Anjos E Demônios
4 Capítulo III
Notas iniciais
Peço milhares de desculpas pelo atraso, fiquei doente por mais de uma semana e depois tive uns probleminhas aí, mas já está tudo voltando ao normal.
Eu queria avisar que provavelmente eu vou estar demorando para postar em Anjos e Demônios :c
É que, tipo, eu não consigo parar de ter idéias muito originais para outras fanfics e não vou conseguir não escrevê-las XD [fazer o que se o Natsu não sai da minha cabeça né]. Então, aviso prévio, vocês vão achar outras fanfics minhas por aí dentro de algum tempo *~*
Provavelmente esse capítulo vai estar confuso, então já peço desculpas adiantadamente se ficar uma bagunça e a coisa não 'fluir'.
E também queria agradecer imeeeeeeensamente á Lady Luly, Eruka Frog, MeiXD, dark vampire, CatarinaFairyTail4ever, Bárbara Antunes, Fairy Lady, roze, Charla Kokoro, LittleMad, Biiaziinhah e shun-205! Vocês são incríveis, de verdade!
Enfim, boa leitura :3
Capítulo III
Lucy cantarolava feliz enquanto fazia seu caminho de volta para casa. Se equilibrava no meio frio de sua rua pacífica, os braços abertos e a mochila nas costas.
Tudo bem, duvidava que pudesse existir algum primeiro dia de aula mais estranho que o seu, mas ela não se incomodava.
“Estranha.”
Sorriu bobamente ao lembro do rosado, seu sorriso e seus olhos momentaneamente verdes.
Ele ficava ainda mais lindo daquele jeito.
Suspirou, pensando em como o adolescente era bipolar.
Nunca poderia imaginar que aqueles olhos negros perigosos pudessem se transformar naqueles verdes encantadores.
Ela decididamente o havia pego de guarda baixo no corredor a caminho da aula de literatura. Os olhos dele a fuzilaram o dia todo, mas sentia que depois do que falara o garoto mudara algum pensamente em relação à si.
Talvez...
–Luuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu-chaaaaaaaaaaaaan!
A voz de Levy a tirou de sua mente, e se virou para ver a garota correndo desajeitada com uma mochila amarela nos ombros, provavelmente tão pesada quando a sua própria.
–Levy-chan.- a loira sorriu, enquanto a McGarden arfava, apoiando-se em seus joelhos.
–Você está bem? Loki acabou de me falar que aquele monstro de levou até a sala de literatura. Ele te fez algo? Te machucou?- a pequena falava extremamente rápido e Lucy teve que se esforçar para entender o motivo da preocupação da amiga.
A Anja soltou um risinho e colocou uma mão sobre o ombro da outra, sorrindo docemente.
–Ele não fez nada, Levy-chan. Não precisa ficar tão preocupada.
O queixo da azulada caiu, surpresa.
–Como assim? Natsu Dragneel é um demônio Lu-chan, você não pode estar tão calma!
As palavras de Levy, colocadas daquela maneira, causaram um arrepio frio na espinha de Lucy.
–Eu não acho que ele poderia ser chamado assim.- ela sussurrou, abaixando a mão.
–Não poderia?-Levy ainda estava atônita.
–Ele não parece tão ruim quanto vocês falam...-a loira não conseguiu evitar um sorriso pequeno ao se lembrar dos olhos verdes e do sorriso quente de Natsu.
–Você é nova aqui, não sabe tudo o que ele já fe- Levy parou de falar, finalmente notando, com mais espanto ainda, a expressão boba da amiga- Não sabia que você gostava de bad boys.
Lucy corou levemente e olhou para o lado. Ops.
–Ainda mais depois de ver você e o Loki juntos.
Os olhos castanhos exalavam confusão.
–Eu e o Loki? Nãããããão. Nada a ver, Levy-chan. Sinto um carinho e uma confiança enorme por ele, mas...não. Ele simplesmente me acalma.- a loira deu de ombros depois da explicação.
A outra ainda olhava a Anja sem entender tudo o que ela falava.
–Você está me dizendo que prefere um selvagem, maníaco, malvado como o Dragneel do que um príncipe lindo, gentil e inteligente como o Loki?
Lucy corou e se virou, voltando a andar para casa, se equilibrando no meio-fio.
–Acho que sim.- respondeu por fim, o rosado ainda em sua mente.
Levy suspirou, encarando a amiga com certa decepção.
–Você é definitivamente estranha, Lu-chan.
A loira riu baixinho e se virou para a azulada, com seu maior sorriso nos lábios.
–Já me falaram isso.
–x-
No dia seguinte, Natsu não agraciou Fairy Tail High School com sua presença.
Tampouco os outros quatro Demônios de sua sala.
Foi estranho.
Nenhum aluno da sala deles se incomodou realmente com isso. A reação era exatamente oposta, na verdade.
Mentira.
Lucy se incomodou.
Ficou inquieta o dia todo, e cada vez que a porta da sala se abria, ela olhava, buscando a presença de alguém.
Ela sentia em seus ossos que algo havia acontecido.
Levy e Cana queriam estrangulá-la quando a loira confessou que estava preocupada com os alunos que faltaram. Eles apenas traziam problemas, e parecia surreal que alguém ali estivesse incomodado com o fato de eles não estarem presentes.
