Anjos E Demônios
5 Capítulo IV
Notas iniciais
Sei que demorei um bocado né :c Mas eu tive um pequeno bloqueio de escritor e minha mente não parecia funcionar sem que eu organizasse todas as ideias que eu tive. As que eu consegui me lembrar, foram 11 ideias para fanfics completamente novas e mais umas ideias para Anjos e Demônios. E para ajudar, no feriado eu descobri a existência de um anime/mangá chamado Soul Eater e ele sugou todo o meu tempo livre naqueles dias. Gomen ne ç-ç [mas pensando pelo lado bom, todo aquele papo sobre almas ajudou no meu vocabulário aqui haha]
Bom, esclarecendo algumas coisinhas, agora vão começar a surgir novos personagens e a minha intenção é envolver o máximo do povo de Fairy Tail que eu puder. Só quem realmente não tiver encaixar nem como lixeiro não vai aparecer, porque não quero deixar ninguém de fora.
Adragecimentos especiais à Eruka Frog, shun-205, CatarinaFairyTail4ever, LulukBraz, Biia, LittleMad, cedrico29, Aleyna, AC, Alannadijey e a todos que leram! Vocês são incríveis *~*
Capítulo relativamente mais curto - só relativamente.
E quem diria, né Happy?
Boa leitura!
Ps: Nunca imaginei que teria um capítulo tão fofo e tranquilo assim nessa fanfic haha XD
Capítulo IV
Natsu sorriu, observando a bola de pelos azuis que abria caminho entre a mata, pulando alegremente à sua frente.
–Vaaaaamos Natsu, ou quando chegarmos lá não vai mais ter nenhum peixe! — ele gritou, subindo numa árvore caída e olhando para o rosado.
–Os peixes só vão acabar quando você comer todos eles. — o Dragão riu levemente, se lembrando de quanto Happy comia.
–Não vou poder comer nenhum se você andar como uma lesma Natsu.- o gato reclamou, fazendo um biquinho fofo de birra.
–Pronto, Happy, pronto. Já chegamos.- o adolescente falou, passando por cima do último arbusto enquanto o felino se esgueirava por baixo da planta.
–AYE SIR!
A clareira mostrava um lago de tamanho médio, num lugar bem afastado da cidade. As árvores verdes faziam sombras tentadores e a grama fofa contrastava com a água límpida.
Eles se sentaram na beira do lago, o sol já baixo no céu. Happy observava Natsu arrumar as varas, os olhos castanhos brilhando alegremente.
O Demônio sorriu, vendo a felicidade pura do gato que ele criara desde que nascera. Tudo bem, Lisanna tinha um parte nisso, mas era pequena. Tão pequena que tanto o felino quanto o adolescente se esforçavam pra esquecer.
O pequeno gato conseguia fazer algo com o dono que ninguém entendia (claro, caso alguém soubesse).
Natsu havia literalmente criado o felino, e isso fez com que um instinto paternal brotasse no Demônio. Era uma relação um bocado estranha, mas era inevitavelmente forte.
Happy conseguia fazer o rosado esquecer do mundo.
Ele não era o filho de Igneel, o Dragão; nem um dos mais fortes demônios, nem o exemplo a ser seguido por todo o Inferno, nada disso.
Natsu era apenas Natsu com o gato.
Não importava quantos ele havia matado no dia, o tamanho do seu mau humor, se tinha criado novos métodos de tortura, ou qualquer que fosse o fato. Happy apenas queria ficar com o garoto.
Era perigoso falar de amor fraternal para um demônio, mas era isso o que eles sentiam, e expressava o que eram.
Família.
O gato azul ria enquanto via o garoto fazer caretas contando uma piada, não estranhando os olhos verde musgos dele.
Happy só conhecia o Natsu de olhos verdes.
–x-
Lucy andou decidida pelas ruas, buscando a loja que procurava.
Depois do dia e do contato intenso com o garoto de cabelos rosas, iria por em prática a ideia de tivera alguns dias atrás. Entrou o pet shop, buscando os animais automaticamente.
Cercadinhos com filhotes de cães, caixas com gatos, gaiolas com passarinhos lhe rodeava, e a loira sorriu, animada.
