Anjo Negro
26 Cole Maclay, é você?
Notas iniciais
Como encontrar uma pessoa que sumiu como fumaça no ar? Como encontraremos a mãe de Lucas? Impossível não deve ser. A cidade é pequena e se ela não saiu de Dos anjos isso só deixa mais fácil nosso trabalho. Evy dirigiu, nos levando para a casa dela.
_Oi senhora Mooren. _Cumprimentei alegremente, lhe dando um sorriso.
_Mirela, quanto tempo menina. Você sumiu. _Me puxou para um abraço. A mãe de Evy é maravilhosa. Quando tinha seis anos, sempre que podia, a casa de Evelyn era meu lugar favorito pra ir. A senhora Mooren, ou Sandy. Me trata como filha. Retribui o abraço. Ela me soltou sorrido. _Quer um pedaço de torta? Está fresquinha.
_Claro, como posso dizer não para suas deliciosas tortas? _Gargalhamos juntas. Evy cruzou os braços emburrada.
_Vamos. _Fui acompanhando ela até a cozinha.
_Oi Evy, como você estar, quer torta? _Ela gritou nos seguindo. Evy e seus ciúmes da mãe.
_Hum... _Disse, comendo a torta.
_Aqui Evy. _A senhora Mooren lhe entregou um prato com torta. _Deixa de ser ciumenta, mamãe ainda te ama. _Beijou sua bochecha. Evy me mostrou a língua quando sua mãe se virou. Fiz o mesmo. Sandy começou a gargalha. Evy e eu nos viramos para encará-la.
_Vocês crianças nunca mudam.
_Foi ela que começou. _Apontei pra Evy.
_Isso é que é amiga, entregando a outra. _Começamos a rir juntas.
_Gostou da torta Mirela?
_Sim. Está divina. _Sorriu, enfiando outro pedaço em minha boca. Depois de me empanturrar de torta. Subimos para o quarto de Evy. Sentei-me em sua cama. Assim que ela fechou a porta, já saiu perguntando:
_Por onde começamos para encontrar a mãe dele?
_Bem, ele me contou que ela desapareceu depois de uma briga com seu pai. Os dois sairão e o único que voltou foi seu pai. Ele não a viu mais depois desse dia.
_Ah...
_Ah... O que?
_O caso está resolvido. O coroa matou a mulher depois da briga e enterrou ela no quintal, ou sei lá o que.
_Sei lá... Acho que não. _Fiz uma careta.
_O pai dele é desprezível e espanca-o. O próprio Lucas disse que os pais viviam brigando. Você viu o olho roxo dele naquele dia na escola? Ou ta cega?
_È claro que eu vi, e odiei saber pelo que ele passa quase todos os dias. Mais ele não quer denunciar o pai. _Abaixei a cabeça, triste. _Eu sei que é o pai dele, mas isso não é razão pra ele espancar o filho sempre que bebe.
_Com certeza não é, isso não tem razão. Simplesmente não existe explicação. Vamos ser sinceras, o pai dele não é um anjo. _Evy pode está certa e é isso que me dói mais. E se ela estiver certa. E a mãe dele foi assassinada e não o abandonou? Como vou dizer isso a ele?
_Acho que ele já odeia o pai o suficiente.
_Foi você que teve a ideia de encontrar a mãe dele. Não desista agora. Acho que ele merece saber a verdade, mesmo que doa.
_Eu sei Evy, mas...
_Mas, nada. Não custa nada checar. _Levantei a cabeça a encarando.
_É você está certa. Vamos checar. _Ela sorriu vitoriosa.
_Eu sempre estou certa. _Seu sorriso se alargou ainda mais.
_Nem sempre. _Joguei um travesseiro nela.
_Ah, cala a boca! _Jogou o travesseiro em minha cara. Iniciamos uma guerra de travesseiros. Só paramos, pois a senhora Mooren ameaçou-nos por de castigo. Da pra acreditar?
_Nem acredito que Evelyn Mooren está se tornando amiga de Cody Maclay. _Gritei em voz alta.
_Você é maluca? _Espera ai. Para tudo! Como eu sou burra. Como não pude perceber isto antes. Estava tão preocupada com Cole, minha mãe, Lucas e Evy que não prestei atenção ao meu redor. Cody Maclay. Meu deus! Jonathan Maclay. Cody é parente de Jonathan assim como eu.
_Talvez esteja ficando. _Disse seria.
_O que foi Mi? _Perguntou, percebendo meu tom de voz.
_Você se lembra do trabalho de história que meu pai passou?
_Não... Ai que droga! Mirela, como você não me lembrou, sua nerd? É pra entregar segunda. Agora só tenho hoje e amanhã pra fazer. _Berrou histérica._Cara, você realmente estar mal.
_Desculpa. Eu esqueço as coisas às vezes sabia?
_Não, não sabia seu computador ambulante. _Serrou os olhos. Com um olhar, vou te matar.
_Que legal da sua parte. Poço de inteligência. _Rebati o insulto dela.
_Se não te ama-se tanto, pularia no seu pescoço agora. _Disse entre os dentes.
_Que fofa você, Evy. _Falei, sendo irônica. _Vamos parar com a trocar de afeto. O que queria dizer é que comecei a fazer o trabalho. Descobri que posso ser ou sou descendente de Jonathan Maclay o fundador da cidade. E agora é só juntar as coisas, Cody Maclay. _Um sorriso assustadoramente enorme, surgiu no rosto dela. Ela começou a gargalhar.
_Romeu e Julieta, anjo. _Disse “anjo”, com uma pitada de ironia. Desde que ela ouviu Lucas me chamar pelo apelido carinhoso de anjo. Evy vem me zoando. Ela adora isso. Ela nem sequer faz questão de esconder seu sorriso. _O Cody se ferrou! _Gritou. Pulando na cama.
