Anjos E Demônios - A Revolução Dos Invisíveis
1 A Chave Dourada e a Porta de Ferro
Notas iniciais
Tudo começou com um sonho, mas não era um sonho qualquer, que você acorda e logo esquece, este é diferente, ele me atormenta desde sempre, me fazendo acordar assustada e tremendo de medo, de tão real que ele parece ser para mim:
“Eu estava em um salão, era imenso e totalmente escuro, com apenas uma imensa porta de ferro, iluminada pela luz das velas ao seu redor, quase se apagando. A porta era quase o triplo da minha altura. Olho para meu pescoço e vejo um colar, com uma chave dourada. Sinto meu corpo leve, como se eu pudesse voar, e uma força descomunal, para uma garota. Atrás de mim, demônios com uma aparência horrenda, fazendo minha alma gelar. Mas dentre eles, tem um que me parecia familiar, se parecia com alguém que eu havia visto, mas que não consigo me lembrar. Sua aparência é meio estranha, seus cabelo são totalmente prateados, e seus olhos vermelhos, com suas mãos banhadas de sangue. Mas ele não se incomodava, tudo lhe parecia normal, como se tivesse acostumado. Eles me olham famintos e querendo me atacar, o que me faz correr em direção a aquela porta. Eles me encaram com seus olhos negros, e correm em minha direção, com a intenção de me parar, famintos e insaciáveis, com o estranho homem parado a frente deles, me encarando, com um machado em uma de suas mãos. Abro finalmente a porta com a tal chave dourada...”
Acordei nervosa e tremendo de medo, olhando para os lados e abraçando minhas pernas, com a cabeça escondida e o rosto tampado pelo meu cabelo louro e cacheado. Isso sempre acontece, mas não consigo parar de pensar em como este sonho termina, e o que o homem fará.
– Tendo pesadelos de novo Juliet? – diz minha vó, Abgail, entrando no quarto, se sentando ao meu lado e acariciando meus cabelos.
Ela cuida de mim desde que nasci e é uma pessoa muito simpática, cheia de histórias incríveis para contar. Uma delas é sobre uma guerra ente anjos e demônios, onde um dos anjos, um dos mais poderosos e respeitados se revolta diante de toda a humanidade, dizendo que os humanos são criaturas imundas, que são impuros e que não deveriam existir. Uma sangrenta luta se iniciou e o tal anjo foi condenado a viver nas profundezas do inferno, como um anjo caído. Esta é a que mais gosto, mas o final é um pouco intrigante, algo sobre ele sair do inferno com um exército de demônios sob seu controle e colocar o mundo em chamas. Minha vó me disse que ela não termina aí, mas que eu só saberia o final na hora certa, agora quando já não sei.
– Tem que se arrumar muito bem hoje Juliet. – diz minha vó se levantando e abrindo as cortinas.
– Ah, o sol. – coloco a mão no rosto.
– Virou um vampiro foi? – e ri baixinho.
– Quase isso. Tem algum motivo especial?
– Você se esqueceu? – disse ela, cruzando os braços.
– Esqueci.
– Seu primo vem aqui hoje.
– O primo Leo? Faz tempo que não vejo ele.
O Leo é meu primo paterno, o único da família do meu pai que mantém contato comigo, já que os outros moram
– É, e amanhã você terá uma surpresa.
– Que dia é amanhã? – me levanto e vou pegar meu celular para ver a data.
– 19 de junho.
– É meu aniversário! – digo surpresa.
Ela balançou a cabeça e saiu do quarto, rindo de mim. Isso não tem graça, eu esqueci do meu próprio aniversário, dezoito anos é muito, já dizia ela, você já é uma mulher feita e tem responsabilidades maiores vindo. Eu não entendi essa última frase dela, e sinto calafrios só de lembrar.
– O que será que visto hoje? – digo indo em direção ao guarda-roupa.
Sabe, acho que até minhas músicas são mais organizadas que meu guarda-roupa. Começo a tirar tudo e a jogar em cima da cama, procurando alguma roupa descente pra vestir.
