Anjos Perdidos
3 O Começo de Uma Futura História
Notas iniciais
Eu o olhava incrédula, me perguntei várias vezes como ele sabia que eu tinha esses pesadelos e como era logo eu que tinha, mas logo lembrei que o médico disse “— Sim, temos um garoto que estava aqui antes de você, não é a primeira vez dele, então por isso soubemos cuidar de você para não ter tantos ataques ou se machucar dormindo.” Então era ele, eu realmente não sabia como reagir e fiz a pergunta mais idiota que eu poderia fazer:
— Como você sabe sobre meus pesadelos?
— O Médico mencionou que você chegou e que ficou em pequeno coma pelos seus sonhos e etc.
— Ah, mas como sabia que era logo eu? — Falei apontando para o meu rosto.
— Exatamente isso que eu quero falar, Anne, eu venho tendo esses pesadelos faz tempos, eles são assustadores e podem ser reais...
Eu o cortei.
— Como sabe que podem ser reais?
— Anne, em todos os meus sonhos você estava, por isso sei quem é você e como se chamar, por isso sei que logo te encontraria Anne, isso é tudo real, aquelas pessoas estão nos ameaçando, aquelas pessoas existem.
Eu só o encarava esperando ele rir e mostrar que é pegadinha,a final, isso é impossível, ou não, eu apenas espero, realmente não quero encontrar a “Vida”, eu não quero morrer, não quero que seja real, se meus próximos sonhos forem piores, o que farei?
— Você está mentindo.
— Por que eu mentiria?
— Eu não sei, eu só não vou acreditar nisso.
— Quer que eu te prove?
— Como?
— Sei o suficiente da sua vida para lhe contar e sei como foram seus sonhos, pois eu estava em todos eles.
— Eu duvido.
— Seu nome é Anne Chermont, você se mudou faz nem uma semana, sua melhor amiga se chama Morgana e são quase irmãs e você mora com a sua Tia pelo o que aconteceu com os seus Pais. Em seu sonho o que mais te assustou foi o tal “Vida” que você ainda sente medo de encontrá-lo.
— Eu... isso... Você é um stalker?
— Apenas acredite no que eu te disse, precisamos descobrir o que pode acontecer.
— Mas eu ainda não confio em você. Nem sei quem você é.
— Prazer, eu sou John Lewis, deve ter percebido que sou brasileiro, mas não nasci no Brasil, tenho 17 e moro aqui faz alguns meses, vim morar aqui pelo trabalho da minha Mãe. — Achei coincidência ele vir morar aqui e começar ter pesadelos, o problema é aqui.
— Prazer, você já sabe minha vida toda.
Ele sorriu, ele sorriu. Eu não percebi como ele era, estava ocupada o achando estúpido não nego que o achei bonito, não sei se foi os cabelos pretos quase caindo nos olhos, a pele mais pálida que a minha, a boca fina, os olhos azul e verde, eu realmente acho que a última parte que o faz chamar mais atenção, ele tinha heterocromia.
— Seu olhos...
— Diferente, eu sei, nem gostava tanto, mas vi que isso era legal e que poucos tinham, fez eu me sentir especial.
— Igual meus cabelos, diferente, não é único, mas me torna diferente, gosto dele.
— Já temos duas coisas em comum.
— É.
Ficou um silêncio constrangedor, decidi que iria voltar para o meu quarto, mas ele falou primeiro.
— Então, eu tenho que voltar, mas ainda preciso falar mais sobre os sonhos, vou deixar meu número, tudo bem?
— Não tenho onde anotar.
— Eu tenho, pensei na possibilidade de te encontrar, então peguei um papel e caneta.
— Isso foi uma cantada?
Ele sorriu de novo.
— Dessa vez não.
— Ainda bem, se não eu seria obrigada a te agredir.
Ele sorriu de novo, você não parava de sorrir, isso estava irritando-me profundamente.
— Tome, assim que sair me liga para eu poder te encontrar.
— Claro que vou, espere a madrugada toda minha ligação, fique ansioso e comendo doce ao lado do telefone.
E ele sorriu mais uma vez e saiu de lá, queria te tacar a minha muleta por ficar rindo.
— Eu não vou ligar. — Levantei com dificuldade e voltei para meu quarto, só tinha Morg quase dormindo, cheguei perto e assoprei em sua orelha, ela levantou num pulo e me encarou furiosa.
— Qual o seu problema?
— Nada, só queria você acordada.
Sua expressão de raiva sumiu para uma de desespero.
— Seu nariz, ele... Está sangrando!
— Ainda?
— Como assim ainda?
— Eu caí e então meu nariz começou a sangrar, pensei que tinha parado. Aquele idiota podia ter avisado.
— Me explica isso.
— É uma longa história.
Ela se sentou perto da cama e cruzou as pernas.
— Temos bastante tempo, pode começar.
Suspirei e me sentei na cama.
— Vou contar tudo...
Fui cortada.
— Seu nariz está me dando nervoso. — Morg pegou uns papéis e molhou e limpou o sangue do meu nariz.
— Para de ser uma irmã mais velha cuidadosa.
— Conte logo.
