Anjos

16 Ágata / Henrique


Ágata

— Me conta mais – pediu ela, batendo levemente na cama, pedindo para que ele se sentasse ali. E ele o fez.

— O que voce quer saber? – perguntou, examinando o rosto suave de sua protegida.

— Tudo.

— Sabe, voce podia ser mais especifica – disse sorrindo de lado.

— Me conta qualquer coisa. O que voce achar interessante ou importante.

— Hm... – disse ele ponderando – Voce gosta de histórias?

— Sim.

— Das longas?

— Minhas preferidas – e permitiu que seu sorriso crescesse pouco, mas visivelmente.

— O que acha de ouvir sobre o inicio? Ou, melhor ainda, sobre antes do começo?

— Eu adoraria.

~*~

Henrique

Lá estava ela. Linda, sentada em um dos bancos, com uma revista nas mãos. Seu rosto estava leve, um tanto divertido. Parecia uma garota tão meiga. E ela costumava ser mesmo. E fora por isso que ele a pedira em namoro. Só que ela achava que namoro era igual a casamento. E ele precisava de ar.

Se aproximou, e pela primeira vez ela não levantou a cabeça imediatamente. Ele sentiu um pouco de esperança — será que ela entendera? Que estava ali para lhe dizer isto?

— Voce não cansa de ficar todo dia aqui? — apesar da pergunta um tanto ríspida, sua voz era macia.

Ela levantou os olhos e sorriu:

— Esperando por voce? Nunca me cansaria.

— Carla... eu já disse. Acabou.

Ela se levantou e o olhou nos olhos:

— Repete olhando no fundo de meus olhos. Diga a verdade, e não ouse mentir.

— Acabou Carla. Não existe mais esse namoro que voce tenta ressuscitar.

— Então, se assim que quer, nunca mais me verá.

E virou para sair correndo. E ele fez o que ela desejava: segurou-a pelo braço.

— Para com isso! Eu te quero como amiga. Voce é importante para mim. Mas não existe mais a paixão. Nem em mim, nem em voce!

— Não duvi...

— Não existe Carla! Só essa sua obsessão. Isso é errado.

Ela abaixou a cabeça.

— Sobre essa namorada...

Por que ela tinha que falar disso? — foi tudo o que ele quis saber nesse momento. Ele não queria mentir. Não mais.

— O que quer saber? — perguntou, já sabendo a resposta. perguntou apenas para adiar por alguns momentos.

— Ela... ela é real? Ou voce só a inventou para me afastar.

— Eu nunca quis te fazer sofrer. E...

Mas nesse momento sua anja aparecera ali perto, com um algodão doce cor-de-rosa em mãos. Parou, pegou um pequeno pedaço e deu o restante para uma criança, e a mãe desta lhe agradeceu. Então ela estava visivel para os humanos?

Ela veio meio caminhando, meio pulando — como uma criança quando estava feliz -, até eles e falou:

— Oi querido! — e lhe deu um beijo na bochecha — Ia te esperar na sua casa, mas voce demorou...

— Ah... oi — disse ele sem entender

E só aí ela virou para Carla, lhe deu um enorme sorriso como se fossem velhas amigas:

— Carla! Que prazer conhece-la!

Esta ficou boquiaberta — assim como Henrique.

— Oh! Que indelicadeza a minha! Angélica, prazer — e estendeu a mão em cumprimento. Carla apenas retribuiu, ainda sem entender.

— Angel... — Henrique começou — Ahn...

— Tudo bem Rick. Entendi. Vou te esperar na sua casa. Se eu não estiver errada, vai começar um filme legal na tv.

Deu-lhe outro beijo na bochecha, e abraçou Carla, dizendo:

— Ainda bem que te conheci, Carla. Rick estava com frescura, e não queria que nos conhecessemos. Besteira, não foi?

E saiu como se não tivesse piorado a situação para ele.