Anjo Pecador
2 Capítulo Um
Notas iniciais
Capitulo um
~ 20 anos depois ~
Bella Swan simplesmente não poderia mais se poupar daquela terrível tarefa. Na soleira da porta do quarto do seu pai, via o sol de fim de tarde lançar raios dourados pela janela, dando uma aparência mais rude ao tapete marrom e puído.
Ela mordeu o lábio inferior e entrou. O ar exalava ao cheiro familiar da colônia pós-barba. Era fraco, depois de todas aquelas semanas, mas lhe proporcionava a vaga sensação de conforto, embora seu coração batesse com pesar.
A madeira escura dos pés da cama estava com o verniz desgastado. O colchão afundava no meio.
Bella sorriu à lembrança de como o pai permitia-lhe uma sessão ocasional, embora curta, de pulos em sua cama, quando era garotinha. Passou a ponta dos dedos com leveza pela superfície da colcha predileta do pai, essa que ele se orgulhava em dizer que fora a sua amada Renée que havia feito, sua mãe que não teve a sorte de conhecer.
Dois breves passos a fizeram ficar defronte ao closet, sem nem mesmo tocar no cachimbo que ali descansava, Bella sentiu o leve aroma de tabaco. A fragrância despertou-lhe sentimentos de amor profundo e segurança... Que jamais voltaria a experimentar.
— Papai... — sussurrou para o quarto vazio. Seus olhos ficaram cheios de lágrimas inesperadas.
— Oh, como sinto sua falta!
Um mês se passara desde o funeral de Charlie Cullen. Durante semanas Bella evitou remexer nas coisas paternas, empacotar lhe as roupas e limpar o quarto. Mas o frio do outono estava no ar. Tinha certeza de que havia pessoas precisando de roupas quentes.
O, sobretudo acinzentado poderia estar um tanto desgastado, mas certamente manteria alguém confortável mesmo quando a temperatura baixasse bastante. E a capa verde-uva continuava eficaz.
Havia diversos ternos. Calças compridas e uma ou duas jaquetas esportivas. Também camisas e gravatas. Sem mencionar sapatos. Três pares em boa condição, já que o pai era um homem cuidadoso. Seria um pecado deixar peças tão úteis guardadas em um armário, ajeitadas em gavetas, sem utilidade.
Bella enxugou uma lágrima.
—Isto simplesmente precisa ser feito — aconselhou-se, dando às palavras uma inflexão insistente. — Hoje!
A gaveta superior do quarto de vestir estava aberta. Bella tirou dela uma pasta. Havia inúmeros papeis, deviam se tratar de documentos, perfeitamente dobrados. Ao mexer Bella derrubou um envelope Branco, endereçada ao seu tio. Tio esse que ela não conhecera, mais seu pai falava constantemente com carinho e Bella deu-se conta que havia se esquecido dele. Embora Charlie não o visitasse, falava dele com saudade. Bella sabia que tinha a difícil missão de contatá-lo. Só sabia o nome da cidade, talvez ele nem morasse mais ali.
Bella lutou com a onda de curiosidade, ao segurar aquela que parecia uma carta. Mais seu bom senso venceu novamente.
Para: carlisle Cullen. Seu tio.
Já estava mais do que na hora de conhecer seu tio, a única família que lhe restava. —pensou Bella.
Uma forte dor a oprimiu, a garotinha indefesa saiu à tona. Não tinha mais a proteção e o amor incondicional do seu pai.
Com sua mãe fora diferente, ela havia morrido ao dar a luz. Já não se sentia culpada por ser a responsável por lhe tirar a vida. Seu pai sempre falou da sua querida mãe, Bella sabia que nesses 20 anos de vida sua mãe sempre esteve presente de alguma forma. ela sentia sua presença. E sabia que de agora em diante seria os dois ao seu lado. Seus anjos da guarda.
Notas finais
bjs e até o próximo cap.:)
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