Mas não adiantou nada.
Era seu instinto de Anja, querendo ajudar e salvar qualquer um que estivesse ao seu redor.
Mesmo não sabendo que esses seres em especiais eram Demônios.
Loki e Jellal desconfiaram da atitude dela. Eram Anjos também, mas eram soldados. Guerreiros. Vinham para lutar, e não hesitavam se precisavam matar. Ela era uma doce Anja da Reconciliação, um dos mais puros e inocentes tipos de anjos, se podemos assim pensar.
O ruivo especialmente fez questão de não arredar o pé de seu lado durante todo o dia, e quando o mesmo acabou, Lucy se sentia estranhamente cansada.
Adormeceu assim que se deitou na cama, sem nem tirar o uniforme.
E, na manhã seguinte, Natsu estava sentado em seu devido lugar com os braços sobre a carteira e a cabeça apoiada ali.
Ele estava com sono. Com muito sono.
Tivera tantas e tantas e tantas reuniões no Inferno as últimas horas que estava prestes a explodir.
É, o rosado ficava mau humorado quando estava com sono.
E um demônio mau humorado não é algo exatamente legal de se ter por perto.
Ele passara, o último dia contando e recontando e explicando tudo o que podia sobre um única pessoa.
Lucy Heartfillia.
Por um lado, ele entendia o alvoroço dos Demônios, afinal ela tinha quase tanta energia que ele, o que por si só já chamava a atenção.
Entretanto sabia que ela não era como Loki ou Jellal ou algum dos descendentes que ás vezes brigavam com eles.
Eram guerreiros, e suas auras mostravam isso, além de suas personalidades. Principalmente essa última.
Mas a loira não era assim.
Era forte, e chamava a atenção para si em qualquer ambiente que fosse por diversos motivos.
Mas, absolutamente, não era um guerreira.
Ela era calma, tranquila, e tímida. O Dragão ainda se lembrava do tom das bochechdas dela, que volta e meia se tornavam avermelhadas. Atenta, prestava atenção e anotava tudo nas aulas, e aparentemente gostava disso.
Era delicada e meiga, tento uma suavidade e sensualidade nos movimentos adorável. Simples e completamente feminina.
Anjas guerreiras eram algo raro de se ver. Demônias nem tanto, mas Anjas...Ela teriam que ter uma personalidade parecia com a Demônia das Armas, Erza Scarlet.
E, obviamente, Lucy não tinha isso.
Ele não contara para ninguém, tampouco, sobre o turbilhão de emoções que sentia ao vê-la, nem como se perdia nos grandes olhos castanhos.
Falara apenas do desejo carnal que sentia pelo corpo curvilíneo.
E perante os testemunhos descritivos de Erza, Gajeel, Lisanna e principalmente Gray, provavelmente todo Demônio gostaria de ter a loira em sua cama.
A parte mais difícil disso tudo fora esconder o que sentia. Demônios não estão acostumados a esconder o que sente, isso apenas multiplica tal sentimento em seus interiores e a explosão que vem, mais cedo ou mais tarde, é bem violenta. Dragões então, estavam muito mais sujeitos a isso.
Eles falavam tudo o que queriam, faziam tudo o que queria, e tinham tudo o que queriam. Ponto final.
E Natsu escondeu uma quantidade memorável de irritação durante todo esse tempo. Ele mordeu a língua que chegou a sangrar quando Gray falava, o sorriso extremamente malicioso enquanto frisava o formato das curvas de Lucy para quem quisesse ouvir.
Tudo isso exigira muito do rosado.
O tempo no Inferno corre de maneira mais lenta do que na Terra, de modo de um dia lá equivalia a três dias terrenos.
Então não foram 24 horas que o Demônios ficara acordado.
Foram, no mínimo, 72 horas de falatório, perguntas, indagações, planos, depoimentos, estratégias, comentários mais que maliciosos. Setenta e duas horas escondendo a raiva e domando o fogo dentro de si.
O sono era inevitável.
O mau humor, mais inevitável ainda.
Por isso os outros Demônios nem se atreviam a conversar com ele, sabendo de seu humor terrível.
Tudo o que ele queria agora era dormir.
Mas seu corpo reagiu sozinho ao sentir um perfume suave e doce entrar na sala, junto com a aura clara de Lucy.
Suspirou cansado quando seu coração pulou no peito, e todo o seu corpo se aquecer e o desejo de querer tocá-la lhe invadir.
E isso que ela havia chegado dois dias atrás, pensou ele, pesaroso.
O rosado forçou sua mente a pensar em outra coisa que não fosse a garota. Conseguiu por alguns segundos, e provavelmente conseguiria por mais tempo se a voz doce dela não chegasse ao seus ouvidos, vindo exatamente da sua frente.
–Ohayou gozaimasu, Dragneel-san.
Ela...
Ela...Estava falando com ele?
Ninguém nunca falava com ele, a não ser que fosse para começar uma briga.
Espera.
Ela não só estava falando com ele, mas estava desejando-lhe bom dia?
A primeira coisa que veio em sua mente foi: “Estranha” .Ele sabia que ela tinha no mínimo uma noção da aura que ele exalava, e mesmo assim vinha falar com ele?