Passou os olhos pelos filhotes, sentindo as vidas pulsando.
–Olá! Posso te ajudar em algo?- uma voz doce se sobressaiu sob os barulhos dos animais.
Lucy se virou para olhar a mulher que falara consigo.
Um cabelo longo e verde estava preso em uma trança grossa, que passava cintura dela. Uma camisa de botões estava meio aberta e amarrada, deixando parte do top marrom e da barriga à mostra. Uma calça jeans justa e uma bota escura nos pés. Um chapéu de cowboy marrom claro fechava o figurino.
–Ah, oi! Eu queria comprar um bichinho de estimação.- sorriu para a mulher, usando seu sexto sentido para a ver a alma dela. Um branco fosco com tons claros de verde cercavam a mesma, que aumentou o sorriso. A loira ficou desconfiada.
–Veio ao lugar certo...
–Lucy.- a garota sorriu, não demonstrando nada.
–Bom, eu acho que pela sua expressão não sabe exatamente que animal quer, certo?
–Certo.
–Estão eu vou te ajudar a escolher.- ela sorriu e as ondas de energia positiva chegavam até a loira.- Sou Bisca, e vou lhe atender hoje.- piscou, divertida, enquanto o sorriso ficava mais travesso.
A Anja loira sorriu, divertida com a maneira que outra agia.
–Eu adoraria, Bisca-san.- exalou sua própria energia branca e amarela, tocando sutilmente a aura da mulher de cabelos verdes, ansiosa para saber se suas suspeitas estavam corretas.
–x-
Natsu suspirou, olhando as nuvens brancas se movendo preguiçosamente no céu escuro.
Sorriu levemente ao sentir Happy começar a ronronar em seu colo, adormecido. Tinham feito uma pausa na pesca, e o garoto estava deitado do lado da fogueira que o próprio fizera, tanto para iluminar o local como aquecer o felino. Passou os dedos levemente sobre o pelo azul, se sentindo mais tranquilo depois dessas horas com seu melhor amigo.
Ele sempre o acalmava.
O fazia voltar à razão.
O fazia ser alguém que ele não era – e não podia ser.
E isso era bom.
Pensou pela primeira vez na loira desde que encontrou Happy. Ainda não sabia as respostas que procurava, mas agora lhe parecia bobagem ficar se preocupando tanto com ela como ele estava fazendo.
–Ne, Natsu?- a voz embolada de sono do felino interrompeu seus pensamentos.- Você já encontrou a minha mãe?
O estômago do rosado embrulhou com a pergunta de Happy, que o olhava curioso. Pelo visto ele ainda se lembrava da promessa de que acharia a mãe perfeita para o gato, mas talvez só demorasse um pouco. Natsu ainda se lembrava de que na época que prometera isso, estava sozinho, não havia tido nenhuma 'parceira' ainda. Nada mais normal do que se arrepender depois e fugir do assunto quando Happy perguntava se as mulheres que visitavam o quarto do Demônio eram a garota que ele procurava.
–Você parecia preocupado com algo. É com ela? Você a achou?- o gatinho começou a se levantar, ainda no colo dele, subitamente animado.- Porque, sabe, aquela garota de cabelo cor de cocô de passarinho não é a minha mãe, não importe o que ela fale.
Natsu soltou um risinho pelo nariz com a menção de Lisanna.
–Eu...-hesitou por um momento. Não era com nenhum humano, demônio ou algo do tipo que estava falando. Era com Happy. Seu melhor amigo. Não tinha motivos pra ficar escondendo o que sentia quando o assunto era o felino. — Eu não sei, Happy.- confessou por fim, meio frustrado. -Acho que ela vai ser importante de alguma maneira pra mim, mas não sei dizer se é mais do que Lisanna era. Eu simplesmente não sei o que sinto ao vê-la.
Happy o olhou, colocando a cabeça entre as patas, os olhos pensativos.
–Você odeia não saber das coisas, né, Natsu?
–É...Odeio não saber o que esperar dessa garota.
