A viagem durou umas 3 horas por causa do engarrafamento. Fomos direto para o hospital. Pedro tinha falado que ela estava no fim da cirurgia. Bom, espero que ela tenha acabado.

— Com licença, eu sou amiga de uma paciente e gostaria de saber se ela saiu de uma cirurgia. – eu falei para recepcionista.

— Qual o nome da paciente?

— Marian Aspen.

— Ela saiu faz 30 minutos. Ainda está na sala de cirurgias.

— Quando que ela vai poder receber visitas?

— São 5h agora, provavelmente lá para ás 1 da manhã. – Meu Deus!

— Vai demorar isso tudo?

— Sinto muito, dei a informação errada... – ela procura no computador e depois volta o olhar para mim. – 7h da manhã de amanhã. Sugiro que vá para casa descansar e voltar amanhã.

Pedro puxou meu braço e me levou até a lanchonete no andar de cima do hospital. Sentamos em uma mesinha e eu fechei os olhos.

— Minha cabeça está explodindo de tanta dor. – falei respirando fundo.

— Quer um café? Talvez ajude. – eu concordei e ele se levantou para pegar o café.

Enquanto isso peguei meu celular para ver se tinha alguma chamada da minha mãe. Liguei para ela.

— Oi Laura.

— Mãe, só vou poder vê-la amanhã cedo. Ela acabou de sair da cirurgia.

— Nesse tempo vai para casa de Pedro e descanse um pouco. A Maju irá te receber muito bem, ela te adora.

— Vou ficar aqui um tempo para ver se tem alguma novidade. Vou comer alguma coisa agora. Mais tarde te ligo.

— Se cuida filha. – ela desliga.

Vejo que minha caixa de mensagens de três novas notificações.

Espero que esteja melhor. Qualquer coisa pode falar comigo anjo. — Enzo

Sorri ao ler a mensagem. Passo para ler a outra.

Consegui a bolsa. Obrigada Laura, mas eu nunca mais vou te deixar sozinha e desamparada de novo. Amigas não fazem isso. Mande notícias de sua amiga. Beijos. — Paola

Dou língua para o celular e passo para ler a outra.

Ah, mas uma coisa. Quando chegar terá muitos babados para te contar. Sobre você e Enzo. — Paola

O que será que houve dessa vez?

Escrevo uma mensagem de volta para Paola

Estou feliz por ter conseguido a bolsa. Você não descumpriu seu papel de amiga, você fez o que eu pedi e o que era certo a se fazer. O que houve agora? Essa escola não tem nada de bom para falar não? Sempre tem que ser de mim? PS: vou ficar a madrugada aqui, só vou poder ver minha amiga às 7 da manhã.

Envio.

Pedro volta com dois cafés e um cupcake eu reviro os olhos para ele.

— Eu não pedi isso. – falei olhando para o bolo – que por sinal parecia saboroso.

— Mas sua mãe pediu para eu cuidar de você e é isso que estou fazendo. Agora come. – ele empurra para perto de mim. Reviro os olhos de novo e mordo o mini bolo. – Ah para de birra admita que está bom.

— Um pouco. Poderia estar mais macio. – eu falei depois rimos.

— Viu como é bom sorrir? – ele falou me encarando. – Você está bem mesmo Laura?

— Eu estava mal. Agora consigo pelo menos respirar sabendo que ela saiu da cirurgia. Agora me conta o que aconteceu direito.

— Estávamos indo para a casa dela depois de um trabalho na escola aí um assaltante chegou e tomou a bolsa dela. Em vez dela deixa quieto ela correu atrás do assaltante e começou a brigar com ele pela bolsa no meu da rua. Quando fui correr para tira-la de perto do assaltante e da rua era tarde demais. O cara tinha corrido e Marian ficou para trás atropelada por um carro, que passou por cima sem querer saber de nada. Filho da...

— Levaram a bolsa dela? – eu perguntei tomando um gole do café.

— Não. Ela foi atropelada e a bolsa também.

— Marian é burra! Foda-se a bolsa, foda-se o assaltante, precisa correr atrás do cara? Era uma bolsa! – eu gritei aquilo alto e todos que estavam ao nosso redor na lanchonete olharam para mim. Arregalei os olhos depois de repassar minhas palavras na minha cabeça. – Desculpa aí gente!

— Calma Laura. Você sabe como a Marian é. Teimosa é seu sobrenome do meio.

— Eu vou dar um tapa na cara dela. – eu falei comendo o resto do cupcake em uma só mordida.

— Ah Pedro eu não queria esse bolo. Eu não estava com fome. – ele fala com uma voz fina me imitando.

— Vai se ferrar Pedro. – taquei o guardanapo em sua direção e ele desviou.

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Quando recebi a notícia logo pensei que Marian estava em uma situação bem ruim. Só de imaginar perder minha irmã de consideração caí em lágrimas. Mas quando comecei a pensar positivo, que era uma cirurgia simples e que ela sairia nova em folha me tranquilizei. Tudo isso graças a um simples e caloroso abraço do meu primo. Paola tinha me ajudado, mas não me abraçou — já que ela sabia que eu não queria contato físico — mas Enzo simplesmente me impediu de cair me segurando em seus braços dizendo que tudo ia ficar bem, e por um momento eu acreditei. Ele me abraçou e tive certeza que tudo ia ficar bem. Como que ele tem todo esse poder sobre mim? Amor de primos talvez? Sim, deve ser isso.

Era 11h a última vez que olhei no relógio. Pedro bocejava e eu estava tensa olhando para meus pés. Depois do que se parece 20 minutos Pedro levantou e veio até mim.

— Vamos para casa, precisamos descansar para vir aqui mais cedo.

Eu concordei e saímos do hospital e entramos em seu quarto.

Chegamos a sua casa e fomos recebidos pela mãe de Pedro, a Maju com seus robes e pijama listrado. Que saudade dessa mulher.

— Laura quanto tempo. – ela fala me abraçando.

— Oi dona Maju. Como à senhora está.

— Bem, e você querida? — ela diz com as sobrancelhas franzidas passando a mãos no meu rosto e olhando meus olhos vermelhos.

— Melhor que hoje cedo. Ela vai ficar bem. E pode deixar que eu vou ser a primeira a dar um tapa naquela menina. Já reuni minhas forças já.

— Ah, alivia só dessa vez. Vocês são crianças, não sabem nada a vida ainda. Vocês erram, e aprendem com seus erros. Acredita em mim, agora ela nem vai querer mais andar de bolsa. – ela fala e nós rimos.

Pedro e eu entramos.

— Pedro vá preparar sua cama para Laura dormir bem confortável. Você dorme do sofá. – ela fala ajeitando as almofadas.

— Não precisa Dona Ma...

— Xiu. Você é visita e deve descansar para amanhã. Agora trate de subir e descansar. Sua mãe confiou a garotinha dela em mim e agora eu vou cuidar como minha.

Por que mães sempre são iguais e cismam de chamar os filhos de ''crianças'' ou ''garotinha e garotinho''? Elas tem um problema em comum.

— Okay dona Maju. Boa noite. Boa noite Pedro. – acenei para eles e Pedro me jogou um sorriso irônico enquanto ajeitava o sofá.

Subi as escadas e entrei no quarto de Pedro. Não fiz nada, só deitei na cama e apaguei.

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