“Ela lhe disse que se sentia bem perto de você, se lembra?”
“Não” Ele apertou os punhos, expulsando essa vozinha de sua mente e o sentimento estranho que brotava em seu peito.
Por ser um Demônio, ele não sabia o que era esperança e não tinha vontade de aprender a reconhecê-la.
–Dragneel-san?
Era ela de volta.
Natsu abriu os olhos e encarou a loira à sua frente.
Lucy.
A voz soara preocupada e quando a Anja olhou para seu rosto, percebeu as olheiras e o ar abatido dele. A expressão de preocupação no rosto dela ficara mais evidente.
–O que foi?- ele rosnou, irritado. Muito mais consigo mesmo e com suas reações estúpidas do que com a própria garota.
–V-você está bem?- a loira perguntou, hesitante.
Os olhos negros brilharam perigosamente, parecendo estranhamente vivos no rosto pálido do Demônio.
–Sim, eu estou maravilhosamente bem, loirinha.- a voz mais ácida do que a Anja jamais ouvira, a ironia recheando seus ouvidos.
Ele se ergueu, e ambos se lembraram da diferença de altura entre eles. Lucy olhou para cima, assustada com a reação explosiva do rosado, sem ter a mínima reação quando ele pegou sua mochila rudemente e passou nervoso pela garota, saindo da sala.
–Muito obrigada, por sinal.- gritou ele, movendo a cabeça para olhá-la com o canto dos olhos, vendo os orbes castanhos ainda arregalados ficarem com um tom magoado antes de bater a porta da sala ao sair.
A loira ainda estava atônita, a sala em silêncio observando a cena, a única reação era o sorriso satisfeito de Lisanna.
–Ohayou minna!- a professora entrou na sala, e a Anja se sentou em seu lugar, tentando manter o rosto impassível.
–Ohayou.-respondeu junto com a turma, o tom de voz mais baixo denunciando a tristeza que sentia.
A mente dela procurava buscar uma resposta para tudo aquilo, mas não achou.
Por fim, constatou que havia se enganado quando conversara com Levy, dois dias atrás. Talvez ela tivesse mesmo razão, pelo menos um pouco.
Não havia como tirar aquele brilho negro e substituir pelo verde maravilhoso.
Natsu não deixaria.
–x-
O tempo nunca passara tão devagar, tanto para Lucy como para Natsu.
A loira tentou manter a mente concentrada nas explicações, matérias e em deixar a sala com um ar mais leve; mas foi inútil.
Seus pensamentos se dirigiam automaticamente para o acontecimento do início da manhã. Ela não conseguia esquecer o olhar irritado de Natsu, e via que ela própria era a causa dessa irritação.
Seu estômago se contraiu dolorosamente.
Tudo o que ela fizera fora estar preocupada com ele.
Ele faltara um dia no colégio e depois chegara com aquela cara.
A Anja até tentou se controlar, mas um instinto de proteção fortíssimo lhe invadiu e não conseguiu impedir sua boca de conversar -ou tentar- com o garoto de aura escura.
Lucy queria apenas...Apenas...Saber se ele estava bem.
Não precisava saber o que causara aquilo.
Só queria saber se Natsu estava bem.
Ela gemeu baixinho, incomodada com tudo o que sentia, escondendo o rosto nos braços apoiados sobre a carteira.
Os olhos verdes não saíam de sua mente.
Enquanto tentava convencer a si mesma que tais olhos eram irreais e que o rosado tinha olhos negros maliciosos, o mesmo garoto se jogara em sua cama, a irritação vazando pelos poros.
Natsu encarava o teto como se pudesse derretê-lo.
“Você só precisa dormir.” pensou consigo mesmo, deitando-se de lado na grande cama de lençóis negros, tentando manter a mente calma até cair no sono.
O tempo se arrastava enquanto o Dragão se revirava na cama, não conseguindo de maneira nenhuma dormir.
Depois de muita inquietação, ele finalmente caiu no sono.
E sonhou.
"Estava sentado de maneira relaxada em sua cama no Inferno.
Usava uma calça preta, provavelmente o uniforme escolar, mas não estava com a camisa pra esconder os músculos do torno.
Lucy logo se juntou a ele, usando a camisa que faltava em seu figurino, um sorriso calmo nos lábios. Se sentou com os joelhos dobrados atrás do rosado, completamente à vontade na presença dele.
As mãos delicadas dela tocaram seus ombros largos, enquanto a loira se erguia um pouco para abraçá-lo, o rosto apoiado no topo da cabeça dele.
Natsu moveu a mão para acariciar levemente os braços dela, que circundavam seu pescoço, uma expressão satisfeita no rosto.
–Me mostra?-a voz soou doce enquanto a loira o abraçava mais forte, o busto avantajado se apertando contra os músculos das costas dele.
O Demônio suspirou, contrariado.
–Me mostra suas asas?- Lucy sussurrou e se afastou quando ele olhou para trás, vendo a garota linda que apenas usava displicentemente sua camisa. Os olhos castanhos decididos e doces o olhando como se não precisasse de mais nada na vida.
–Por favor, Natsu.- pediu novamente o nome dele soando perfeito no timbre da voz dela, quanto, passava um dedo por uma das longas cicatrizes em suas costas, uma prova de que suas asas estravam escondidas dentro da pele.- Por favor.
