Anjo meu
12 Capítulo 12
— Bom dia! — Lucia falou animada. Ao perceber minha expressão ela disse. — Vishi, parece que alguém acordou de mal humor.
— Que foi? Aquela pessoa de novo? — Paola jogou um sorriso malicioso. Ai como ela me irrita!
— Essa pessoa me acordou hoje e eu cai da cama! To com um roxo na cabeça e sem paciência com ninguém então sem gracinhas. — falei apontando para a minha testa.
— Que maneira linda de acordar. — ela ri de mim.
— Vão ficar mesmo nesse mistério de falar "pessoa"? — Lucia pergunta.
Antes de eu responder o sinal toca.
— Deixa a conversa para depois. Hoje tenho prova de Química. — Paola acena e corre para sua sala.
Eu e Lucia fazemos o mesmo.
Depois da escola, Paola resolve me acompanhar já que estávamos tratando de um assunto muito importante que não dava para esperar.
— Pizza margarita é muito melhor! Aqueles tomates são maravilhosos e dão o gosto final para toda obra de arte. — Paola fala quase deixando a babinha escorrer na boca.
— É tão sem graça. Prefiro mil vezes a de carne seca. Aquele queijo misturado com a carne seca é sensasional. Não é bom, nem gostoso e do tipo "sensasional". — falei dando ênfase a palavra em aspas.
— Temos opiniões diferentes. Melhor deixar quieto. — ela disse.
— Percebeu isso agora Paola? — falei olhando para ela com ironia.
— Caraca heim, você tá um saco hoje. Mal-humorada, sarcástica e toda vibe negativa. Cruz credo. — ela faz o sinal da cruz.
— Olha aqui não coloque culpa em mim coloca no...
— Enzo? Vai me dizer quando vai parar de falar o nome dele? Hoje nem toquei direito no assunto e você sempre volta falando alguma coisa dele. Quando falo que você gosta dele não acredita. — ela fala seriamente.
Abri a boca mas fechei. Não tinha o que falar ela estava certa... Na parte do que eu voltava sempre no assunto não na parte que eu gostava dele, nada haver.
— Posso ir pra sua casa hoje? Minha mãe está enchendo o saco com o lance da obra lá em casa. Ela fica debatendo com o pedreiro. — ela fala bufando.
— Só dona Laís mesmo. Ela é um amor de pessoa. — digo rindo.
— Pra achar isso você deve ser igual a ela então. Pior que está parecendo mesmo. Reclamona, vibe negativa, sarcástica... Eita, não acredito que você frequenta a reunião semanal dos vizinhos também? — ela disse arregalando os olhos.
— Eu frequento o que? — falo não entendendo.
— Dona Laís é a líder do grupo da Vizinhança. Ela reúne os vizinhos para falar sobre reclamações ou coisas que precisam melhorar essas coisas chatas.
— Nossa... — eu sussurro
— Pode falar. Minha mãe parece que tem 84 anos de idade igual uma velha ranzinza.
— Sua mãe parece ter 84 anos de idade igual uma velha ranzinza porém não tem toc igual minha mãe.
— E se eu te disser que ela tem toc? Quando muda o canal da tv só pode estar no canal com número par. Se não ela não assiste.
— Meu Deus! — eu falo gargalhando.
— Pode falar de novo. Minha mãe é problemática. Mas eu amo ela. É uma boa pessoa. — ela fala concordando com si mesma.
Chegando na calçada da minha casa encontro Pedro esperando na minha varanda. Ele corre até mim quando me vê.
— Pedro? O que faz aqui? — falo não entendendo sua presença.
— Laura! Que bom que chegou. Tentei falar com sua mãe mas ela não estava em casa.
— Deve ter ido no super-mercado. O que aconteceu?
— Marian... sofreu um acidente. — ele disse com a cabeça baixa.
Meu coração saltou pela boca.
*o — no meio é pq ela está gaguejando*
— C-omo a-ssim sofreu um acidente? E-la ta bem? — perguntou com um tom de desespero.
— Ela está no hospital. Em uma cirurgia. Antes de começar ela tinha pedido para eu vir te avisar e não ficar preocupada que ela ta bem, mas você sabe que ela não está ne Laura? — ele fala com as mãos no bolso. — Eu só vim te avisar. Estou voltando para ver se tem notícias. Se quiser ir vê-la posso vir mais tarde de buscar.
Paola vendo minha preocupação coloca a mão em meu ombro.
— Quero sim. P-ode vir me buscar. M-manda mensagem antes dizendo o horário.
— Até mais tarde Laura. — ele foi embora.
O bom de Pedro é que ele me conhecia bem. Sabia que quando eu recebia uma notícia forte eu não gostava de contato físico nem pessoas perguntando se estou bem ou se eu preciso de alguma coisa. O celular de Paola tocou e ela atendeu.
— Alo? Sim... Precisa ser agora?... Não posso ir... Pode ser amanhã ou depois de amanhã?... To nem aí pra bolsa...
Quando ouço a palavra "bolsa" já sei que é importante. Não poderia deixar ela perder uma oportunidade única por causa de um acidente de uma menina que ela nem sequer conhecia.
— Ei, esquece. Vai. É sua chance. Estou bem. Minha mãe já está chegando.
— Não vou te deixar aqui desde jeito.
— Vai sim. Estou bem. Vou arrumar minha mala. Comer alguma coisa. Precisa ficar não. — ela hesitou depois voltou a falar ao telefone.
— Estou indo... Tchau. — ela me beijou na bochecha e me jogou um olhar de "amiga, fica bem que já volto". Ela correu na direção oposta a minha casa. Quando ela estava longe eu permiti a primeira lágrima descer. Eu estaria bem se fosse uma acidente e um braço quebrado, mas Pedro disse que a situação era grave. Ele sempre tentava amenizar as notícias ruins, tipo na minha primeira recuperação no ano passado. Ele disse "relaxa, você vai ser médica, ter dois cachorros e nem vai se lembrar dessa recuperaçãozinha." eu morri de rir. Mas agora não tem o que amenizar. Ela sofreu um acidente e está em uma cirurgia que definirá se ela vive ou morre. Simples. Lágrimas transbordaram dos meus olhos e coloquei as duas mãos na boca para impedir meu grito. Com a visão turva não via nada. Só um vulto vindo para me impedir de cair.
— Laura? Laura?! — uma voz masculina gritou.
Ele me segurou forte e me abraçou. Eu puxava sua camisa para tentar ver se aquilo era real ou só uma ilusão. Quando "ele" me afastou para me olhar nos olhos vi que "ele" era Enzo.
— Vai ficar tudo bem. — ele disse colocando as mãos em meu rosto e limpando com o dedo indicador as lágrimas que escorriam.
— M-minha melhor amiga ela... Sofreu uma acidente... E-e está entre a vida e a morte. E-e eu não estou la. Do lado d-dela. — eu disse apertando os olhos. Ele não disse nada... Só me puxou para si.
X
Com malas prontas, peguei uma nota de 50 reais na mesa e coloquei no bolso. Seria minha retribuição pela carona de Pedro. Olhei novamente no espelho e vi meus olhos avermelhados.
— Laura, leva alguma coisa para comer. Você não comeu nada no almoço. — disse minha mãe preocupada.
— Lá no hospital tem lanchonete. Quando eu chegar como alguma coisa. — falei dando um beijo em sua testa.
— Fale para Marian quando acordar para ela te fazer comer ouviu? — minha mãe gritou quando eu estava saindo.
— Pode deixar! — gritei de volta.
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