–Bom, quando você levar ela lá em casa, seja pra qualquer um dos seus quartos, eu quero conhecê-la, tá?- o gato azul bocejou, não notando a careta que o dono havia feito sobre a menção de levar a loira para seu quarto. Isso não soava certo, de alguma maneira.- Deve ser uma boa garota. Se bem que não deve ser difícil achar uma garota melhor do que aquela descolorida, né.- a voz infantil tinha um tom estranho de ironia e desagrado.
Natsu voltou o carinho nas costas de Happy, pensando na aura incrivelmente branca de uma garota, com mistos de amarelo e sem nenhuma mancha escura.
–Boa garota...-o Dragão repetiu, pensando alto- Definitivamente ela é uma boa garota, Happy.
O pequeno gato azul sorriu satisfeito antes de dormir no colo quente de Natsu.
–x-
Haviam se passado horas e Lucy ainda não havia achado seu bichinho.
Estava desanimada.
Já tinha visto inúmeros cães, gatos, hamsters, papagaios, peixes, tartarugas, chinchilas, cavalos, macacos sagui, sapos, fuinhas, porquinhos-da-índia, cobras, aranhas, periquitos, porcos...
Bisca passou a mão na testa, tirando o suor.
–Tenho uma cliente exigente!-sorriu, animada com o desafio.
–Bisca-san, eu acho que podemos desistir. Nenhum deles daria... Certo comigo.
A mulher de cabelos verdes observou a loira, que olhava triste para baixo. Incrivelmente, entendia como ela se sentia. Ela própria tinha dificuldades cada vez que via um animal morrer, mesmo que não fosse um dos seus bichinhos. E já tivera inúmeros deles ao longo de sua vida. Estava desconfiada de Lucy desde que a mesma entrara na sua loja, com aquele sorriso radiante.
Era um bom humor tão...Nostálgico para Bisca.
Alguns minutos se passaram e ambas ficaram em silêncio.
–Ne, Lucy...Poso lhe fazer uma pergunta?
–Claro.- sorriu docemente, tentando ficar animada de volta.
–Quel é a coisa mais bonita no céu?- os olhos escuros estavam sérios, e encaravam cada reação da loira.
–As estrelas. Mamãe sempre me falava deles antes de morrer. Nós costumávamos nos deitar e olhas as constelações, apenas eu e ela. Era quase mágico.- a garota sorria levemente, perdida em memórias.
Bisca piscou, a compreensão invadindo seu rosto.
–Gabriel lhe mandou, não foi?- perguntou baixinho, os olhos fixos no chão.
–O-o quê?
–Não achei que ele iria mandar sua estrelinha para a Terra tão cedo.- sorriu levemente, ainda meio perdida em pensamentos.
Lucy estava confusa, e meio sem saber como agir. Como Bisca sabia sobre o Arcanjo?
–Venha! Tenho uma coisa especialmente para você!- a mulher sorriu, puxando a loira pela mão.
Lucy ofegou, sentindo suas auras se mesclarem e se acalmarem, sentindo a alma da mulher, notando que suas suspeitas estavam corretas.
Bisca sorriu cúmplice para a loira, que ainda estava meio perdida em sensações.
–Você é igual a Layla, não é? Reconciliação?- perguntou ela, sabendo que a garota entenderia.
Lucy acenou que sim.
–V-você-
–Faz um bom tempo que eu não subo, mas acho que a nossa natureza nunca vai mudar né?- a Anja de cabelos verdes sorriu e voltou a puxar a loira para os fundos da loja.- Eu tenho certeza que você vai gostar!
Lucy sorriu, apertando levemente a mão da mulher, contente por saber que havia alguém em quem poderia confiar, e melhor – sem precisar se preocupar em esconder que era uma anja.
Entraram numa espécie de depósito, e Bisca foi contornando os sacos enormes de rações e caixas com utensílios até um grande freezer, o maior que a loira já havia visto. Abriu a porta e sorriu, deixando a outra ver o que havia ali dentro.
Lucy arregalou os olhos castanhos, fixos no animal ali dentro.
–É um Nikora?-perguntou, surpresa.
–Sim, é um Filho de Canis, ou Canis Minor.- Bisca respondeu, com certo orgulho na voz. -E é seu.
–C-como assim?