O rosado fechou os olhos, vencido. Sentiu a pele esticar e se abrir, pequenas gotas de sangue escorrendo; conforme as asas saiam de onde estavam escondidas. Os músculos e tendões se flexionaram, para tirar a dormência natural que sofriam.
A loira encarava o par de asas negras escamosas que brotaram das costas de Natsu. A membrana era avermelhada, formando um contraste bonito com os feixes negros, com pequenos espinhos nas extremidades dos membros.
–São tão lindas...
Natsu sentiu o corpo reagir, ficando mais quente quando Lucy tocou sutilmente a base de suas asas.
–Natsu Dragneel...-sussurrou, um olhar bobo de admiração nos orbes castanhos, enquanto movia as duas mãos para tocá-lo. Um rosnado baixo de prazer saiu da fundo da garganta do garoto, aproveitando o carinho sutil da loira- O Demônio Dragão...O mais poderoso...O braço direito de Lúcifer...
Uma pausa se seguiu, e Natsu continuava seu meio rosnado meio ronronar conforme os dedos delicados tocavam suas asas.
Lucy suspirou antes de sussurrar baixo, para que somente ele ouvisse, mesmo o quarto estando vazio.
–Mas antes de tudo...O meu Natsu...”
Ele se sentou na cama, acordado. O coração batia apressadamente no peito, a respiração acelerada e suas cicatrizes nas costas coçavam de maneira incômoda.
Que. Diabos. De. Sonho. Foi. Esse.
Bufou, mais irritado ainda, se sentando e passando as mãos pelos fios rosas. Nem nos sonhos ela lhe deixava em paz!
Lucy Heartfillia.
Porque ela estava em sua mente novamente?
Melhor, porque ela não saía de sua mente?
Porque ela falara com ele?
Porque tinha aquele tom de voz e expressão preocupados?
Porque ela causava tanto alvoroço dentro de si?
Porque não conseguia esquecer o tom ferido nos olhos castanhos quando gritou com ela?
Porque gritara com ela?
Porque se importava com o que ela sentia?
Natsu apertou as unhas contra o couro cabeludo, a mente fervilhando de tantas perguntas, o corpo ainda quente pelo sonho estranho que tivera.
Perguntas sem pé nem cabeça, uma vez que não entendia de onde elas nasciam nem as respostas parra as mesmas.
Estava terrivelmente frustrado.
Levantou-se, inquieto, tentando se acalmar. Não queria botar fogo no quarto sem querer. Foi até a janela, olhando o grande terreno de sua casa, um bosque ocupando a maior parte dele.
Deu meia-volta, e começou a andar decidido até o lugar que estava olhando agora.
O bosque sempre o acalmava.
Tirou a gravata assim que estava ao ar livre, fazendo uma pequena bola de fogo na mão, queimando o tecido para depois apenas jogar as cinzas fora.
Andava entre as árvores e arbustos, não se importando com as folhas que grudavam no tênis e na borda da calça social preta do uniforme.
Deixou sua mente vagar, como sempre acontecia quando estava ali. Uma calma rápida se instalou dentro de si, e logo uma garota loira voltou à sua mente.
Bem mais tranquilo que antes, o Demônio respirou fundo e se deixou levar pelos pensamentos, determinado a achar respostas.
Mas ainda assim nada fazia sentido.
Ele deve ter ficado horas vagando pelo bosque, raciocinando. Sua noção de tempo ainda estava bagunçada por conta do dia que passara no Inferno.
Sentou-se na base de uma árvore grande, as costas apoiadas no tronco grosso, conforme o cansaço físico começou a ganhar da vontade de achar as malditas respostas.
Natsu tinha a testa franzida, os olhos negros olhando o nada a sua frente.
Porque?
Ele sentia o desejo e a vontade natural de torturá-la, por ser um demônio. Adorava sentir as pessoas em suas mãos, a vida fluindo entre seus dedos.
E ele queria sentir a loira em suas mãos.
Para poder fazer o que quisesse com ela.
E não era só em questão da luxúria extrema que sentia.
Seus instintos lhe imploravam para ver o sangue dela saindo da pele alva.
Mas por outro lado, algo o impedia.
Seu estômago se apertava de maneira estranha ao imaginá-la ferida.
Isso também não fazia sentido para Natsu.
E agora, tinha esse sonho...
Porque ele sonhara que estava mostrando suas asas para a garota?
Suas asas eram apenas mais uma parte da herança genética de seu pai, e uma característica importante para identificá-lo, mas só. Ah, e sim, também eram muito úteis em batalhas.
Mas apenas isso.
Nunca ninguém as tocara daquele jeito.
Ninguém nunca as elogiara.
E porque diabos ele estava se importando com aquilo!
Era apenas um sonho, não queria dizer nada, absolutamente nada!
Um barulho de alguém andando no bosque fez o rosado voltar a realidade, querendo se bater por ficar divagando tanto assim.
Ficou de pé rapidamente, o corpo tenso, apurando os ouvidos.
Silêncio.
Farejou o ar, não sentindo nenhum odor diferente, pensando se foi apenas sua imaginação.
Outro barulho o fez ter certeza de que não estava sozinho.