– Não tenho nada. – e me atiro em cima das roupas.
Preciso ir fazer compras urgente.
Me levanto e coloco uma roupa qualquer, um all star e corro em direção a cozinha, com uma bolsa na mão.
– Aonde vai com tanta pressa Juliet? O mundo ainda não vai acabar. – disse minha vó com um pouco de sarcasmo e um tanto séria.
– Não tenho nada pra vestir.
– Como não? E o que é aquela montanha de roupas ali? – disse apontando para as roupas espalhadas pela casa.
– AAH, tenho que arrumar tudo isso antes do Leo chegar! – digo e começo a entrar em pânico.
Antes que você, querido leitor, comece a me chamar de louca, tente ao menos me compreender. Não vejo Leo desde meus 10 anos de idade, então é difícil expressar com palavras minha felicidade, nervosismo em palavras, então eu começo a surtar, mas isso não é motivo para você me achar louca.
Ela balança a cabeça e volta a cozinhar, com um meio sorriso simpático em seu rosto já enrugado pela idade.
– Volte logo querida.
– Sim.
Saio de casa e me deparo com minha vizinha, conversando com as pessoas que passam pela rua e fofocando, sabe aquela menina que se mudou pra cá a pouco tempo, você nem sabe o que houve, diz minha querida e fofoqueira vizinha Ashley. Ela tem aparência de uma adolescente mas tem idade pra ser minha mãe, o que é um pouco estranho.
– Ah Juliet querida. – disse Ashley acenando para mim freneticamente. – Venha aqui.
Eu obedeço e vou até ela, com um pouco de medo.
– Parabéns. – ela me puxa e me abraça forte. – Já pode ser presa. – e tenta segurar o riso.
– Pois é né, mas acho que isso pode esperar um pouco, meu primo está vindo para cá.
– Ah, o Leo?
– Sim, ele mesmo. – digo com um sorriso no rosto e tentando conter minha alegria.
– Me avise quando ele chegar, preciso entregar algo a ele.
Por um momento, Ashley ficou séria e não parecia mais um adolescente com os hormônios a flor da pele, sofrendo de TPM constante. Sua face ficou pálida e seu sorriso havia secado, e segurava suas mãos enquanto fitava o chão.
– Está tudo bem? – pergunto me aproximando dela.
– Está tudo ótimo meu anjinho...
Seus olhos foram de castanhos bem claros, para um rubro bem vivo, e quando fitei suas mãos, suas unhas pareciam ter duplicado de tamanho, e ficaram com uma aparência horrenda e podre, com o corpo cheio de manchas negras, os dentes pontiagudos a mostra, e o cabelo, antes ruivo, totalmente negro.
Meu corpo inteiro gelou ao ver tal cena. As pessoas que andavam pela calçada nos olhavam e pareciam não perceber o que estava acontecendo. As crianças correndo pela rua, jogando bola ou brincando de pega-pega também pareciam não perceber nada.
Isso não pode estar acontecendo, não pode.
Fecho meus olhos rapidamente. Isso só pode ser um pesadelo, isso, eu estou dormindo e tudo isso vai acabar logo. Vou abrir os olhos e vou estar na minha cama, e minha vó vai aparecer e brigar comigo novamente, porque esqueci que é meu aniversário, ou por causa da bagunça que sempre faço.
– Você está bem Juliet? – pergunta Ashley, me fazendo abrir os olhos.
– Sim, eu acho. Não estou me sentindo muito bem.
Ela agora estava normal. Toda aquela aparência horrenda havia sumido e ela voltou a ser a minha vizinha fofoqueira metida a adolescente.
– Precisa se cuidar ou vai acabar se machucando querida.
– Você tinha me dito que queria falar com o Leo certo?
– Leo? – ela começou a rir. – Eu não me lembro de ter dito isso. Você é engraçada.
– Então.. acho que já estou indo, até.
