Anjos Da Noite
9 Capítulo 9 - Nothing happened...
Notas iniciais
Se eu estava pensando que acordaria com ele do meu lado, sorrindo pra mim e fazendo carinho em meus cabelos enquanto me esperava acordar me olhando de um jeito carinhoso, eu definitivamente, estava sonhando enquanto ele foi embora.
É, eu acordei sozinha, o que não foi bem uma novidade, julgando em consideração como ele parece ser. Não posso afirmar nada, nem o conheço direito. Mas enfim, quando acordei, graças aquele sol irritante que sai de manhã depois de uma noite inteira de chuva, olhei pro lado e não havia nada. Justin simplesmente deve ter saindo ou no meio da noite, ou bem cedo enquanto eu ainda dormia. Mas não foi isso que me deixou com raiva, foi o fato de ele e o seu ''bando'' virem aqui, me falarem coisas que eu ainda estava tentando processar, ele fazer aquela cena toda, dormir agarrado comigo e ainda ir embora sem nem deixar rastros ou uma explicação. Ah!
Com a cabeça a mil, me arrastei pra fora da cama e peguei uma toalha e uma muda de roupa qualquer no meu armário. Em tão puco tempo, eu já estava ficando de saco cheio desse lugar. Aqui parece uma prisão, todos são um bando de delinquentes, não que eu seja muito certinha, mas isso não vem ao caso.. Terminei de sair de meu quarto e fui andando em passos arrastados pelo corredor vazio até o banheiro no final do corredor. Quando fui virar para entrar no banheiro feminino, trombei bonito em alguém e.. ah não! Eu conheço muito bem esse perfume.. Maldito perfume.
– Ora, ora, roa... Se não é a mais nova bruxinha.
Olhei para cima, mas antes meus olhos não puderam evitar acompanhar todo seu corpo durante o trajeto. E que corpo! Tênis branco, uma calça jeans despojada nas pernas, uma blusa verde escura pregada ao tórax contornando todo o seu abdomem fenomenal, uma corrente de prata, cabelos totalmente bagunçados de um jeito extremamente sedutor e por fim, o par de olhos dourados mais bonito que já vi. Justin!
– O que? Eu.. Porque voc.. — Terneti falar alguma coisa mas seu deto indicador me impediu.
– Shh! Você fala de mais bruxinha, tem que aprender muito ainda.
– Justin! Para, agente precisa conversar.
– Blá, blá, blá. Eu ainda estou escutando a sua voz.
O olhei com cara feia. Agora ele iria simplesmente fingir que nada aconteceu, é isso? Nossa, bem maturo... Não consegui chingar ele em voz auta porque quando eu abri minha boca o sinal da primeira aula tocou e rapidamente podia-se ouvir os passos dos outros garotos que provavelmente estavam vindo aos seus dormitórias pegar algum livo ou caderno, e alguns acabavam de acordar, saindo de seus quantos com o cabelo bagunçado e cara amassada.
Quase que no mesmo instante senti mãos grandes e quentes em minha cintura, que me puxaram para dentro do banheiro. Justin me impurrou contra a pia e trancou a porta.
– O que você pensa que tá fazendo, abre essa porta agora ou..
– Ou? Ou o que? O que você vai fazer? — Ele disse me desafiando, ainda encostado a porta impedindo minha passagem.
– Ou eu vou gritar. — Me aproximei dele, esperando parecer ameaçadora, mas só o que consegui foi uma risadinha ridícula dele. — 1..2..
– Você não vai gritas, você..
– 3! AAAAAAAAAAAAH hmmmmmm... hmmm. — Soltei um grito extremamente alto mas antes que alguém pudesse de fato ouvir lá fora, Justin foi mais rápido me prensando de volta a pia gelada e colando sua mão em minha boca.
– Cala a boca! Ficou loca?
– Hmmm... hmm. — tentei me soltar, mas seu braço envolveu minha cintura com força, me obrigando a ficar entre a pia de mármore e seu tóras perfeitamente esculpido. Oh, que castigo!
– Fica quieta, para de se mexer caralho!
Me debatia tentando socá-lo no peito mas nossos corpos estavam muito colados e eu quase não consegui movimentar os braços, tentei com as pernas mas logo parei quando senti um volume duro pressionar minha coxa. A primeira coisa que me veio na cabeça foi uma arma. Ai que começei a me mexer mais, entrando em desespero. Eu não o conhecia e não duvido nada que o povo daqui tenha armas ou coisas bem piores. Oh meu deus! Eu dormi com ele, não dormi dormii, mas, enfim, eu dormi na mesma cama que ele. Aquele momento em que você entra em pânico e quase acredita em deus, err..
– Ugh.. pára Alyssa..
