaOs próximos capítulos serão mais intensos...Então gente, eu acho que vou demorar a atualizar, pois estou em época de prova na faculdade. :/Mas continuem aí ligadinhos em Anjos Caídos!Beijinhos.