–Gabriel me deu ele, com ordem explícitas de entregá-lo a você. Parece que você o convenceu de descer antes que ele previa. -ela piscou um olho castanho escuro, pegando o animal e colocando nos braços de uma Lucy descrente.
Era pequeno e parecia um boneco de neve; o nariz de cenoura e os olhos escuros como carvão. Ele era gelado ao toque, mas combinava com a temperatural corporal baixa dos anjos. O pequeno ergueu a cabeça, tremendo como era sua característica, e começou a balançar o pequeno rabo, contente. Lucy sorriu em resposta, feliz.
Bisca estufou o peito, orgulhava com as reações de ambos.
A porta se abriu repentinamente e um homem de cabelos negros entrou rapidamente.
–Bis, você viu os sacos de- ele parou de falar, vendo a companheira ao lado da garota loira com o animal branco nos braços.-Oh. Olá. -ele sorriu, e Lucy viu a aura branca brilhante e ocre dele, sabendo automaticamente que ele também era um Anjo.-Gabriel mandou a estrela dele descer, foi?-ele perguntou, sorrindo confortavelmente para Lucy.
A Anja loira baixou os olhos, meio envergonhada com os olhares do casal de anjos sobre si.
–Ne, Lucy...-Bisca chamou, jogando um braço sob os ombros da garota- Aquele Arcanjo não lhe falou que todo Anjo que desce pela primeira vez na Terra tem padrinhos, né?
A Anja piscou.
–Não...
–Então, só para você saber, eu e o Al somo os seus.- a mulher sorriu divertida- Para qualquer coisa que você precisar, estaremos aqui.
–Bisca, você nem deixou eu me apresentar para ela.- o homem meio que reclamou, mas ainda sorria, tranquilo. Vestia uma calça cáqui e sapatos escuros, uma camisa social marrom avermelhado e uma espécie de ponche marrom por cima, deixando apenas a gola da camisa à mostra. Os olhos escuros combinavam com o tom de pele bronzeado e o cabelo igualmente negro. -Sou Alzack, muito prazer, Anja.
–Sou Lucy, muito prazer, Alzack-san.-a garota sorriu e fez uma pequena reverência, se lembrando dos costumes japoneses, enquanto Bisca ia para o lado do homem.
A loira arregalou os olhos quando Alzack e Bisca deram as mãos, distraidamente. Suas auras se moraram e expandiram, brilhando muito mais.
–Wow.-sussurrou baixinho, encantada com a visão do ocre se misturando com o verde, o branco envolvendo as cores.
–O que foi?- a Anja mais velha perguntou, estranhando a reação de Lucy.
–Vo-vocês são um casal, não é?-perguntou, os olhos castanhos ainda fixos nas auras que se uniam cada vez mais, começando a ter forma de asas em volta dos dois.
Os dois coraram fortemente.
–N-não, na verdade somo parceiros.- a mulher de cabelos verdes respondeu, soltando a mão do moreno.
–É-é, só o nosso disfarce aqui é de um casal.- Alzack completou, coçando a nuca, constrangido.
A loira ainda olhava suas auras, que se afastaram junto com seu respectivos corpos, mas ainda pareciam ter vontade própria, uma querendo se aproximar da outra.
“São Soul Mates” pensou Lucy, com certo espanto. Ela nunca havia visto uma raridade destas, mas tinha certeza do que via. A frequência de suas almas se completavam, prova de que eram -literalmente- feitos um para o outro. Não havia mais ninguém no mundo capaz de se encaixar com qualquer um dos dois como eles se encaixavam.
Lucy se perguntou se o Arcanjo Gabriel sabia o que os dois Anjos eram quando os havia mandado para a Terra.
–Ah...Sinto muito.- se desculpou, sem sentir o mínimo remorso com o que falara. Parecia que eles não sabiam que se amavam, afinal de contas.
Um pequeno silêncio se formou enquanto a loira, ainda pensava no que presenciara e o Canis Minor tremia em seus braços.
–Acho que vou ter que achar um nome para você, não é mesmo?-sorriu para o ser, que balançou o rabo alegremente.
–Punpuun!
–x-
–Ne, ne, Naaatsu! Eu peguei um! Um bem grande!- Happy gritava, a voz estampando a felicidade que sentia.