É agora que ele me mata, é agora, é... pera ai. Isso foi um.. gemido? Ah! Então a coisa dura não era uma arma era.. Porra. Ele tava excitado. Mas que nojo, que tipo de cara fica excitado vendo uma mulher em pânico? Maluco, maníaco. Alguém me ajuda!
Finalmente parei de me mexer pra não piorar a situação dele, e a minha né. Senti seu suspiro contido de alívio em meu pescoço e confesso que eu hálito quente em minha pele me arrepiou. Droga! O segundo e último sinal tocou lá fora e eu não consegui escutar mais nada além da minha respiração acelerada.. pelo esforço tá? A do Justin e algum chiveiro que estava pingando em um dos boxs do grande banheiro feminino. Minha única reação brilhante, foi morder sua mão que ainda tampava minha boca.
– AI! Vadia! — Justin reclamou enquanto balançava a mão, agora machucada.
– Idiota, ninguém mandou me segurar e tampar minha boca. — e ficar excitado.. completei em minha pura e inocente mente. — Posso sabe o porque raios você está agindo tão estupidamente assim? Fingir que nada aconteceu ontem não vai mudar o passado, ou muito menos alivia a dor.
– Alyssa, cala essa boca. — Ops! Acho que toquei na ferida.
– Não, você não manda em mim. Você acha que é legal, finalmente me livrar do meu padrasto e tudo mais o que eu sofria para vim parar em um internato de merda e descobrir que possivelmente eu sou uma ''burxa''? — Fiz aspas com os dedos.
– Garota, você acha que só você teve que enfrentar a verdade e encarar essa dura realidade. Não é 'possivelmente', Alyssa, você É uma bruxa, você querendo ou não. Não tem como fugir do destino.
– Destino? Que porra de destino nenhum, isso não existe, depois de tudo o que eu já passei aprendi a não acreditar nessas coisas idiotas que só complicam vai a minha vida.
– Eu duvido que sua vida foi tão dificil assim aponto de começar a duvidar da realidade, para se ser idiota Aly.
– Justin, você não sabe nem a metade do que eu já passei em toda a minha vida. — Disse apontando o dedo em sua cara claramente raivosa. Quem ele pensa que é pra achar que sabe da minha vida? — Eu acho que você devia fica quieto, vai atrás dos seus amiguinhos bruxos também, aprovei ta e faz um feitiço vudu bem gordo e finca uma faca mágica bem na barriga dele pra ver se aquele diretor escroto aprende a fazer um internato descente.
– Para de falar assim, isso não é brincadeira, não é nenhum conto de fadas, não é nenhum jogo onde se pode jogar e quando você se cansa você simplesmente guarda as peças e pronto! Você tem que aceitar o que você é.
– E O QUE EU SOU JUSTIN? ME FALA? ISSO NÃO PODE SER VERDADE, É MALUQICE! VOCÊS DEVIA ESTAR EM UM MANICÔMIO, VOCÊ E AQUELES SEUS AMIGUINHOS ESTÚPIDOS, INCLUSIVE A SUA IRMÃZINHA RIDÍCULA QUE.. — Só senti uma dor forte no lado esquerdo do meu rosto e logo estava de cara no chão. Agora estava ardendo. Eu não acredito nisso.
– VOCÊ NUNCA MAIS.. ABRE ESSA BOCA, PRA FALAR DA MINHA IMRÃ!
Minha respiração estava ofegante, levei minha mão a minha bochecha esquerda, que estava extremamente quente, e pude sentir uma dor incomoda só de encostar. Filho da Puta! Notei minha visão começar a embaçar mas não, eu não podia simplesmente chorar, ainda mais em sua frente. Eu me prometi nunca mais chorar.. Cacete. Minha promessa deceu pelo ralo assim que senti a primeira lágrima descer em meu rosto e parar no canto de minha boca, me fazendo sentir aquele gosto salgado. Cadê meu orgulho agora?
– Alyssa.. eu... me-e desculpa. — ele sussurrou.
Escutei, mas não consegui levantar meu rosto. Meu físico, meus sentimentos e o meu orgulhoestavam feridos agora. Eu mal o checia e ele já me fez chorar, ainda em sua frente, uma coisa que eu havia prometido nunca mais fazer na frente de ninguém, nem da minha mãe! Senti seus passos em minha direção, pude sentir o calor de seu corpo se aproximando e automaticamente me encolhi no canto da parede. Ele se ajoelhou em minha frente, e tudo o que eu fiz foi fechar os olhos com força enquanto mais lágrimas deciam sem minha permição.
– Aly.. desculpa. Eu não queria, eu.. fiqueinervosa quando, você começou a falar da minha irmã, eu.. desculpa. — Sua voz parecia realmente arrependida e até um pouco preocupada.
Ele tocou meu braço mas eu me esquivei.