O vento mudou de direção e um perfume doce chegou até o Demônio.
Cerejeiras, baunilha e mel.
Só havia uma pessoa que tinha um perfume assim.
–Ai!- a mesma voz com que ele sonhara pouco tempo atrás veio de um lugar próximo a si. — Isso, Lucy, ótima ideia querer pegar uma atalho por esse bosque abandonado para chegar antes em casa. Ninguém se incomoda de ficar suja, sangrando, machucada e perdida num lugar desses. Nãããão, ninguém.
Natsu piscou, momentaneamente confuso pelo tom de voz irritado dela. Ele ainda estava parado, apenas ouvindo a loira resmungar consigo mesma.
Um suspiro alto e galhos se quebrando o fizeram olhar para a direita, vendo Lucy abrindo caminho até a pequena clareira em que ele estava, passando pelos arbustos espinhosos.
Ela ainda não o havia visto, mas os olhos negros logo esquadrinharam o corpo dela. A camisa branca estava amarrotada, a saia estava começando a desfiar devido aos fios puxados provavelmente pelos espinhos, os sapatos e as meias estavam sujos e ela mancava.
Um aperto forte no estômago de Natsu surgiu quando viu pequenas gotículas de sangue nas pernas e nas mãos, os arranhões finos sendo a causa.
Lucy se virou, desprendendo as roupas dos espinhos antes de enxergar Natsu, parado de pé, encarando-a.
Os olhos castanhos se arregalaram e ela congelou, não sabendo como agir ou o que falar. Não esperava encontrar o garoto tão cedo depois do que ele falara no colégio, e muito menos esperava encontrá-lo aqui.
Os olhos do Dragão brilharam perigosamente quando notou que estavam sozinhos no quintal enorme de sua casa.
O desejo voltou a borbulhar dentro de si e seu baixo ventre se contraiu.
–Está perdida, loirinha?- a voz maliciosa junto com o sorriso torto a fizeram corar e olhar para o lado, envergonhada.
–E-eu só estava pegando um atalho.-murmurou nervosa, não notando que ele andara alguns passos na sua direção.
–Não sabia que podia passar pelo meu quintal sem eu saber.- ele continuou falando, os olhos brilhando. Não tinha certeza se ia conseguir se controlar. Não estava com muita vontade de fazer isso, na verdade. Queria ficar mais perto dela.
–Isso daqui é o seu quintal?- os olhos chocolates se arregalaram de volta e ela olhou para ele, surpresa.
–Meu pai gostava de árvores.- Natsu deu de ombros, colocando as mãos no bolso da calça, inquieto.
–Ah...-Sinto muito não sabia.- ela se curvou levemente, corando pelo olhar que ele lhe dava.- E-eu vou indo, até mais.
Lucy se virou e continuou a andar, querendo sair dali antes que não se aguentasse e perguntasse o que acontecera naquela manhã.
–Eu te ouvi falando que estava perdida. Já descobriu para qual lado é sua casa?- o rosado perguntou debochado, cruzando os braços, fazendo-a olhar brevemente para seus músculos destacados.
–N-não.- o sangue enchia as bochechas da loira, deixando-a vermelha- P-pode me dizer para onde é a Rua das Flores, por favor?
Natsu abriu o sorriso torto e começou a andar lentamente até a garota, enquanto a mesma dava passinhos para trás, até se encontrar com as costas coladas ao tronco de uma árvore grande.
Lucy pulou de susto quando o garoto apoiou as mãos no mesmo tronco, ao lado de seus ombros, não dando espaço para ela fugir.
A mesma arfou, surpresa quando ele se inclinou mais perto de si, suas auras de misturando.
Qualquer um que olhasse a cena, veria um garoto em frente à uma garota, que tentava entrar na árvore.
Mas para ambos, com seus sextos sentidos, viam mais.
A aura branca e amarela se mesclava com a preta e vermelha, as reações do encontro sendo sentidas pela Anja e pelo Demônio.
–Eu sei.- Natsu sussurrou, a voz rouca.- Mas vai ter que me convencer a te contar, loirinha.
A voz e o sorriso malicioso não demostravam como o seu corpo ardia pelo toque com o dela. As mãos formigavam de vontade de tocar aquela cintura fina, o coração batendo forte no peito.
Ela engasgou, sentindo as bochechas queimarem, a proximidade com o rosado causando reação em seu corpo. Ele era quente.
–D-dragneel-san...-a loira tentava achar uma saída, mas o corpo do garoto alto chegou ainda mais perto de si, restando apenas meros centímetros entre eles. O calor aumentou.
–Fale, loirinha.- Natsu sussurrou, contendo seus instintos o máximo que podia e apenas aproximando a boca da orelha dela, sua respiração quente a fazendo estremecer.
Suas energias quase trocavam faíscas entre si, tão diferentes e tão próximas.
O cheiro dela o deixava tonto, querendo sentir mais do aroma doce que a pele dela exalava. Querendo sentir mais dela.
Ela, por sua vez, estava mole, nem conseguia raciocinar direito com o calor que o corpo dele exalava.
O Demônio ameaçou se aproximar mais e Lucy se apertou contra a árvore, tentando fugir dele.
Ele sorriu com as reações dela, e colocou um pé no meio dos dela, o tecido de sua calça roçando nas coxas nuas da loira.