_Ah? _Às vezes nem eu entendo o que ela quer dizer e olha que convivo com essa chata há anos. _Para de pular e senta ai. Traduz o que você disse agora a pouco. Ela parou de pular me obedecendo e se sentou.
_Mi você disse que ao fazer essa pesquisa superentediante, que seu pai passou, descobriu que pode ser descendente de Jonathan Maclay um dos principais fundadores da cidade. _Concordei com um aceno de cabeça. _E que como todos nos já sabemos, Cody Maclay e descendente de Jonathan, então...
_Então... O que? _Perguntei já irritada. Evy aprecia me torturar. Só pode.
_Cody e você são parentes de alguma forma, não próximos, mas parentes. _Sorriu igual o gato de Alice no país das maravilhas. O que me assustou um pouco. _Que coisa feia essa do Cody querer pegar um parente. Passei a mão no rosto, puxando uma grande quantidade de ar para meus pulmões e expirando de vagar.
_ Cody não gosta de mim e eu não gosto dele. Pode parar com sua teoria maluca de colocar romance nessa equação onde o resultado na certa é amizade e nada mais?
_Isso acontece quando se passa muito tempo perto do Cody, começa a colocar matemática em tudo. Você odeia matemática. _sorriu amargamente.
_Ainda odeio, por isso a associei a esse papo. Tanto quanto odeio matemática odeio essa história absurda do Cody gostar de mim.
_Está bem, vou para, por hoje. _sorriu.
_Você não tem jeito Evy. _Gargalhamos juntas.
_Bem, depois do desprazer do entendimento que minha amiga estar pirando, pois se esqueceu de fazer o trabalho.
_Ei! Eu protesto! Comecei a fazer sim, apenas não terminei.
_Protesto negado. Prosseguindo, sem interrupções. Vamos começar a fazer esse trabalho, e ele é uma boa desculpa pra sai correndo dessa casa. Antes que me funda com as paredes. _Ficamos rindo iguais duas bobas. Até sermos interrompidas por uma batida na porta. É a senhora Mooren.
_Só checando. Ainda vivas, nem um osso quebrado ou parte do corpo faltando? _Eu e Evy olhamos uma pra outra e não contemos o riso.
_Tudo ok, senhora Mooren. _Sorrindo, imitando uma perfeita carinha de anjo.
_Se não a conhece-se Mirela, cairia em seu truque de carinha de anjo.
_Mãe, estamos saindo. A idiota da Mirela acabou de me lembrar sobre um trabalho escolar. Vamos e biblioteca. _Se levantou dando um beijo na mãe. Segui-a porta a fora. _Não me espere mãe! No final da noite vou agarrar algum garoto descuidado e inocente por ai! _Gritou da escada.
_Evelyn Mooren! Volte já aqui! _A mãe dela gritou. Mas antes que pudesse terminar seus sermões sobre sexo sem proteção, eu e Evy já estávamos dentro do carro. Como sempre ela ligou o rádio em alto volume. Paramos em frente a biblioteca. Saímos do carro.
_Como eu já peguei o material necessário para fazer o meu trabalho, o que acha da Mirela aqui, vou dormir em uma da biblioteca se entra. Ir buscar café e alguns biscoitos pra minha amiga maravilhosa que amo?
_Quando você começou a ser chata? Que eu saiba essa posição de mais chata é minha! _Berrou feito uma criança mimada. Dei a ela um olhar mortal. Que imediatamente captou. _Está bem, vai lá. Volta logo. Não quero que os livros ganhem vida e me ataquem.
_Por que os livros iriam querer te atacar?
_Por que jogo os amiginhos deles em qualquer lugar e simplesmente os odeio. _Fez cara de nojo. Evy entrou na biblioteca ou purgatório, como ela chama. Caminhei lentamente até um café. Pedi um café com creme, leite e caramelo para Evy e pra mim apenas café com leite. Também comprei uns biscoitinhos de chocolate que Evy ama. Sai do café. Em quanto atravessava a rua, um vento frio fez os pelos do meu braço se arrepiarem. Cole. Continuei andando, mais rápido. Fiquei aliviada ao vê Evy sair da biblioteca, segurando alguns livros, com uma cara nada feliz. Um garoto saiu de dentro da biblioteca a ajudando com os livros. Um enorme sorriso surgiu no rosto dela, apagando qualquer vestígio da cara amarada de antes. Que legal! Eu aqui com medo de um anjo negro e Evy paquerando. Sorri mesmo assim. Um namorado fará muito bem a ela. Que está rindo, pois o rapaz deixou dois livros caírem.
_Ajuda? _Me ofereço. Ele levanta a cabeça, me dando um sorriso angelical. É como receber uma pancada na boca do estomago, não pelo sorriso que acelerou meu coração e sim porque ele se parece exatamente com Cole. O irmão de Jonathan, o mesmo em que vi em minhas visões, viaje ao passado, ou seja, lá o que isso é. As únicas diferenças são o cabelo um pouco maior, que está na altura de seu ombro, óculos de grau e as roupas que são de agora. A altura, os olhos azuis são completamente iguais aos de Cole Maclay.
_Eu adoraria. _Sorriu novamente. Entreguei o café e os biscoitos a Evy que ainda estava rindo. O meu café, já tomei no caminho. Abaixei-me, pegando um livro. Sua mão foi em direção ao mesmo livro ao qual ia pegar e nossas mãos se tocaram. Uma sensação de falta de ar me atingiu. _Você está bem? _Perguntou preocupado. E tudo ao meu redor começou a girar e ficar escuro. Ai, como eu amo o escuro.
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