– N-não toca em mim. — minha voz saiu trêmula por conta do choro. Havia um nó em minha garganta.
– Dexa eu ver. — senti sua pele em contato com a minha de novo, mas dessa vez não evitei. Ele pousou sua mão delicadamente em cima da minha que ainda cobria minha bochecha ardida e a abaixou. Tocou a pele levemente, mas ainda senti arder com seu toque e apertei mais os olhos. — Desculpa.. — sussurrou novamente.
Abri meus olhos de vagar e logo encontrei os seus. Havia ali uma mistura de arrependimento, culpa e preocupação. Porque ele tinha que ter olhos tão transaparente? E bonitos.. caramba. Justin me fitou de volta e colocou uma mexa de meu cabelo atrás de minha orelha mas não consegui prestar atenção em mais nada assim que seu mar dourado me invadiu, meu corpo amoleceu e eu já não sentia mais minhas pernas direito, elas formigavam. Fiquei totalmente hipnotizada, seus olhos eram tão profundos e tão rasos ao mesmo tempo. No momento suas íris pareciam estar mais líquidas. Simplesmente perfeito.
– Aly.. Aly? — fui acordada de meu transe com sua mão passando freneticamente na frente do meu rosto. — Eu acho que precisamos conversar, e você, de um banho.
Não argumentei, apenas deixei com que ele me guiasse até o box mais próximo. Fiquei parada ali, ainda sem reação e fraca de repente enquanto ele voltava a pia e pegava minhas coisas. Ele pendurou a toalha em um dos ganchos do compartimento e minhas roupas em outro. Parou em minha frente e me lançou um olhar inqueto.
– Você consegue tomar banho sozinha ou vai querer minha ajuda para tirar suas roupas?
Suas palavras me acertaram em cheio, balançei minha cabeça discretamente tentando organizar os pensamentos e neguei com um jesto de mãos me virando de costas para ele. Assim que ia entrar no box, sua mão agarrou meu pulso me fazendo virar novamente em sua direção. Passou sua mão novamente por minha bochecha e saiu com passos largos, deixando minha pele formigando. Mas não com a ardência do tapa, que por sinal já havia parado, mas sim com seu toque quente em contato com a minha pele agora gelada.
Tirei minha roupa com calma e me enfiei embaixo da água quente que caia do chuveiro. Sentei no chão e abracei meus joelhos. O que estava acontecendo comigo? Primeiro eu perco a paciência com ele, insulto o último mesmbro que restou de sua família, também perde a paciência e me bate, eu choro em sua frente e agora.. isso. Não acho que tenha exatamente uma palavra expecifica que explica o que eu estou sentindo agora, só sei que olhar em seus olhos me deixou tonta, perdida, parece que a pressão abaixou e literalmente me fez perder o ar, mas o estranho é que, ao mesmo tempo, eu me senti segura, protegida, sabe, como se nada de ruim fosse me acontecer ser eu ficassem próxima de Justin. Foi totalmente estranho. E o que eu senti quando ele me tocou.. eu já não sentia dor, mas senti um formigamento gostoso em minha pele. Eu estava ficando louca, só pode..
Fiquei um bom tempo em baixo da água mergulhada em pensamentos, minha cabeça agora doia de tanto pensar e repensar nas mesmas coisas e parecia que a pressão do chuveiro caindo em minha cabeça ajudava a me sentir um pouco melhor e apesar de a água estar na temperatura máxima, eu ainda estava inexplicavelmente com frio.. Terminei meu banho depois de longos minutos e vesti miha roupa. Mesmo a blusa sendo quente, eu ainda sentia um frio, um vazio por dentro, tentei apenas deixar pralá e ignorar. Deve ser coisa da minha cabeça depois de toda essa discussão. Ouvi meu celular tocar em cima da pia e o peguei.
Meu quarto. Agora. 832.
Justin xx
Estremeci. O que será que ele quer agora? Peguei minha toalha molhada e o celular e sai do banheiro, fui até meu quarto, joguei a toalha em cima da cama desarrumada, peguei um maço de cigarro na gaveta com o primeiro isqueiro que achei lá, meu celular e coloquei tudo nos bolsos de trás da minha calça. Sai trancando a porta. Não estava nem me importando de matar as aulas, quem liga.. Assim que me dei conta, minhas pernas estavam me guando sozinha até pararem na porta preta, toda pichada e com uma placa escrito em vermelho 'GET OUT' com os números 832. Começei a tremer involuntariamente sem saber o porque daquele nervosismo. Eu até hoje não havia estado no seu quarto e nunca tinha parado para pensar como seria, até agora. Milhares de hipóteses passavam pela minha cabeça mas só havia um único jeito de acabar com essa dúvida e descobrir.
Abri a porta sem bater e desejei ter reconsiderado. Ou não...
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