–Muito bem Happy!- gritou o rosado de volta, enquanto arrumava os peixes que eram lentamente grelhados pelo calor do fogo. O sol já se fora havia algum tempo e Natsu providenciara pequenas chamas ao redor de onde estavam, como se fossem pequenas lanternas espalhadas pela clareira e algumas pairando sobre o lago.
O gato azul continuava pescando, alguns metros longe do Demônio.
–Naaaaaaatsu, ajudaaaaaaaaaaa!
–Happy?
–Kyaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!-o gato gritou e Natsu ouviu o barulho de algo caindo na água. Rapidamente correu até a beira do lago, vendo seu melhor amigo teimoso segurando a vara de pescar, sendo arrastado para o fundo do lago por um peixe bem maior que ele.
–Happy!
O Demônio pulou dentro do lago, nadando rapidamente até o gato azul que cismava de não soltar a vara.
Natsu rosnou, irritado e sua aura escura se propagou pela água límpida, espantando os peixes com sua maciça energia negativa. Foi até o felino e puxou-o contra seu peito, enquanto nadava até a superfície.
–Happy, você está bem?-perguntou o rosado, olhando com preocupação o pequeno gato azul que tremia em seu peito.
–G-gomen ne, eu perdi aquele peixe super grande, Natsu.
O garoto suspirou, aliviado.
Nadou até a margem, tomando cuidado para deixar a cabeça de Happy para fora da água.
–Pronto, parceiro, vamos nos sentar perto do fogo agora.-ele saiu do lago, pingando água, as roupas grudadas no corpo definido, o felino tremendo loucamente em seus braços.
Natsu se sentou perto da fogueira, aumentando sua própria temperatura corporal para esquentar o corpo frio de Happy.
O Demônio não tirou o amigo dos braços enquanto ele ficava seco. Pegou um dos peixeis grelhados e o deu para o pequeno comer, os olhinhos brilhando fracamente de felicidade com o gosto do peixe.
–Está melhor?-Natsu perguntou, passando os dedos pela pelagem azul finalmente seca do gato.
–Sim. Gomen ne, Natsu.- Happy respondeu baixinho, se sentindo mal.
–Não precisa pedir desculpas, amigão. Sempre vou estar aqui quando você precisar.
Natsu sorriu para o gato, que o olhando com os grandes olhos carvão, procurando uma suspeita de irritação no rosado. Quando não achou, sorriu fracamente para o mesmo.
–Aye.
–x-
–Bisca-san, eu pelo menos posso pagar por tudo isso, não é?
–Não Lucy. É tudo por nossa conta.- a mulher sorriu, ajudando Alzack a embalar os produtos para a loira levar para casa.
–E desculpe também ficar até tão tarde.- Lucy abaixou a cabeça, envergonhada por ser a única dentro da loja além dos donos.
–Você é nossa afilhada, não sei porque não aceita dormir conosco hoje.- o homem falou, sorrindo para a garota.
–Al está certo. É meio tarde para você ir para casa agora, tem certeza que não quer passar a noite aqui?- Bisca insistiu fazendo um carinho na cabeça de Plue, o Canis Minor.
A loira mordeu o lábio inferior, tentada a aceitar o convite.
–Não tem problema?- perguntou timidamente, o que fez o casal de Anjos sorrirem abertamente, animados com a nova hóspede.
–Eu vou pegar o número da pizzaria.
–x-
Natsu suspirou, a preocupação exposta no rosto. Happy ainda estava em seu colo, e agora dormia.
O Demônio sabia que ele precisava de ajuda, mas era início da madrugada e era raro achar alguém que soubesse algo sobre cuidados médicos necessários para seres sobrenaturais.
O gato tremia, os olhos se movendo sob as pálpebras fechadas, os músculos pequenos tendo espasmos, o corpo sofrendo da febre de alta temperatura.
Se levantou cuidadosamente, tentando não fazer movimentos bruscos demais. Assoprou na fogueira, o fogo morrendo instantaneamente sobre o controle do Dragão.
O rosado começou a caminhar pela mata, voltando à cidade. Os olhos constantemente voltavam para Happy, checando sua condição.