Quando Natsu se moveu novamente, querendo de fato colar seu corpo contra o da Anja, ela moveu rapidamente as mãos, as colocando espalmadas sobre o peito musculoso dele, querendo impedi-lo de se aproximar mais.
Foi como se o toque de Lucy tivesse causado uma descarga elétrica que ambos sentiram. Suas auras, que tanto se agitavam em volta deles, se acalmaram instantaneamente como se as forças naturais de repulsão entre elas sumissem.
Foi a primeira vez que se tocaram.
O fogo de Natsu aumentou, o dragão dentro de si rugindo, exigindo mais, querendo senti-la mais; e ele tirou os olhos das mãos pequenas dela tocando seu peito, para olhar em seus lindos olhos castanhos.
A Anja estava completamente arrepiada, a marca sob seu coração ardendo e sentiu o calor que a cercava aumentar, antes de olhar para os olhos rosado, querendo saber se ele sentia a mesma coisa que ela.
E eles estavam verdes novamente.
As íris tinham perdido o tom malicioso que ele tanto exprimia e a coloração negra tinha sumido, deixando apenas o ar másculo natural dele o quê de verde musgo que ela tanto gostava.
O medo de que ele podia lhe fazer mal se foi como mágica e ela lutou contra a vontade insana de segurar o rosto dele entre suas mãos e não deixá-lo desviar os olhos verdes de si nunca mais.
O Demônio não aguentou ao ver aquele sentimento que ele não sabia o que era nos olhos dela, mas os deixavam extremamente brilhantes. Moveu as mãos grandes e quentes até a cintura fina, se encaixando perfeitamente ali.
Outro choque elétrico passou entre eles, e a loira ofegou audivelmente com o calor absurdo que fluía do corpo musculoso dele para o seu.
Natsu sentiu a curva delicada da cintura da Anja, lutando contra o desejo de mover as mãos para outros lugares do corpo dela.
Cada fibra do seu ser implorava pelo dela.
A queria como jamais quisera algo desde que estava vivo.
Respirou fundo, buscando autocontrole, algo que nunca foi seu forte.
Lucy suspirou, querendo não demonstrar o quanto aquele simples toque a agravada, o calor do corpo de Natsu a cercava, fazendo seus músculos amolecerem, relaxados.
Era tão gostoso.
Anjos naturalmente possuem a temperatura corporal mais baixa, mas o calor que o rosado exalava era mais do que a loira imaginava.
Era profundo, pesado, grande, e incrivelmente acolhedor.
Lucy queria mais daquele calor assim como queria mais daqueles olhos.
Queria mais contato.
Menos distância.
Mais calor.
Mais de Natsu.
Sentiu as bochechas corarem com o pensamento e também com o fato de as mãos grandes dele apertarem levemente sua cintura, quase carinhosamente.
Os olhos castanhos de Lucy notaram quando os músculos dos braços ficaram tensos e começaram a tremer, devido a um esforço que ela não sabia do que era.
Os olhos verdes dele observavam a coloração rosa no rosto delicado dela, ouvindo o sangue correr em suas veias, o coração batendo rápido.
Apertou mais as mãos no corpo dela quando sua mente lhe lembrou que a loira estava entre uma árvore e seu corpo, num lugar bem vazio e longe de olhares curiosos.
Estavam sozinhos.
E Natsu estava perdendo o controle novamente.
Sentia a mente nublada, como se estivesse drogado ou bêbado. Não estava pensando com clareza e isso o assustou um pouco.
Tudo pela simples presença dela.
Precisava retomar o controle, pelo menos da própria mente e do próprio corpo.
Ele se inclinou, não sentindo nenhuma reação negativa dela, que continuou no mesmo lugar quando os lábios dele próximos à orelha dela.
–Já ouvir falar de mim no colégio, não é, loirinha?- ele sussurrou, os lábios a milímetros da pele dela. O único jeito de voltar a razão era fazer o que parte do seus instintos lhe diziam. Apenas parte porque ouvir o Dragão que urrava para que ele colar seu corpo no dela, juntar seus lábios nos dela e fazê-la sua ali não ia ajudar.
Ouviria então, o Demônio.
Ela tremeu, sentindo o hálito quente dele.
Um sorriso de canto se formou nos lábios de Natsu, em parte de orgulho pela reação dela, em parte satisfeito ao vê-la tão submissa.
–Eu poderia fazer qualquer coisa com você aqui.- ele continuou, frisando a parte do 'qualquer' – Quanto tempo levaria até sua família sentir sua falta?
–N-não tenho família.- murmurou a garota, a carga de sensações grande demais para conseguir falar mais alto ou mentir.
Um grunhido veio da garganta do Demônio.
–Não me tente mais ainda, loira- ele respondeu, sério. Os instintos diferentes dentro de si lutavam, concordando apenas que a loira não deveria sair de onde estava, nunca. — Você por si só já é tentação suficiente para minha imaginação.
Natsu forçou o corpo um pouco mais contra as mãos dela, querendo chegar mais perto das curvas voluptuosas da Anja.
Ele era muitas vezes mais forte do que ela quando o assunto era força bruta.
Era fato.
Mas ainda assim, quando ele tentou se aproximar, ela forçou os braços a não deixarem o garoto fazer isso.