Comecei desde o sonho do avião, demorou um pouco, mas consegui explicar, Morg apenas olhava e piscava, não dava opinião, as vezes fazia uma cara de preocupação, ela provavelmente está achando que sou louca, mas parece que errei.
— Isso é bem estranho.
— Você acredita?
— Acredito, você não mentiria sobre algo sério assim e pior é que algo me diz que isso é verdade e bem sério.
— Vai me ajudar a descobrir o que anda acontecendo?
— Sim, mas você vai ligar para o tal “Idiota”.
— Não, de jeito nenhum, não vou ligar, me viro sozinha.
— É só um garoto, Anne.
— Não vou ligar.
Logo estávamos em casa, Clarisse tinha saído de novo e sobrou eu e Morg vendo um dos filmes que Clarisse tinha guardado.
— Liga.
— Não vou ligar.
— Você vai.
— Quero ver me obrigar.
...
— Alô?
— Aqui é a Anne.
— Pensei que não ligaria e teria que te stalkear.
— E eu não ia ligar.
— Por que ligou então?
— Tem uma garota sentada nas minhas costas no meio d sala segurando minha pernas.
— Isso é estranho.
— Não importa, o que você quer?
Ele suspirou.
— Preciso te encontrar pessoalmente para conversar sobre isso.
— Você pode vir aqui, já que não faço a mínima idéia de como andar por aqui.
— Me passa o endereço por mensagem, pode ser hoje?
— Não... — Morg começou a puxar meu pé. — Pode sim, pode sim.
Ele riu... de novo.
— Passo mais de noite.
— Até mais tarde.
— Até.
Desliguei e continuei deitada, respirei fundo umas três vezes seguidas.
— O que houve, Anne?
— Você está me deixando sem ar.
— Ah, me desculpe. — Morg deu um pulo sentado nas minhas costas que me soltar um som estranho de dor e saiu.
— Idiota.
— Que horas seu amigo vem?
— Ele não é meu amigo e eu não sei.
Morg bateu na própria testa.
...
A Campainha tocou, fui abrir a porta e dei de cara com John, ele sorriu e foi entrando, coloquei a mão em seu peito e o empurrei pra fora indo junto e fechando a porta atrás de mim.
— Grossa.
— Tanto faz, prefiro conversar sobre isso aqui.
— Bem...
— Sério, não enrole, sou curiosa e estou ficando nervosa.
— Eu e você corremos perigo.
— Que?
— Tem alguém atrás da gente e da sua amiga também, pior que eu acho que sua Tia sabe de alguma coisa.
—Espera, o que?
—Eu já falei.
— Como ela pode saber de algo? Eu a conheci faz nem uma semana, ela mal me conhece, como vai saber sobre isso?
— Olha, eu não sei, só sei disso até agora, ela apenas sabe algo muito importante e está tentando esconder de nós quatro.
— Quatro?
— Esqueci dessa parte. Tem mais alguém que é importante nessa história e não conhecemos.
— Tem como piorar?
— A “Vida” está tentando te achar.
— É modo de falar, não precisava realmente piorar. Cara, que caos é esse? Não entendo mais nada.
— Eu também não.
— Droga.
— Se estamos correndo perigo é porque somos importantes para algo, temos que descobrir o que é isso e se é tão importante a ponto de quase morrermos. — John falou com uma calma assustadora.
— Eu mal te conheço, mas quero te bater por ter essa calma toda.
— Preciso ter calma, se eu surtar, vai saber o que acontece.
Sentei no primeiro degrau e ele fez o mesmo.
— Isso é tão estranho, a pouco tempo eu era apenas uma ninguém em um orfanato e agora sou um perigo em Paris.
Ele riu de novo.
— Pois é.
E ficou um silêncio constrangedor de novo, por uns 2 minutos, até Clarisse chegar.
— Tia, preciso falar com você.
— O que ele está fazendo aqui?
— Ele é meu amigo.
— Sou? — John riu sarcasticamente e dei uma cotovelada de leve na sua barriga.
— Como? Vocês não podia se conhecer, eu não acredito que deixei isso acontecer, bem que me disseram que eu só estava atrasando a profecia. — Clarisse falava enquanto balançava as mãos freneticamente.
— Profecia? — Perguntamos juntos.
— Não sei o que eu faço.
— Que tal começar a explicar, Clarisse? — Perguntei ficando nervosa, não com Clarisse, com tudo isso de uma hora para outra.
Ela suspirou, fechou os olhos, depois os abriu e olhou pro céu sussurrando algo.
— Precisamos entrar, vou contar tudo para vocês.
Ela entrou em casa e a seguimos, chamei Morg discretamente que começou a segui-la também, paramos na porta do quarto de Clarisse, ela entrou e fechou a porta, ficamos olhando para a porta esperando algo acontecer, então Clarisse saiu do quarto segurando um livro grande e dourado, era todo desenhado na capa, tinha um árvore com folhas na ponta de cada galho, era um livro muito bonito.
— Vou contar a história de vocês.
— Mas eu já sei da minha história.
— Não essa história.
— Então é qual história? — Perguntei com medo de saber.
— Eu vou contar a futura história de vocês.
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