Ágata

Acordara com os primeiros raios de sol. Na verdade, abriu os olhos: não dormira por um minuto sequer esta noite. Seus olhos estavam vermelhos, inchados e secos, e seu nariz escorrendo.

Quando seus sentidos voltaram — já que uma tontura terrivel e uma grande dor de cabeça aparecera ao se sentar-, notou que havia algo de estranho no quarto. Uma calmaria incomum. Pensou que deveria ser isso que se sentia após chorar tudo o que segurara por toda a vida.

Levantou-se, e se dirigiu ao banheiro. Tomou um banho, lavou o cabelo, e deixou seu rosto um tanto quanto apresentável. Vestiu uma roupa velha, daquelas que se usa para dormir, ou para passar o dia em casa. E tentou arrumar o cabelo ainda molhado.

Foi olhando no espelho que o viu. Parado, ao lado da janela, de braços cruzados a observá-la. Ela olhou no fundo daqueles olhos azuis pelo reflexo, e depois se virou para vê-los realmente.

— Q-quem é voce? – perguntou. Por incrível que pareça, ela não sentiu nenhuma espécie de medo.

— Alguém pra te ajudar

— Ajudar? – perguntou cética e confusa

— No que precisar, estarei aqui. Para te proteger principalmente – disse calma e solenemente

— Qual seu nome? – perguntou ela, enquanto dava alguns pequenos passos na direção do belo estranho

— O qual voce desejar me chamar

— Que legal – murmurou sarcástica

Ele sorriu, enquanto desencostava-se da parede

— Porque voce está aqui?

— Já disse; para lhe ajudar e proteger

— O que voce é?

— O que acha que sou?

— Sabia que não se reponde uma pergunta com outra pergunta?

— Voce acabou de fazê-lo — observou

— Mas eu fiz a primeira pergunta, então tenho esse direito

— Como quiser. – respondeu com um sorriso – Mas para lhe responder, preciso saber o que voce acha que sou.

— Voce não parece humano. Quer dizer, fisicamente, voce poderia se passar por um. Mas... – as palavras fugiam-lhe, ao mesmo tempo que elas se atropelavam para sair, sem que ela pudesse controlá-las – voce... tem alguma coisa. Hm... é bonito demais para ser humano. E tem mais... voce emana uma paz. E isso não é normal. Voce parece um an...- e parou incapaz de continuar

— Pois sou – e sorriu docemente – Sou seu anjo. Seu anjo da guarda.