Ele estava terrivelmente preocupado.
Happy era um dos únicos que fazia o adolescente lutar pela vida.
Lutar, principalmente pela vida do próprio gato.
Já sabia onde iria.
Só faltava engolir o orgulho no caminho.
–x-
Quando Lucy acordou, no quarto de hóspedes de Bisca e Alzack, ainda estava escuro.
A loira coçou os olhos, ainda sonolenta enquanto notava o que a havia acordado eram os sussurros baixos do casal de Anjos e seus passos rápidos pelos assoalho.
Se sentou na cama, vendo como Plue havia adormecido enrolado contra si, seu corpo tremendo levemente mesmo durante o sono.
Saiu do quarto, os olhos castanhos se incomodando com a claridade do corredor e olhou para os dois lados, vendo luz em ambas as extremidades.
–Ele se molhou! Tem noção do quanto isso é mortal para um Exceed? Não sei como ainda não está com hipotermia!- a voz de Bisca soava extremamente abalada, vindo do outro lado do corredor, na direção do quarto do casal.
–Você fez tudo o que podia, Bis. Cabe a ele lutar ou não.-o Anjo tentava acalmar a parceira, a voz confortável e suave- Vou fazer um chá para você, que tal?
–P-pode ser.
Lucy viu o moreno sair do quarto, e olhar meio surpreso para si.
–Oh, Lucy. Te acordamos?
–Não tem problema. Está tudo bem, Alzack-san?
O moreno suspirou.
–Sim, só uma pequena emergência. Ainda somos donos de um pet shop e moramos em cima dele.- ele sorriu levemente.
–Ah, entendo.- a Anja sorriu- Precisam de ajuda?
–Não, obrigada, já fizemos tudo o que podíamos. Pode voltar a dormir agora, anjinha.- ele afagou suas costas carinhosamente antes de descer as escadas para a cozinha, provavelmente fazer o chá que prometera para a outra Anja.
A loira voltou para seu quarto, completamente acordada agora. Sentou-se na cama, passando os dedos distraidamente no pelo ralo de Plue, se perguntando porque estava tão inquieta.
Tentou, por tempo indeterminado, voltar a dormir. Não conseguiu e estava começando a ficar irritada com isso. O casal de anjos conversou por algum tempo, mas depois parou. O silêncio reinou.
Lucy levantou-se, a inquietação atingindo o ponto máximo conforme andava até a sala no final do corredor que possuía uma luz acessa.
Era parecido com um consultório veterinário normal, bancadas de remédios, uma estante de livros, uma balança grande o suficiente para pesar cães de grande porte e uma mesa de alumínio no centro.
Uma luz com tom avermelhado estava ligada sobre a mesa, apontando para um cobertor embolado em cima da mesma. Era uma daquelas luzes para incubar ovos, que emitiam calor, a loira percebeu.
Seu coração falhou uma batida e a Anja deu mais alguns passos na direção da mesa. Seu sexto sentido lhe mostrou uma alma animal, e ela sabia que ele era algo sobrenatural, um brilho azul bebê envolvendo o ser.
Se abaixou silenciosamente, os olhos ficando na altura do animal embrulhando no cobertor marrom.
Era um gato. Um pequeno gato de estranhos pelos azuis, que se remexia febril no meio do tecido grosso.
Lucy observava abismada o gato, o ouvindo gemer de vez em quanto.
Ele era tão fofo.
Seu instinto angelical a fazia querer abraçar o pequeno corpo, e nunca mais soltá-lo.
Se lembrando dos livros que lera e das palavras de Bisca, reconheceu o animal como um Exceed. Gatos descendentes da deusa egípcia Bastet. Tirando o fato de possuírem vidas extremamente longas, e de falarem praticamente qualquer língua existente, eram gatos normais. Ficam fragilizados de maneira extrema em contanto com uma quantidade maior do que uma xícara de água, e a ideia de que gatos possuem medo de água vem daí. O calor de sua vida era sugada pelo líquido, e ninguém sabia o porque.
A loira viu livros de anjos com poemas de cura abertos ali perto e entendeu que Bisca estava tentando curar a febre do felino com a língua dos anjos.