– Até mais Juliet.
Eu não me lembro de ter dito isso. Como não? Eu juro que escutei ela dizendo isto, então como eu posso explicar o que aconteceu? Eu não sou louca, pelo menos é o que eu acho. Olho para o céu e vejo que ele começa a ficar negro, coberto por nuvens. Droga vai chover em breve, e eu ainda nem comprei o que eu queria, é melhor eu me apressar.
Claro que eu me apresso, mas não consigo esquecer o que aconteceu, e a imagem da Ashley fica me perturbando, junto com as imagens do meu sonho, eu estou acordada não estou? Ou eu estou perdida de novo em meus pesadelos? Ele parece ser tão real, é impossível que isto seja um sonho.
– Seja bem vinda. – diz a funcionária da loja que entrei. – Eu me chamo Any, qualquer coisa é só me chamar.
– O-obrigada.
Ela tem uma aura tão calma que a envolta, é tão simpática e espontânea que até me espantei. Eu acho que já a vi em algum lugar. O cabelo dela e curto e quase da altura de seus ombros, castanhos e seus olhos azuis bem claros. Ela é muito bonita.
– Já escolheu o que vai querer? – diz ela depois de algum tempo.
– Sim, são estas. – e entrego as roupas a ela.
– Me acompanhe até o caixa.
Eu a sigo calada. Eu pago e espero ela colocar as roupas na sacola, quando de repente um homem alto e esguio entrar na loja. Sua face está coberta pelo capuz do casaco, e ele esconde um tipo de arma dentro dele. Sua aparência é parecida com a da Ashley, só que pior, parece um tipo de demônio, mas as pessoas ao redor não parecem notar isso.
– A senhorita percebeu? – perguntou-me Any meio intrigada.
– Você também vê? Achei que estivesse louca.
– Você nunca esteve louca Juliet. – e começou a colocar as roupas depressa dentro das sacolas.
– Como sabe meu nome?
– É uma longa história. – disse me entregando as sacolas, e um colar meio estranho, com uma chave dourada pendurada. – Pegue isto e volte para casa, não fale com ninguém a não ser sua avó e o Leo, que deve estar te procurando nesse exato momento, eu vou distrair ele. – sussurrou Any, segura do que estava me dizendo.
– Como sabe de tudo isso?
– Pra que tanto espanto? Ninguém lhe contou?
– Me contou o quê?
O demônio se virou e me fitou.
– Achei... você... – disse ele com uma voz fina, mostrando seus olhos rubros.
– Saia daqui Juliet. – gritou Any empunhando uma espada que tirou de traz do balcão.
Não penso duas vezes e saio correndo daquele lugar, dou uma olhada antes de sair e vejo que ela tem asas, enormes e lindas. Asas? Como assim? Ela é um anjo? Achei que issp eram só histórias que minha vó em contava quando eu não queria dormir, impossível.
Continuo correndo segurando o tal colar que Any me entregou. Ele tem uma estranha luz dourada que o envolve, o que será que ele abre?
– Juliet? O que faz aqui? – diz Leo em cima de uma moto. – Sobe logo.
Leo não havia mudado, nem um pouco. Oito anos se passaram e ele ainda estava igual, apenas seu cabelo havia crescido, que também é loiro e cacheado, agora está preso por um imenso rabo de cavalo. Ele não envelheceu...
– Leo? O que está acontecendo? – digo subindo na moto
– Foi um erro não termos te contado a verdade. – e deu a partida. – Any te deu a chave certo? Guarde-a bem.
– Você conhece aquela mulher?
– Sim, e vocês vão se ver muito em breve. Segura em mim. – e acelerou.
– Para onde estamos indo? – pergunto.
– Vamos para casa a casa de campo da sua vó, ela já está lá nos esperando. A propósito, feliz aniversário Juliet.
Eu me segurei e ele continuou acelerando, fugindo da cidade aonde cresci, e seguindo rumo ao campo, aonde as coisas só iriam piorar...
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