Anjos E Demônios - A Revolução Dos Invisíveis
3 Domando a besta
Notas iniciais
Leo parece ter se acalmado um pouco, talvez seja porque ele tem algo com o que se ocupar, como o conserto da casa, por exemplo. É meio estranho, qualquer mudança de humor dele traz mudanças drásticas, parece até uma adolescente revoltada.
Minha vó estava acendendo a lareira, enquanto eu arrumava os livros jogados no chão e alguns retratos, um deles era de minha mãe e dois rapazes estranhos. Pela descrição, o que a abraçava era meu pai, mas o outro não consegui reconhecer, talvez seja algum amigo de infância, com uma aparência bem bizarra.
- Desculpe a demora, já está pronto. – disse Leo servindo a mesa.
- Já vou, estou quase terminando aqui.
Em um piscar de olhos, ele apareceu na minha frente, levanto a prateleira e colocou todos os livros e retratos em ordem.
- Como eu disse, já está pronto. – ele sorriu de forma: eu preparei tudo isso então você vai vir comer.
Acho melhor eu ir antes que ele fique zangado e destrua a casa toda. Sentei-me e comi o mais depressa que pude, antes que ele me fritasse apenas com o olhar, se bem que acho que é possível.
Vá para fora, Juliet.
Ah que bom, estou começando a escutar vozes agora.
- Tudo bem Juliet? – perguntou Leo se sentando ao meu lado.
- Sim, obrigada, estava ótimo. Vou dormir agora.
- Tome cuidado querida. – disse minha vó em sua cadeira de balanço.
- Vou tomar
Saia da casa agora, Juliet, está correndo perigo.
Que voz é essa, ela está ficando cada vez mais alta e impotente, uma voz masculina que eu nunca havia escutado antes.
Mulher estúpida, saia daí se não quiser morrer.
- Juliet, algo errado? – diz Leo me parando quando eu estava quase entrando em meu quarto. – Parece assustada.
Não fale nada sobre mim, ou irá sofrer as consequências.
- Depois de tudo o que aconteceu hoje, acho que era pra mim estar assustada.
- Sei – ele arqueia uma das sobrancelhas e cruza os braços. – Vá dormir então.
Ele se vira e sai andando, resmungando. Então ele sempre foi assim? Não me lembro dele ser tão resmungão quando eu era pequena.
Muito bem, agora, SAIA!
- Eu tenho outra opção? – murmuro
Tem duas, ou você sai agora, ou você sai morta dentro de um caixão, qual das duas prefere?
Ah que ótimo, temos aqui um sequestrador piadista. Fazer o que, ele deve estar em algum lugar aqui perto, quem sabe se eu sair descubro quem esse idiota é. Se bem que Leo ficaria uma fera comigo se soubesse que saí de casa, principalmente à noite.
Abro a janela e um forte vento gélido invade meu quarto, acho melhor eu pegar um casaco. Antes de sair dou mais uma olhada em meu quarto, e escuto Leo reclamando lá da cozinha sobre o quão chato esse lugar é, e como os cavalos estão inquietos.
Pulo a janela e a deixo meio aberta, caso algo me aconteça. Vejamos, aonde eu devo ir agora? A floresta parece bem mais macabra a noite, talvez eu deva começar por lá mesmo.
Enquanto caminho, tomando cuidado para não ser pega, tenho a impressão de escutar passos pesados, alguém ou alguma criatura se aproximando de mim.
. Viro-me para ver se quem era e me deparo com a sombra de um homem, carregando em seus ombros um lobo enorme.
- Que mulher teimosa, assim vai deixar o passarinho preocupado.
Ele pega o lobo enorme que estava carregando sem dificuldade alguma e o joga contra uma árvore, que acaba sendo destruída por tal força bruta. E nem preciso dizer o estado e que o lobo ficou.
A voz do homem era muito familiar, tenho certeza de que esse era o homem que invadiu minha mente e mandou eu sair da casa. Eu realmente sou estúpida, nunca vou me livrar dele agora.
- Passarinho? Se refere ao Leo?
- Ah sim, mas ele não é um passarinho qualquer, e nem você uma humana qualquer. – em um piscar de olhos ele aparece atrás de mim, e coloca uma de suas mãos em meu ombro. – Você fede como eles, Juliet.
- Sabe, invadir a privacidade de uma garota não é um ato muito cavalheiro sabia?
- Eu me esforço. Se isso for deixar o guerreiro alado irritado... – ele diz em meu ouvido.
- Se afaste de mim.
- Ou fará o que comigo? – ele diz surgindo em minha frente e me segurando pelo pescoço.
Seus olhos tinham um tom dourado, parecia como o sol, belo e radiante. Seus cabelo era negro e um pouco armado, como um leão negro, meu favorito. Ele vestia um longo casaco de pele negra, e o capuz parecia uma juba de leão. Sua voz parecia um rugido, cada palavra que saia de sua boca me fazia gelar de medo.
- Fazia tempos que eu te procurava, Juliet. Fiquei preso tanto tempo aqui no mundo humano te procurando... Mas nunca consegui lhe encontrar. Tudo isso por causa daquele maldito homem. – ele me largou e se ajoelhou, com uma das mãos ensanguentadas no rosto.
- Quem é você, exatamente? – digo ainda sem ar me aproximando dele.
- Sua mãe nunca falou sobre mim?
- Conheceu minha mãe?
- Se conheci? – ele ri e se levanta. – Ela me salvou, e sou muito grato a ela. Tem certeza de que não se lembra de mim? Ela nunca te falou nada?
- Eu nunca a conheci, ela morreu assim que eu nasci.
- MENTIRA! – ele rugiu bem alto fazendo com que os pássaros ao nosso redor saíssem voando assustados. – Ela está viva, eu vi você nascer, eu cuidei de você e dela, ela não pode ter morrido.
- Não estou entendendo mais nada. Minha mãe não morreu?
- Mas é claro que não. – ele para de falar e começa a olhar em volta. – Volte para casa Juliet, sinto que tem um traidor entre vocês.
- Quem?
Ele então se ajoelhou perante mim e olhou fixamente em meus olhos.
- Juliet, suba em minhas costas.
Ele então rugiu mais uma vez,
e se transformou em um belo e gigantesco leão negro. Eu fiquei totalmente paralisada e ele rugiu novamente, mandando eu subir em suas costas. Fomos então rapidamente até a casa, se o que Vincent disse for verdade, minha vó está correndo perigo.
Depois de algum tempo, finalmente chegamos e me deparamos com o que eu mais temia, o pior dos meus pesadelos
a casa estava em chamas, e os animais estavam todos mortos, as paredes haviam sido pintadas com o sangue rubro deles.
- Vamos brincar querida? – disse a pessoa que fingia ser Leo esse tempo todo.
- Então era você esse tempo todo... White Demon!
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