Funcionava com todos os animais comuns, mas Lucy não sabia se funcionaria com o Exceed. E pelo jeito que ele estava, não estava funcionando.
Mordeu o lábio inferior, seu coração se apertando ao ver o gato gemer, murmurando coisa incompreensíveis sob a febre.
Sem conseguir se conter mais, começou a cantarolar baixinho, estendendo a mão e tocando delicadamente a cabeça do felino azul.
–Shh...Vai ficar tudo bem...- a loira sussurrou, tentando confortar o animal, levando os braços a circundarem o cobertor em que ele estava, puxando-o mais perto de si.
Ela uma Anja da Reconciliação. Seus instintos a levavam automaticamente a cuidar e curar tudo o que pudesse, com o mínimo de palavras possíveis.
Lucy sabia que era capaz de curar o Exceed.
Só nunca havia feito nada assim antes.
–Mamãe?- uma voz falhada lhe tirou de sua mente, e olhou o gato azul abrir fracamente os olhos castanhos para olhá-la, tentando ver através da névoa febril.
–Oi pequenino...-respondeu, as mãos tirando delicadamente o corpo dele do cobertor, e o colocando definitivamente em seu colo.- Você vai ficar bem...Vai ficar tudo bem...
Os dedos longos da loira passavam pela pelagem azul, tentando acalmá-lo.
–C-Cadê o papai?- o Exceed perguntou, tentando descobrir se não estava tendo outro delírio.
–Ele já vai chegar pequenino, não se preocupe.- o tom de voz doce timbrava afeição recém-descoberta pelo felino.
–Q-que bom que ele te achou, mamãe.- o gato esfregou fracamente a cabeça contro o colo da Anja, como se pedisse carinho.- Ele estava tão sozinho e perdido sem você...
O coração da loira se apertou mais ainda. Será que o 'pai' daquele Exceed também estava precisando de si?
Bom, um de cada vez.
–Eu sei pequenino...Mas estou aqui agora. E não vou sair de perto de vocês dois.- a Anja respondeu, vendo o gato suspirar aliviado. Se concentrou na sua frequência de alma, sentindo a alma pequena e frágil do Exceed.
Envolveu a alma azul com a sua própria branca e amarela, seus pensamentos somente no desejo de ver o gato bem, saudável.
Suas ondas de alma ficaram mais densas, e a Anja forçou uma pequena brecha na alma do Exceed, sentindo-o tremer em seu colo com o desconforto da invasão.
Depois de alguns segundo, o gatinho incrivelmente esfregou sua cabeça contra o peito da loira, se aconchegando em seu colo. Sentia o coração dele batendo como se fosse o seu próprio devido a nova ligação intensa que compartilhavam. Não ousou se infiltrar mais na alma azul, de alguma maneira sabendo que logo tocaria sua mente, e compartilharia todas as suas memórias, seus pensamentos.
Respirou fundo, uma última vez, e relaxou; deixando seus instintos tomarem controle e fazerem o trabalho que ela não sabia.
Sentiu aos poucos a magia até então desconhecida começar a agir, vagamente consciente do que fazia. Só pensando no gato e em como queria vê-lo bem, em como queria cuidar dele, em como seu coração de enchia de amor puro quando o via.
O corpo do Exceed lentamente foi voltando à sua temperatura morna normal e a dor se esvaía de seus músculos cansados. Lucy sentia como se estivesse sugando a doença do pequeno, mas não sentia os efeitos em si mesma.
Tudo o que tirava de mal do corpo do gato azul se juntava numa bola maciça roxa escura, no exato local de encontro de suas almas.
Conforme o tempo passava, a Anja se sentia cada vez mais atraída pela mente calma do gato. Se esforçava para não cair na correnteza natural de invadi-lo.
Por um momento relaxou demais e tocou fracamente a mente dele antes de recobrar a força e se afastar.
Apenas viu uma memória.
A memória de uma sensação.
A loira se sentiu envolta por um calor imenso, insano, indescritível. Mesmo sem haver palavras na lembrança, conseguiu perceber facilmente a alegria e a gratidão do Exceed de estar onde estava e com quem estava.
Sentia mais.
Sentia o amor, fluindo de maneira natural entre o gato e o ser que o abraçava protetoramente.