Um pouco mais do calor de Natsu e ela própria não aguentaria.
–Ninguém te veria aqui...Ninguém te ouviria aqui...Ninguém viria aqui...- a voz sedutora e rouca dele a deixava mais mole ainda e sentir os lábios dele roçarem suavemente em sua orelha só piorava seu autocontrole.-Ninguém viria lhe salvar, loirinha.
Sua mente clareou com as últimas palavras do garoto.
–Não. — Lucy falou suave e calmamente, fechando os olhos e apenas sentindo o calor dele aquecer sua pele.- Não fale como se eu estivesse em perigo, Dragneel-san.
Um pequeno rosnado debochado saiu da garganta dele.
–E o que a faz pensar que não está?
Ela suspirou, sentindo o perfume amadeirando dele.
–Você. -respondeu simplesmente, o corpo relaxado sob as mãos quentes dele.
–Eu?- ele repetiu, incrédulo.
A Anja hesitou para responder, mas sua natureza novamente a levou para falar a verdade.
–Não vai me fazer mal.
Ele bufou, indignado.
–Eu nunca disse nada como isso. — o Demônio estava ficando estranhamente irritado. Ela estava duvidando dele?
Moveu a cabeça para ver a expressão no rosto dela, e se deparou surpreso com o mesmo sorriso doce que a loira tinha quando falara que se sentia bem ao seu lado.
Os olhos dela se abriram e o castanho encontrou o verde, levemente mais escuro. Ela sentiu o coração pular de alegria no peito ao constatar como ele ficava lindo com aqueles olhos.
–Seus olhos me falaram. Você não me faria mal.
Não era uma pergunta.
Não era uma teoria.
Não era uma suspeita.
E os olhos dela lhe falaram isso.
Lucy descobrira antes que ele qual instinto ganharia sua batalha interna.
O demoníaco, que a queria sangrando e gritando entre suas garras.
E o dracônico, que a desejava gemendo em seus braços.
Mas não era só isso.
O Dragão queria que ela o desejasse também.
O fato de se sentir mal ao ver o sangue dela – mesmo tão pouco- e o sonho com suas asas eram provas disso.
Natsu rosnou, os caninos maiores, irritado como jamais se sentiu.
Se afastou bruscamente da loira, que apenas observava atônita a ira espelhada nos olhos verde escuros.
Os músculos fortes estavam tensos, os punhos fechados até os nós dos dedos ficarem brancos com a força.
Não podia sentir isso.
Era inadmissível um Demônio – um Dragão ainda por cima- não querer torturar uma mulher como Lucy. Ainda mais com uma alma tão pura que praticamente pedia para ser corrompida.
Natsu se virou para a garota, que estava na mesma posição contra a árvore, nem tinha se mexido.
Com passos largos andou até ela, que pela primeira vez, sentiu algo verdadeiramente parecido com medo devido ao brilho nos olhos do rosado.
O punho do Demônio se chocou com força contra a casca da árvore, exatamente ao lado da cabeça de Lucy, cujos olhos estavam arregalados.
A madeira havia rachado e algumas lascas caíram no ombro da loira quando Natsu tirou a mão, os olhos negros predatórios brilhando ameaçadoramente contra os castanhos inocentes e surpresos dela.
–Não duvide de mim, loira.- a voz estava baixa e rouca, o tom perigoso- Não tem noção do que já fiz e do que posso fazer com alguém como você.
Ele se afastou, os olhos ainda nos dela e apontou para uma direção antes de se virar.
–Sua casa é para aquele lado.- começou a andar de volta para sua casa, não olhando para trás nenhuma vez, sumindo da vista de Lucy.
Não a viu levantar as mãos trêmulas até o peito, onde seu coração batia apressadamente, descompassado. Tampouco a viu escorregar até o chão, suas pernas moles como geleia não aguentando o próprio peso.
Se encolheu, abraçando a si mesma, de olhos fechados quanto uma tristeza misturada com desespero a invadia.
Estava com frio.
–x-
Natsu continuou andando firmemente pelo bosque, os punhos ainda fechados, a irritação borbulhando sob sua pele.
O que aquela garota tinha que mexia tanto com ele?
Parecia que ela havia sido feita milimetricamente para torturá-lo e levá-lo ao seu limite.
Poucos sabiam, mas Natsu era meio humano.
Era filho de um Dragão com uma humana, e fora criado no Inferno.
Por isso tinha características tanto dracônicas e demoníacas, e que ás vezes entravam em conflito, como acontecera agora pouco.
Mas Lucy tinha algo a mais.
Ela não conseguia fazer com que ele apenas perdesse a razão, mas o levava a beira de um abismo e o forçava contra seus próprios limites. O limite de onde terminava seus traços demoníacos, sua herança dracônica e a sua própria humanidade.
Ela o desequilibrava.
Tanto o Demônio quanto o Dragão, mas principalmente o garoto.
Estava subindo as escadas quando ouviu a porta da frente se abrir e os outros Demônios entrarem na casa.
–Nat-kuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuun!- a voz enjoada de Lisanna ecoava pelos corredores conforme ela corria me sua direção.