Não precisavam palavras, sons, desenhos, olhares, sinais, nada.
Apenas o sentimento explícito naquela ligação fortíssima.
Quando a magia acabou, Lucy abriu os olhos e se viu segurando o pequeno gato azul, que visivelmente estava melhor. A mão esquerda da loira estava sob o corpo dele e no meio pairava uma esfera maciça roxa escura.
Afastou cuidadosamente a doença do corpo de ambos, sabendo que um toque faria a esfera penetrar em si e sofreria com a mesma.
Sacudiu a mão, libertando a esfera de seu domínio e observou a mesma se dissolver no ar, deixando uma fina poeira roxa que logo também sumiu.
Voltando a realidade, a sala parecia estranhamente clara.
A loira piscou confusa, e olhou para o próprio corpo que brilhava.
Prendeu a respiração ao notar que usava a túnica extremamente branca, geralmente usada no Céu. Pequenos movimentos a fizeram notar que suas asas não estavam mais sob sua pele, escondidas; e se erguiam orgulhosamente atrás de si. Eram emplumada e grandes, mas delicadas. As penas das extremidades tinham tons suaves de amarelo, como se tivessem sido mergulhadas parcialmente em um pote de tinta amarelo claro.
Estava idêntica a sua aparência original, exceto pela auréola.
Pelo visto, curar o Exceed não lhe custara tanta magia e energia a ponto de romper totalmente o lacre que Gabriel colocara em si mesma.
Suspirou, se levantando, sentindo as pernas dormentes pelo tempo que passara sentada. A barra da túnica caiu até seus tornozelos, enquanto envolvia o gato em seus braços, cobertos pelas mangas soltas do tecido branco; deixando-o confortável em seu sono, fazendo pequenos círculos em seu pelo.
Andou até a janela, vendo como o céu escuro se tornava aos poucos mais claro, o Sol nascendo.
–Mamãe?-uma voz suave e cansada a fez olhar para baixo, encarando os inocentes olhos castanhos do Exceed. Ele ainda estava sonolento e forçava a si mesmo para vê-la claramente.
–Como é seu nome, pequeninho?-Lucy perguntou, ainda acariciando o gato.
–Happy.-ele respondeu, quase cedendo ao sono enquanto a loira voltava para a frente da mesa de alumínio, ajeitando o cobertor com uma mão e embalando-o com a outra.- Você vai sumir?
A voz infantil de Happy parecia triste, mas a Anja sorriu, colocando-o delicadamente sobre o cobertos.
–Não Happy. -sussurrou suavemente, apoiando os antebraços na mesa, o corpo curvilíneo em cima do Exceed, como se estivesse o protegendo.-Prometo que vamos nos ver de volta, pequenino.
O gato suspirou, satisfeito. Se sentia tão seguro com ela quanto com seu dono de cabelos estranhos.
Lucy se inclinou, tocando a testa peluda dele com seus lábios, num beijo casto como sua própria mãe fazia consigo mesma antes da loira dormir.
Se afastou, os olhos castanhos transbordando carinho fixos no Exceed.
Não notou quando Bisca entrou na sala, os olhos arregalados ao ver a cena.
Não notou quanto a Anja mais velha lhe chamava, ainda pasma de ver a loira com suas asas para fora, sua alma brilhando sutilmente, exalando poder.
Notou apenas quando o corpo de Happy brilhou, cercado de branco e amarelo e se concentrar em suas costas, se solidificando, tomando formas.
As últimas coisas que lembrava antes de desmaiar de exaustão eram de uma voz infantil a chamando de “Mamãe” e de como o pelo azul de Happy combinada com as asas brancas e emplumadas que saíam de suas costas.
Notas finais
Próximo capítulo não vai demorar tanto, descobri que se eu escrever uma hora por dia rende mais do que ficar escrevendo durante as aulas hahahaha
Qualquer erro (deve estar cheio, estou postando isso ás 3:10 da manhã, gosh.), reclamação, comentário, elogio, fome, frio, sono, tédio, comentem ^---^
Próximo capítulo terá um pouco mais de participações masculinas hihi~
Obrigado por lerem!
Ja Ne~
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