Quando a albina parou na frente do rosado sorriu satisfeita ao ver os olhos negros dele correrem por suas curvas, querendo ver através do uniforme curto e apertado.
–Lisanna.- ele sussurrou, antes de agarrar com força o braço dela, entrar em seu quarto e prensá-la na parede enquanto as mãos dela subiram para a nuca dele, arranhando a pele do local.
–Adoro quando você usa a força- ela sussurrou sensualvemente, puxando a boca dele contra a sua, suas línguas lutando pelo domínio que obviamente pertencia ao rosado. Ele rosnou quando a albina ergueu uma perna enlaçando parcialmente a cintura dele, trazendo-o mais perto de sua pélvis.
As mãos de Natsu ganharam vida e ele agarrou a cintura da Demônia.
Mesmo entre o beijo e toda a raiva que sentia, ele automaticamente pensou.
“Não é tão fina quando a dela...”
Rosnou novamente, irritado por pensar nela novamente e beijou Lisanna com mais força, querendo que a imagem de ser a loira deitada em sua cama com ele por cima desaparecesse.
Mas não deu certo.
Cada vez que a albina gemia por seus toques, a mente de Natsu imaginava como seria tal gemido com a dela dela.
Cada vez que as mãos grandes e quentes entravam em contato com a pele da Demônio, Natsu se perguntava de a pele dela seria mais macia.
Quando rasgou a camisa da garota, o rosado sabia que ela não lhe olharia com tamanha luxúria nos olhos, os azuis tão diferentes dos castanhos que estavam em sua mente.
Usava a força para tentar se manter na realidade, mas não dava certo. A pele de Lisanna estava ficando roxa, marcada, devido aos apertos do rosado, mas só a fazia gemer mais.
Nem mesmo quando mergulhou dentro do corpo da Demônia sua mente lhe deixou esquecer dela.
Não se lembra de quanto tempo ficou no quarto com a albina. Nem quantas vezes chegaram ao ápice, mas Natsu não se sentia satisfeito.
Não se sentia, de maneira alguma, satisfeito.
Sexo sempre fora uma diversão para o Dragão. Principalmente com uma devassa como Lisanna, que não media esforços durante o ato.
Mas, em algum momento no meio da luxúria, depois de usar sua boca, a albina se esgueirou em cima do Dragão, com a intenção de montar nele.
Natsu era horrivelmente dominante e machista durante o sexo.
Uma mulher, em cima dele, ditando o ritmo, era algo que nunca aceitaria.
Rosnou, pela primeira vez verdadeiramente irritado com uma pessoa que não fosse ele mesmo durante o dia, e puxou a albina pelo braço contra a cama desarrumada.
Uma mão grande com grandes unhas vermelhas parecendo garras circundavam o pescoço dela, a luxúria substituída pela ira.
–Nunca mais.- ele sibilou lenta e pausadamente, mostrando o que sentia, os caninos maiores devido ao descontrole.
Os olhos azuis estavam recheados de medo.
–D-desculpe.
Natsu grunhiu e se afastou da garota, sentando na beira da cama, os dedos passando pelos cabelos bagunçados.
–Nat-kun...-a mão de Lisanna em seu ombro começou uma massagem leve.
–Fora.- ele respondeu, a voz rouca de raiva.
A albina não esperou um segundo convite ao notar pequenas escamas começarem a se formar nas costas dele, e saiu rapidamente, fechando a porta.
Seus olhos escuros notaram o uniforme em pedaços de Lisanna espalhados pelo quarto, que ela não se deu o trabalho de juntar.
Ela estava usando um uniforme igual a este a última vez que a havia visto...
Seu estômago se contraiu novamente com a ideia de poderia ter sido o uniforme da loira que ele rasgara antes de tomá-la para si, e não o da Demônia.
O rosado pegou uma calça de moletom qualquer antes de parar em frente ao espelho de corpo inteiro que havia na parede de seu quarto, não se incomodando com a bagunça do aposento.
Murmurou algumas palavras baixinho, fazendo pequenas runas vermelho sangue aparecerem na superfície espelhada enquanto o portal terminada de se abrir.
Em vez de refletir a própria imagem, o espelho agora mostrava um outro quarto grande, com um tom predominante negro.
Um pequeno sorriso diferente de todos os outros maliciosos surgiu no rosto de Natsu quando viu seu melhor amigo o olhando pelo portal, os olhos ansiosos.
–Vamos ir pescar, Happy?
O pequeno gato azul sorriu, a ponta da cauda se balançado animadamente com a voz do dono, antes de passar correndo pelo portal e pular no peito largo dele.
–AYE SIR!
Notas finais
E... Também o primeiro pseudo-hentai da fanic! Pseudo né, me recuso a tentar desenvolver algo a mais do que isso para o Natsu com a Lisanna u_u
E desculpem, amantes de NaLu, mas foi necessário fazer esta cena :C [eu me senti extremamente incomodada escrevendo, foi uma das piores partes, argh]
Qualquer dúvidas, sugestões, reclamações, erros, qual cena mais gostaram, qual odiaram, solidão, tédio, fome, comentem tá?:3
E também se sintam livres para me mandar mensagens, adoro conversar :3 [tenho que ficar me policiando nessas notas porque senão né, daqui a pouco fica do tamanho dos capítulos XD]
Ja Ne~
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